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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Indústria espacial: 2016 melhor que 2015

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Ainda que muito aquém do ideal, para a indústria espacial brasileira, o ano de 2016 começou melhor do que 2015, um contraste em relação às perspectivas para a economia brasileira ao longo deste ano. Duas iniciativas conduzidas pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destinarão recursos para a indústria superiores a R$56 milhões - montante relativamente irrisório para o setor, mas suficiente para manter certa carga de trabalho junto à base industrial espacial local.

No último dia de 2015, a AEB assinou com a Thales Alenia Space France cinco contratos para transferência tecnológica no âmbito do processo de absorção tecnológica do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), num valor aproximado de R$31,5 milhões. Serão beneficiadas a Fibraforte, Orbital Engenharia, Equatorial Sistemas e CENIC, de São José dos Campos (SP), e a AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), conforme os contratos abaixo:

- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Subsistemas de Controle Térmico, no valor de R$3.257.206,63 - Equatorial Sistemas;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Subsistemas de Propulsão, no valor de R$4.928.667,93 - Fibraforte;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Estruturas Mecânicas à Base de Fibra de Carbono para Carga Úteis de Observação da Terra, no valor de R$5.785.827,57 - CENIC;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Subsistemas de Potência e Painéis Solares, no valor de R$15.863.233,80 - Orbital Engenharia;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Tecnologia e Componentes FPGA e ASIC para Aplicações Espaciais Embarcadas, no valor de R$1.671.461,30 - AEL Sistemas.

A seleção pública do Programa PIPE/PAPPE, com recursos estaduais (FAPESP) e federais (FINEP), coordenado pelo INPE e com prazo limite para entregas de propostas em 4 de abril, é outro programa que trará investimentos à indústria. Serão disponibilizados inicialmente recursos da ordem de R$25 milhões para a indústria espacial paulista, valor que poderá até mesmo dobrar.

Também há expectativa de alguns contratos relativos ao programa CBERS e Amazônia-1 ao longo de 2016, conforme indicado por Leonel Perondi, diretor do INPE, em recente entrevista concedida ao blog Panorama Espacial e que em breve será publicada.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Estudos sobre o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados

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Pesquisadora propõe microssatélites para atualizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

No livro “O Segmento Espacial orientado pela Engenharia de Sistemas”, a pesquisadora Jaqueline Vaz Maiolino, mestre em Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) pelo INPE, e diretora de Engenharia da Orbital Engenharia, propõe o uso de pelo menos dois microssatélites para atualizar o segmento espacial do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD). A obra, publicada no início do ano passado, é baseada na dissertação de mestrado da autora, defendida em 2011, no Curso da ETE, sob a orientação do professor Marcelo Lopes de Oliveira e Souza, da ETE, e co-orientação do ex-gerente do SBCD, Wilson Yamaguti.

Dois anos após a defesa de sua dissertação, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou edital de licitação (Concorrência 01/2013) para a contratação de estudo comparativo de soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro). Atualmente, o SBCD conta com os satélites SCD-1, SCD-2 e CBERS 4A. Os dois primeiros, embora em funcionamento, podem ficar inoperantes a qualquer momento, pois já ultrapassaram o tempo de vida útil inicialmente previsto em vários anos.

SCD-2 no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE.

Além da obsolescência desses satélites, a autora argumenta que a necessidade crescente de maior quantidade e frequência de dados ambientais e hidrometeorológicos para monitoramentos e pesquisas vem demandando, nos últimos anos, estudos sobre a atualização do segmento espacial do SBCD. A pesquisadora lembra ainda que soluções com nanossatélites também vêm sendo apresentadas, tendo em vista o baixo custo destes sistemas e o grande envolvimento de universidades no desenvolvimento dos projetos, em parceria com o INPE, ITA e a AEB.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD) foi idealizado nos anos 1970, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), e entrou em operação no início de 1993, com o lançamento do primeiro Satélite de Coleta de Dados (SCD-1). Na sequência, foram lançados o SCD-2 (1998) e os satélites da série CBERS que passaram a integrar o segmento espacial do SBCD, mas com missão dedicada prioritariamente à geração de imagens por sensoriamento remoto. O segmento solo do SBCD é composto por mais de 1000 plataformas de coleta de dados (PCDs) distribuídas pelo território nacional, pelas estações de recepção de Alcântara (MA) e Cuiabá (MT), pelo Centro de Missão de Coleta de Dados, em Natal (RN), e pelo Centro de Controle de Satélites (CCS), em São José dos Campos (SP).

Segundo Maiolino, os dados ambientais e hidrometeorológicos são fornecidos a cerca de 100 usuários, entre estes a Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A necessidade cada vez maior de dados e com maior frequência, para monitoramentos ambientais e hidrometeorológicos, vem demandando melhorias e ampliação da capacidade de geração e retransmissão de dados. Atualmente, os dados chegam a ser retransmitidos a cada 100 minutos durante o dia. Para suprir a necessidade de dados com maior frequência e de forma complementar àqueles fornecidos pelas PCDs do SBCD, muitos usuários buscam outros sistemas, como o dos satélites GOES/NOAA, transmissões via celular, entre outros, nem sempre adequados às necessidades do usuário.

Com base nos estudos realizados anteriormente pelo INPE, na realidade da configuração do atual sistema SBCD e em estudos de simulação computacional, Maiolino avaliou os atuais sistemas espaciais frente às demandas dos atuais usuários e também daqueles em potencial, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A avaliação considerou o custo dos sistemas, mas também a necessidade de dados com intervalos de no máximo 1 hora. Apesar de sugerir dois microssatélites para recompor o SBCD, Jaqueline destaca o uso de nanossatélites, como o CONASAT, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com apoio do INPE, cuja solução traz uma série de vantagens e vem se apresentando como alternativa promissora.

Jaqueline Maiolino é formada em engenharia aeronáutica pela Univap, desenvolveu sua pesquisa na área de Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) do INPE, opção Engenharia e Gerenciamento de Sistemas Espaciais (CSE). Sua dissertação “Uma proposta para a atualização do segmento espacial do sistema brasileiro de coleta de dados orientada pela engenharia de sistemas”, pode ser acessada através do link: http://mtc-m16d.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m19/2011/03.22.13.25/doc/publicacao.pdf.

Fonte: INPE
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

SGDC: resultado final do edital de transferência de tecnologia

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Finep divulga resultado final do edital Transferência de Tecnologia do SGDC

30 de Novembro de 2015

A Finep acaba de divulgar o resultado final da chamada pública Transferência de Tecnologia do SGDC – 01/2015, com recursos de subvenção econômica à inovação. Foram recebidas 20 propostas, sendo sete classificadas e cinco selecionadas na etapa final. A Finep encaminhará, em seguida, a minuta dos contratos para as empresas com proposta selecionada. As companhias têm o até 15/12/15 para devolução das minutas assinadas por seus representantes legais, bem como o atendimento de eventuais condicionantes para contratação.

Das 5 empresas, uma é do Rio Grande do Sul e quatro de São Paulo. O valor total de subvenção econômica é de R$ 22,5 milhões, e o de contrapartida das empresas, R$ 2,9 milhões. O objetivo do edital é conceder recursos de subvenção econômica para apoiar projetos de empresas brasileiras referentes à transferência das tecnologias previstas no Acordo de Transferência de Tecnologia Espacial firmado entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a empresa Thales Alenia Space, no âmbito do Decreto nº 7.769, de 28/06/2012.

Fonte: FINEP

Nota do blog: foram selecionadas as seguintes propostas: (i) Fibraforte, que receberá R$10,966 milhões para o desenvolvimento de subsistema de propulsão monopropelente para pequenos satélites; (ii) Orbital Engenharia, que terá R$5 milhões para o desenvolvimento de subsistema de potência e geradores solares para satélites; (iii) Equatorial Sistemas, que receberá R$1,733 milhão para a transferência de tecnologia em controle térmico de satélites; (iv) CENIC Engenharia, que terá R$4 milhões para o desenvolvimento de estruturas mecânicas para cargas úteis de observação da Terra a base de fibra de carbono; e (v) AEL Sistemas, que terá R$798 mil para transferência de Tecnologias Espaciais em FPGA e ASIC.
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sábado, 14 de novembro de 2015

SGDC: resultado preliminar de chamada da FINEP

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Finep e AEB anunciam resultado preliminar de edital para setor aeroespacial brasileiro

Publicado em 11 Novembro 2015

A Finep e a Agência Espacial Brasileira (AEB) acabam de divulgar o resultado preliminar da chamada pública voltada para o setor aeroespacial, no valor de R$ 53 milhões. Com recursos de subvenção econômica, o edital abre a possibilidade de transferência tecnológica para que empresas nacionais participem cada vez mais do desenvolvimento de satélites no País. A iniciativa estava prevista no Acordo de Transferência de Tecnologia Espacial firmado entre a AEB e a empresa Thales Alenia Space, no âmbito do Decreto 7.769, de 28 de junho de 2012.

O edital contemplou os seguintes tópicos: (1) Subsistema de Propulsão – até R$ 11 milhões; (2) Subsistema de Potência e Painéis Solares – até R$ 5 milhões; (3) Subsistema de Controle Térmico: Engenharia de Sistemas e Qualificação de Interfaces – até R$ 2,2 milhões; (4) Tecnologia de cargas úteis ópticas de observação: Pacotes de trabalho 1 e 2 – até R$ 30 milhões; (5) Estruturas mecânicas para cargas úteis de observação da Terra à base de fibra de carbono – até R$ 4 milhões; (6) Tecnologia de componentes FPGA e ASIC para aplicações embarcadas – até R$ 800 mil.

A Finep recebeu, ao todo, 20 propostas. Nessa etapa preliminar, foram classificadas sete empresas, em cinco dos seis tópicos para os quais a financiadora, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), destinará recursos. Não houve empresas classificadas no tópico 4. As escolhidas foram: Fibraforte Engenharia Indústria e Comércio; Orbital Engenharia; Equatorial Sistemas; Cenic Engenharia Indústria e Comércio; Akaer Engenharia; AEL Sistemas; e Bradar Indústria.

Na seleção, foram levadas em consideração caraterísticas como histórico de projetos, capacidade técnica da equipe, infraestrutura adequada e montagem do plano de trabalho.  As empresas que não se enquadraram nos critérios mínimos poderão apresentar recurso até o dia 20 de novembro. O resultado definitivo será divulgado no dia 30.

Fonte: FINEP

Nota do blog: curioso o fato de não ter havido empresas classificadas no tópico "Tecnologia de cargas úteis ópticas de observação", que tinha a maior destinação do programa de subvenção (até R$ 30 milhões). Empresas como a Equatorial Sistemas e a Opto Eletrônica, esta em recuperação judicial, detém capacidade local em cargas uteis de observação. Também notada a ausência da Omnisys, do grupo Thales Alenia Space, responsável pela construção do SGDC, como uma das selecionadas no programa.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cooperação Brasil – China

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Por ocasião da visita oficial do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, ao Brasil no início desta semana, os governos dos dois países discutiram e firmaram diversos acordos sobre 35 itens, inclusive nos setores aeroespacial e de defesa.



A declaração conjunta firmada pelos mandatários dos dois países cita o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), além de ações em meteorologia e clima espacial. Abaixo, reproduzimos alguns excertos da declaração:

“- Os dois Chefes de Governo assinalaram o êxito do Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres (CBERS), estabelecido em 1988. Renovaram o compromisso de reforçar a cooperação espacial bilateral, com ênfase no desenvolvimento conjunto de novas tecnologias e reafirmaram o compromisso de lançar o sexto satélite da família CBERS - CBERS-4A, com previsão para 2018. Assinalaram seu apoio à implementação do Plano Decenal de Cooperação Espacial (2013-2022), às atividades do Centro Brasil-China para Aplicação de Dados de Satélites Meteorológicos e do Laboratório Sino-Brasileiro de Clima Espacial, bem como à continuidade do compartilhamento gratuito de imagens de satélites com países africanos, por meio do programa CBERS for Africa.

- As duas partes coincidiram sobre o papel estratégico da defesa em suas relações bilaterais. Destacaram a importância do fortalecimento do Diálogo sobre Defesa e Assuntos Militares, voltado para o intercâmbio de informações sobre questões estratégicas e a possível promoção de iniciativas conjuntas. Notaram com satisfação o interesse contínuo de ambos os lados de incrementar a cooperação nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicações e sensoriamento remoto. Nesse contexto, congratularam-se, ainda, pela assinatura de Memorando de Entendimento entre o Ministério da Defesa do Brasil e a Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da China.”

SIPAM

Um dos instrumentos assinados trata da cooperação envolvendo o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), prevendo a constituição de um Grupo de Trabalho Gestor (GTG), co-presidido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e pela Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria Nacional de Defesa (SASTIND).

De acordo com o governo, o acordo tem por objetivos básicos cooperar e compartilhar dados de satélites ambientais, meteorológicos e de observação da terra, além da troca de conhecimento e experiência nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicação e sensoriamento remoto.

Ainda, segundo informações do Ministério da Defesa, o acordo inclui o "intercâmbio de dados e conhecimentos em meteorologia, climatologia, hidrometeorologia e mudanças climáticas; cooperação nas aplicações envolvendo o uso de telecomunicações ponto a ponto e via satélite; promoção da capacitação de recursos humanos nas áreas tecnológicas relacionadas; e a cooperação no mapeamento cartográfico e temático.”

Interesses no setor de defesa

Além da cooperação espacial e da formação do grupo de trabalho para o SIPAM, a China também tem outros interesses no mercado brasileiro de defesa. 

Em reunião em Brasília na última segunda-feira (18), o ministro chinês da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa, Xu Dazhe, destacou ao ministro Jaques Wagner o interesse em expandir a cooperação para programas como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), da Marinha do Brasil. Para o SisGAAz, aliás, que está em fase de concorrência, empresas chinesas integram o consórcio liderado pela Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP). 

Na relação de instrumentos assinados por conta da visita oficial, consta também um memorando de entendimentos entre a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), a China Electronics Corporation (CEC) e o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC). O escopo do documento não foi divulgado. [Atualização em 21/05/2015: o memorando prevê uma iniciativa para o Programa de Integração da Amazônia Legal]

Espera-se uma visita de Jaques Wagner à China no próximo mês de setembro.
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segunda-feira, 9 de março de 2015

"O Programa Espacial e a Necessidade de uma Reação Eficaz", artigo de Célio Costa Vaz

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O Programa Espacial e a Necessidade de uma Reação Eficaz

Célio Costa Vaz

Quando o assunto é o Programa Espacial Brasileiro (PEB), não faltam na mídia especializada diagnósticos setoriais e explicações para a crise que continuamente o assola já ao longo de mais de uma década. Essa situação se explica pelo fato do PEB ainda não ter sido reconhecido e consolidado como um verdadeiro Programa do Estado Brasileiro. Consequentemente, as análises apontam para o fato de que o mesmo poderia se encontrar em estágios tecnológicos muito mais avançados.

Apesar do desenvolvimento não linear do PEB, hoje o País se encontra dotado de um magnifico e valioso patrimônio tecnológico composto por recursos humanos especializados, laboratórios, faculdades e centros de pesquisas e de uma base industrial emergente. Conta com uma importante infraestrutura física e operacional, valendo ser destacadas: - as modernas instalações e sistemas do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA); - e o sofisticado Laboratório de Integração e Testes (LIT), uma referência internacional. Atuam diretamente nos projetos do PEB duas das mais renomadas e eficientes instituições de pesquisas civis e militares do país, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). A emergente base industrial foi significativamente reforçada com a criação da empresa integradora Visiona, responsável pelo desenvolvimento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações – SGDC.

Na mesma linha, a base industrial, ainda emergente, que atua como fornecedora de produtos e serviços para o PEB, também contribui no desenvolvimento de tecnologias e, sem exceções, possui mão-de-obra altamente especializada, com elevados graus de instrução e de formações técnicas e acadêmicas, além de infraestruturas compatíveis com os níveis de qualidade requeridos para a realização das atividades neste setor de alta complexidade tecnológica.

As instituições de pesquisas e as empresas que atuam no PEB contam com o apoio do extraordinário sistema de fomento à pesquisa e à inovação científica e tecnológica existente no Brasil, com destaque para a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e as Fundações Estaduais de Apoio à Pesquisa (FAPs), dentre as quais a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

No tocante às realizações, obtiveram-se resultados significativos no âmbito do PEB.  Foram projetados e desenvolvemos foguetes de sondagens e satélites, realizados lançamentos e colocados satélites em órbita. O país continua evoluindo no desenvolvimento das tecnologias críticas para satélites e veículos lançadores, tais como sensores inerciais e sistemas de controle e propulsão líquida.

Um Programa que reúne tamanho potencial de benefícios para o país, que dispõe de uma massa crítica intelectual experiente e jovens estudantes desejosos de se profissionalizarem neste setor, possui intrinsecamente em seu bojo, enorme capacidade de prover uma reação eficaz e inteligente para a quebra dos paradigmas necessários para: - a mobilização da sociedade; - a sensibilização da classe política; - propor, programar e implantar medidas que efetivamente levem ao dinamismo e à capacidade de realização adequada.

No contexto acima, fazemos nossas as palavras do Ex-Ministro Samuel Pinheiro Guimarães durante a cerimônia de abertura do seminário “Desafios Estratégicos do Programa Espacial Brasileiro Rumo a 2022”:

: “...faz-se necessário pensar que não é suficiente que a atividade seja importante, é importante que haja força política para que se possa aproveitar todas as oportunidades econômicas que o setor permite. Não é uma questão técnica, é uma questão política”.

Desta forma, na medida em que a sociedade brasileira for conscientizada da importância deste patrimônio, sinônimo de soberania nacional e de independência, das riquezas que ele pode gerar para o país e dos benefícios que poderão ser desfrutados por todos os cidadãos brasileiros, daí surgirá a força política necessária. Devemos todos trabalhar neste sentido.

Dr. Célio Costa Vaz é presidente da Orbital Engenharia S.A.

Artigo publicado na edição especial de Tecnologia & Defesa sobre atividades espaciais, em fevereiro de 2015.
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terça-feira, 7 de outubro de 2014

"Os interesses chineses em defesa e espaço no Brasil", coluna "Defesa & Negócios"

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Os interesses chineses em defesa e espaço no Brasil

Em meio a dezenas de atos assinados durante a visita de Estado do Presidente Xi Jinping ao Brasil, em 17 de julho, que incluiu uma significativa venda de E-Jets da Embraer, chamou pouca ou nenhuma atenção um acordo firmado entre uma empresa brasileira e entidades chinesas visando os setores de defesa e segurança pública: o Acordo-Quadro de Cooperação Tripartite entre a Engevix Sistemas de Defesa Ltda., o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e a China Electronics Import and Export Corporation (CEIEC). Não foram divulgados maiores detalhes sobre o escopo do instrumento, muito embora algo possa ser deduzido a partir do expertise da CEIEC e de declarações de autoridades.

A empresa chinesa tem um amplo espectro de atuação, que se estende de sistemas de comando e controle, radares, equipamentos de comunicação e guerra eletrônica, a sistemas eletro-óticos e veículos aéreos não tripulados. Na região, por exemplo, a CEIEC já forneceu alguns centros de comando e controle para segurança pública ao Equador.

O interesse chinês no mercado brasileiro de defesa foi evidenciado em reuniões com autoridades e na celebração de acordos. O ministro Celso Amorim recebeu Xu Dazhe, ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da China, e destacou a possibilidade de abertura de outras áreas de cooperação além das já existentes, como "proteção marítima e de vigilância da fronteira terrestre". Em nota divulgada logo após o encontro, o Ministério da Defesa citou o interesse chinês em "expandir a cooperação em programas brasileiros de proteção aos recursos naturais, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), além de dar continuidade à parceria espacial". Ainda, na visita de Estado, foi firmado um acordo para fortalecer o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), por meio de iniciativas de sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação para a defesa e proteção da Amazônia.

Novidades também no campo espacial, área em que os dois países cooperam há mais de 25 anos, com o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS). O lançamento do CBERS 4, previsto para o início de dezembro, foi confirmado, assim como a construção do CBERS 4A (um terceiro artefato da família de segunda geração). Ainda, foi assinado um memorando envolvendo dados e aplicações em sensoriamento remoto, além de manifestado interesse na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de uma terceira geração da família (5 e 6). Em agosto, um laboratório conjunto para clima espacial foi inaugurado em São José dos Campos (SP), além de ter sido firmado acordo entre a brasileira Orbital Engenharia e as asiáticas China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) e Shanghai Institute of Space Power Sources para que a empresa nacional atue como suas representantes. Segundo divulgado na ocasião, o acordo também preveria o desenvolvimento de projetos e produtos. Os chineses também estão de olho na futura missão meteorológica geoestacionária (ver reportagem em T&D n.º 137).

No setor espacial, aliás, não seria exagero afirmar que a China é hoje a principal parceira da América do Sul, considerando o programa CBERS e o fornecimento de satélites de comunicações para a Venezuela e Bolívia, e de observação para a Venezuela, havendo outros negócios em prospecção.

Fonte: coluna "Defesa & Negócios", Tecnologia & Defesa n.º 138, setembro de 2014.
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domingo, 28 de setembro de 2014

"SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira"

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SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira

André M. Mileski

Apesar de alguns importantes acontecimentos nos últimos anos, como a edição de um novo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012-2021), o surgimento da figura de uma prime contractor e a contratação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), não se pode dizer que a indústria espacial brasileira vive um momento de exuberância. Pelo contrário. Formada por um pequeno número de pequenas e médias empresas, o setor industrial nacional está em crise, decorrente, principalmente, da falta de encomendas de seu principal (e único) cliente, o que tem gerado, inclusive, demissões.

A Agência Espacial Brasileira (AEB), a quem em tese compete exercer ações de política industrial previstas na PNAE, reconhece a situação. “Realmente, esse momento é o momento em que estamos concluindo vários projetos e precisamos retomar outras iniciativas”, afirmou José Raimundo Coelho, presidente da Agência, em entrevista dada à T&D no final de 2013.

É com base neste cenário, e enquanto outras missões do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) não se materializam, que se busca viabilizar o projeto do Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), lançado pela AEB em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

Histórico

Muito embora tenha um forte componente de política industrial, o SCD-Hidro não está sendo desenvolvido pura e simplesmente para gerar carga de trabalho para as indústrias brasileiras. A participação da ANA decorre do fato desta ser a principal usuária do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) (ver box), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do qual depende para seus monitoramentos do volume de água e do balanço hidrológico dos reservatórios. Desta forma, o projeto atende a uma demanda do governo, além de funcionar como uma ação de política industrial, num campo tecnológico já plenamente dominado pela indústria espacial nacional.

Oficialmente, o projeto teve início no final de maio de 2012, com a assinatura de um memorando de entendimentos que previa a criação de um grupo de trabalho para o estudo sobre a viabilidade de desenvolver um microssatélite para missão de coleta de dados hidrometeorológicos. Com isso, o projeto avançou relativamente rápido, com a contratação da iniciativa privada para um estudo comparativo de soluções. Em agosto de 2013, a AEB lançou o Edital da Concorrência n.º 01/2013, prevendo a “contratação de empresa especializada para realizar Estudo Comparativo de Soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), mediante o regime de empreitada por preço global”.

Dando prosseguimento à licitação, no mês seguinte foram habilitadas três empresas interessadas na concorrência: a Mectron, pertencente ao grupo Odebrecht Defesa e Tecnologia, a Equatorial Sistemas, do grupo Airbus Defence and Space, e a Omnisys Engenharia, controlada pela francesa Thales. O resultado final saiu em outubro, tendo a Equatorial Sistemas sido selecionada com uma proposta de R$ 1,885 milhão. Do estudo comparativo, participam ainda, na qualidade de subcontratadas, a Visiona Tecnologia Espacial, uma joint-venture entre a Embraer e a Telebras, e a Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP).

Propósitos, finalidades e perspectivas

O projeto tem por propósito principal garantir a continuidade dos serviços do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, que teve início com os satélites SCD-1 e SCD-2 desenvolvidos pelo INPE e colocados em órbita durante a década de 1990.

Segundo informou a AEB, a proposta atualmente em estudo, direcionada aos interesses da ANA, não apenas atende aos requisitos originais do sistema, mas amplia sua capacidade e funcionalidade, possibilitando o aumento do número de plataformas instaladas, a ampliação dos serviços para além das fronteiras nacionais, além da redução do tempo de revisita, o que permitiria atender também à comunidade que lida com desastres naturais com origem hidrológica. As capacidades do SCD-Hidro também podem vir a servir outros projetos, como o futuro Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil, considerando que na atualidade o SBCDA já recebe dados ambientais gerados a partir de plataformas marítimas localizadas em zonas marítimas do Brasil e da África. Ainda, a reportagem apurou que a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), responsável por ações do Ministério da Defesa no âmbito espacial, acompanha a iniciativa com atenção, interessada em sua capacidade de coleta e transmissão de dados gerados em solo.

As alternativas em análise consideram constelações que variam de dois satélites em órbita baixa e equatorial, a até seis satélites também em órbita baixa, mas dispostos em três planos orbitais distintos.

A proposta leva em conta um prazo de até três anos para o primeiro lançamento, contados da data da contratação. Tal prazo, no entanto, dependerá da definição quanto à configuração do sistema em órbita, que poderá ser de lançamento múltiplo, isto é, com todos os satélites sendo lançados ao mesmo tempo, ou por plano orbital, com lançamentos distintos.

A expectativa da AEB é de que o sistema seja contratado até o final de 2014 junto a uma empresa integradora nacional, potencialmente, a Visiona Tecnologia Espacial, que já exerce este papel no SGDC, estratégia em linha com os preceitos do PNAE. Representantes da Visiona, aliás, têm visitado empresas nacionais que poderiam participar do projeto, e também participado de reuniões com possíveis parceiros estrangeiros.

A propósito, uma das parcerias internacionais em consideração é com a Espanha. No final de maio, representantes da AEB, da ANA e da Visiona tiveram uma reunião de apresentação da proposta de cooperação do Centro Espacial da Galícia, ligado à Universidade de Vigo, com o Brasil, envolvendo a missão hidrometeorológica. Segundo divulgou a AEB na ocasião, a ação cooperativa envolveria financiamento de projetos com os recursos de ambas as instituições, com investimentos igualitários entre as partes.

O centro espanhol, que no momento conta com dois cubesats em órbita e prepara o lançamento de outro para breve, coordena uma rede mundial de satélites apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que possibilita aos países parceiros transmitir e compartilhar dados sobre emergências humanitárias ou outras informações úteis a estudos sobre o câmbio climático e o controle e detecção de incêndios, por meio de sensores orbitais considerados de baixo custo.

Caso a previsão de contratação do SCD-Hidro este ano se confirme, espera-se sua entrada em operação até o final de 2017. Os custos do projeto ainda estão em revisão e, de acordo com a AEB, ainda não há previsão orçamentária para o projeto completo. “Os recursos disponíveis no momento estendem-se por quatro anos, mas a um nível ainda insuficiente para arcar com todos os investimentos”, segundo informação a Agência.

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Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais

A origem do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) remonta à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), criada no final da década de 1970 e que buscava dotar o País de autonomia na construção, lançamento e operação de meios espaciais. Dentre as missões compreendidas na missão, estavam os satélites SCD-1 e SCD-2, inspirados no programa franco-americano ARGOS, para coleta de dados ambientais gerados em plataformas terrestres. De fato, 35 anos após a criação da MECB, os satélites de coletas de dados são umas de suas poucas ações bem sucedidas.

Apesar de terem superado em muitos anos suas vidas úteis planejadas, os dois SCD continuam em operação, e ao longo desse tempo foram complementados por transpônderes de coleta de dados instalados em satélites da série CBERS, desenvolvido pelo Brasil em conjunto com a China.

Grosso modo, o SBCDA funciona por meio da retransmissão de mensagens enviadas por centenas de plataformas de coletas de dados, gerados por sensores, distribuídas por todo o território nacional, áreas marítimas e mesmo em alguns países vizinhos. Uma vez recebidas, os satélites armazenam os dados e os retransmitem para estações de recepção localizadas em Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), quando visíveis, isto é, com passagens na área de cobertura das estações de recepção. Grande parte das plataformas, conhecidas pela sigla PCD (Plataforma de Coleta de Dados) dispõem de sensores que geram dados meteorológicos, como velocidade e direção dos ventos, umidade e temperatura, e hidrológicos, como os níveis de reservatórios. As PCDs mais modernas contam com painéis solares e baterias que garantem seu funcionamento de forma autônoma.

Os dados são enviados para o Sistema Integrado de Dados Ambientais, (SINDA) situado no Centro Regional do Nordeste do INPE, em Natal (RN), onde são processados, armazenados e disseminados aos usuários, por meio da internet, no prazo máximo de 30 minutos após a recepção.

Além do SCD-Hidro, outra iniciativa que visa dar continuidade ao SBCDA é desenvolvida no CRN/INPE desde 2011. Trata-se do CONASAT, uma constelação de seis nanossatélites, projetados com base na tecnologia dos cubesats. (AMM)

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 138, setembro de 2014.
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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Após o VS-30, novas missões

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O voo bem sucedido do foguete de sondagem VS-30 na noite da última segunda-feira (1º), dentro da Operação Raposa, representa uma boa notícia para o programa brasileiro de foguetes e lançadores, carente de novidades já há vários anos.

Como foi largamente noticiado, inclusive pela grande imprensa, a missão envolveu o ensaio de tecnologia de propulsão líquida, desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em parceria com a Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP). Foi testado o Estágio Propulsivo Líquido (EPL), composto pelo motor L5 e por um sistema de alimentação (SAMF), e que funciona tendo oxigênio líquido e etanol como combustíveis.

Novas missões

Se tudo correr conforme o planejado, outras duas missões importantes podem acontecer dentro dos próximos meses, até meados de 2015: um lançamento do VS-40M, num ensaio envolvendo o projeto do Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA), e um VSB-30, para experimentos em ambiente de microgravidade.

Aliás, sobre os projetos nacionais de foguetes e as próximas missões, vale a leitura da reportagem "Gravidade Zero", publicada na edição de agosto da Revista FAPESP. A matéria traz várias informações interessantes.
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Operação Raposa: VS-30 voa com sucesso

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LANÇADO COM SUCESSO O PRIMEIRO FOGUETE NACIONAL COM COMBUSTÍVEL LÍQUIDO

Brasília, 2 de setembro de 2014 – Foi realizado com sucesso na noite desta segunda-feira (1º) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o lançamento do foguete VS-30 V13, que teve como carga útil ativa um motor L5 movido a propelente líquido. A coordenação geral da operação é de responsabilidade do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

O lançamento ocorreu às 23h02 e o voo do foguete durou três minutos e 34 segundos, tempo em que alcançou a área de segurança prevista para a operação. Durante o trajeto foram feitas a coleta de dados para estudos de um GPS de aplicação espacial desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e de um dispositivo de segurança para veículos espaciais, concebido no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Também foi verificado todo o desempenho do veículo que teve o módulo de experimentos (carga útil) impulsionado pelo motor L5, durante 90 segundos, movido a oxigênio líquido e etanol. “Neste primeiro voo do Estágio Propulsivo Líquido verificou-se o bom funcionamento do motor pelo tempo previsto”, afirmou o coronel aviador Avandelino Santana Júnior, coordenador geral da Operação Raposa.

Segundo ele, o lançamento previsto para ocorrer na sexta-feira (29/8) foi adiado para que as equipes verificassem um problema de pressurização no sistema de abastecimento do veículo.

“Após os ensaios realizados no final de semana, decidimos transferir as atividades para o período da tarde desta segunda, culminando com o lançamento noturno a fim de solucionar dificuldades de abastecimento do Estágio Propulsivo Líquido (EPL) com oxigênio líquido. Não tenho dúvidas de que tiramos lições importantes com esta operação e que colocamos o Brasil num rol de países que detém tecnologia própria para operar veículos espaciais movidos a propelente líquido”, finaliza o coordenador.

Para o diretor do CLA, coronel engenheiro Cesar Demétrio Santos, o lançamento representou um salto evolutivo na missão da organização. “Com a Operação Raposa, o CLA alcança um patamar de importância estratégica ainda maior no conjunto do Programa Nacional de Atividades Espaciais.

Demos um passo essencial visando à operação de veículos espaciais movidos a combustível líquido, que permitem uma maior capacidade de carga e precisão de inserção em órbita, essenciais para atividades envolvendo o Veículo Lançador de Satélite (VLS) e sucessores”.

Recurso – A Operação Raposa, iniciada no último dia 12 de agosto, é financiada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e teve o apoio de esquadrões de transporte de carga e pessoal, helicópteros e patrulha marítima da Força Aérea Brasileira (FAB).

O IAE é o responsável pelo fornecimento, integração e treinamento das equipes no que se refere ao veículo, incluindo a carga-útil EPL L5 e o sistema de transmissão de dados. A empresa Orbital Engenharia é responsável pelo Sistema de Alimentação Motor Foguete (SAMF) e pela integração das redes elétricas, juntamente com a equipe do IAE.

O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) participou da operação com trabalhos de coleta de dados em voo por meio de uma estação móvel de telemetria. O CLA se responsabiliza pelo lançamento, rastreio, coleta de dados, segurança de superfície e voo. Outra participação importante é do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), que responde pela verificação da calibração dos instrumentos.

A Marinha do Brasil (MB) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) realizaram a interdição do tráfego marítimo e aéreo na região, respectivamente, condição importante para o sucesso da operação.

Fonte: AEB / CLA.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

VS-30 e ensaio de propulsão líquida

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Brasil faz teste inédito com foguete movido à propulsão líquida

Brasília, 27 de agosto de 2014 – Um veículo espacial movido a combustível líquido será testado pela primeira vez no país. O lançamento do VS-30 V13, está programado para sexta-feira (29) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em São Luis, no Maranhão.

O foguete, que tem 10,8 metros de altura e 1,8 toneladas de peso, voará levando como carga útil o Estágio Líquido Propulsivo (EPL), que utiliza etanol e oxigênio líquido, desenvolvido em conjunto pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e empresa Orbital Engenharia, e o sistema GPS para uso espacial, desenvolvido em cooperação pela Universidade Federal do Rio Grande o Norte (UFRN) e o IAE. Esses projetos tiveram suporte financeiro da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Segundo o coronel Avandelino Santana Júnior, coordenador geral da Operação Raposa, na qual se realiza o teste, o sucesso da operação, nomeada de ação de lançamento do VS-30, trará significativos resultados para o país.

“O décimo terceiro voo desse foguete é um marco importante para a indústria aeroespacial nacional. Ele pode abrir outras possibilidades de desenvolvimento de motores foguetes a propelente líquido”. Abre também caminho para aplicação em outros veículos aeroespaciais fabricados no Brasil, destaca Santana.

Fonte: AEB, com informações do Ministério da Defesa.
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Cubesat Serpens vai tomando forma

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Painel solar chega para integrar a estrutura do nanossatélite Serpens

Brasília, 27 de agosto de 2014 – O Projeto Sistema Espacial para Realização de Pesquisas e Experimentos com Nanossatélites (Serpens), financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), recebeu esta semana os painéis solares que farão parte da estrutura do cubesat Serpens.

O estudante e bolsista da AEB, Gabriel Figueiró explica que as placas solares foram fabricadas pela empresa brasileira Orbital Engenharia, especialista em tecnologia aeroespacial. Ele afirma que serão necessários outros complementos do Serpens para em conjuntos testa-los. As placas solares, assim como todas as peças, vêm com relatórios de desempenho realizados pelos fabricantes.

O nanossatélite Serpens tem ainda desenvolvidos e fabricados no país o sistema de potência e a antena deployer, esta tem um mecanismo de liberação de antenas que ficam nas laterais. Um dos objetivos do Serpens é o treinamento para as próximas missões satelitais dentro do projeto.

Fonte: AEB
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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Orbital Engenharia se associa a chineses

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Empresa brasileira firma acordo com chineses no setor aeroespacial

Brasília, 20 de agosto de 2014 – A empresa Orbital Engenharia Ltda, de São José dos Campos (SP), firmou Acordo de Cooperação no setor aeroespacial com a China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) e com o Shanghai Institute of Space Power Sources (Sisp).

A empresa nacional é a primeira do país a assinar parceria com instituições chinesas. O acordo é fruto da rodada de negociações realizada na China entre empresas brasileiras e do país promovida com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), em dezembro de 2013, quando do lançamento do quarto satélite do programa Satélite Sino-Brasileiro de Sensoriamento Remoto (Cbers, na sigla em inglês), em Taiyuan.

Segundo Célio Costa Vaz, diretor da Orbital, a empresa representará comercialmente as duas instituições chinesas no Brasil, mas o acordo prevê também o desenvolvimento de projetos e produtos. “Inicialmente, vamos atuar no país, mas, futuramente, pretendemos prospectar o mercado latino-americano”, destaca Vaz.

Para o empresário, o acordo é uma demonstração de que a indústria aeroespacial do país goza de prestígio e é avaliada com respeito e seriedade pelos chineses. Em sua opinião, a parceria também contribui para uma aproximação mais estreita entre empresas do setor dos dois países.

De acordo com o presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, esse acordo mostra o bom potencial de negociações que podem ser firmadas entre entidades dos dois países. Para ele, a parceria também deve contribuir para que outras empresas do setor busquem ampliar negociações no exterior.

Fonte: AEB

Comentários do blog: a (arrojada, para muitos) estratégia da Orbital Engenharia de se associar aos chineses pode ser analisada por diferentes óticas. Embora represente uma boa oportunidade em razão dos laços já criados pela China em projetos no Brasil (CBERS) e outros países sul-americanos (Venezuela, Bolívia), oferece também certo riscos. Há o risco de conflito entre as atividades industriais propriamente ditas (o expertise da Orbital reside, principalmente, em painéis solares e propulsão) e aquela de representação comercial. Vale citar que a empresa é uma das potenciais beneficiárias dos offsets relacionados ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), em construção pela Thales Alenia Space, caso estes vinguem. Tem também envolvimento e interesse no SCD-Hidro. Ainda, não podem ser ignorados eventuais efeitos adversos decorrentes do International Traffic in Arms Regulations (ITAR), dos EUA.

A CGWIC é o principal conglomerado espacial da China. Na América do Sul, além do envolvimento com o programa CBERS, a CGWIC tem tido significativo sucesso na venda de soluções turn-key em satélites de comunicações e sensoriamento remoto para a Venezuela e Bolívia. No Brasil, com base em tratativas bilaterais, o conglomerado tem também grande interesse na futura missão meteorológica geoestacionária nacional (veja o artigo "Satélite meteorológico: um próximo passo").
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domingo, 17 de agosto de 2014

Mais informações sobre a Operação Raposa

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Operação Raposa realiza teste inédito com foguete de sondagem

Brasília, 15 de agosto de 2014 – O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, iniciou na terça-feira (12) a Operação Raposa. A atividade, coordenada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), objetiva o lançamento do foguete de sondagem VS-30 V13, portando uma carga útil denominada Estágio Propulsivo a Propelente Líquido (EPL-ME) com dispositivos embarcados do IAE, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da empresa Orbital Engenharia.

No vôo serão realizados experimentos com a transmissão e coleta de dados (pressão, temperatura, rotação, aceleração, vibração) da performance do foguete lançado.

Na quarta-feira (13), a equipe envolvida na Operação participou de um encontro para detalhamento das informações sobre os objetivos do lançamento, características do veículo, facilidades e apoio logístico e procedimentos de segurança.

Uma estação móvel de telemetria do IAE apoiará as estações do CLA na coleta de parâmetros de vôo do foguete. A programação para o lançamento do VS-30 é o próximo dia 29. Antes, no dia (21), deve ser lançado um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) na Operação Águia 2, que testará todos os meios de solo disponíveis preparando a equipe para o evento principal.

“O décimo terceiro vôo do VS-30 será um marco importante para a indústria aeroespacial nacional, pois, pela primeira vez, será testado no Brasil um foguete com combustível líquido embarcado, fruto de anos de pesquisas no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Com o sucesso da operação, novas possibilidades de desenvolvimento de motores foguetes a propelente líquido são abertas para aplicação em outros veículos aeroespaciais fabricados no país”, afirma o Coronel Aviador Avandelino Santana Júnior, coordenador geral da Operação Raposa.

Também participam da atividade engenheiros da Agência Espacial Alemã (DLR), que operam a estação móvel de telemetria; técnicos do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), além dos esquadrões de transporte de carga e pessoal, esclarecimento de área marítima e de Evacuação Aeromédica.

O Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (Ctla) participa com o transporte de material e equipamentos de apoio à campanha de lançamento. Nos dias de lançamentos, a Marinha atua no isolamento do tráfego marítimo e na comunicação com os navegantes, bem como o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) interdita o tráfego aéreo na região.

Fonte: CLA, via AEB.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

IAE: Operação Raposa

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IAE inicia a Operação Raposa

13/08/2014

Teve início ontem, dia 12 de agosto, a Operação Raposa, com o embarque das equipes, para o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A Operação tem como objetivo geral realizar o lançamento e o rastreio do foguete de sondagem VS-30 V13 com uma carga útil científica denominada EPL-ME, portando experimentos do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da empresa Orbital Engenharia, de forma a permitir a realização dos experimentos e assegurar a transmissão e recepção das medidas realizadas durante o voo.

Tem ainda como missão deduzida:

1. Realizar a verificação funcional autônoma do Modelo de Engenharia do Estágio Propulsivo a Propelente Líquido (EPL-ME) na configuração de voo, utilizando como par propelente álcool etílico e oxigênio líquido;
2.  Testar a interface do EPL-ME com o propulsor S30 a propelente sólido;
3.  Testar o carregamento do reservatório de oxigênio líquido e as interfaces do SAMF com o Lançador de Porte Médio do CLA;
4. Apoiar o desenvolvimento de um sistema GPS para uso espacial desenvolvido em cooperação entre a UFRN e o IAE, com suporte financeiro da Agência Espacial Brasileira (AEB);
5.   Manter a operacionalidade dos centros de lançamento; e
6.   Dar prosseguimento ao Programa Espacial Brasileiro, em coordenação com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Fonte: IAE/DCTA
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

CBERS 4: e os testes continuam

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CBERS-4 passa por testes na China

Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Os testes de vibração acústica e senoidal do satélite CBERS-4 foram concluídos pelos especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês). No dia 20 de junho, numa câmara acústica reverberante do centro chinês, em Pequim, o satélite sino-brasileiro foi exposto a ruídos acústicos semelhantes ao que enfrentará durante o lançamento, previsto para a primeira quinzena de dezembro.

Em seguida, entre os dias 21 e 23 de junho, com o CBERS-4 na configuração de lançamento, foram realizados testes de vibração nos três eixos para checar a robustez mecânica do satélite e seus subsistemas e a compatibilidade dinâmica com o foguete.

O CBERS-4 já havia passado por outra importante etapa quando, pela primeira vez, o Gerador Solar (SAG) e o satélite foram integrados e testados conjuntamente, durante ensaio realizado no dia 17 de junho.

O SAG, responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia elétrica, essencial para o funcionamento de todos os sistemas e subsistemas que compõem o satélite, foi enviado à China no início de maio. Com mais de 16 metros quadrados, o gerador que pesa apenas 55 quilogramas foi fabricado pelas empresas brasileiras Cenic e Orbital.

Antes de ser integrado ao corpo principal do satélite, o SAG foi submetido a diversos testes elétricos, de abertura e inspeções visuais, para garantir que não sofreu danos durante o transporte. Para realizar os testes dos painéis do SAG é necessário mantê-lo suspenso a um trilho através de pontos de fixação para também simular a sua abertura quando em órbita. Em seguida, o SAG foi conectado mecânica e eletricamente ao satélite para ambos serem submetidos aos testes de vibração acústica e senoidal.

As próximas atividades serão a retirada dos painéis solares e realização de uma nova checagem dos alinhamentos e a preparação do satélite para o teste em câmara termovácuo.

Uma equipe do INPE está na China e, junto aos técnicos daquele país, trabalha para o lançamento deste que é o quinto satélite desenvolvido pelo Programa CBERS (sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Montagem, integração e testes

No dia 11 de junho, foram concluídos os ensaios que verificam a autocompatibilidade do satélite e a sua compatibilidade eletromagnética com o veículo lançador. Esses testes são necessários para comprovar que um equipamento do satélite não provoca perturbações eletromagnéticas em outro. Além disso, são avaliadas possíveis interferências entre o satélite e o foguete. A impossibilidade de reparo em órbita torna imprescindível a simulação em Terra de todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o final de sua vida útil no espaço.

As atividades de balanceamento e medidas de propriedades de massa do CBERS-4 aconteceram no dia 12 de junho. O balanceamento é realizado para atender aos requisitos de posição de centro de gravidade estabelecidos pelo veículo lançador e pelo subsistema de controle de atitude e órbita. O conhecimento preciso das propriedades de massa do satélite é fundamental para o correto desempenho desse subsistema. Antes disso, no dia 7 de junho, foram realizados os testes elétricos do satélite sino-brasileiro.

As atividades de montagem, integração e testes (AIT) do satélite ocorrem no Centro Espacial da CAST, na China. O período de AIT serve para montar o modelo de voo do satélite, demonstrar seu bom funcionamento em condições ambientais semelhantes ao lançamento e órbita e identificar e corrigir eventuais problemas.

O AIT do CBERS-4 teve início em janeiro deste ano com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP). A estrutura do CBERS-4 foi projetada e fabricada pelas empresas brasileiras Cenic e Fibraforte.

Ainda em janeiro, os primeiros equipamentos de voo desenvolvidos, fabricados e testados pela indústria brasileira, juntamente com os equipamentos chineses, foram integrados à estrutura do satélite para que fossem iniciados os testes elétricos.

Devido à complexidade do satélite, os testes elétricos foram realizados por ‘Estados’, chamados de A, B, C e D. O satélite foi progressivamente integrado e testado em cada um de seus Estados.

Após submetido a todos os testes ambientais em infraestruturas especiais (câmaras anecóica, acústica e termovácuo), o satélite estará pronto para a campanha de lançamento, que deve iniciar na segunda quinzena de outubro.

Fonte: INPE


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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Contratos industriais do CBERS 4

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AEB firma contratos industriais para montagem do Cbers-4

Brasília, 16 de abril de 2014 – A Agência Espacial Brasileira (AEB) firmou oito contratos com empresas nacionais do setor aeroespacial visando à integração e montagens de diversos equipamentos do Cbers-4, quinto exemplar da série do programa de satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres.

Os contratos com as empresas Equatorial Sistemas, AEL Sistemas Mectron Engenharia, Orbital Engenharia, Omnisys Engenharia e Opto Eletrônica, englobam em sua maioria equipamentos das áreas de eletrônica, conversores de energia e câmeras para imageamento.

Todas estas empresas já foram fornecedoras de peças e equipamentos para a família de satélites Cbers, desenvolvida em parceria entre Brasil e China. Os contratos também estão em concordância com o preceituado no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) de “recorrer à indústria para reproduzir equipamentos já desenvolvidos e qualificados, capazes de atender a parte da demanda corrente a um custo menor, com prazos menores, além de manter a base industrial ativa”.

O lançamento do Cbers-4, inicialmente programado para 2015, foi antecipado para a segunda semana de dezembro próximo da China, conforme entendimento entre os dois países após a falha ocorrida com o veículo chinês lançador do Cbers-3, no final de 2013.

Fonte: AEB

Nota do blog: os contratos, somados, superam poucos milhões de reais.
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ensaio de propulsor líquido do IAE

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IAE realiza primeiro ensaio com estágio de propulsão líquida

30/12/2013 16:37h

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) realizou o primeiro ensaio a quente do modelo de voo do Estágio de Propulsão Líquida (EPL). O acionamento do motor movido a oxigênio líquido e etanol foi realizado na quinta-feira (19/12) no banco de ensaios em São José dos Campos (SP).

Este é um passo importante rumo a consolidação do uso da tecnologia de propulsão líquida, como é chamado o combustível usado para impulsionar os veículos espaciais. Até então, o país usa apenas a propulsão sólida

O teste do Motor L5, com 5 kN de empuxo, integrado ao Sistema de Alimentação do Motor Foguete (SAMF), permitiu a verificação funcional de todos os sistemas do estágio.  Ambos foram monitorados e controlados por meio da eletrônica que será embarcada no veículo VS-30.

O ensaio também treinou as equipes do IAE e da empresa Orbital para a Operação Raposa, prevista para o primeiro semestre de 2014, quando Estágio de Propulsão Líquida será testado em voo. Foram simuladas as condições de integração, carregamento de oxigênio líquido e seqüenciamento de eventos de voo. Também foram testados os sistemas de Ignição com pirotécnico de iniciação (IAE) e de Suprimento de Energia, Comando e Atuação (Orbital).

Nos últimos meses todos os sistemas e modelos de voo foram testados com êxito, como o banco de controle, a qualificação do ignitor pirotécnico, testes elétricos e estruturais, entre outros.

Apoio – O Sistema de Alimentação do Motor Foguete (SAMF) foi desenvolvido pela empresa Orbital em parceria com o IAE, tendo o apoio financeiro da FINEP. O Motor L5 foi concebido e projetado pelo IAE com recursos da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Fonte: Comando da Aeronáutica.
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domingo, 10 de março de 2013

Os americanos estão chegando!

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Notícias e acontecimentos dos últimos meses revelam um crescente interesse de indústrias dos EUA, estimuladas por reformas no International Traffic in Arms Regulations (ITAR), por oportunidades de médio e longo prazos do Programa Espacial Brasileiro e também no mercado comercial de telecomunicações por satélite, o que deve acirrar a competição com indústrias europeias e russas. Alguns indicativos recentes:

Satélite geoestacionário: hoje o maior projeto do Programa Espacial Brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) despertou o interesse de vários fabricantes estrangeiros, dentre os quais alguns dos EUA. É o caso da Boeing (ver também o parágrafo abaixo), Orbital Sciences Corporation e Space Systems/Loral, que, acredita-se, apresentarão propostas até o início de abril.

Estabelecimento da Boeing no País: atraída ao Brasil pelo programa F-X2, concorrência dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), a Boeing está hoje muito mais atenta e disposta a trabalhar com o Brasil, e isto inclui o setor espacial. Semana passada, a reportagem de Tecnologia & Defesa, publicação à qual o blog Panorama Espacial está vinculado, esteve com representantes da Boeing no Brasil. Dentre os tópicos conversados, cooperação na área espacial, inclusive (surpresa!) no segmento de lançadores de pequeno porte, e sensores para imageamento. Vale destacar que a Boeing assinou recentemente memorandos para projetos conjuntos com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). os interesses espaciais da Boeing no País serão abordados em mais detalhes muito em breve.

Space Systems/Loral e telecom: a Space Systems/Loral teve enorme sucesso ao bater a europeia Thales Alenia Space na concorrência do satélite Star One C4, adquirido há alguns anos pela Star One, subsidiária de comunicações via satélite da Embratel. A fabricante de satélites de grande porte, hoje pertencente ao grupo canadense MDA, quer ampliar sua presença na América do Sul, elencando o Brasil como um mercado-chave (destaque para a reportagem "Post-merger SS/L Turns Its Gaze to Russia, Brazil", da Space News, de 1º de março). Além do interesse no SGDC, a companhia americana é considerada uma forte candidata ao fornecimento do Star One D1, primeiro satélite de quarta geração da Star One, que contará com capacidade em banda Ka. A aquisição pela MDA, em tese, também amplia o seu escopo de atuação e oportunidades locais, uma vez que o grupo canadense tem como expertise os segmentos de robótica espacial e imageamento por radar, este último um segmento de enorme interesse e necessidade no Brasil.

SpaceX de olho no Brasil: no final de janeiro, a Agência Espacial Brasileira (AEB), em Brasília (DF), recebeu uma surpreendente visita: a diretora de negócios da empresa americana SpaceX, Stella Guillen. O propósito da visita foi conhecer os programas brasileiros e também avaliar possíveis parcerias. As chances da SpaceX figurar em alguma proposta "turn-key" para o lançamento do primeiro SGDC são bastante razoáveis, segundo pessoas que acompanham de perto a concorrência. Apesar de extremamente competitivo em termo de preço, um ponto negativo para a companhia americana é seu maior lançador em operação, o Falcon 9, ainda não realizou nenhum lançamento geoestacionário.
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

ELT no Chile: oportunidades para a indústria brasileira

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Abaixo, reproduzimos artigo enviado ao blog por José Monserrat Filho, da Agência Espacial Brasileira, sobre oportunidades para empresas brasileiras relacionadas à construção de um grande telescópio (ELT) no norte do Chile:

Oportunidades para empresas brasileiras nas obras do maior telescópio do planeta

Albert Bruch* e José Monserrat Filho**

Importantes empresas brasileiras de média e alta tecnologia participaram do “Dia da Indústria”, promovido por iniciativa da Organização Europeia de Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO), com a qual o Brasil firmou acordo para tornar-se seu membro pleno, em 29 de dezembro de 2010.

A ideia era mostrar aos empresários brasileiros o que eles podem faturar nas obras que a ESO realizará nos Andes do Chile, o melhor lugar do planeta para se observar o Universo.

A ESO, na realidade, promoveu dois “Dia da Indústria”: um na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista, e outro no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, SP, em 23 e 24 de agosto, respectivamente.

Eis as empresas e entidades brasileiras presentes nos encontros industriais com a ESO: Acrux Solutions, Avionics Services, Construtora OAS, Construtora Queiroz Galvão, Critical Software, Equatorial Sistemas, Equitron Automação, Fibraforte, Flight Technologies, Gerdau, Incubaero, Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Konatus Soluções Inteligentes, Mectron, Opto Eletrônica, Orbital Engenharia e Rede Paulista de Inovação (TPI).

Foram ocasiões especiais para os empresários brasileiros conhecerem em detalhes as oportunidades e vantagens abertas a eles pela ESO na construção do maior equipamento astronômico do mundo, o Telescópio Extremamente Grande (Extremely Large Telescope – ELT), bem como em outros empreendimentos tecnológicos e industriais da organização.

Cinco membros da alta administração da ESO vieram ao Brasil especialmente para os dois encontros. Eles explicaram de forma minuciosa os procedimentos pelos quais as empresas brasileiras de base tecnológica poderão participar das licitações e aproveitar as múltiplas oportunidades oferecidas pela ESO na construção do ELT, na produção de instrumentação periférica para os telescópios, e em outras atividades tecnológicas.

A equipe do ESO também buscou se informar, o mais amplamente possível, inclusive por meio de visitas a empresas, sobre a capacidade disponível no Brasil para o fornecimento de bens e serviços de alto valor tecnológico às instalações no Chile.

Criada por 14 países europeus, a ESO é a maior organização mundial de pesquisa astronômica terrestre. O Brasil será seu 15º membro e o primeiro membro não-europeu, se o Congresso Nacional ratificar o acordo assinado pelo Governo brasileiro em dezembro passado.

A ESO ergueu e opera grandes observatórios na região andina chilena e está prestes a iniciar a construção de novo e gigantesco telescópio, o ELT, com espelho de cerca de 40 metros de diâmetro. O ELT será de longe o maior instrumento do gênero jamais concebido. Mobilizará investimentos da ordem de um bilhão de Euros.

Confirmado o ingresso do Brasil na ESO, as empresas brasileiras poderão tomar parte ativa na construção do telescópio ELT e prestar outros serviços à organização, em pé de igualdade com as empresas dos demais países membros.

O evento e a visita de gerentes da ESO são parte das ações articuladas pela organização para integrar o Brasil, cientifica e tecnologicamente, na comunidade dos seus países membros.

O Gerente do Projeto ETL, Alistair McPerson, assim resumiu suas observações sobre as movimentadas reuniões em São Paulo e São José dos Campos: “Fiquei profundamente impressionado com o alcance da perícia e da experiência que encontrei nas empresas brasileiras que tive ocasião de visitar. Vejo ampla gama de oportunidades para a ESO colaborar com os contratados brasileiros e possibilidades estimulantes em áreas de alta tecnologia. Creio que as empresas que conheci estão bem preparadas para os desafios do futuro.”

Além de promover o avanço da ciência em geral, a entrada do Brasil na ESO tem enorme potencial para impulsionar o desenvolvimento tecnológico brasileiro, porque nos abre a oportunidade única de participar de grandes desafios tecnológicos inerentes ao desenvolvimento, à construção e à operação de complexos instrumentos, como o ELT. Isso é parte da motivação e da justificativa para o Brasil investir no ESO, certo de estar construindo um presente e um futuro em sintonia com as conquistas incomparáveis do século XXI.

Os contatos com dirigentes da ESO deixaram evidentes a vontade e a capacidade de muitas empresas brasileiras, determinadas a tirar o máximo proveito das novas oportunidades.

* Albert Bruch, ex-diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), co-organizador dos dois “Dia da Indústria” da ESO no Brasil; ** José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
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