terça-feira, 31 de março de 2009

Projeto de materiais de carbono do IAE/CTA

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IAE conclui projeto de planta de Carbono-Carbono

30/03/2009

A Vice Direção de Espaço do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/AVE) viabiliza a continuidade do projeto Materiais Carbonosos Estruturais, iniciado no final da década de 1980 pela Divisão de Materiais do instituto (IAE/AMR), para a manufatura de gargantas de tubeiras de foguete.

O projeto, oriundo do antecessor Materiais Carbonosos e Grafíticos, ambos desenvolvidos pelo IAE/AMR, tinha por premissa levar à produção de um objeto de uso no Programa Espacial Brasileiro. Os primeiros resultados surgiram em 1996, com o teste em banco de prova de uma garganta de tubeira do motor foguete S-20.

Entretanto, tendo em vista a dissolução da equipe com o término oficial do projeto, em 1999, e a ausência de recursos específicos, o risco da perda de conhecimento fundamental tornava-se iminente. O bom termo surgiu com a continuidade dos trabalhos transformados em linha de pesquisa.

Assim, após longo trabalho, e de pouca visibilidade, foi concluída a etapa prevista na primeira tarefa de planejamento em 1989, que foi o projeto detalhado da construção de uma unidade para produção de compósitos Carbono-Carbono, utilizados em gargantas de tubeiras de foguete.

A unidade é constituída de um vaso de alta pressão, denominado de hiperclave para operação até 800 MPa e 1000ºC, para o processo de impregnação e pirólise, e uma unidade de grafitização do tipo Castner, para operação até 2500ºC.

O projeto foi concebido para processamento simultâneo de dois blocos de compósito Carbono. O custo de produção nessa unidade será menor que US$500/kg. No mercado internacional o material tem sido adquirido a cotações acima de US$1500/kg. Mesmo a custo equivalente, o ganho que o projeto veio agregar é referente a independência tecnológica na produção desses itens estratégicos no país.

Até o presente momento foram adquiridos cerca de 70% dos insumos referentes à unidade da hiperclave. A unidade vai atender inúmeros projetos em andamento no Programa Espacial Brasileiro.

Fonte: IAE/CTA
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domingo, 29 de março de 2009

A face comercial da ITAR

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As últimas semanas foram de polêmica no setor espacial francês, polarizada entre a principal provedora mundial de lançamentos espaciais, a europeia Arianespace, e a gigante de telecomunicações via satélite Eutelsat. A polêmica começou com uma carta de Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace, enviada ao presidente francês Nicolas Sarkozy, criticando a contratação da China para a execução da colocação em órbita de um satélite de telecomunicações da Eutelsat.

Na semana passada, durante o evento Satellite 2009, realizado em Washington, nos Estados Unidos, a polêmica atingiu seu ápice, com Le Gall acentuando suas críticas. "Vários governos - mais notavelmente o dos Estados Unidos - têm boas razões para desejar que não haja transferência de tecnologia para a China". Sob o seu ponto de vista, a decisão da Eutelsat de contratar um lançador chinês poderia ser interpretada como um ato "hostil aos EUA." "Nós estamos chocados com isto (a política) ter sido colocado em prática", concluiu.

Jean-Paul Brillaud, executivo da Eutelsat, não deixou por menos. Alegou que a escolha do lançador chinês Longa Marcha foi baseada em preço e cronograma. "A garantia da data do lançamento foi fator principal na escolha que fizemos". Houve também uma "questão de preço", afirmou, acrescentando que a Arianespace "aumentou significativamente os seus preços".

O satélite geoestacionário W3C, a ser lançado por um foguete Longa Marcha chinês, foi construído pela europeia Thales Alenia Space e é considerado “ITAR-free”, isto é, não possui componentes de origem norte-americana. Isso não evitou, porém, a crítica de Le Gall, que alegou que o W3C possui componentes europeus igualmente sensíveis, desrespeitando o “espírito da regulação ITAR”.

O discurso de Le Gall conquistou apoiadores nos EUA, particularmente políticos. Dana Rohrabacher, congressista, disse em audiência no congresso americano que Washington deveria exercer pressão econômica sobre a Eutelsat para fazê-la reverter a decisão de contratar um lançador chinês. "A Eutelsat vende dezenas de milhões de dólares em serviços de satélites para o governo dos EUA," afirmou.

Le Gall usou argumentos de natureza política (ITAR) para uma briga eminentemente comercial. É pouco provável que o lançamento de um satélite estrangeiro por um lançador chinês possibilite algum tipo de acesso a tecnologias ou conhecimentos sensíveis que a China já não detenha. A situação é, portanto, diferente do escândalo de transferência “involuntária” à China de tecnologia de lançadores por companhias americanas como a Loral Space & Communications, Hugues Electronics e Lockheed Martin, em meados da década de noventa, o que levou, inclusive, a uma maior restrição pelo governo das regras da ITAR (International Traffic in Arms Regulations).

Ao falar em “espírito da regulação ITAR”, o presidente da Arianespace inovou. Estaria a França pensando em aplicar uma legislação estrangeira aos seus negócios? Imagina-se que não. O argumento de Le Gall é, aliás, contraditório com as práticas comerciais francesas nos setores Aeroespacial e de Defesa, inclusive de empresas que integram a própria estrutura societária da Arianespace, que largamente oferecem ao mercado global soluções “ITAR-free”.

Essa polêmica mostra que a ITAR também está sendo usada para disputas comerciais. Se por um lado a indústria norte-americana lamenta a considerável perda de mercado em decorrência da legislação, a Arianespace a utiliza conforme os seus interesses.

Como o Brasil deseja se tornar um player em lançamentos espaciais (Alcântara Cyclone Space - ACS), essas disputas, nas suas mais variadas vertentes, farão parte do negócio. Resta saber como a ACS e o governo brasileiro irão atuar nesse ambiente.
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sábado, 28 de março de 2009

ACS: reunião na Ucrânia

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Deputado do MA participa de reunião na Ucrânia sobre base aérea de Alcântara

28 de março de 2009 às 08:43

O presidente da Frente Parlamentar em Defesa de Alcântara, deputado federal Ribamar Alves, chegou nesta quinta, 25, da Ucrânia, onde esteve integrando a delegação brasileira na terceira reunião ordinária do Conselho de Administração da empresa binacional Alcântara Cyclone Space.

Alves foi o único parlamentar na visita que contou com a participação de representantes da Agência Espacial Brasileira, Carlos Ganem; do Ministério da Ciência e Tecnologia, Alexandre Navarro; e do Diretor Geral no Brasil da Alcântara Cyclone Space, Roberto Amaral.

Durante a visita foram analisados os avanços técnicos e políticos do projeto da empresa. A reunião aprovou ainda o orçamento 2009, o regimento interno do Conselho de Administração, a demonstração financeira do exercício de 2008 da empresa, e a criação, em Alcântara, de um escritório da empresa.

O deputado destacou os pontos positivos da reunião no sentido de reforçar o compromisso dos dois países, principalmente do empenho do governo brasileiro, com o acordo de implantação do Centro de Lançamento: “mais do que isso, o projeto é de grande importância para os dois países. Para o Brasil, que entrará num grupo restrito das nações que detém tecnologia para as pesquisas aeroespaciais, e a Ucrânia, que neste momento de crise, consegue diminuir os custos com o lançamento de foguetes”, avalia o deputado.

A cidade de Alcântara é um lugar privilegiado devido sua proximidade com a linha do Equador, podendo gerar no lançamento de foguetes e satélites uma economia de cerca de 30% de combustível. No entanto, o Brasil ainda é um país dependente de tecnologia. O acordo, além de impulsionar o domínio das pesquisas aeroespaciais, deverá gerar emprego e impulsionar a economia.

O acordo prevê os lançamentos dos primeiros foguetes para 2010, mas o cronograma está atrasado em virtude dos entraves na discussão com as comunidades quilombolas centenárias que habitam a região. A missão da Frente Parlamentar criada ano passado é debater a questão e tentar conciliar os interesses do Programa Espacial do Governo Brasileiro e das comunidades que habitam o território e dependem dele para sobreviver.

Fonte: Jornal Pequeno
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quinta-feira, 26 de março de 2009

Super-resolução de imagens de satélites

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Software melhora em 50% imagem de satélite

25/03/2009 18:52:23

Com técnica desenvolvida na UnB, é possível enxergar detalhes da fotografia. Inovação pode auxiliar governo e empresários.

Fabiana Vasconcelos
Da Secretaria de Comunicação da UnB

Imagine uma imagem de satélite que traga riqueza de detalhes suficiente para que se calcule a arrecadação do IPTU de uma cidade, por exemplo. Ou então a foto de uma plantação que permita o cálculo de quantas colheitadeiras serão usadas em trechos com pontos diferentes de amadurecimento. Prático, não? É isso que a Universidade de Brasília fez com imagens de satélite.

Com a ajuda da técnica de super-resolução, o pesquisador Miguel Archanjo Telles Jr. desenvolveu ferramenta que eleva o nível de detalhamento das fotografias em 50%, sem perda da qualidade.

Telles Jr. usou imagens de 20 metros de resolução, que alcançaram 10 metros a mais de qualidade após a aplicação da técnica. Em imagens de satélite, o padrão de média resolução é 20 metros, o que significa que cada pixel da foto corresponde a uma área de 400 metros quadrados. Na prática, a imagem que se vê na tela é 50 mil vezes menor do que o real.

O pesquisador analisou também imagens de 30, 15, 2,5 e 0,6 metros. O conjunto foi obtido de produtos dos satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), dos norte-americanos Landsat-7, Ikonos, Quickbird, do francês Spot e do indiano ResourceSat.

INVESTIMENTO - O software desenvolvido por Telles Jr. ainda é um protótipo, mas pode gerar economia para os usuários desse tipo de produto dentro de alguns anos. “Um pesquisador que precise de uma imagem de satélite mais detalhada poderá optar pela imagem de super-resolução ao invés de comprá-la das empresas”, diz o pesquisador. Esse mercado é atendido hoje por equipamentos espaciais norte-americanos ou franceses.

O governo brasileiro já distribui gratuitamente imagens coloridas de 20 metros do CBERS para outros órgãos, universidades e empresas e de 2,7 metros em preto e branco. Porém, quem precisa de cenas atualizadas e coloridas abaixo de 1 metro paga pelo menos R$ 1 mil em imagens disponíveis em banco de dados, ou até R$ 3 mil se o satélite tiver de ser programado para realizá-la.

Gustavo Mello, geólogo e consultor de uma empresa em Brasília, acredita no barateamento do produto e destaca outro benefício. “No nosso caso, a principal vantagem em aumentar a resolução é ter um produto de melhor qualidade para o cliente tomar decisões com informações detalhadas.”

Para a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Leila Maria Fonseca, a tecnologia pode ser útil a quem usa sistemas de informação geográfica, ou seja, softwares que unem mapas com dados econômicos ou sociais de uma região. “É uma técnica que ajuda a ampliar a imagem sem perda de resolução e pode evitar a perda de dados na reamostragem [integrar informações de diferentes satélites]”.

COMPUTAÇÃO – A metodologia de Telles Jr. baseia-se na super-resolução, uma tecnologia já utilizada em câmeras filmadoras, máquinas fotográficas, mas pouco estudada para satélites. Consiste em pegar a imagem e criar, a partir dela, outra imagem defasada em alguns pixels.

O processo deve ser aplicado em todas as camadas que se unem para compor a imagem, fornecidas por cada banda de um satélite. Cada uma traz algum tipo de dado, como, por exemplo, sobre temperatura ou cores captadas pelo sensor do artefato espacial. “Desloca-se a imagem no domínio da frequência. É lá que será obtida a nova informação”, diz.

O professor do Instituto de Geociências Antônio Nuno de Castro Santa Rosa, que orientou a tese, afirma que a técnica permite, ainda, fundir uma imagem colorida (espectral) de baixa resolução, por exemplo de 20 metros, com outra preto e branco (pancromática) de 2,5 metros e obter uma imagem de 2,5 metros em cores. “A parte colorida se encaixa perfeitamente na cena de alta resolução, como se tivesse sido obtida de um sensor colorido.”

LINGUAGEM – A chegada da tecnologia ao mercado ainda depende de pesquisas para aperfeiçoar o sistema. Telles Jr. cita, entre as necessidades, a criação de um software mais veloz. Por isso, a idéia do pesquisador é levar o programa do Matlab para a linguagem de programação C++. A mudança vai reduzir o tempo de processamento da fotografia, que hoje é de dois minutos para cada camada de uma imagem de 1.024 por 1.024 pixels.

Embora a tecnologia ainda não seja comercializada, potenciais usuários vislumbram novas aplicações. “Seria interessante testar esse algoritmo com imagens aéreas, pois teríamos meios de avaliar se o grau de distorção gerado é inferior ao acréscimo de qualidade devido ao aumento da resolução geométrica”, diz o diretor técnico de uma empresa de topografia em Brasília, Lúcio Mario Rodrigues.

Para o estudioso, a consolidação da técnica só depende de mais produção científica. “O caminho está aberto.”

O satélite francês Spot-5 já utiliza a super-resolução, mas de outra forma. O equipamento tem duas câmeras de 5 metros de resolução, deslocadas, que pegam duas imagens do mesmo local. A partir dessas duas fotografias, é possível obter outra com resolução de 2,5 metros por intermédio de processamentos realizados em terra. A super-resolução é utilizada também pelos satélites Ikonos e pelo israelense Eros.

CONTATO
Miguel Archanjo Telles Jr pelo e-mail archanjo@unb.br

Fonte: UnB, via web-site da AEB.
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quarta-feira, 25 de março de 2009

Consultoria para modelagem de PPP do SGB

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A iniciativa conjunta da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Ministério do Planejamento de estudar o modelo de Parcerias Público Privadas (PPPs) para o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) parece estar avançando. Em 18 de março, foi divulgado o "Aviso de Solicitação de Manifestação de Interesse n° 5547/2009", do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID / Fundo Multilateral de Investimentos - FUMIN.

Os estudos e serviços de consultoria sobre uma possível PPP para o SGB serão financiados com recursos não-reembolsáveis oriundos do BID/FUMIN. De acordo com o Aviso, o escopo do trabalho será o seguinte:

"Os serviços objeto desta Manifestação de Interesse compreendem a análise do marco regulatório, o levantamento de experiências internacionais de PPPs no setor, a elaboração de estudo de demanda, a especificação técnica do produto, avaliação econômica, avaliação financeira e Modelagem Jurídica para implementação do Sistema Geoestacionário Brasileiro."

As empresas e/ou instituições interessadas em prestar o serviço devem encaminhar proposta até o dia 17 de abril.
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terça-feira, 24 de março de 2009

Transferência de tecnologia no setor espacial

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Programas de parceria alavancam transferência de tecnologia?

23/03/2009

Por que será que é tão difícil comer arroz feito pela cozinha ocidental com hashi (pauzinhos)? A tecnologia hashi foi desenvolvida numa cultura tecnológica que utiliza arroz feito pela cozinha oriental. Caso fôssemos transferir a tecnologia hashi para o ocidente, haveria a necessidade de adaptarmos o arroz solto para um arroz mais “grudado”. Assim, tanto a cultura tecnológica ocidental (conhecimentos de como se preparar o arroz solto) quanto a nova tecnologia (hashi) precisariam adequar-se mutuamente para o sucesso da transferência da tecnologia.

O tema transferência de tecnologia tem sido discutido há algumas décadas por especialistas devido à dificuldade no sucesso da sua utilização plena por parte do usuário. Nesse sentido, o servidor Roberto Roma de Vasconcellos, da Divisão de Eletrônica do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/AEL), defendeu a tese de doutorado “Barreiras e facilitadores na transferência de tecnologia no setor espacial: estudo de caso de programas de parceria das agências espaciais do Brasil (AEB) e dos EUA (NASA)”. Essa pesquisa foi desenvolvida no Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, com estágio no Space Policy Institute, da Elliott School of International Affairs, da George Washington University, sob orientação do professor titutar João Amato Neto (USP) e co-orientação do professor John M. Logsdon (GWU).

O estudo objetivou identificar os fatores críticos entre atores sociais (universidades, institutos de P&D, empresas privadas e agências governamentais – NASA e AEB) no processo de transferência de tecnologia no setor espacial, utilizando como objeto de estudo cinco projetos de parceria do programa Uniespaço da AEB e do programa de parceria inovativa (PPI) da NASA.

A metodologia de pesquisa envolveu três instituições de ensino superior e dois institutos de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), como fornecedoras da tecnologia, sendo clientes o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto de Aeronática e Espaço (IAE).

O resultado principal foi a elaboração de dois modelos conceituais. O primeiro, representando a transferência de tecnologia entre fornecedor e cliente, levando em consideração fatores críticos, dentre eles o Nível de Maturidade Tecnológica (TRL - Technology Readiness Level da NASA), a Transferência Parcial de Tecnologia (TPT) e a Transferência Total de Tecnologia (TTT).

O segundo modelo detalha o papel da parceria entre diferentes organizações e suas respectivas competências essenciais (conjunto de conhecimentos que diferenciam uma organização da outra) no sistema nacional de inovação e produção espacial. O modelo demonstra ainda que o desenvolvimento de um produto para a sociedade é mais eficaz e eficiente a partir do trabalho em parceria entre organizações nos diferentes níveis de conhecimento; a empresa, ao transferir conhecimentos mercadológicos, proporciona conhecimentos à universidade e aos institutos de P&D, possibilitando a concretização do desenvolvimento do produto; a inovação.

Finalmente, a tese conclui que, dentre outros fatores, devido à complexidade tecnológica dos projetos espaciais não há espaço para o trabalho solitário e de organizações com baixa interatividade, tanto internamente quanto com o ambiente que as cercam. Nesse sentido, o processo de transferência de tecnologia realizado em redes de cooperação organizacional é o novo paradigma atual; ou seja, cada organização complementando a sua competência com diferentes parceiros é o diferencial para sua sobrevivência no presente e no futuro.

“A transferência de tecnologia não é um processo que acontece ou não, ele ocorre em função do que o cliente (usuário) deseja”, explica Roberto. “Portanto, o cuidado gira em torno de se definir muito bem como você quer que o seu arroz seja preparado (cultura tecnológica) e como adaptar a nova tecnologia (hashi) para atendê-lo. De nada adianta comer arroz `solto` com hashi; pode-se até comer, após um grande esforço e tempo, mas dificilmente o cliente ficará satisfeito!”, completa o pesquisador.

Veja a seguir os modelos desenvolvidos durante o trabalho e o link para acesso à tese completa, disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP:

Modelo de Transferência total de tecnologia

Modelo Orbital de Parceria

Tese

Fonte: IAE
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Visita do Câmara à Câmara

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Conselho de Altos Estudos da Câmara recebe diretor do INPE

20/03/2009

Em Brasília, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto Câmara, falou sobre o programa de satélites CBERS e o monitoramento de clima e meio ambiente durante reunião do Conselho de Altos Estudos da Câmara, na última quarta-feira (18/3). Os parlamentares mostraram-se interessados na atuação do INPE frente às mudanças climáticas, especialmente na adaptação e prevenção dos efeitos de desastres naturais.

O assunto está na pauta da Câmara desde a tragédia provocada pelas enchentes em Santa Catarina em novembro do ano passado, o que motivou, inclusive, a criação de uma comissão externa de deputados. O diretor do INPE sugeriu a realização de outra reunião para que possa apresentar os estudos e conclusões do Instituto em relação às questões climáticas, especialmente o relatório que está sendo elaborado sobre as enchentes em Santa Catarina.

Gilberto Câmara destacou que, especificamente sobre esse desastre, o INPE fez a previsão, na quinta-feira anterior ao final de semana das chuvas, de que cairia uma quantidade de água acima do normal. “Mas não conseguimos prever o volume correto. Previmos que poderia chover 150 milímetros nos três dias, mas choveu 450”, informou.

O diretor do INPE pediu ajuda aos deputados para recuperar R$ 45 milhões do orçamento de 2009 previstos para o instituto e que foram cortados pelo governo federal. Os recursos destinam-se à construção dos satélites CBERS 3 e 4. Ele também agradeceu o apoio no repasse de R$ 120 milhões para a compra de um novo supercomputador, que aumentará em 50 vezes a capacidade de previsão climática do INPE.

Segundo Câmara, com esse supercomputador teria sido possível prever corretamente o volume de chuvas que atingiu Santa Catarina em novembro de 2008, e a Defesa Civil poderia ter tomado providências para evitar grande parte das mortes e dos prejuízos que atingiram o estado.

Imagens de satélite

Além das questões climáticas, o monitoramento do INPE é utilizado no controle do desmatamento na Amazônia e em estudos sobre a produção agrícola. Por ser o Brasil um país continental, o monitoramento por satélite é a única forma viável de controle do território e de aspectos ambientais, como o desmatamento.

Com os primeiros satélites da série CBERS, produzidos em parceria com a China, o INPE já distribuiu mais de 500 mil imagens do território nacional desde 2004, 50% delas para empresas e 25% para universidades e centros de pesquisa. As imagens são distribuídas gratuitamente, pela internet, também para os demais órgãos de governo. Segundo Gilberto Câmara, Argentina, México e Indonésia têm interesse no sistema de monitoramento brasileiro, o único no mundo especializado em florestas tropicais.

Com custo de produção de 150 milhões de dólares – o Brasil paga a metade do valor, enquanto a China assume os outros 50% -, cada satélite tem vida útil de quatro anos. Apesar do preço aparentemente alto, a fabricação dos satélites gera empregos de alto nível no Brasil. Segundo o diretor do INPE, a instituição fechou contratos de R$ 320 milhões com empresas brasileiras para a construção dos equipamentos.

(Com informações e fotos da Agência Câmara)

Fonte: INPE
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Seminário sobre satélites: SGB

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Não houve repercussão na imprensa sobre o seminário "Satélites impulsionando o Desenvolvimento do País", organizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telecom), no Rio de Janeiro, no último dia 13. O foco era comunicação via satélite, seja privada, seja governamental. O projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), como de praxe, foi objeto de discussões.

Além do press release divulgado pela Agência Espacial Brasileira (cliquem aqui), a ACRJ (aqui) e a Telecom (aqui) divulgaram notas sobre o seminário. Vejam alguns trechos abaixo:

ACRJ:

"O Brasil não possui um satélite próprio com fins militares, apenas satélites comerciais. Hoje, o país tem nove satélites de operadoras instaladas no país e 31 posições orbitais ocupadas por empresas estrangeiras. Dentro de dois anos, o governo brasileiro deverá ter o primeiro de três satélites geoestacionários que deverão ser lançados ao espaço até 2013. O presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Ganem, alertou para o risco de o país não ter o primeiro satélite geoestacionário pronto em 2010. "Para garantir a ocupação das três posições orbitais a que tem direito, o Brasil poderá recorrer ao aluguel de um satélite estrangeiro ou a parceria com outros países".

Ganem se queixou das dificuldades enfrentadas pela Agência para o desenvolvimento do Programa Nacional de Atividades Espaciais, entre eles, o corte no orçamento da AEB e os problemas com comunidades quilombolas no Centro Espacial de Alcântara (MA), que limitaram a área destinada ao lançamento de foguetes para transportar satélites até a órbita."


Telecom:

“Se o Brasil não enviar os satélites ao espaço até 2013 correrá o risco de perder importantes posições orbitais de interesse da Pátria. Com isso, teria que utilizar satélites estrangeiros, caracterizando uma dependência externa para sua soberania e defesa.

[...]

No final do encontro, será produzido um documento com propostas a serem encaminhadas ao ministro das Comunicações Hélio Costa e ao Grupo de Trabalho nomeado através da Portaria do MCT nº 91, de 10 de setembro de 2008, que visa dar continuidade ao processo de implementação do Projeto Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), constante do Programa Nacional de Atividades Espaciais.”


As informações que chegam sobre o SGB são desencontradas. Há quem afirme que o projeto é considerado como uma das prioridades da atual gestão da AEB (o blog soube que haveria inclusive discussões em andamento com o BNDES para a obtenção de recursos ao projeto). Do outro lado, pessoas também envolvidas com o Programa Espacial dizem que a AEB já se convenceu de que o projeto não será lançado em curto ou médio prazo. As conversas de bastidores, no entanto, continuam. “Há ainda muito jogo político”, afirmou ao blog uma pessoa bastante familiarizada com o assunto.
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quinta-feira, 19 de março de 2009

Interferência em satélites militares americanos

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PF COMBATE USO CLANDESTINO DE SATÉLITES MILITARES AMERICANOS

18/03/2009

BELO HORIZONTE /MG - A Polícia Federal deflagra nesta quarta-feira, dia 18 de março, a operação “Satélite” que visa interromper o uso ilícito de satélites militares americanos para comunicação a partir de pontos do território nacional.

A investigação contou com a participação da ANATEL que ratificou as coordenadas geográficas dos pontos indicados pelo Departamento de Defesa Americana, controlador dos satélites FLEETSAT-8 e UFO. O sistema utilizado é resultado da fabricação caseira de transceptores e antenas que trabalham na freqüência e direção dos indigitados Satélites.

Ao todo serão cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nas cidades abaixo relacionadas que foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Florianópolis/SC.

Os infratores identificados responderão pelo crime inscrito no artigo 183 da Lei 9472/97, a Lei Geral das Telecomunicações, e estarão sujeitos às penas que variam de 02 a 04 anos de detenção e multa.

Relação de cidades onde há cumprimento de mandados:

Minas Gerais: Caratinga (06), Uberlândia (1), Governador Valadares (2) e Ubaporanga (1)
Goiás: Goiânia (3)
Mato Grosso: Barra do Garça (1)
Tocantins: Palmas (1) e Araguaina (2)
Mato Grosso do Sul: Campo Grande (2)
Santa Catarina: São José (1)

Comentários: pelo que foi comentado na imprensa, ao que tudo indica os criminosos entravam na frequência usada pelos satélites americanos para interferir na comunicação. Não houve acesso ao conteúdo das mensagens, pois a comunicação era criptografada. Interessante observar a aparente vulnerabilidade do sistema de comunicação militar em questão. Embora os dados não tenham sido violados, o propósito do sistema (comunicação) foi prejudicado.
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terça-feira, 17 de março de 2009

"Alcântara: Um programa bloqueado"

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Alcântara: Um programa bloqueado, artigo de Roberto Amaral

“Em um ano e dois meses de obras paralisadas, já jogamos pelo ralo cerca de R$ 37 milhões, sendo 60% com a implantação do sítio de lançamento, e o restante com despesas operacionais”

Roberto Amaral foi ministro da Ciência e Tecnologia e é diretor-geral da Alcântara Cyclone Space. Artigo publicado em “O Globo”:

A Alcântara Cyclone Space (ACS) resulta de tratado firmado entre o Brasil e a Ucrânia. Seu objetivo é integrar-nos no disputado clube dos países que dominam o espaço aéreo, mediante a construção de base de lançamentos, e a operação de foguetes ucranianos.

Nossos trabalhos, porém, estão bloqueados, desde fevereiro de 2008, por pessoas que se dizem quilombolas, cujos direitos, gritam seus representantes, estariam sendo violados. Esses direitos não são explicitados, mas podemos destacar pelo menos um, exatamente aquele que ninguém menciona: o direito de falar e ouvir. Até esta data, não nos foi possível conversar com os quilombolas, nem aqui, nem ali, nem acolá, pois intermediários de todo jaez se interpõem e falam por aqueles brasileiros.

Na verdade, esses “líderes” não estão interessados nos quilombolas, pois exibi-los no “parque antropológico” de que nos fala o mestre Hélio Jaguaribe é um verdadeiro crime contra a cidadania. O que essa gente quer, mesmo, é impedir o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro.

Por isso se omite das comunidades que não pretendemos instalarmo-nos em área dita quilombola. Como já afirmado, até em autos de ação judicial e em notificação do Ministério Público Federal, nossa base estará localizada no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), área militar, pertencente ao Comando da Aeronáutica desde 1983, e que não é reivindicada por ninguém.

Ocorre que “se instalar no atual CLA” se traduz também por fazer obras e, para fazer obras, o Ibama, brandindo leis, nos exige pesquisas e coletas de material (solo, fauna e flora) em terras hoje reivindicadas pelos quilombolas. É essa pesquisa que está sendo impedida. Se ela não é feita, não obtemos a Licença do Ibama, se não temos a Licença, não podemos construir.

Como explicar tudo isso aos nossos sócios ucranianos? Essa pesquisa não agride um só direito, de quem quer que seja; o único agente coagido é a ACS, impedida de cumprir a lei.

Queremos, simplesmente, explicar tudo isso aos quilombolas e reiterar nossa decisão de respeitar sua cultura e seus direitos. Mas queremos conversar diretamente com as comunidades, as quais, afirmamos, estão sendo manipuladas, isto é, dispensamos intermediários. O MPF do Maranhão diz que precisamos dialogar com os quilombolas.

Quando procuramos os quilombolas, esses nos dizem que só conversam com autorização do MPF. No meio, seus “protetores”, entidades de vida pouco conhecida, agentes de Estado cumprindo o papel de militantes sociais. Nosso projeto, que tem data para lançar o primeiro foguete (2010), depende do humor da burocracia de 11 ministérios!

É assim que neste país se trata um projeto de Estado fundamental para a nação de hoje e de amanhã. Depois, os ingênuos e os muito sabidos perguntarão por que em 20 anos fomos sucessivamente superados pela Coreia do Sul, pelo Japão, pela China e, agora, pasme o leitor, pelo Irã e pela Coreia do Norte.

Além do atraso tecnológico, há o prejuízo financeiro, pago pelo distinto público. Em um ano e dois meses de obras paralisadas, já jogamos pelo ralo cerca de R$ 37 milhões, sendo 60% com a implantação do sítio de lançamento, e o restante com despesas operacionais.

Cada ano que perdemos de operação corresponde a uma perda de faturamento de US$ 300 milhões. De quem cobrar tanto desserviço ao país?

Fonte: JC E-mail, 17/03/2009.
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