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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cooperação Brasil – China

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Por ocasião da visita oficial do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, ao Brasil no início desta semana, os governos dos dois países discutiram e firmaram diversos acordos sobre 35 itens, inclusive nos setores aeroespacial e de defesa.



A declaração conjunta firmada pelos mandatários dos dois países cita o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), além de ações em meteorologia e clima espacial. Abaixo, reproduzimos alguns excertos da declaração:

“- Os dois Chefes de Governo assinalaram o êxito do Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres (CBERS), estabelecido em 1988. Renovaram o compromisso de reforçar a cooperação espacial bilateral, com ênfase no desenvolvimento conjunto de novas tecnologias e reafirmaram o compromisso de lançar o sexto satélite da família CBERS - CBERS-4A, com previsão para 2018. Assinalaram seu apoio à implementação do Plano Decenal de Cooperação Espacial (2013-2022), às atividades do Centro Brasil-China para Aplicação de Dados de Satélites Meteorológicos e do Laboratório Sino-Brasileiro de Clima Espacial, bem como à continuidade do compartilhamento gratuito de imagens de satélites com países africanos, por meio do programa CBERS for Africa.

- As duas partes coincidiram sobre o papel estratégico da defesa em suas relações bilaterais. Destacaram a importância do fortalecimento do Diálogo sobre Defesa e Assuntos Militares, voltado para o intercâmbio de informações sobre questões estratégicas e a possível promoção de iniciativas conjuntas. Notaram com satisfação o interesse contínuo de ambos os lados de incrementar a cooperação nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicações e sensoriamento remoto. Nesse contexto, congratularam-se, ainda, pela assinatura de Memorando de Entendimento entre o Ministério da Defesa do Brasil e a Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da China.”

SIPAM

Um dos instrumentos assinados trata da cooperação envolvendo o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), prevendo a constituição de um Grupo de Trabalho Gestor (GTG), co-presidido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e pela Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria Nacional de Defesa (SASTIND).

De acordo com o governo, o acordo tem por objetivos básicos cooperar e compartilhar dados de satélites ambientais, meteorológicos e de observação da terra, além da troca de conhecimento e experiência nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicação e sensoriamento remoto.

Ainda, segundo informações do Ministério da Defesa, o acordo inclui o "intercâmbio de dados e conhecimentos em meteorologia, climatologia, hidrometeorologia e mudanças climáticas; cooperação nas aplicações envolvendo o uso de telecomunicações ponto a ponto e via satélite; promoção da capacitação de recursos humanos nas áreas tecnológicas relacionadas; e a cooperação no mapeamento cartográfico e temático.”

Interesses no setor de defesa

Além da cooperação espacial e da formação do grupo de trabalho para o SIPAM, a China também tem outros interesses no mercado brasileiro de defesa. 

Em reunião em Brasília na última segunda-feira (18), o ministro chinês da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa, Xu Dazhe, destacou ao ministro Jaques Wagner o interesse em expandir a cooperação para programas como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), da Marinha do Brasil. Para o SisGAAz, aliás, que está em fase de concorrência, empresas chinesas integram o consórcio liderado pela Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP). 

Na relação de instrumentos assinados por conta da visita oficial, consta também um memorando de entendimentos entre a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), a China Electronics Corporation (CEC) e o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC). O escopo do documento não foi divulgado. [Atualização em 21/05/2015: o memorando prevê uma iniciativa para o Programa de Integração da Amazônia Legal]

Espera-se uma visita de Jaques Wagner à China no próximo mês de setembro.
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segunda-feira, 20 de abril de 2015

LAAD 2015: MDA - estratégia para o mercado brasileiro

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Tecnologia & Defesa entrevistou Paulo Bezerra, Diretor Sênior de Desenvolvimento Estratégico da companhia canadense MDA sobre seus negócios e planos para o Brasil. Veja a seguir.

O senhor poderia nos dar um panorama sobre o grupo MDA e suas principais unidades de negócios?

A MDA é uma empresa global de comunicações e informações que oferece soluções para organizações comerciais e governamentais em todo o mundo. Os negócios da MDA estão focados em dois mercados principais, o de Comunicações, e o de Vigilância e Inteligência.

Para o mercado de Comunicações a MDA oferece soluções espaciais para entrega eficiente em termos de custos de sinais de TV, rádio, voz, internet e aplicações móveis.

As ofertas da companhia em Vigilância e Inteligência incluem soluções finais para monitoramento e gerenciamento de mudanças e atividades em todo o globo, apoiando uma ampla gama de aplicações de vigilância e reconhecimento, monitoramentos de recursos naturais e agricultura, detecção e monitoramento de poluição, mapeamento e apoio a decisão para a comunidade de inteligência e defesa. A MDA apoia outros mercados com tecnologia avançada em áreas de complexos sistemas de informações, robótica terrestre, sistemas aeronáuticos e serviços, e serviços de veículos aéreos não tripulados.

Fundada em 1969, a MDA cresceu de dois empregados para mais de 4.800 colaboradores em 11 localidades no Canadá, Estados Unidos e instalações no exterior. A companhia tem receitas anuais de cerca de 2,1 bilhões de dólares canadenses (2014), com 29 anos de lucratividade, dados de dezembro de 2014.

A MDA é um nome tradicional no mercado global de observação terrestre com suas capacidades em radar. Qual é a presença da companhia no Brasil neste campo? Vocês veem outras oportunidades locais num futuro próximo?

A MDA é bem conhecida, de fato, por causa de nosso posicionamento histórico como líder mundial em satélites radar. Desde a fundação da companhia, temos sido um player dominante no mercado global de estações terrestres de satélites, e nos movemos para não apenas atuar como "prime contractor" de satélites radares inteiros, mas também para controlar e operar o RADARSAT-2 por meio de uma colaboração como uma parceria público-privada (PPP) única com o governo canadense. Nós assomos assim uma líder mundial na produção e comercialização de imagens radar por satélite e serviços de valor adicionado derivados destas imagens para clientes governamentais e comerciais em todo o mundo. No final, a MDA está inteiramente verticalmente integrada nos negócios de satélites radar.

Adicionalmente, a MDA tem experiência significativa com missões de satélites eletro-óticos, tendo atuado como "prime contractor" para a constelação RapidEye e como fabricante da plataforma e integrador final da constelação Skybox.

Em relação ao mercado de observação terrestre brasileiro, a MDA tem uma longa história com a sua participação no programa SIVAM fornecendo os radares embarcados de imageamento para as aeronaves R-99, da Força Aérea, assim como estações terrestres de satélites para o INPE. Nós também temos fornecido imagens radar para companhias de petróleo por mais de 16 anos para o monitoramento de vazamentos offshore de petróleo, assim como fornecemos imagens para o CENSIPAM para o monitoramento da Amazônia.

Olhando para o futuro, vemos que as características do Brasil, não apenas o tamanho do país, suas fronteiras terrestres e zonas marítimas econômicas exclusivas, mas também pela importância estratégica da Amazônia, a necessidade de gerenciar recursos naturais e desastres, tornam o uso de satélites de importância fundamental para o Brasil. Espera-se, assim, que a demanda por produtos de observação terrestre, tanto de clientes governamentais como privados, cresça substancialmente no Brasil, levando a um aumento de oportunidades para o fornecimento de imagens de satélites comerciais e serviços de valor adicionado, e também de missões completas de satélites e/ou subsistemas.

Dentro deste cenário, a MDA está comprometida com uma estratégia de longo prazo que inclui a instalação de uma presença industrial permanente no Brasil e a criação de parcerias estratégicas com empresas brasileiras.

A MDA possui a fabricante de satélites SSL, que está fornecendo dois satélites de comunicações para a brasileira Embratel StarOne. Qual é sua visão sobre o mercado local de comunicações por satélite e também sobre outras oportunidades, especialmente nos segmentos governamental e militar?

A Space Systems/Loral (SSL) está atualmente fabricando dois satélites para a StarOne: c4 e D1. O C4 está previsto para ser lançado em julho e será o 50º satélite construído pela SSL lançado pela Arianespace. Nós esperamos celebrar este evento.

Em termos de demanda em geral, nós observamos que o mercado comercial de comunicações por satélite é muito dinâmico na região e que nos últimos vinte anos esta demanda nunca parou de crescer. Acredita-se que esta tendência continuará. Hoje, analistas da indústria dizem que haverá um forte crescimento na demanda por satélite de alta capacidade de transmissão de dados na América Latina em geral ao longo dos próximos dez anos e que isto será direcionado tanto para demanda por consumidores por acesso a banda larga, assim como aplicações empresariais como backhaul celular e redes privadas de negócios.

Em relação ao segmento governamental e militar, o governo brasileiro adquiriu, por meio de uma joint-venture entre a Embraer e a Telebrás, a Visiona, um primeiro satélite denominado SGDC-1 para banda larga e comunicações militares. O SGDC-1 está atualmente em construção. Adicionalmente, documentos públicos liberados pelo governo mostram planos iniciais para a contratação do SGDC-2 em 2019. Não se sabe, no atual estágio, se o governo manterá ou antecipará estes planos.

Em uma conferência com investidores em 25 de fevereiro, Daniel Friedmann, diretor-presidente da MDA afirmou que a empresa está estabelecendo uma joint venture no Brasil. É também conhecido publicamente que o grupo está participando da concorrência para o projeto do SisGAAz integrando um consórcio liderado pela Odebrecht Defesa e Tecnologia. Qual é o propósito desta joint venture e qual é o envolvimento da MDA com a proposta para o SisGAAz?

A MDA entende que para penetrar o mercado brasileiro, há a necessidade de uma estratégia de dois eixos: estabelecer uma presença permanente no Brasil, e encontrar parceiros locais, os estratégicos para programas grandes e complexos, e comerciais, industriais e tecnológicos para programas menores, numa base caso a caso. Como explicado por nosso diretor-presidente em conferência com investidores em 25 de fevereiro, nós planejamos criar joint-ventures com nossos parceiros no Brasil, com as estruturas e cronogramas sendo dirigidas por programas específicos que elas pretendam atender.

Especificamente em com relação ao SisGAAz, a MDA submeteu uma proposta para o projeto como parte do consórcio que tem como líder a Odebrecht Defesa e Tecnologia. Nós vemos esta parceria como uma excelente combinação, uma vez que a MDA traz ao Brasil seu conhecimento já comprovado em gestão de programas e engenharia de sistemas complexos de defesa, e o Grupo Odebrecht tem uma grande credibilidade não apenas como uma empresa de engenharia no Brasil, mas também como líder do mais complexo programa da Marinha do Brasil atualmente em andamento, o PROSUB.

Crédito: Tecnologia & Defesa / Official Show Daily.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"Para onde irá a Airbus Defence and Space?"

Para onde irá a Airbus Defence and Space?

Em meados de setembro, a Airbus DS divulgou que focará sua atuação nos setores espacial (lançadores e satélites), aeronaves militares, mísseis e sistemas e serviços associados, tendo definido planos para a venda de negócios que não se enquadram nesses segmentos chave. Dentre as unidades que serão vendidas, estão a de comunicações móveis profissionais (conhecida pela sigla PMR), serviços comerciais de comunicações por satélite, além de subsidiárias e participações em empresas como Fairchild Controls, Rostock System-Technik, AvDef, ESG e Atlas Elektronik. Ainda, para a divisão de eletrônica de defesa e segurança, concentrada principalmente na Alemanha, alternativas industriais serão exploradas com o objetivo de melhor desenvolver e posicionar tais negócios para crescimento futuro e criação de valor.

Pela extensão do grupo, a restruturação terá reflexos no Brasil. O mais imediato envolve a rede de comunicações Tetrapol, utilizada pelo Departamento de Polícia Federal desde 2006, e até então, um dos poucos produtos da antiga Cassidian com presença considerada material no País. Na Europa, a Alcatel e a Thales são citadas como potenciais interessadas nesta unidade.

Outra presença local que deverá passar por mudanças industriais será a Optronbras, subsidiária da Cassidian Optronics, uma das unidades que deu origem à Airbus DS, quando da “fusão” com a Astrium e com a Airbus Military, tendo em vista os planos do grupo para o setor de eletrônica de defesa. A Optronbras foi inaugurada em novembro de 2013 com o propósito de operar como plataforma de negócios no País, em especial em sistemas optrônicos para veículos blindados. A atividade da Airbus DS em optrônica, aliás, exemplifica bem o processo de consolidação em curso na Europa, com suas idas e vindas. Num espaço de menos de dois anos, a então Carl Zeiss Optronics passou a fazer parte da antiga Cassidian, que virou Airbus DS, e que em breve poderá vir a ter um novo dono.

No setor espacial, a Airbus DS buscava desenvolver serviços comerciais de comunicações por satélite, capacidade adquirida quando da compra da Vizada, em 2011, que agora será também alienada. Uma subsidiária brasileira, a Astrium Serviços de Comunicações, chegou a ser constituída no Rio de Janeiro (RJ), e estava em processo de obtenção de todas as licenças necessárias junto a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) para a sua operação.

Apesar de não ter havido qualquer menção a possíveis mudanças envolvendo a unidade de comunicações, inteligência e segurança (Communications, Intelligence and Security), que responde pelas atividades da Airbus DS em vigilância marítima, é possível que a restruturação tenha algum reflexo nos planos do grupo em participar da concorrência do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil, considerando que algumas de suas soluções são oriundas da unidade de eletrônica de defesa.

Fonte: coluna Defesa & Negócios, Tecnologia & Defesa n.º 139, outubro de 2014.
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domingo, 28 de setembro de 2014

"SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira"

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SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira

André M. Mileski

Apesar de alguns importantes acontecimentos nos últimos anos, como a edição de um novo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012-2021), o surgimento da figura de uma prime contractor e a contratação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), não se pode dizer que a indústria espacial brasileira vive um momento de exuberância. Pelo contrário. Formada por um pequeno número de pequenas e médias empresas, o setor industrial nacional está em crise, decorrente, principalmente, da falta de encomendas de seu principal (e único) cliente, o que tem gerado, inclusive, demissões.

A Agência Espacial Brasileira (AEB), a quem em tese compete exercer ações de política industrial previstas na PNAE, reconhece a situação. “Realmente, esse momento é o momento em que estamos concluindo vários projetos e precisamos retomar outras iniciativas”, afirmou José Raimundo Coelho, presidente da Agência, em entrevista dada à T&D no final de 2013.

É com base neste cenário, e enquanto outras missões do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) não se materializam, que se busca viabilizar o projeto do Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), lançado pela AEB em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

Histórico

Muito embora tenha um forte componente de política industrial, o SCD-Hidro não está sendo desenvolvido pura e simplesmente para gerar carga de trabalho para as indústrias brasileiras. A participação da ANA decorre do fato desta ser a principal usuária do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) (ver box), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do qual depende para seus monitoramentos do volume de água e do balanço hidrológico dos reservatórios. Desta forma, o projeto atende a uma demanda do governo, além de funcionar como uma ação de política industrial, num campo tecnológico já plenamente dominado pela indústria espacial nacional.

Oficialmente, o projeto teve início no final de maio de 2012, com a assinatura de um memorando de entendimentos que previa a criação de um grupo de trabalho para o estudo sobre a viabilidade de desenvolver um microssatélite para missão de coleta de dados hidrometeorológicos. Com isso, o projeto avançou relativamente rápido, com a contratação da iniciativa privada para um estudo comparativo de soluções. Em agosto de 2013, a AEB lançou o Edital da Concorrência n.º 01/2013, prevendo a “contratação de empresa especializada para realizar Estudo Comparativo de Soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), mediante o regime de empreitada por preço global”.

Dando prosseguimento à licitação, no mês seguinte foram habilitadas três empresas interessadas na concorrência: a Mectron, pertencente ao grupo Odebrecht Defesa e Tecnologia, a Equatorial Sistemas, do grupo Airbus Defence and Space, e a Omnisys Engenharia, controlada pela francesa Thales. O resultado final saiu em outubro, tendo a Equatorial Sistemas sido selecionada com uma proposta de R$ 1,885 milhão. Do estudo comparativo, participam ainda, na qualidade de subcontratadas, a Visiona Tecnologia Espacial, uma joint-venture entre a Embraer e a Telebras, e a Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP).

Propósitos, finalidades e perspectivas

O projeto tem por propósito principal garantir a continuidade dos serviços do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, que teve início com os satélites SCD-1 e SCD-2 desenvolvidos pelo INPE e colocados em órbita durante a década de 1990.

Segundo informou a AEB, a proposta atualmente em estudo, direcionada aos interesses da ANA, não apenas atende aos requisitos originais do sistema, mas amplia sua capacidade e funcionalidade, possibilitando o aumento do número de plataformas instaladas, a ampliação dos serviços para além das fronteiras nacionais, além da redução do tempo de revisita, o que permitiria atender também à comunidade que lida com desastres naturais com origem hidrológica. As capacidades do SCD-Hidro também podem vir a servir outros projetos, como o futuro Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil, considerando que na atualidade o SBCDA já recebe dados ambientais gerados a partir de plataformas marítimas localizadas em zonas marítimas do Brasil e da África. Ainda, a reportagem apurou que a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), responsável por ações do Ministério da Defesa no âmbito espacial, acompanha a iniciativa com atenção, interessada em sua capacidade de coleta e transmissão de dados gerados em solo.

As alternativas em análise consideram constelações que variam de dois satélites em órbita baixa e equatorial, a até seis satélites também em órbita baixa, mas dispostos em três planos orbitais distintos.

A proposta leva em conta um prazo de até três anos para o primeiro lançamento, contados da data da contratação. Tal prazo, no entanto, dependerá da definição quanto à configuração do sistema em órbita, que poderá ser de lançamento múltiplo, isto é, com todos os satélites sendo lançados ao mesmo tempo, ou por plano orbital, com lançamentos distintos.

A expectativa da AEB é de que o sistema seja contratado até o final de 2014 junto a uma empresa integradora nacional, potencialmente, a Visiona Tecnologia Espacial, que já exerce este papel no SGDC, estratégia em linha com os preceitos do PNAE. Representantes da Visiona, aliás, têm visitado empresas nacionais que poderiam participar do projeto, e também participado de reuniões com possíveis parceiros estrangeiros.

A propósito, uma das parcerias internacionais em consideração é com a Espanha. No final de maio, representantes da AEB, da ANA e da Visiona tiveram uma reunião de apresentação da proposta de cooperação do Centro Espacial da Galícia, ligado à Universidade de Vigo, com o Brasil, envolvendo a missão hidrometeorológica. Segundo divulgou a AEB na ocasião, a ação cooperativa envolveria financiamento de projetos com os recursos de ambas as instituições, com investimentos igualitários entre as partes.

O centro espanhol, que no momento conta com dois cubesats em órbita e prepara o lançamento de outro para breve, coordena uma rede mundial de satélites apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que possibilita aos países parceiros transmitir e compartilhar dados sobre emergências humanitárias ou outras informações úteis a estudos sobre o câmbio climático e o controle e detecção de incêndios, por meio de sensores orbitais considerados de baixo custo.

Caso a previsão de contratação do SCD-Hidro este ano se confirme, espera-se sua entrada em operação até o final de 2017. Os custos do projeto ainda estão em revisão e, de acordo com a AEB, ainda não há previsão orçamentária para o projeto completo. “Os recursos disponíveis no momento estendem-se por quatro anos, mas a um nível ainda insuficiente para arcar com todos os investimentos”, segundo informação a Agência.

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Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais

A origem do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) remonta à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), criada no final da década de 1970 e que buscava dotar o País de autonomia na construção, lançamento e operação de meios espaciais. Dentre as missões compreendidas na missão, estavam os satélites SCD-1 e SCD-2, inspirados no programa franco-americano ARGOS, para coleta de dados ambientais gerados em plataformas terrestres. De fato, 35 anos após a criação da MECB, os satélites de coletas de dados são umas de suas poucas ações bem sucedidas.

Apesar de terem superado em muitos anos suas vidas úteis planejadas, os dois SCD continuam em operação, e ao longo desse tempo foram complementados por transpônderes de coleta de dados instalados em satélites da série CBERS, desenvolvido pelo Brasil em conjunto com a China.

Grosso modo, o SBCDA funciona por meio da retransmissão de mensagens enviadas por centenas de plataformas de coletas de dados, gerados por sensores, distribuídas por todo o território nacional, áreas marítimas e mesmo em alguns países vizinhos. Uma vez recebidas, os satélites armazenam os dados e os retransmitem para estações de recepção localizadas em Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), quando visíveis, isto é, com passagens na área de cobertura das estações de recepção. Grande parte das plataformas, conhecidas pela sigla PCD (Plataforma de Coleta de Dados) dispõem de sensores que geram dados meteorológicos, como velocidade e direção dos ventos, umidade e temperatura, e hidrológicos, como os níveis de reservatórios. As PCDs mais modernas contam com painéis solares e baterias que garantem seu funcionamento de forma autônoma.

Os dados são enviados para o Sistema Integrado de Dados Ambientais, (SINDA) situado no Centro Regional do Nordeste do INPE, em Natal (RN), onde são processados, armazenados e disseminados aos usuários, por meio da internet, no prazo máximo de 30 minutos após a recepção.

Além do SCD-Hidro, outra iniciativa que visa dar continuidade ao SBCDA é desenvolvida no CRN/INPE desde 2011. Trata-se do CONASAT, uma constelação de seis nanossatélites, projetados com base na tecnologia dos cubesats. (AMM)

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 138, setembro de 2014.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SGDC: contrato para uso de banda X

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Satélite de comunicação e defesa brasileiro será lançado em 2016

Brasília, 11/09/2014 - O Ministério da Defesa e a Telebrás assinaram nesta quinta-feira (11) contrato que autoriza o uso da banda X – voltada à comunicação militar – do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Com previsão de conclusão para 2016, o novo satélite será o primeiro a ser 100% controlado por instituições brasileiras. Atualmente, os satélites que auxiliam a comunicação do país são controlados por estações de fora. [Nota do blog: esta informação é imprecisa. Os satélites que ocupam posições orbitais brasileiras devem, em tese, ser controlados por estações situadas em território brasileiro. Este é o caso dos satélites da Star One, que tem uma estação de rastreio e controle em Guaratiba, no Rio de Janeiro]

Quando estiver em órbita, o artefato terá uma banda de uso exclusivo militar, o que vai garantir segurança total nas transmissões de informações estratégicas do país.

“Esse é um momento histórico, em que o Brasil irá comandar seu satélite e usá-lo de forma estratégica”, disse o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, durante a cerimônia de assinatura do contrato.

O general destacou que a novidade trará “vantagem enorme” para operações de proteção do país, como os projetos de implantação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), a cargo da Marinha, e do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), sob execução do Exército Brasileiro.

O projeto de construção e controle do satélite também prevê transferência de tecnologia, o que dará ao Brasil o domínio desse tipo de conhecimento, que poderá ser disseminado nas mais diversas áreas - em especial, no meio da indústria de defesa.

Além disso, a banda ‘Ka’ do satélite facilitará a execução do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), levando comunicação de qualidade às regiões mais afastadas do Brasil, que ainda dependem da construção de rotas de fibra ótica para terem acesso à internet.

“É estratégico para a Telebrás fazer parte desse momento do país, de retomada do controle tecnológico, de operações de um satélite estratégico”, disse o presidente da empresa, Francisco Ziober. “Nós vamos levar cidadania às comunidades mais isoladas, por meio do satélite”, completou.

O investimento da área de Defesa no projeto será de R$ 489 milhões – o que equivale a 22% do custo total do satélite.

Fonte: Ministério da Defesa
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cooperação Brasil - China

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Brasil e China projetam novas parcerias para a indústria de defesa

Brasília, 16/07/2014 – Brasil e China trabalham para ampliar as cooperações no desenvolvimento de produtos industriais de defesa. Nesta quarta-feira (16), o ministro da Defesa, Celso Amorim, se encontrou com o ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da República Popular da China, Xu Dazhe, em reunião preparatória visando à celebração de parcerias nas áreas de sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia. O acordo deverá ser assinado nesta quinta-feira (17) entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente chinês, Xi Jinping, no âmbito da VI Cúpula dos Brics, em Brasília.

No encontro, Amorim destacou que o acordo abre novas oportunidades de cooperação e de projetos conjuntos na área de defesa. O ministro destacou que Brasil e China são parceiros de longa data na produção de satélites de observação da Terra. “Outras áreas podem se abrir, como proteção marítima e de vigilância da fronteira terrestre”, afirmou.

O ministro disse ainda que o Brasil tem interesse em conhecer aspectos relativos à segurança nuclear e na área de defesa cibernética. Amorim afirmou que, em uma próxima reunião do comitê bilateral, pode ser debatido uma aproximação entre os centros de pesquisas e empresas dos dois países.

Já o ministro chinês fez questão de lembrar que a parceria entre os dois países remonta 40 anos de cooperação. Xu Dazhe também recordou o projeto do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers). “Temos características diferentes em nossos países, mas temos pontos fortes, num diálogo de alto nível”, mencionou o ministro chinês.

Segundo o ministro Xu Dazhe, seu país tem interesse em expandir a cooperação em programas brasileiros de proteção aos recursos naturais, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), além de dar continuidade à parceria espacial.

Fonte: Ministério da Defesa
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terça-feira, 24 de junho de 2014

SGDC: primeira etapa da transferência tecnológica

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Militares concluem primeira etapa de transferência de tecnologia na França

24/06/2014 09:48h

Profissionais se preparam para operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro a ser lançado em 2016

Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) concluíram nessa quinta-feira (19/06) em Cannes, na França, o curso avançado do programa de absorção de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. Esta é a primeira etapa de preparação dos militares que devem operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro.

Com lançamento previsto para 2016, o satélite atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e uma ampla área comunicações estratégicas nos âmbitos civil e militar.

De acordo com o chefe do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NuCOPE-P), unidade da FAB que vai operar todos os satélites militares brasileiros, Tenente-Coronel Helcio Vieira Junior, o projeto vai mais que dobrar a capacidade de comunicação satelital nacional. “Vamos operar aqui do Brasil com domínio de comando e controle”, afirma.

Entre as novas capacidades, estão o aumento de cobertura das comunicações das Forças Armadas, principalmente em apoio ao SISFRON (Sistema de Monitoramento das Fronteiras Terrestres), ao SISGAAZ (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) e ao SISDABRA (Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro).

Ao longo de dez semanas de aulas, os militares participaram de instruções nos diversos sistemas que envolvem o planejamento, o projeto, a construção, a operação e a validação de Sistemas Espaciais, abordando tecnologias, sistemas e gerência de sistemas.

Além da operação de maneira eficaz, eficiente e segura, garantindo o sigilo das informações trafegadas pelo satélite, a preparação dos militares permite conhecimento para a especificação da constelação satelital para sensoreamento, previsto para 2018. “Estamos participando da construção e aprimorando conhecimento sobre satélites em geral pensando na próxima etapa do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais, o PESE”, explica.

Equipe multidisciplinar – Além dos futuros “pilotos satelitais”, participam da capacitação militares do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e da Marinha do Brasil, além de representantes da Empresa Visiona e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, especificamente a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O programa de absorção de tecnologia tem o objetivo de construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas brasileiras no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.

Para o curso de Engenharia Espacial do ITA, por exemplo, é uma oportunidade de atualização, com abertura de novas linhas de pesquisa com o objetivo de disseminar os conhecimentos na indústria espacial brasileira. Para o IFI, permitirá cursos de certificação e confiabilidade de produtos, colaborando com a capacitação do Instituto nas áreas de garantia do desempenho, da segurança e da disponibilidade de produtos e sistemas espaciais.

Fonte: FAB
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domingo, 4 de maio de 2014

"O Brasil nos planos da MDA"

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O Brasil nos planos da MDA

André M. Mileski

Uma das principais características do Canadá, facilmente notada por qualquer visitante, é seu forte caráter multinacional. Dos países desenvolvidos, é o que mais recebe imigrantes, oriundos de praticamente todas as regiões do mundo. No final de janeiro, a reportagem de T&D esteve na Califórnia, nos Estados Unidos, e em Vancouver, no Canadá, para conhecer um pouco mais sobre a MacDonald, Dettwiler and Associates (MDA), que, a exemplo de seu país de origem, também está muito alinhado ao conceito de multinacionalidades. E isso se percebe de diferentes maneiras, inclusive entre os altos executivos. O presidente do grupo, Daniel Friedmann, nasceu em Santiago do Chile. John Celli, presidente da Space Systems/Loral (SSL), adquirida pela MDA, é italiano. E não são casos isolados, havendo outros exemplos de executivos e funcionários de origem estrangeira ocupando posições importantes.

Como parte de sua missão, a MDA, com clientes em todos os continentes, está buscando se tornar mais multinacional, tendo a intenção de ampliar suas bases industriais para além do Canadá e Estados Unidos, em mercados emergentes, como o Brasil, a Rússia e a Índia.

Capacidades e tecnologias

A MDA foi fundada em 1969 por dois empreendedores, John MacDonald e Werner Dettwiler, que deram origem ao seu nome. Ao longo de sua história, a empresa realizou aquisições e consolidações, tornando-se um dos principais grupos em suas áreas e atuação no mundo. Contando com cerca de 4.500 funcionários, se identifica como uma companhia global de comunicações e informação, fornecendo soluções operacionais para organizações comerciais e governamentais. Em 2012, seu faturamento superou US$ 1,835 bilhão.

A MDA está organizada em duas divisões principais: Comunicações, e Vigilância e Inteligência (Surveillance and Intelligence), que tem sob seu guarda-chuva as atividades de vigilância baseadas em satélites e em aeronaves, estações terrestres e serviços de informação geoespacial.

As soluções envolvendo satélites, por exemplo, incluem missões radar, tecnologia em que a MDA é reconhecida como líder, como a família RADARSAT, e a expertise para o desenvolvimento e construção de satélites e constelações para necessidades em observações terrestre, como a RapidEye, e espacial. Também inclui toda a capacitação em robótica espacial, outra área em que tem grande reputação internacional - o enorme “braço” robótico que equipa a Estação Espacial Internacional, chamado de Canadarm, foi desenvolvido e fabricado pela empresa.

A série de satélites RADARSAT teve início em 1995, com a colocação em órbita de sua primeira unidade, que esteve ativa por 18 anos, e que de certa forma definiu padrões de operação de radares baseados no espaço. Em dezembro de 2007, o segundo satélite da série foi colocado em órbita e se encontra em operação, fornecendo dados para aplicações civis, comerciais e em defesa. Uma nova constelação, conhecida como RCM (RADARSAT Constellation Mission) teve sua fase de construção contratada pelo governo canadense no início de 2013 e envolverá, inicialmente, três unidades com lançamento previsto para 2018. Quando em órbita, os novos satélites proporcionarão cobertura diária das zonas costeiras da América do Norte, com modos otimizados para a detecção de navios, além de integração simultânea com dados AIS (Automatic Identification System) para operações de interdição. O Canadá já planeja uma extensão da constelação com outras três unidades, e está ativamente buscando por parceiros internacionais para ampliar ainda mais a constelação e a frequência de revisitas.

Em matéria de radares embarcados, a MDA desenvolve e projeta radares específicos e complexos para imageamento em alta resolução por meio de tecnologia radar (SAR - Synthetic Aperture Radar), e tecnologias de identificação de movimentação de alvos e outras ferramentas de detecção e identificação.

Junto ao fato de ter construído os satélites RADARSAT, a MDA é operadora, respondendo ainda pela distribuição global de suas imagens. Ao mesmo tempo, a companhia oferece serviços derivados das imagens para clientes em diferentes setores, como defesa, meteorologia, transportes, energia, mineração, petróleo e gás, etc.

Em estações terrestres para a recepção de dados de imagens, a MDA já ultrapassou 40 anos de experiência e entregou mais de 70 unidades desde 1980. Suas estações hoje recebem dados de diversos satélites, como os World View 1 e 2, Pleiades 1A e 1B, SPOT 6 e 7, a constelação RapidEye, RADARSAT-2, entre outros.

É dentro da divisão Surveillance and Intelligence que são desenvolvidas as soluções em vigilância e monitoramento marítimos, como o Polar Epsilon, em operação pelas Forças Armadas canadenses. Por meio desse sistema, o país é capaz de detectar, identificar e rastrear ameaças em potencial nos mais de 20 milhões de km2 da área marítima de sua responsabilidade. Toda esta área é imageada diariamente pelo RADARSAT-2 e, por meio de estações localizadas nas costas leste e oeste, as imagens são baixadas, processadas e analisadas, e as informações resultantes são transmitidas aos centros de operações marítimas num tempo inferior a 15 minutos. Como parte desse processo, o sistema, com intervenção dos operadores, realiza as detecções das embarcações presentes nas imagens e faz um cruzamento dessas detecções com os sinais emitidos por transpônderes AIS das embarcações, que são transmitidos por satélite. Desta forma, potenciais ameaças podem ser identificadas.

Outro produto são os centros de comando marítimo, criados para estabelecer uma Consciência Situacional Marítima, por meio da integração de diferentes sensores e fusão de dados. Ferramentas analíticas são utilizadas nesses centros para apoiar na identificação automática de ameaças e envio de alertas, permitindo ações rápidas. Elas proporcionam a detecção de ameaças quando características específicas de determinadas embarcações, obtidas de diferentes fontes, são consistentes com padrões indicativos de comportamento ilegal ou suspeito. Ainda, possibilitam buscas complexas de embarcações com base em localizações, períodos e contextos, além de preverem suas posições, rotas e destinos.

Liderança em comunicações por satélite

Em junho de 2012, a MDA deu um grande salto ao adquirir da holding Loral Space & Communications, por US$ 875 milhões, a SSL. Com a aquisição, a MDA consolidou sua presença no setor espacial, em particular, em comunicações, segmento em que já atuava quanto a cargas úteis e subsistemas, principalmente, e passou a ter uma notada presença industrial nos Estados Unidos, um mercado considerado estratégico. A origem da SSL, no entanto, remonta a 1957, quando foi fundada com o nome Western Development Laboratories, do tradicional grupo Philco. Em 1976, a SSL passou a integrar a divisão de sistemas espaciais da Ford Motors, que a vendeu para a Loral Space & Communications no início da década de 1990.

Seu primeiro satélite foi o Courier 1B, colocado em órbita em outubro de 1960, e o primeiro artefato da história a realizar uma transmissão de dados entre diferentes pontos da Terra. Por meio do Courier 1B, um globo com cerca de 230 kg, o presidente norte-americano à época, Dwight Eisenhower transmitiu uma mensagem às Nações Unidas.

Hoje, a SSL responde por cerca de metade do faturamento da MDA, ocupando a liderança no segmento de satélites comerciais de comunicações. Neste mercado, desde 2005, a companhia fechou mais de 50 contratos, representando cerca de 40% do total de encomendas para satélites geoestacionários comerciais com potência superior a 8 kW. Seus números, em geral, impressionam. Os clientes incluem as principais operadoras, e mais de 70 satélites geoestacionários que saíram de suas instalações em Palo Alto estão em operação em órbita. Desde o seu surgimento, a SSL construiu mais de 250 satélites, contando com uma carteira de pedidos superior a 20 artefatos.

Estreando no mercado de observação terrestre, no início de fevereiro, a SSL anunciou sua contratação pela Skybox Imaging, dos Estados Unidos, para a construção de uma avançada constelação de pequenos satélites de observação de órbita baixa, formada por treze satélites, cada um com dimensões de 60 x 60 x 95 centímetros e massa aproximada de 120 kg, a serem lançados em 2015 e 2016. Os satélites serão capazes de gerar imagens coloridas submétricas e vídeos em alta definição com até 90 segundos e 30 frames por segundo. Uma vez completada, a constelação proporcionará três revisitas diárias de um mesmo ponto na Terra. “O contrato da Skybox é uma evidência concreta de nosso sucesso em trabalhar com a MDA para nos expandirmos em novos mercados”, declarou John Celli. “Baseado nas capacidades únicas da SSL como fabricante de satélites e na história da MDA, nós estamos desenvolvendo novas capacidades que nos permitir buscar outras oportunidades em observação terrestre e satélites de órbita baixa nos Estados Unidos e no exterior.” Como parte do acordo, a SSL terá uma licença exclusiva do design do satélite projetado pela Skybox Imaging, abrindo um novo leque global de oportunidades.

Brasil: negócios e oportunidades

A MDA atua no mercado brasileiro desde a década de 1980, quando a Spar Aerospace forneceu para a então estatal Embratel seus primeiros dois satélites de comunicações, os Brasilsat A1 e A2. Nos anos de 1990, o grupo canadense participou do projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), fornecendo uma estação terrestre capaz de receber e processar dados de cinco diferentes satélites de sensoriamento, integrada às instalações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e radares de imageamento em bandas L e X que equipam as aeronaves Embraer R-99, da Força Aérea Brasileira (FAB). Há mais de 15 anos, fornece imagens radar geradas por sua família RADARSAT para a Petrobras e outras empresas brasileiras, permitindo cobertura diária de suas plataformas offshore.

Em comunicações, a SSL firmou nos últimos anos contratos com a Star One, principal operadora de comunicações por satélite do Brasil e uma das maiores da América Latina, para o fornecimento de dois satélites geoestacionários, o Star One C4, previsto para ser lançado no final de 2014, e o Star One D1, que deve voar em 2016, ambos a bordo do lançador Ariane 5, da Arianespace. Os dois novos sistemas fornecerão capacidade para novas demandas decorrentes dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Em entrevistas concedidas à T&D, executivos do grupo também mencionaram o crescente interesse de países na região em desenvolver suas próprias capacidades espaciais, como em comunicações e observação terrestre.

A SSL foi uma das finalistas da concorrência do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que proverá capacidade nas bandas Ka e X para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), respectivamente. Embora não tenha sido selecionada, a empresa, que construiu mais satélites de banda larga do que qualquer outro fabricante, está atenta a futuras oportunidades para atender ao governo brasileiro.

No continente latino-americano, a MDA também fornece sistemas e serviços para governos e clientes comerciais há mais de 30 anos, possuindo contratos ativos no México, Colômbia, Venezuela e Argentina. A companhia construiu outros satélites de operadores internacionais que oferecem serviços de transmissão para o Brasil e América Latina, contando ainda com outros satélites em sua carteira de pedidos.

Na visita ao Canadá, executivos destacaram que para atenderem as necessidades oficiais, o grupo busca estabelecer uma presença local de longo prazo, de forma a desenvolver soluções locais não apenas para o Brasil, mas também para mercados em que o País tenha forte influência geopolítica, diretrizes em linha com os preceitos da Estratégia Nacional de Defesa.

Falando em perspectivas, e em busca do ímpeto inicial para tais objetivos, a MDA está atenta a oportunidades relacionadas a programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), em implantação, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), estes últimos prestes a serem licitados. Como parte desse esforço, a empresa tem interagido com o governo e órgãos militares para entender as demandas, e considerado vários modelos de parcerias com indústrias brasileiras dos setores aeroespacial e de defesa.

Por razões lógicas, o SisGAAz, assunto do momento para a defesa brasileira, é uma iniciativa à qual a MDA tem muito o que contribuir, segundo foi destacado à T&D. Ao longo de sua trajetória, o grupo desenvolveu várias soluções de vigilância e monitoramento de extensas áreas marítimas para o governo canadense e outros clientes internacionais que envolvem assuntos complexos, como fusão de dados, integração de sistemas e sofisticados algoritmos, apenas para citar alguns. Segundo representantes da MDA, tais conhecimentos, adquiridos e desenvolvidos em projetos em operação, são fundamentais para o efetivo funcionamento de redes complexas como a planejada para o SisGAAz.

Numa fase menos madura, embora bastante avançada, também já começam ocorrer movimentações industriais direcionadas ao PESE (ver matéria), programa de grande interesse da MDA e que deve envolver um forte elemento de transferência tecnológica e indústrias locais. Além desses grandes projetos de sistemas, os canadenses também estão atentos a outras oportunidades no País, como a ampliação de serviços de imagens por satélite – algo inerente ao Brasil por sua extensão territorial, e uma futura modernização do sofisticado radar de abertura sintética que equipa o R-99, um projeto que está em consideração pela FAB.


Identificando ameaças e práticas ilegais

Na visita da reportagem de T&D à MDA no Canadá, houve a oportunidade de acompanhar uma apresentação sobre o sistema BlueHawk, para a Consciência Situacional Marítima, disponível por meio de assinaturas mensais. Basicamente, trata-se de um serviço de informações da MDA que envolve a fusão de dados comerciais e não confidenciais, oriundos de satélites, sinais AIS e LRIT, dados de registro de navios e outros dados contextuais.

Dois exemplos reais do BlueHawk demonstram a importância de se dispor de meios eficazes de vigilância. Em janeiro de 2013, numa área de 500 km por 500 km na costa de São Paulo, imagens do satélite RADARSAT-2 identificaram 233 embarcações, enquanto que apenas 179 estavam transmitindo sinais AIS. Por regras internacionais, qualquer embarcação civil com tonelagem igual ou superior a 300 toneladas deve obrigatoriamente dispor de um transpônder AIS, permitindo o seu monitoramento por meio de sinais transmitidos a satélites.

Outra demonstração apontou uma prática ilegal, mas que é comum: navios-tanque que “lavam” seus tanques em alto mar, antes de chegarem aos portos. Com a “lavagem”, uma quantidade significativa de óleo e/ou outros produtos químicos são despejados no mar, causando poluição e deixando rastros que podem ser identificados por satélites. O BlueHawk imageou a prática e identificou o navio.


Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Por dentro do PESE"

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Por dentro do PESE - Conhecendo os seus propósitos e objetivos

André M. Mileski

a edição n.º 132, Tecnologia & Defesa traçou um panorama sobre as ações hoje em curso nas Forças Armadas brasileiras envolvendo sistemas espaciais, em particular, satélites, em linha com o preconizado pela Estratégia Nacional de Defesa (END), documento hoje basilar para qualquer política associada à defesa no País [veja a reportagem]. Na ocasião, foi focado o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), finalmente contratado no final de 2013, e que proverá capacidade para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).

Também já esteve na pauta da revista, ainda que brevemente, a criação da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), constituída pelo Comando da Aeronáutica (ComAer), em fevereiro de 2012, para coordenar o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).

Origem e justificativas

O Comando da Aeronáutica, juntamente com outros órgãos governamentais, foi incumbido na END da responsabilidade de buscar autonomia do ciclo completo associado ao campo espacial, que inclui a produção, lançamento, operação e reposição de sistemas espaciais, abrangendo desde veículos lançadores a satélites e seu segmento solo.

As diretrizes de implantação do PESE foram aprovadas pelo ComAer em maio de 2012, considerando um cenário de ações de curto, médio e longo prazos, num horizonte de 20 anos. O PESE aponta várias premissas operacionais e técnicas necessárias ao emprego de sistemas espaciais pelas Forças Armadas, com foco na definição de suas necessidades e requisitos. Os sistemas considerados no PESE devem atender, no campo militar, à modernização de variados sistemas atualmente em operação, como o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), o Sistema de Enlaces de Digitais da Aeronáutica (SISCENDA), o SISCOMIS, o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2), e outros que estão em fase de planejamento ou implantação, como o Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (SISFRON) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).

Planeja-se ainda o uso de tais sistemas em apoio a iniciativas civis, como, por exemplo, em prevenção e ação em casos de grandes catástrofes ambientais, no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), e no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), entre outros.

Premissas

Em sua arquitetura, o PESE apresenta alguns requisitos mínimos e premissas, como a realização de lançamentos anuais de satélites, a preferência por satélites de menor porte e com ciclo de vida mais reduzido, destinados a órbitas baixas, minimizando assim os custos de lançamento. Nos casos de comunicações e meteorologia, até pela natureza das missões, estão previstos satélites geoestacionários de maior porte. Ainda, as contratações dos sistemas quando realizadas no exterior deverão ser acompanhadas de cláusulas de compensação (conhecidas como offsets), buscando aumentar o conteúdo nacional e ganhos com participação industrial e transferência tecnológica em áreas críticas.

Tais premissas são fortemente inspiradas na busca de autonomia, não apenas operacional e técnica, mas também industrial, por meio do envolvimento crescente da Base Industrial de Defesa (BID).

Principais características

Inspirado pelo conceito de guerra centrada em rede (Net Centric Warfare), uma das principais inovações do PESE é o objetivo de se criar um Centro de Operações Espaciais (COPE), que será subordinado ao Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) e sediado em Brasília (DF). Prevê-se a instalação de um COPE reserva, situado numa localidade diferente e afastada do centro principal, contando com alto grau de automação para minimizar a necessidade de pessoal.

Caberá ao COPE coordenar todas as atividades operacionais que façam uso de constelações de sistemas espaciais, oferecendo serviços nas áreas de comunicações, observação, mapeamento de informações, posicionamento e monitoramento espacial para o Ministério da Defesa e seus três Comandos, e outros usuários oficiais.

Em sua concepção, o PESE tem seis classes principais de “produtos” que deverão ser gerados por seus satélites e sensores em órbita: Comunicações; Observação da Terra; Mapeamento de Informações; Monitoramento do Espaço; Posicionamento; e o COPE, os quais são melhor detalhados em subclasses. No caso da Observação da Terra, por exemplo, figuram demandas como sensoriamento remoto ótico e radar, além de dados meteorológicos. É com base nessas classes e subclasses, que representam as necessidades operacionais das Forças Armadas em termos de dados gerados a partir do espaço, que serão definidos os requisitos técnicos e as constelações de satélites a serem implementados pelo programa, identificados especificamente como cada subprograma ou projeto.

Dependendo do contexto, também poderão ser levadas em conta alternativas que envolvam conceitos como Hosted Payloads (cargas úteis hospedadas), missões Piggyback (voo de “carona”) e Constelação Virtual, que podem resultar em economia de recursos e agilidade no acesso ao serviço buscado. Como no caso de Hosted Payloads, onde sensores são “hospedados” em satélites de terceiros, comerciais ou não. Este é o modelo até então utilizado pelo SISCOMIS, que tem transpônderes em banda X a bordo de satélites comerciais da operadora brasileira Star One, do grupo Embratel.

As missões em perfil Piggyback, significam o aproveitamento de capacidade ociosa em algum lançamento para acomodar satélites de menor porte. Já o conceito de Constelação Virtual, comumente utilizado na Europa e também por aliados dos norte-americanos em comunicações, envolve a participação numa constelação já existente por meio de acordos e contratos, de forma a viabilizar a utilização imediata dos dados ou capacidade de uma rede já em órbita, até que um satélite próprio seja incluído.

Num primeiro momento, o interesse do ComAer é por uma constelação de satélites de observação, mais precisamente óticos, que atenderiam a situações mais imediatas, em operação até o final desta década. Em seguida, viriam satélites radar, capazes de imagear diuturnamente a superfície terrestre mesmo com cobertura de nuvens.

Perspectivas mais imediatas

O orçamento federal aprovado pelo Congresso Nacional destina ao Ministério da Defesa recursos de R$113 milhões, montante suficiente para a implantação de alguns elementos previstos no PESE.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas por T&D, são aguardados avanços concretos do PESE para 2014, muito embora há que se considerar que possam haver atrasos em função do corte de R$ 3,5 bilhões anunciado no orçamento do Ministério da Defesa. Há quem entenda que não haverá tempo hábil para a assinatura de um primeiro contrato (ainda que haja recursos disponíveis), mas acredita-se que neste ano seja iniciado um processo visando à contratação de sistemas, como o envio de solicitações de propostas para fabricantes interessados.

Em paralelo, também começam a surgir movimentações industriais de grupos e empresas estrangeiras e nacionais visando participar do programa. Pelo que a reportagem de T&D pode apurar, o Ministério da Defesa trabalha com a ideia de contratar os sistemas do PESE lançando mão do mesmo artifício utilizado para o SGDC, isto é, por meio de uma prime contractor nacional, que atuaria como integradora dos satélites. Neste sentido, a Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal de telecomunicações Telebras, cuja criação foi “patrocinada” pelo SGDC, desponta como uma candidata natural. Junto às atividades de telecomunicações, a empresa já publicamente divulgou sua intenção de buscar oportunidades relacionadas ao PESE e também ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira.

Nos bastidores, comenta-se sobre a possibilidade de que outras companhias e conglomerados industriais nacionais também buscarem exercer o papel de prime contractor do programa. Seria o caso da Odebrecht Defesa e Tecnologia e sua controlada Mectron, de São José dos Campos (SP), que já possui alguma atuação no setor espacial fornecendo subsistemas para satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros.

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

PESE: expectativas para 2014

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Há algumas semanas, publicamos uma notícia sobre o seminário da Marinha do Brasil, realizado no último dia 17, sobre o início do período de solicitação das propostas (RFP) para o projeto do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), oportunidade que está atraindo as atenções do setor industrial brasileiro e também estrangeiro. Mas, fato, para 2014 há ainda muita expectativa de outros projetos, inclusive da área espacial.

A análise do orçamento federal para 2014 não revela muitas novidades para o Programa Espacial tocado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio de suas autarquias (Agência Espacial Brasileira - AEB, e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE), com recursos, pouco mais de R$300 milhões, destinados a projetos já ordinários, como o programa de satélites, tecnologias espaciais e lançadores, entre outras iniciativas abarcadas no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

Mas, o que tem atraído a atenção, na verdade, não está no orçamento do MCTI, mas sim no do Ministério da Defesa: trata-se da implantação do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) (veja a postagem "Sistemas espaciais para a defesa brasileira", de abril de 2013). No orçamento federal para este ano aprovado pelo Congresso Nacional, prevê-se a destinação de R$113 milhões, montante suficiente para a implantação de alguns elementos previstos.

Pelo que o blog Panorama Espacial pode apurar, são aguardados avanços concretos do PESE para este ano, constatação até óbvia após a análise orçamentária. Há quem entenda que não haverá tempo hábil para a assinatura de um primeiro contrato (ainda que haja recursos disponíveis), mas acredita-se que ainda em 2014 seja iniciado um processo visando à contratação de sistemas, como o envio de RFPs. Ainda, nesta primeira fase, o interesse do Comando da Aeronáutica é por satélites de observação, mais precisamente óticos.

O desenho e implantação do PESE estão a cargo da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), criada pelo Comando da Aeronáutica em fevereiro de 2012. Desde então, sem alarde, a CCISE tem feito seu trabalho ouvindo setores interessados, como entidades do Programa Espacial, as forças armadas e a indústria.

Mais sobre o PESE, em breve aqui no blog e na revista Tecnologia & Defesa.
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SisGAAz: solicitação de propostas

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No próximo dia 17, a Diretoria de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha do Brasil (MB) promoverá um seminário sobre o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), que terá por propósito divulgar o tão aguardado pedido de propostas (Request for Proposal - RFP) para a implantação da primeira fase do sistema, concorrência que deve agitar o setor de defesa pelos próximos meses.

A fase das RFPs prossegue a conclusão do projeto básico elaborado pela Ezute (antiga Fundação Atech), objeto de contrato de cerca de R$31 milhões assinado pela Marinha em julho de 2011. Segundo pessoas familiarizadas com o tema, o projeto básico teria ficado aquém do esperado.

A concorrência promovida pela MB selecionará uma empresa nacional que atuará como prime contractor. Nos bastidores, os comentários são de que a Embraer Defesa & Segurança e a Odebrecht Defesa e Tecnologia são fortes candidatas, muito embora também sejam aguardadas outras candidatas, em particular grandes empreiteiras associadas a parceiros locais e/ou estrangeiros.

Espera-ese que várias empresas estrangeiras se associem aos candidatos a prime contractor na resposta do RFP, tais como a Airbus Defence & Space (antiga Cassidian) (França/Alemanha), Thales (França), Saab (Suécia), MDA (Canadá), IAI e Elbit (Israel), Selex ES (Itália), Indra (Espanha), apenas para citar algumas.

O SisGAAz, que exigirá investimentos de bilhões de reais, terá como principal objetivo ampliar a capacidade de monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras e das regiões de busca e salvamento que estão sob responsabilidade do Brasil. Quando em operação, abrangerá um sistema de vigilância, controle, proteção e defesa, composto por meios operacionais da MB e por diversos tipos de sensores que integrarão redes de informação e de apoio à decisão. O sistema deverá fazer uso de dados gerados a partir do espaço, como imagens de satélites de observação terrestre, meteorologia e sinais AIS (Automatic Identification System), além de comunicações.
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terça-feira, 23 de abril de 2013

"Sistemas espaciais para a defesa brasileira"



Sistemas espaciais para a defesa brasileira

André M. Mileski

A edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), em dezembro de 2008, documento que serve como diretriz para todo o processo de transformação e atualização das Forças Armadas, apontou o setor espacial, ao lado dos nuclear e cibernético, como um dos seus pilares decisivos.

Em linha com os ditames da END e considerando o papel essencial hoje exercido por sistemas espaciais nas áreas de defesa e segurança, o governo brasileiro tem avançado em projetos e programas voltados a esse campo, como o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), meios de acesso autônomo ao espaço (ver T&D n.º 131) [nota do blog: para acessar a reportagem, clique aqui], a criação da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), entre outros.

Satélite de comunicações

O principal projeto espacial brasileiro é o SGDC, oficializado em sua estrutura atual em 2011 e que agora está a caminho de sua concretização. Anteriormente conhecido como Satélite Geoestacionário Brasileiro, o SGDC está sob a responsabilidade da Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal de comunicações Telebrás, criada em maio de 2012. O primeiro SGDC terá vida útil estimada de 15 anos, com centros de operações em áreas militares em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ). Ocupará a posição 75º Oeste. O sistema, como um todo, considera a operação de dois ou mais satélites geoestacionários. O planejamento de longo prazo considera três satélites operacionais em órbita, com lançamentos a cada cinco anos.

O projeto tem como objetivos principais (I) atender o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa; (II) comunicações estratégicas do Governo Federal, de certos órgãos e estatais; (III) Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), com uso exclusivo da capacidade em banda Ka; e (IV) proporcionar a absorção e transferência de tecnologia para o setor aeroespacial brasileiro. A capacidade em banda Ka deve atingir até 55 gigabytes por segundo.

Com o SGDC, toda a demanda do SISCOMIS em comunicações por voz, dados e vídeo, hoje a cargo da operadora Star One, da Embratel, passará a ser atendida pelo próprio governo. Existem em funcionamento cerca de 100 terminais do SISCOMIS, dos tipos leve, transportável, rebocável e naval, e a expectativa é que, até 2020, o sistema opere 300 terminais, inclusive de novos tipos, como portátil (man-pack), móvel terrestre e móvel submarino. O SGDC cobrirá todo o Atlântico, parte da costa do Pacífico e da América do Norte. Contará ainda com um spot móvel em banda X, isto é, capacidade de cobrir determinadas áreas em certos períodos, de acordo com os interesses do Ministério da Defesa (áreas de operações de navios e submarinos da Marinha, por exemplo).

Em meados de fevereiro, a Visiona disponibilizou a solicitação de propostas (RFP, sigla em inglês) para a contratação do primeiro satélite, a ser colocado em órbita entre 2014 e 2015. As empresas interessadas deverão responder no início de abril, com uma decisão, a ser tomada pelo governo brasileiro, prevista para meados desse ano.

CCISE

Levando-se em conta a END e as iniciativas espaciais em andamento no âmbito da Defesa, e também com o intuito de melhor organizar todas as ações em andamento, o Comando da Aeronáutica constituiu, no final de fevereiro de 2012, e sem alarde, a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), que tem as seguintes atribuições:

I - Definir, sob supervisão do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), e em coordenação com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com os Estados-Maiores da Armada (EMA) e do Exército (EME), as estratégias de implantação, de integração e de financiamento de sistemas espaciais relativos à defesa;

II - Dirigir, coordenar e integrar, à luz das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa e em estreita ligação com o EMCFA, o EMA, o EME e o EMAER, todos os trabalhos concernentes à concepção, à definição de requisitos, à integração e à implantação de sistemas espaciais concernentes à defesa, incluindo os respectivos segmentos orbitais e a relativa infraestrutura de operação, tanto dos componentes de uso exclusivo do Ministério da Defesa, quanto daqueles de uso compartilhado com outros órgãos públicos e/ou privados; e

III - Representar, após prévia coordenação, o Ministério da Defesa e as Forças Singulares, em todos os atos que se fizerem necessários à implantação de sistemas espaciais relativos à defesa.

Para cumprir com suas responsabilidades, a CCISE conta com o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), cujas diretrizes de implantação foram aprovadas pelo Comando da Aeronáutica em maio de 2012, e que trabalha com um cenário de ações de curto, médio e longo prazos, num horizonte de 20 anos. Basicamente, a PESE aponta várias premissas operacionais e técnicas necessárias ao emprego de sistemas espaciais pelas Forças Armadas, com foco na definição das suas necessidades e requisitos.

Os sistemas espaciais considerados no PESE devem atender, no campo militar, à modernização de variados sistemas em operação, como o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), o Sistema de Enlaces de Digitais da Aeronáutica (SISCENDA), o SISCOMIS, o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2), e também outros que estão em fase de planejamento ou implantação, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (SISFRON). Planeja-se ainda o uso desses em apoio a iniciativas civis, como em ações de prevenção e atuação em casos de grandes catástrofes ambientais, no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), e no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), entre outros.

Inspirado pelo moderno conceito de guerra centrada em rede (Net Centric Warfare), uma das principais inovações do PESE é o objetivo de se criar um Centro de Operações Espaciais (COPE), que seria subordinado ao Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro. Caberia ao COPE coordenar todas as atividades que façam uso de constelações de sistemas espaciais, oferecendo serviços nas áreas de comunicações, observação, mapeamento de informações, posicionamento e monitoramento espacial para o Ministério da Defesa e seus três comandos, e outros usuários governamentais.

Criada há pouco menos de um ano, a CCISE tem buscado conhecer o que há de mais moderno disponível em sistemas espaciais. Representantes da comissão visitaram alguns governos e empresas dispostas a cooperar com o Brasil na busca de sua independência espacial.

A CCISE também está atenta a identificar as necessidades nacionais. Em novembro de 2012, no exercício CRUZEX C2, da Força Aérea Brasileira, que simulou por meio de softwares o uso de aeronaves e veículos aéreos não tripulados em um conflito moderno, foi incluído pela primeira vez a simulação de uso de satélites. As missões foram planejadas e executadas com apoio de informações enviadas e transmitidas por uma constelação imaginária de satélites de órbitas baixas e geoestacionárias, produzindo dados de sensoriamento remoto, meteorologia, comunicações e posicionamento. “Não se concebe no século 21 uma Força Aérea que não utilize o espaço para executar suas missões”, declarou o coronel João Batista Xavier, da CCISE, por ocasião do exercício.

Conexão com o PNAE

Apesar de terem utilidade dual, os planos do Ministério da Defesa para o setor espacial visam, primariamente, atender as suas próprias exigências. Isso não significa dizer, no entanto, que as diferentes iniciativas brasileiras nesse campo não venham a convergir em algum momento.

Por natureza, o Programa Espacial Brasileiro, a cargo da Agência Espacial Brasileira (AEB), subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, é civil. Mas, por razões lógicas e de racionalização de investimentos, iniciativas de caráter dual deverão ser desenvolvidas em conjunto.

Lançado pela AEB em janeiro de 2013, o aguardado Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) para o período de 2012 a 2021 menciona a END como uma das razões do porquê o espaço ser indispensável ao Brasil, por sua demanda em termos de monitoramento do território nacional, fronteiras e espaço aéreo.

Além de meios de acesso ao espaço, como os foguetes VLS e VLM e outros veículos lançadores, projetos a cargo do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e do SGDC, o PNAE 2012-2021 destaca outros, em desenvolvimento ou em planejamento, que terão como um dos usuários o Ministério da Defesa. São eles, por exemplo, o Satélite Meteorológico Brasileiro (GEOMET-1), previsto para 2018, e o satélite radar de abertura sintética (SAR - Synthetic Aperture Radar), capaz de imagear o solo independente da cobertura de nuvens, missão planejada para estar em órbita em 2020.

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 132 (abril de 2013).
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Reportagem: "Brazil gets its momentum"


Na edição de julho - agosto da European Defence & Security Review, publicação editada pela European Security and Defence Press Association (ESDPA), foi publicada uma reportagem de minha autoria abordando brevemente os principais programas de defesa em desenvolvimento no Brasil.

A reportagem foi preparada há cerca de dois meses e, portanto, possui algumas informações desatualizadas (a seleção da Embraer Defesa e Segurança para a primeira fase do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras - SISFRON, por exemplo), mas busca transmitir um panorama sobre os principais projetos em andamento no Brasil, como o F-X2 (caças), helicópteros, PROSUB (submarinos), PROSUPER (navios de superfície para a Marinha), Guarani (veículos blindados para o Exército), SISFRON e SisGAAz, entre outros. De forma não aprofundada, também é abordado o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Para ler a reportagem (a partir da página 24), em inglês, clique aqui.
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domingo, 17 de junho de 2012

END, Sistemas Espaciais e a CCISE


Desde a edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), no final de 2008, temos frequentemente abordado no blog iniciativas em atividades espaciais relacionadas às diretrizes da END. Em postagem de meados de 2009 ("Estratégia Nacional de Defesa e Espaço"), destacamos os trechos "espaciais" da END, como lançadores e satélites (de comunicações, sensoriamento remoto, tanto ótico como radar, e meteorologia). De tempos em tempos, também discorremos sobre as intenções e planos do Comando da Aeronáutica, por meio do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em matéria de meios de acesso ao espaço.

Dos projetos espaciais direta ou indiretamente citados na END, o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) é o programa que se encontra em estágio mais avançado, com orçamento e caminho a ser percorrido já definidos. Mas, há também outros, como, por exemplo, satélites de observação terrestre, necessários aos sistemas de monitoramento de fronteiras e costa marítima (Sisfron e SisGAAz). Em fevereiro de 2012, a partir da análise de publicação oficial sobre a Estratégia Nacional de CT&I, tratamos brevemente desses satélites, que exigirão, segundo números do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, investimentos de 900 milhões de reais até 2020.

A CCISE

Levando-se em conta a END e as iniciativas espaciais em andamento no âmbito da Defesa, e também com o intuito de melhor organizar todas as ações em andamento, o Comando da Aeronáutica constituiu no final de fevereiro, e sem alarde, a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE).

Criada por meio da Portaria nº 79/GC3, de 29 de fevereiro de 2012, do Comando da Aeronáutica, a CCISE teve seu presidente indicado alguns dias depois, em 7 de março. O indicado foi o Brigadeiro-do-Ar Carlos Vuyk de Aquino, que também preside a Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), organização do Comando da Aeronáutica envolvida com a implantação e operação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). A CISCEA, aliás, tem prestado apoio administrativo à CCISE.

Em 17 de abril, a Portaria nº 79/GC3 foi revogada e substituída pela Portaria nº 184/GC3, que estabelece as seguintes atribuições à Comissão:

"I - Definir, sob supervisão do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) e em coordenação com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com os Estados-Maiores da Armada (EMA) e do Exército (EME), as estratégias de implantação, de integração e de financiamento de sistemas espaciais relativos à defesa;
II - Dirigir, coordenar e integrar, à luz das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa e em estreita ligação com o EMCFA, o EMA, o EME e o EMAER, todos os trabalhos concernentes à concepção, à definição de requisitos, à integração e à implantação de sistemas espaciais concernentes à defesa, incluindo os respectivos segmentos orbitais e a relativa infraestrutura de operação, tanto dos componentes de uso exclusivo do Ministério da Defesa quanto daqueles de uso compartilhado com outros órgãos públicos e/ou privados; e
III - Representar, após prévia coordenação, o Ministério da Defesa e as Forças Singulares, em todos os atos que se fizerem necessários à implantação de sistemas espaciais relativos à defesa."

Em breve, o blog trará mais informações sobre a CCISE e as atividades e projetos espaciais relacionados à END.
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