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domingo, 22 de julho de 2012

ACS, IstoÉ Dinheiro e a "mina de ouro celeste"


A edição desta semana da revista IstoÉ Dinheiro conta com uma reportagem, intitulada "A Cyclone vai decolar?", sobre o momento da binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). O texto possui várias informações imprecisas e previsões irrealistas, creditadas à empresa, como, por exemplo, a previsão de que a binacional realize 16 lançamentos anuais (para efeitos comparativos, os dois principais lançadores no mercado comercial, o Ariane 5 e o Proton, realizam, num bom ano, de 7 a 8 lançamentos).

Em vários trechos, a reportagem tenta mostrar que o mercado de lançamentos espaciais possui um enorme potencial comercial, com expressões e frases como "mina de ouro celeste" e "um dos mercados mais promissores do mundo". É, assim, mais do mesmo, em linha com o discurso usado por seus apoiadores (liderados pelo ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-diretor da ACS, Roberto Amaral) quando da criação da binacional, no início da década passada. Uma análise dos principais players no mercado, no entanto, mostra uma realidade bem diferente, em que as operações muitas vezes são realizadas com prejuízos, contando ainda com forte apoio governamental.

Até hoje, apesar das centenas de milhões investidos no projeto, a ACS não divulgou publicamente o seu plano de negócios, indicando a viabilidade comercial da iniciativa e, assim, justificando o investimento.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Alcântara Cyclone Space no Estadão

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Disputa política na base e falta de verba paralisam programa espacial brasileiro

16/06/2011

Aliados desde a gestão Lula, PSB e PT duelam nos bastidores do Ministério de Ciência e Tecnologia, hoje comandado pelo petista Aloizio Mercadante, e meta de lançar um foguete ao espaço, que já consumiu R$ 218 milhões, agora ficará para 2015

Leandro Colon - A disputa política envolvendo dirigentes do PT e do PSB e a recusa do governo Dilma em colocar mais dinheiro na empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), uma sociedade com o governo da Ucrânia, paralisam o programa espacial brasileiro. Criada em 2007 para desenvolver e lançar o foguete Cyclone 4 da base de Alcântara, no Maranhão, a ACS, que era um feudo do PSB, não paga os fornecedores desde abril e só tem dinheiro para as "despesas administrativas" até o fim do ano.

O diretor-geral interino Reinaldo José de Melo disse, em carta enviada no dia 27 de maio ao ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), que a falta de dinheiro poderá acarretar "consequências imprevisíveis". Sem mais recursos, segundo ele, "não será mais possível realizar outros pagamentos destinados ao desenvolvimento do Projeto Cyclone 4, o que fará com que o ritmo dos trabalhados sofra uma diminuição drástica".

Além das divergências envolvendo dois partidos da base do governo, o programa vem sendo tocado sem nenhuma transparência. Criado após a tragédia da explosão da base de lançamento e a morte de 21 pessoas em Alcântara, em 2003, o projeto prevê uma parceria internacional orçada em R$ 1 bilhão, metade do investimento para cada país e lucros rateados no futuro com o lançamento comercial de satélites para o espaço. O problema é que o Brasil já repassou R$ 218 milhões, enquanto a Ucrânia pôs bem menos, R$ 98 milhões.

A promessa inicial era lançar o foguete em 2010. Agora, o discurso oficial é 2013. Internamente, a aposta é que, se ocorrer, será somente a partir de 2015.

A presidente Dilma Rousseff mandou auditar o projeto e, para não repassar mais dinheiro, Mercadante cortou os R$ 50 milhões previstos no orçamento da ACS para 2011. Por ser binacional, a empresa não presta contas a órgãos como Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU). No ano passado, por exemplo, fechou um contrato sem licitação de R$ 546 milhões com as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht.

Os R$ 50 milhões cortados do Orçamento da União foram o assunto de uma reunião ontem entre o diretor-geral Reinaldo José de Melo e o secretário executivo do ministério, Luiz Antonio Elias. Uma planilha financeira da empresa do dia 18 de maio obtida pelo Estado mostra que a ACS não conseguiu honrar todos os seus compromissos de contratos entre março e abril e o dinheiro que sobrou - R$ 38 milhões - serve apenas para pagar as dívidas pendentes daquele período e despesas como folha de pagamento, até o fim do ano.

Feudo do PSB. O risco de o projeto fracassar tem componentes políticos nacionais e internacionais, que se agravaram desde o começo do ano. A ACS era um feudo do PSB durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como o Ministério de Ciência e Tecnologia. A direção e os principais cargos da empresa binacional eram ocupados por filiados ao partido.

Ex-ministro e vice-presidente do PSB, Roberto Amaral era o diretor-geral da ACS até março. Deixou o cargo com a chegada dos petistas, mas conseguiu manter interinamente um aliado no lugar dele, Reinaldo José de Melo, que era diretor de suprimentos da empresa. Uma parte dos funcionários de cargo de confiança filiados ao PSB saiu com Amaral. Agora do lado de fora, o vice-presidente da legenda critica a postura do governo e ataca o corte de dinheiro.

"Não se brinca de fazer programa espacial. Ou se tem ou não se tem", disse Amaral, numa audiência pública na Câmara anteontem. Ele perdeu a direção do projeto, mas ganhou vaga nos conselhos de administração da Itaipu Binacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Aliado de Roberto Amaral, Melo foi colega de Dilma na militância armada durante a ditadura militar.

Além dos problemas políticos internos, o Brasil tem se incomodado com a demora do governo ucraniano em cumprir sua parte de fazer o aporte de 50% dos recursos. Segundo dados enviados ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a Ucrânia repassou apenas 19% do que deveria. Recentemente, o governo daquele país obteve aval de seu Parlamento para contrair empréstimos para bancar o programa. Disse ao Brasil que faria isso este mês. Agora, segundo informou ontem a ACS, a promessa é para setembro.

PONTOS-CHAVE

O Projeto Espacial Brasileiro

Após o acidente de 2003, que matou 21 pessoas no lançamento do VLS-1(Veículo Lançador de Satélites), o governo fechou naquele mesmo ano um acordo com a Ucrânia para lançamento do foguete Cyclone 4, diretamente do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Pela parceria, os ucranianos entram com a tecnologia do foguete e o Brasil fornece estrutura para lançá-lo.

Objetivo

O Brasil nunca conseguiu lançar um satélite ao espaço a partir do próprio solo, apesar de contar com estrutura e localização geográfica favoráveis. Falta ao País desenvolvimento de tecnologia de foguetes. O acordo com os ucranianos - da escola soviética de foguetes - prevê um rendimento comercial com o lançamento de satélites ao espaço por meio do Cyclone 4 (foto).

Empresa

Quatro anos após o acordo, foi criada em 2007 a Alcântara Cyclone Space (ACS), uma empresa binacional - 50% do Brasil e 50% da Ucrânia - para desenvolver o complexo de lançamento do foguete. Pelo acordo, cada país deveria investir cerca de R$ 500 milhões. O governo brasileiro já repassou R$ 218 milhões, enquanto os ucranianos, R$ 98 milhões. Com a resistência ucraniana em colocar mais dinheiro, o governo brasileiro reluta em liberar mais recursos do próprio orçamento.

Crise financeira

Documentos obtidos pelo Estado mostram que a binacional sofre grave crise financeira que pode paralisar o projeto. A empresa não conseguiu honrar todos os compromissos previstos neste primeiro semestre. O dinheiro em caixa servirá apenas para "despesas administrativas" até o fim do ano.

Lançamento do foguete

A previsão inicial de lançamento do primeiro foguete era o ano passado. Agora, oficialmente, a ACS diz que poderá iniciar as operações em 2013. Internamente, o prazo é bem mais longo: 2015, desde que haja mais recursos financeiros.

Disputa política

A ACS sempre foi um feudo do PSB. O diretor-geral da empresa binacional até março deste ano era o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, que também foi ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro mandato do ex-presidente Lula. Com a chegada de Dilma Rousseff à Presidência, o PT assumiu o ministério e Amaral deixou o projeto.

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo, via website do Itamaraty.
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segunda-feira, 28 de março de 2011

Roberto Amaral é exonerado da ACS

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ATUALIZADA EM 28/03/2011, às 12h03.

Roberto Amaral foi exonerado da direção-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS). O ato jurídico formalizando a exoneração foi publicado hoje (28) no Diário Oficial da União (ver abaixo). No meio de fevereiro, o blog já havia indicado que Amaral deveria sair da binacional ("Roberto Amaral deve dar adeus à ACS"), embora desde então muitas informações desencontradas sobre sua permanência ou não estivessem surgindo.

A direção-geral da ACS será interinamente ocupada por Reinaldo José Melo, vice-diretor de suprimentos e qualidade.

"MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA
DECRETOS DE 25 DE MARÇO DE 2011

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 14 do Estatuto da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space, publicado no Diário Oficial da União de 4 de setembro de 2006, resolve E X O N E R A R ROBERTO ATILA AMARAL VIEIRA do cargo de Diretor-Geral da Alcântara Cyclone Space.

Brasília, 25 de março de 2011;
190º da Independência e 123º da República.

DILMA ROUSSEFF
Aloizio Mercadante"
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Roberto Amaral e ACS

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Ainda no assunto Roberto Amaral e Alcântara Cyclone Space (ACS), em meados de fevereiro publicamos a nota "Roberto Amaral deve dar adeus à ACS", informando que o dirigente estaria prestes a deixar a direção da empresa binacional. Pois bem, os últimos indicativos e informações dão conta de que Amaral pode até mesmo continuar na empresa. Seu relacionamento com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) teria melhorado consideravelmente.

Em janeiro, a informação era de que o projeto da ACS seria revisto. Mas há sinais de que o objetivo do MCT pode ter mudado de direção. Na edição desta semana da revista "IstoÉ", uma nota (ver abaixo, desconsiderando os erros crassos) citando o ministro Aloizio Mercadante menciona o projeto com a Ucrânia como uma das prioridades da pasta.

"A agenda de Mercadante

Octávio Costa

O governo brasileiro está em negociação com a Nasa para acelerar o projeto de lançamento de um satélite meteorológico. “Trata-se de um programa-chave para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Apesar dos cortes no orçamento da Nasa, buscamos uma forma de antecipá-lo”, revelou à ISTOÉ o ministro Aloizio Mercadante. Outras prioridades são o foguete Cybers III em 2012, em joint venture com a China, e os veículos lançadores de satélites, com a Ucrânia, o primeiro previsto para o próximo ano. “Vamos usar a Base de Alcântara, que será inaugurada entre junho e julho, agora cercada de novas medidas de segurança”, prevê Mercadante."
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Artigo de Roberto Amaral: comentários

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Alguns comentários do blog Panorama Espacial sobre o artigo "Programa Espacial Brasileiro: impasses e alternativas", de Roberto Amaral, diretor-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS) e ex-ministro de Ciência e Tecnologia:

Curiosa a posição de Amaral em defender a Ucrânia e o Canadá como os parceiros ideais para o Brasil em matéria espacial. A Ucrânia é defendida, por razões óbvias, afinal, é parceria no projeto da ACS. Surpreendente seria se Amaral defendesse outra alternativa em se tratando de lançadores. Mas, em seu artigo, o dirigente brasileiro ignorou alguns elementos-chave na parceria com a Ucrânia, como o fato do acordo não envolver transferência de tecnologia (ou mesmo desenvolvimento tecnológico local, como acontece com o programa CBERS, projeto que critica), e também a crescente dependência ucraniana da Rússia e mesmo de outros países no campo espacial. Até onde se sabe, o sistema inercial e outros componentes críticos do Cyclone 4 são fabricados na Rússia, o que teria exigido, inclusive, a assinatura de um acordo de proteção tecnológica (algo similar a um acordo de salvaguardar tecnológicas) em junho de 2009 entre Kiev e Moscou (veja aqui).

Sobre a defesa do Canadá como parceiro ideal do Brasil em satélites, o blog especula que existe aí certa influência dos ares ucranianos. Isto por que a Ucrânia possui um acordo com o Canadá para a construção de um satélite de comunicações. Inclusive, tempos atrás circularam rumores de que ucranianos e canadenses, em conjunto, aproveitando-se da relação já estabelecida da Ucrânia com o Brasil, estariam tentando um acordo para a venda de um satélite de comunicações (SGB) para o governo brasileiro. Ainda, Amaral também ignora alguns pontos sobre o programa e a indústria espacial do Canadá. Em 2008, por muito pouco, a MDA, principal indústria espacial canadense, não foi comprada pela norte-americana ATK (veja aqui). A ATK, a propósito, que por mero acaso manteve (ainda mantém?) contatos com os ucranianos para a construção conjunta de um sítio de lançamentos do Cyclone 4 nos EUA (leia mais aqui)

A venda da MDA para os americanos só não avançou em razão de veto do governo canadense. Ainda assim, a empresa tem forte dependência dos EUA, tanto como fornecedor de tecnologia e componentes como por ser um grande cliente.

Para alguns integrantes da comunidade espacial brasileira, algo que chamou positivamente a atenção no artigo foi sua posição sobre o modelo institucional para o Programa Espacial Brasileiro (PEB), que não seria o mais adequado para o seu desenvolvimento. O ex-ministro da Ciência e Tecnologia cita a existência de vários órgãos (AEB, INPE, ACS e IAE/DCTA) e a falta de uma agência central [nota do blog: em teoria, esta tarefa deveria ser exercida pela AEB, mas o arranjo atual não permite isto]. A opinião de Roberto Amaral, aliás, está muito alinhada com a visão para o PEB divulgada pela Associação Aeroespacial Brasileira (AAB), em dezembro de 2010.
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sexta-feira, 11 de março de 2011

Programa Espacial Brasileiro, artigo de Roberto Amaral

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O diretor-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS) e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, escreveu um extenso artigo, intitulado "Programa Espacial Brasileiro: impasses e alternativas" sobre o Programa Espacial Brasileiro, analisando seu custo, possibilidades e caminhos. Para acessá-lo, por enquanto disponível com exclusividade no website de Tecnologia & Defesa, clique aqui.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Roberto Amaral deve dar adeus à ACS

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De acordo com as últimas informações recebidas pelo blog Panorama Espacial, Roberto Amaral, diretor-geral da ACS, deve deixar a binacional em breve. Seu adeus estaria pendente apenas da posse de Marco Antonio Raupp na Agência Espacial Brasileira (AEB), e de acertos para que assuma outra posição fora do setor de C&T.

Para alguns observadores, sua saída era de certo modo esperada, já que o partido ao qual Amaral é filiado (PSB) não controla mais o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que agora está sob as égides de Aloisio Mercadante, do PT. As últimas notícias envolvendo a binacional - não início das obras, não integralização de capital e dificuldades no relacionamento com os ucranianos, entre outras - também não eram as mais animadoras, como noticiamos em janeiro (ver "Tensão na Alcântara Cyclone Space").

A saída de Amaral, que tem liderado a ACS desde a sua constituição em agosto de 2006, será provavelmente o estopim para outras mudanças na empresa.

Comenta-se também que seria do interesse do MCT (leia-se, Mercadante) que a AEB tivesse uma maior ingerência sobre a ACS. Atualmente, as duas organizações não tem qualquer relação de subordinação, ambas respondendo diretamente ao Ministério.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Matéria no "O Globo": ACS divulga nota

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Sobre a matéria "Governo federal dá aval para construção de satélite de monitoramento das chuvas", publicada pelo jornal "O Globo" ontem (10) e reproduzida pelo blog na postagem "Avanços no Programa GPM", a binacional Alcântara Cyclone Space divulgou a seguinte nota de esclarecimento:

"Nota de esclarecimento - Reportagem de "O Globo"

O Diretor-geral da Alcântara Cyclone Space, parte brasileira, Roberto Amaral, manifestou sua estupefação diante de declaração publicada no O GLOBO de hoje (p.15), na qual se lê que "O diretor do Inpe descarta o uso dos ucranianos Cyclone 4, a partir da base de Alcântara (MA)" (para o lançamento do GPM, o novo satélite brasileiro para previsão de temporais). Segundo o diretor do INPE, "não há garantia de que o projeto tocado pela binacional Alcântara Cyclone Space (sítio de lançamento de Alcântara) esteja operacional a tempo". Ora, a fabricação do GPM está programada para 2015 (admitamos que não ocorram adiamentos) e o lançamento de qualificação do Cyclone a partir de Alcântara está marcado para o primeiro semestre de 2012. Em que se baseia o raciocínio do diretor do INPE? Simples desinformação?"

Comentário do blog: o satélite GPM deve ser baseado na Plataforma Multimissão (PMM), uma plataforma genérica para satélites na classe de 500 kg. A capacidade em órbita baixa do Cyclone 4 é cerca de 10 vezes superior à massa da PMM. Assim, para se justificar financeiramente o voo a bordo do Cyclone 4, o lançador deveria levar outras cargas úteis, numa missão com múltiplos satélites.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Rico mercado de transporte de satélites mundial"?

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O artigo de Roberto Amaral, reproduzido no blog ontem (17) (veja aqui), tem um trecho que merece ser comentado: "A ACS é uma empresa de transporte espacial que pode, além de atender aos interesses diretos dos dois países, concorrer, com vantagens, no rico mercado de transporte de satélites mundial."

Embora envolva substancial volume financeiro, existem reais dúvidas quanto à suposta "riqueza" do mercado comercial de lançamentos, além de ser reconhecidamente um mercado de altos riscos. A presença do Estado no setor é tida como obrigatória, fato, aliás, comentado semana passada pelo experiente executivo François Auque, CEO da Astrium (fabricante do Ariane 5), em reportagem publicada na Space News:

"Em todo o lugar, lançadores são financiados 100% por governos, embora na Rússia seja talvez 75%, a preços que deixam os fabricantes de lançadores extremamente felizes. Você vê a Boeing ou a Lockheed Martin nos Estados Unidos reclamando dos preços que obtêm para os lançamentos governamentais? Não. Somente na Europa existe esta ideia bizarra de que o setor de lançamentos pode sobreviver com o mercado comercial apenas."
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Alcântara Cyclone Space, artigo de Roberto Amaral

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O projeto Cyclone-4 da Alcântara Cyclone Space e a crise das políticas estratégicas

Roberto Amaral

O desafio da conquista espacial, se é apaixonante, na mesma medida é espinhoso, porque, entre o sonho indispensável para o fazer e a realidade objetiva, inafastável, não são poucos os obstáculos pontuando nossa caminhada, que exige esforço e exige humildade para enfrentar incompreensões e até mesmo resistências, umas claras, outras dissimuladas, mas ambas difíceis de vencer.

Não posso falar de flores, porque relativamente ao Programa Espacial, no que diz respeito a foguetes e a sítios de lançamento de veículos espaciais, não fomos condecorados com as facilidades que, parece-nos, estão prestigiando outros empreendimentos. Portanto, se não posso falar de grandes sucessos, relatarei muitas dificuldades, pensando estar contribuindo para a tomada de consciência da necessidade de mudar a política espacial brasileira, e, principalmente, sua gestão.

A experiência que recolho do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e a experiência atual que resulta do esforço de constituir a bi-nacional Alcântara Cyclone Space-ACS, levam-me a reflexão pouco animadora quando me deparo com o inventário de óbices (na sua maioria criados dentro da própria estrutura estatal) que enfrentamos nesses três anos e pouco de vida, severina, da ACS. Essa reflexão diz-me que se há um Estado apto a fazer, há outro Estado, olímpico, cuja única tarefa é dificultar o trabalho dos que têm a missão do fazer. Esse Estado, assim esquizofrênico, não é fruto de si mesmo, pois é o resultado de uma série de deformações que remontam à sua própria formação. De um lado, questões de ordem cultural, condizentes com nossa visão atacanhada de país; de outro lado, questões de ordem estrutural, que dizem respeito à fragilidade instrumental do próprio Estado pós neoliberalismo, convenientemente desaparelhado para administrar seus interesses estratégicos. O fato objetivo é que o estado idespreparado para o mister estratégico jaz sem condições de eleger suas prioridades e novos ritos administrativos, a elas adequados. O pano de fundo pode ser um certo viés ideológico, nos dizendo que determinados projetos, curiais entre os desenvolvidos, estão interditados aos países em desenvolvimento ou emergentes. Essa cultura remonta à nossa formação de país e povo, assim, lamentavelmente nessa ordem, com as alienadas classes dirigentes nos impondo uma visão colonizada do mundo. É evidente que sabemos organizar o Carnaval carioca, a queima de fogos de Copacabana no réveillon, talvez tenhamos até -- mas há quem duvide!-- condições para organizar uma Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada. Mas envolver-se com energia nuclear ou com programas espaciais, ah! não, isso não é para nós, que nascemos e fomos criados como exportadores de comodites primárias (do café à soja), alimento em grão e minério in natura.

Daí, pensar em projeto nacional com fundamento em nossas próprias forças, cogitar da possibilidade de desenvolvimento econômico, ansiar pelo progresso, tornar-se mesmo uma potência (a não ser no futebol), ah! isso nos foi sempre interditado. Ainda há os que, mesmo em funções de Estado, não entendem o esforço nacional visando à construção de nossos próprios satélites e nossos próprios foguetes, como há os que não entendem a insistência brasileira em desenvolver seu programa nuclear com tecnologia própria, fabricar seu submarino, fabricar seus aviões.

Pois há, igualmente, os que não compreendem (ou fingem não compreender) que segurança e autonomia estejam no eixo de nossas políticas de defesa nacional.

A Estratégia Nacional de Desenvolvimento, confunde-se com a Estratégia Nacional de Defesa e desse encontro resulta o projeto de independência nacional, assentado no tripé (i) mobilização de recursos físicos, econômicos e humanos, para o investimento no potencial produtivo do país; (ii) "capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético1 e nuclear", e (iii) "democratização de oportunidades educativas e econômicas e pelas oportunidades para ampliar a participação popular nos processos decisórios da vida política e econômica do país"2.

E qual é o nosso projeto?

O 'caso' ACS configura-se na convergência de interesses estratégicos de dois países. Como todos sabemos, dispomos, não apenas em Alcântara, mas em todo o Norte e Nordeste brasileiro, da melhor área do Planeta para lançamentos de foguetes. Por duas razões muito simples:

(i) na região de Alcântara (Maranhão), por exemplo, estamos a 2,2 graus e no litoral do Ceará a 3,8 graus ao sul do Equador (Kourou, na Guiana, onde se localiza o centro de lançamentos europeu, a segunda melhor colocação, está 5 graus ao Norte) o que confere, a qualquer objeto na superfície, uma velocidade tangencial elevada, ou seja, um impulso inicial muito favorável aos lançamentos equatoriais, como é o caso dos satélites de comunicação. Isso se traduz em aumento da capacidade de transporte dos lançadores, tornando-os mais competitivos em comparação com lançamentos em latitudes mais elevadas, isto é, mais distantes do equador.

(ii) frente ao nosso litoral, temos ampla e desabitada área marítima, o que é essencial para fins de segurança. Assim, os lançamentos podem percorrer trajetórias mais simples, “planas”, e colocar diretamente satélites em órbita, praticamente sem necessidade de manobras, ao contrário de todos os outros centros de lançamento. Por força disso, pensou-se, pensam alguns visionários, que detemos todas as condições de montar um grande complexo espacial-científico. A ideia inicial era ter ao lado do atual Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), operado pela Força Aérea e destinado ao VLS, mais três sítios de lançamento espacial, capazes de operar com outros veículos, além daqueles já em desenvolvimento pelo programa autônomo. Um deles seria o Cyclone-4, da ACS. E teríamos, como retaguarda desses sítios, e em função deles, um parque de empresas de apoio às atividades espaciais, assim como instituições de ensino e pesquisa de tecnologia pura e de tecnologia de ponta. Ainda como efeito dessa revolução técnica na região, as atividades industriais e de serviços favoreceriam, substancialmente, o desenvolvimento do potencial turístico da região alcantarense e ludovicense.

Lembremo-nos que, em 1980, a concepção do CLA previa a implantação em uma vasta área de 62 mil hectares, dos quais apenas 20 mil seriam propriamente utilizados para fins operacionais (o restante seria para realocação de pessoas, para reservas naturais e para a fixação do parque de apoio industrial). As vastas extensões de terra são um imperativo de segurança, como sói ocorrer nos principais centros de lançamento mundiais. Dentro dessa área operacional do CLA, foi alocada para a ACS uma área de 1.298 hectares e um futuro porto.

Daqui em diante, o ideal começa afastar-se da realidade. Uma entidade do Estado brasileiro, o INCRA, decidiu que, no município de Alcântara, havia um gigantesco território quilombola. Cerca de 90% do território do atual município. Ficaram de fora a pequena sede com sua arquitetura colonial ameaçada pelo desamparo, e a área atualmente ocupada pelo CLA da Aeronáutica. Quais as consequências disso? Primeira: a ACS foi despojada de sua área. Segunda: o CLA, cuja concepção original previa dezenas de milhares de hectares, viu-se reduzido a menos de uma dezena de milhar e perdeu toda e qualquer possibilidade de expansão.

Entre outras muitas questões que poderiam ser tratadas, cito algumas poucas que bem demonstram as dificuldades antepostas aos projetos estratégicos brasileiros. As condições de acesso configuram um caso exemplar. A área do CLA (onde se está instalando a ACS em terreno alugado à Aeronáutica) está encravada no assim chamado território quilombola, de que resulta o acesso às áreas operacionais estar condicionado ao trânsito por esse território, trânsito de pessoas, de equipamentos e de materiais, algumas vezes substâncias perigosas (como, os componentes de propelente, hidrazina e tetróxido) circulando por áreas povoadas. Além disso, o Ministério dos Transportes, que administrava a construção do porto, se esqueceu de alocar a respectiva verba3. Por essa e incrível razão, seremos obrigados, para poder garantir a chegada e desembarque de materiais e equipamentos, a utilizar um atracadouro rudimentar, localizado a mais de 50 quilômetros do sítio da ACS. Para tanto, vimo-nos na contingência de melhorar todo esse caminho. Estamos reconstruindo, com recursos da AEB, a estrada que liga Cujupe a Alcântara.

E o foguete (de 24,5 a 35ton) quando não carregado) virá de Dnepropetrouvsk (Ucrânia) a Alcântara de avião, a um preço hoje estimado de 1.700 mil dólares.

Antes, nosso maior adversário, ao lado de algumas ONGs estrangeiras, era um órgão brasileiro chamado Fundação Palmares (Ministério da Cultura). Munida de argumentos que, em princípio, visariam a defesa das populações remanescentes de quilombos e a preservação de valores culturais, muitos foram os obstáculos apresentados à implantação da ACS. As poucas cem famílias que seriam diretamente afetadas pela implantação do sítio da ACS, mas que viam nisso uma perspectiva de melhoria das condições locais, acabaram sendo mobilizadas para impedir os primeiros estudos de campo. (Refiro-me ao bloqueio de fevereiro de 2008) E como se não bastasse isso, não nos foi permitido permanecer na área antes cedida pelo governo federal. O juiz da 5ª Vara Federal do Maranhão nos deu 24 horas para sairmos dali, da área anteriormente cedida pelo Estado brasileiro, daí a necessidade de nos instalarmos no seio do CLA, o que demandou largos meses de negociações. Ao todo, nessa operação foram consumidos 14 meses, entre o bloqueio de nossa área e a liberação pela justiça e cerca de um ano gastamos em negociações com o Ministério da Defesa, negociações levadas a bom termo, o que nos possibilitou a disponibilidade de uma área, nossa atual área, de 462 ha ( a original era de 1298 ha).

Ainda assim, estamos muito gratos à Força Aérea, pois nos acolheu no pouco espaço que lhe resta. Foi ela que salvou o projeto, mas saímos de uma área em que dispúnhamos de acesso livre para uma área em que o acesso é subordinado a lógicas, normas e regras militares, muitas vezes incompatíveis com projetos industriais. Inclusive agora estamos nos reunindo com os companheiros do CLA, porque, finalmente!, tiveram início as obras e temos de fazer um cadastramento de todos os técnicos, todos os empregados da ACS transferidos e os operários (estimados 1.500 no pique das obras) das empresas contratadas para a construção do sítio, bem como temos de definir sistemáticas de controle que conciliem nossas necessidades de acesso com os ditames de segurança daquele Centro militar.

Quando nos voltamos para a gênese da corrida espacial, vemos quão distintas foram as ações que viabilizaram o sonho, as necessidades e a realização das aspirações estratégicas. A Rússia começou seu programa espacial em 1950, o Brasil em 1961. Chegamos em 1988 com a Rússia lançando veículos reutilizáveis. Os Estados Unidos, que começaram também na mesma década, de há muito operam naves e estações espaciais tripuladas, além de um vasto leque de sondas que exploram o Sistema Solar e o espaço profundo. Os avanços desses países protagonistas, motivados pela Guerra Fria e por suas necessidades econômicas, foram cumulativos e espetaculares. Mas foram somente eles, além de Japão e países Europa, como a França, os únicos atores no cenário espacial?

Há outros programas espaciais que também despertam a atenção. A China, por exemplo, começa em 1956. E em 2003 já levava o homem ao espaço. A Índia já lançou satélites e sondas, o mesmo ocorrendo com Israel. A Coréia, após o insucesso com seu primeiro lançamento em 2010, está na iminência de ser o mais recente país a adentrar no “clube os lançadores”. Até a Coréia do Norte e o Irã estão à nossa frente. Nossa primeira atividade como lançadores de foguete data de 1965. Avançamos com uma família de veículos de sondagem suborbitais. Produzimos e operamos satélites de pequeno e médio portes. Nosso lançador de satélites, no entanto, ainda não vingou, após nada menos de 30 anos de esforços despendidos. Por que isso? Somos incompetentes, ou Deus não gosta dos brasileiros? A resposta é simples: somos o 23º investidor em programa espacial se considerarmos o PIB de cada país. Os recursos alocados para investimento no programa espacial brasileiro não passam de 0,010% do nosso PIB, ou seja, cerca de dez vezes menos que a França, que a Rússia e que a China.

Vejamos nossa situação em face dos BRICs. A Rússia investiu, em 2009, dois bilhões e quatrocentos milhões de dólares estadunidenses em seu programa espacial, e estamos com apenas cento e sessenta e quatro milhões. Ainda é muito pouco, mas temos que reconhecer: os investimentos, que vinham em linha decrescente, foram retomados no início desta década, uma inversão conduzida pelo governo do Presidente Lula. Quando do acidente do VLS, dei entrevista como ministro de Ciência e Tecnologia, afirmando que o projeto de VLS havia sido atingido mortalmente pela dieta de recursos. Fui criticado por todo mundo, inclusive por colegas de governo. Neste texto repito aquela afirmação, agora respaldado em dados irrespondíveis, a saber, o quadro de distribuição dos recursos de 1980 a 2009 (o acidente, como sabemos, foi em 2003) e as conclusões a que chegou a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, convocada para apurar as causas do acidente.

Somente no período 1985-1989, os investimentos se concentraram nos três segmentos de atividade - satélites, veículos e centros de lançamento - com uma média anual de 100 milhões de dólares. Daí em diante, penúria! Em 1990 os investimentos caíram para 57 milhões e em 1999 não passaram de 9,9 milhões. Ao todo, o País gastou, de 1980 a 2002 (véspera do lançamento do VLS), apenas US$ 530,2 milhões. Como pensar seriamente em lançar nosso VLS se, a cada ano, o governo reduzia os investimentos? De US$ 27,5 milhões em 1995, caímos para 18,7 em 96, para 11,271 em 97, para 10,408 em 98 e, finalmente, para US$ 3,7 milhões em 2002. Em 1999, o governo havia tido o desplante de só aplicar US$ 1,6 milhão!

Eis o resumo da atenção que estamos dando aos projetos estratégicos. Em 26 anos de desenvolvimento do VLS, que seria o nosso primeiro veículo satelizador, fizemos três tentativas, três insucessos. O esforço terá sido inútil? De certo que não, pois muito se aprendeu e se avançou. Mas o acidente comprometeu o ritmo e lançou dúvidas sobre diversos aspectos do projeto. E como temos reagido? Qual a massa crítica de pesquisadores, engenheiros e técnicos que possuímos para aprender com as falhas, revisar projetos, divisar soluções? Qual o efetivo envolvimento sustentável da indústria que conseguimos realizar? A inanição a que os projetos estratégicos são submetidos leva a esse arrastar de poucos resultados e ao abandono de profissionais e empresas. Veja-se, também, o caso do submarino de propulsão nuclear: estamos há 21 anos desenvolvendo e agora, dependendo de uma cooperação com a França, devemos esperar por mais uma década, pelo menos. Certamente, há que se repensar a forma e a firmeza com que devem ser conduzidos os projetos estratégicos, algo que suplanta os períodos governamentais e requer décadas de investimentos em gerações de profissionais, em entidades de formação e pesquisa, em infraestrutura laboratorial, em parque de indústrias com continuidade de demanda.

O que é encontro do Brasil com a Ucrânia?

A Ucrânia tem um dos melhores foguetes do mundo, mas, por questões geográficas, não dispõe de sítio de lançamento e não pode ter sítio de lançamento, porque não tem como fazer lançamentos sem que seu foguete sobrevoe outros países, descartando-se de seus diversos estágios. A Ucrânia, então, presentemente, é obrigada a lançar seus foguetes dos sítios da Rússia e do Casaquistão, Plesetsk e Baikonur. De nossa parte, temos excelentes áreas (como vimos em linhas passadas) para localização de sítios de lançamentos, mas não temos foguete. Eis o que se chama de encontro de interesses. A ACS é uma empresa de transporte espacial que pode, além de atender aos interesses diretos dos dois países, concorrer, com vantagens, no rico mercado de transporte de satélites mundial.

É óbvia a importância de satélites, mas satélite não é neutro, não é para uso apenas civil, não é apenas para uso meteorológico, é para quase tudo. Inclusive para levantamento de informações estratégicas, para vigiar fronteiras, para vigiar nossos mares e nossas plataformas de petróleo, para orientar movimentação de polícia e de exército, para orientar ações militares e armas teleguiadas, para garantir o funcionamento do novo sistema de controle de tráfego aéreo CNS/ATM.

O Programa Espacial em qualquer parte do mundo é dual, daí a dificuldade de a burocracia compreender o verdadeiro desafio. A questão não se reduz ao uso unicamente comercial de nossos lançadores, mas, sim, que já somos objeto da espionagem satelital. Se não tivermos capacidade de lançar de solo brasileiro, com foguete brasileiro, nossos satélites, sejam eles quais forem, não teremos condições de garantir a soberania do nosso País.

* Roberto Amaral é ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Diretor-geral brasileiro da Alcântara Cyclone Space e Vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro.

Fonte: PSB
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Contatos comerciais da ACS

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Está disponível na internet, no website da Câmara dos Deputados, uma apresentação sobre o projeto da empresa ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS), feita em 6 de outubro de 2009 pelo diretor-geral da binacional, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral (para acessá-la, clique aqui). Embora a apresentação, feita para a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da casa legislativa, não seja recente, seus últimos slides têm informações interessantes sobre alguns contatos comerciais feitos pela ACS.

A binacional ucraniano-brasileira, por exemplo, manteve contatos com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para o lançamento de satélites geoestacionários e de sensoriamento remoto. Na Europa, foram contatadas a Agência Espacial Europeia (lançamento de satélites de pequeno porte de órbita geoestacionária), além de várias empresas e instituições, como a Surrey Satellite Technology, da Inglaterra, a alemã Kayser - Threde-Orbital science and Technologies, e a Tubitak - Space Technologies Research Institute, da Turquia.

Nos EUA, a ACS conversou com a Iridium Communications, com a Bigelow Aerospace, e também com a ATK - Space Systems Tyokol. Com esta última, o escopo do serviço oferecido foi, segundo o documento, de "lançamento do Cyclone-4 no mercado norte-americano; cooperação no uso de acelerador da ATK para aumentar a capacidade de lançamento do VL [veículo lançador] Cyclone-4."

Outro contato que chama a atenção, confirmando informações que chegaram a circular nos bastidores há cerca de um ou dois anos, é o que foi feito com a MDA - Satellite Systems, do Canadá, para "cooperação de desenvolvimento de satélites para posterior lançamento pelo VL Cyclone-4." Sua originação provavelmente se deu no lado ucraniano da joint-venture, uma vez que a Agência Espacial da Ucrânia (NSAU, sigla em inglês) contratou a MDA no final de 2009 para o desenvolvimento e fabricação de um sistema geoestacionário de comunicações avaliado em aproximadamente 254 milhões de dólares. No passado, quando o blog recebeu a informação sobre contatos entre a ACS, MDA e NSAU, estes mencionavam um possível interesse da MDA/NSAU em oferecer uma solução para o afamado projeto do Sistema Geoestacionário Brasileiro (SGB).
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Anarquia republicana"

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"A nenhum burocrata pode ser transferido o poder de ditar a oportunidade de uma obra"

Roberto Amaral é ex-ministro da Ciência e Tecnologia (2003/2004) e diretor-geral brasileiro da Alcântara Cyclone Space (ACS). Artigo publicado no "Valor Econômico":

O Estado brasileiro de hoje beira a anarquia institucional, enquanto, do ponto de vista administrativo, está condenado à ineficiência. Aqui, mais do que em qualquer outra parte, assiste-se ao desmoronamento do sistema de três poderes "iguais e independentes". O Judiciário desrespeita a União e o Poder Legislativo renuncia ao seu dever de legislar, afogado por um Executivo legislador.

Meros órgãos auxiliares ou fiscais da administração, passam a agir como se poderes da República fossem - refiro-me especialmente ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas -, e funcionários intermediários da estrutura burocrática se consideram autônomos e inatingíveis, juridicamente irresponsáveis. Refiro-me especificamente aos técnicos dos tribunais de contas e dos Ibamas. É a configuração do Estado anárquico, o que é, em si, uma contradição.

Ministros de tribunais superiores são boquirrotos e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) deita falação sobre tudo o que lhe vem na telha e fala principalmente sobre temas que mais tarde lhe podem cair nas suas mãos de juiz. A isso se chama prejulgamento. E ninguém lhes diz que estão ferindo o decoro de função tão nobre: proselitismo e partidarismo são incompatíveis com a magistratura e a dignidade do cargo.

Na cola do STF, que legisla sobre questões penais, indígenas e outras, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), animado pela omissão suicida do Congresso, legisla sobre matéria eleitoral, minando a ordem jurídica com a insegurança: não "vale o escrito" (a lei de todos conhecida), mas o insondável que faz cócegas nas mentes de nossos ministros legisladores. A tal incongruência chamam de "neopositivismo".

O Tribunal de Contas da União (TCU) não apenas julga contas, mas pelo crivo de seus "técnicos" administra projetos, determina prioridades, interfere na administração ditando normas, ao arrepio dos interesses do Estado, que, assim, abdica, ou é forçado a abdicar de vontade estratégica.

A democracia representativa, atingida mortalmente pela falência da legitimidade eleitoral, se esfacela quando a soberania popular, fonte de todo o direito, é substituída pela toga ou pelo ditar da burocracia de segundo, terceiro e quarto escalões.

O pressuposto dessa burocracia (uma casta que se transforma em Poder e à sua vontade subordina os demais Poderes) é que o objeto da administração pública é irrelevante: não importa saber se o hospital a ser construído salvará vidas, se o atraso em sua construção determinará mais mortes; interessa ao burocrata saber se o tijolo comprado em Serra Talhada corresponde ao modelito com o qual trabalha em Brasília. E assim, dentro do Estado que deveria ser único, temos o Estado a quem cumpre fazer e o Estado a quem cumpre impedir que o Estado fazedor faça alguma coisa. É um conflito sem dialética que só leva ao impasse.

Digamos logo, antes que o juízo apressado nos seja levantado: não se pleiteia nem a ausência de fiscalização nem a impunidade, que, aliás, não é resolvida com paralisação ou adiamento de obras. Reclama-se a fiscalização e o máximo rigor na tomada de contas, mas afirmamos que a nenhum burocrata pode ser transferido o poder (exclusivo do Chefe de Estado) de ditar a oportunidade de obra estratégica.

Por isso, o Brasil não está usufruindo das vantagens decorrentes de seu desenvolvimento econômico e de sua posição particularmente favorável em face da crise do capitalismo mundial; simplesmente porque não pode, nosso Estado, ditar políticas estratégicas.

Apesar de não faltarem recurso nem vontade governamental, as obras do PAC não andam no ritmo necessário porque nem o Presidente pode dizer o que é estratégico em seu governo. Os ministérios, alcançados pelos cortes de "contingência" impostos pela dupla Planejamento/Fazenda, mesmo assim não conseguem realizar seu orçamento. Todos dependemos do arbítrio do burocrata.

O projeto do Centro Espacial de Alcântara transitou e dormitou entre as mesas dos tecnoburocratas do TCU até que um dia, passados mais de dois anos, seu Plenário decidiu aprová-lo com mais de mil emendas. Resultado, o projeto foi para a máquina de picotar papéis.

Não sei quanto custou à União a perda do projeto, a demora de dois anos e a paralisação que já leva consigo cerca de quatro anos, e cobra mais outro tanto para voltar à ordem do dia. Sei que a Agência Espacial Brasileira foi aconselhada a contratar uma grande fundação para refazer o projeto, o que não sairá barato; sei que a Alcântara Cyclone Space ficou sem porto, essencial para suas operações.

Passados seis anos do desastre de 2003, quando o VLS explodiu no solo, só agora, é que são retomadas as obras da nova torre de lançamentos, embargada antes pela indústria das liminares e recursos ao TCU. Embora tenha ingressado na corrida espacial em 1961, o Brasil, hoje, depois de três tentativas frustradas em mais de 30 anos, não tem base de lançamento, torre, nem foguete lançador. Quem responde por isso?

A única coisa que possuímos é um bem do acaso, a boa localização geográfica do município de Alcântara, de frente para o mar e próximo da linha do Equador. Mesmo essa vantagem está ameaçada, pois o Incra considerou praticamente toda a península como área quilombola.

O futuro sítio da Alcântara Ciclone Space, que recebeu do presidente da República a missão de lançar o primeiro foguete Cyclone-4, fruto da cooperação Brasil-Ucrânia, ainda aguarda a regularização jurídica da área que lhe foi cedida no CLA (sob jurisdição da Aeronáutica) e a Licença Prévia que lhe deve o Ibama (esperada para este mês). Só então poderá se cogitar da licitação para as obras civis sem as quais não pode haver qualquer sorte de lançamento.

As obras de infraestrutura, responsabilidade brasileira, ainda não puderam ser iniciadas porque a Agência Espacial Brasileira não recebe os recursos de que necessita. E o porto de cargas não foi construído, nem se sabe quando o será porque a burocracia, em 2007, se esqueceu da dotação orçamentária necessária.

O projeto do submarino de propulsão atômica está atrasado cerca de 35 anos, e as obras de Angra III paralisadas há 23 anos. E ninguém sabe porque o Brasil está perdendo terreno em áreas estratégicas. Enquanto isso, na Esplanada, seus viventes dormem o sono tranquilo dos justos.

Fonte: Jornal Valor Econômico, 8/1, via Jornal da Ciência.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Diretor da ACS na Câmara dos Deputados

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Burocracia emperra projeto estratégico, afirma diretor de Alcântara

06/10/2009

O diretor da empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), Roberto Amaral, afirmou nesta terça-feira (6), em audiência da Comissão de Relações Exteriores, que o País não tem projetos estratégicos consequentes fora da área econômica. "Qualquer burocrata de terceiro escalão nos ministérios da Fazenda ou do Planejamento barra os recursos para um projeto nacional estratégico", lamentou Amaral. "O detonador que provocou o acidente (em Alcântara) foi a dieta de recursos", acusou.

A empresa Alcântara Cyclone Space foi criada em 2006 pelo Brasil e a Ucrânia para operar e comercializar serviços de veículos lançadores de satélites a partir de Alcântara, no Maranhão. O mercado mundial de lançamentos de satélites é da casa de 6 bilhões de dólares (cerca de R$ 10,4 bilhões) por ano.

Entraves

O diretor Roberto Amaral mencionou os entraves que têm impedido a concretização do lançamento brasileiro. Problemas de localização, de logística - o governo desistiu da construção do porto previsto -, de formação e manutenção de pessoal, de conflitos com a comunidade local e de licenciamento ambiental vêm atrasando o programa de lançamentos. Também existe a pressão dos países detentores da tecnologia, que chega até à proibição do fornecimento de componentes.

A atuação do Ibama foi fortemente questionada pelo diretor. Os custos para o licenciamento já chegam a R$ 20 milhões, o que não se justificaria em se tratando de um projeto estratégico, de interesse nacional. "É o governo trabalhando contra o governo" resume o deputado Ribamar Alves (PSB-MA), que sugeriu que a Câmara, e especialmente o Partido Verde, auxiliassem na solução desse entrave junto ao Ibama e ao próprio ministro do Meio Ambiente.

Mas, segundo Amaral, de todas as dificuldades, a falta de uma política permanente e de recursos adequados é a principal. "O Brasil foi ultrapassado por Israel, Irã e Coreia do Sul, e agora, ao que tudo indica, também pela Coreia do Norte".

O programa espacial brasileiro foi iniciado em 1961, quando foi criada a Comissão Nacional de Atividades Espaciais. "Estávamos à frente da Índia e da China", informa Amaral. "A China lançou seu primeiro satélite em 1970; hoje lança um voo tripulado, tem 27 mil empregados; e nós não conseguimos cumprir nenhuma das metas estabelecidas em 1961", compara.

Em 1977, o Brasil estava em condições de igualdade em tecnologia de veículos espaciais com a Índia. Hoje, a Índia domina a tecnologia de propulsão líquida criogênica, e junto com a China se destaca pelos seus programas espaciais com lançamentos de veículos e satélites de grande porte e o domínio completo da tecnologia espacial.

Perspectivas comerciais

O Brasil paga, por lançamento, de 25 a 50 milhões de dólares a outros países toda vez que precisa colocar um satélite em órbita. Ao dominar a tecnologia de lançamento, poderá cobrar isso para lançar satélites de terceiros. O custo do lançamento em Alcântara, pela proximidade com o Equador, pode ser 30% mais barato do que nos países lançadores do hemisfério norte.

Segundo Amaral, temos os mercados "cativos" brasileiro e ucraniano; também há perspectivas comerciais no mercado latinoamericano. Argentina, Venezuela e Colômbia têm planos de lançamento, e o próprio mercado americano, apesar das fortes restrições políticas e de segurança, é um cliente potencial.

Quilombolas não são obstáculo, diz diretor

O diretor da empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), Roberto Amaral, afirmou hoje que a demarcação das terras quilombolas, que chegou a ser objeto de uma disputa judicial de seis anos com a empresa, não é mais problema. A Cyclone tem uma área dentro do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), sem nenhum conflito com a comunidade.

Amaral concorda com o deputado Domingos Dutra (PT-MA), ligado a essa comunidade, da qual foi advogado desde 1983, para quem a relação com os quilombolas não é a componente fundamental do atraso no lançamento brasileiro. Para Dutra, uma solução seria titular a área quilombola; posteriormente, caso o Estado venha a precisar dela, poderia negociar com a comunidade, como faz com qualquer proprietário.

Quanto à população urbana das redondezas, também já foram aparadas eventuais arestas, segundo Amaral. "A prefeitura cedeu um prédio, onde a empresa vai instalar um centro de atendimento à comunidade, inclusive com atividades culturais", explicou o diretor.

Fonte: Agência Câmara (Reportagem - Rejane Xavier; Edição - Patricia Roedel)
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Um caso para ninguém ver ou saber"

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O experiente jornalista Júlio Ottoboni, especializado em jornalismo científico e aeroespacial, escreveu uma análise sobre a questão Roberto Amaral versus Brig. Chaves. No texto, divulgado pelo Observatório da Imprensa, Ottoboni aborda não apenas o histórico do acordo especial entre Brasil e Ucrânia, mas também trata da Missão Centenário (voo espacial do astronauta brasileiro, Cel. Marcos Pontes) e da "falecida" participação brasileira na Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês).

Para acessar o artigo, o qual recomendamos a leitura, clique sobre o seu título: "Um caso para ninguém ver ou saber".
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sábado, 12 de setembro de 2009

Resposta de Amaral ao artigo "Uma bomba política"

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Em mais um capítulo da polêmica discussão havida entre Roberto Amaral, diretor-geral da empresa ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS) e o então diretor de Transporte Espacial e Licenciamento da Agência Espacial Brasileira, Brig. Antonio Hugo Pereira Chaves, a ACS disponibilizou em seu web-site uma carta de Roberto Amaral em resposta ao artigo "Uma bomba política", publicado por Merval Pereira na edição do último 10 no jornal "O Globo", no qual narra a discussão ocorrida em 26 de agosto (para saber mais sobre a discussão, acesse "Exoneração do Brig. Chaves da AEB").

Abaixo, reproduzimos a íntegra da carta:

"Caro Merval Pereira,

Sua sempre oportuna e sempre isenta coluna não teria sido publicada, hoje, com as falhas que a seguir indico, caso você me tivesse ouvido antes de escrevê-la.

Primeiro de tudo, o nela mencionado major brigadeiro da reserva não era representante da Força Aérea na Agência Espacial Brasileira, AEB. Para o cargo que ocupava fora convidado diretamente pelo presidente da Agência, Carlos Ganem. Sua demissão foi solicitada pelo Ganem ao MCT logo após o incidente, pois, antes de mim, na reunião citada, fora ele desrespeitado pelo seu hoje ex-auxiliar.

Em segundo lugar, não é correta a afirmação segundo a qual o acordo (na verdade Tratado) entre o Brasil e a Ucrânia, visando ao projeto Cyclone-4, fora objeto de 'polêmica logo no início do governo Lula'. A polêmica foi relativa ao Acordo de Salvaguardas firmado pelo governo anterior com os EUA. O Tratado com a Ucrânia foi assinado por mim, em nome do governo brasileiro, em 21.10.2003, e promulgado, após aprovação pelo Congresso Nacional, em 28.4.2005. O Acordo de salvaguardas com a Ucrânia foi promulgado em 2004. E não contém as restrições que nos foram impostas pelos EUA e aceitas pelo governo anterior. Aproveito para dizer-lhe: está havendo transferência de tecnologia.

Em terceiro lugar, a versão relativa à discussão comigo é fantasiosa. Não se tratou de quilombolas. A pacificação com os quilombolas foi comandada e levada a cabo por mim e concluída em março último nos Autos de uma Assentada perante a Justiça Federal do Maranhão. As dificuldades, que não foram criadas pela ACS, pertencem ao passado. Não se falou em PAC. Estou, realmente, empenhado em que as obras do Centro de Lançamento de Alcântara, pela seu caráter estratégico, sejam incluídas no PAC para que assim possamos promover ainda em 2010 o voo de qualificação, como determinou o Presidente da República. Mas essa é discussão que se trava em outro nível, com a Ministra Dilma e o presidente Lula. A reunião era puramente técnica: pretendia-se discutir a compatibilidade dos cronogramas de obras e serviços da ACS e da AEB. O ex-diretor foi grosseiro com o diretor-geral da parte ucraniana, O. Serdyuk, e com o vice-diretor técnico brasileiro, João Ribeiro Jr. Cumpri o dever de defendê-los e daí resultou o incidente, muito medíocre, sem os lances rocambolescos (à maneira dos westerns italianos) que lhe descreveram. Para você ter idéia, eu e meu agressor estávamos distantes um do outro por algo como dez metros e umas duas dezenas de diretores e técnicos.

Abraços de seu sempre devedor

Roberto Amaral"
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

T&D: entrevista com Roberto Amaral, da ACS

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A reportagem de Tecnologia & Defesa teve a oportunidade de conversar ontem (3) com Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia (2003-2004), e atualmente diretor-geral da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS), sobre o projeto da empresa para a exploração comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Em breve conversa, T&D abordou vários pontos do projeto da ACS, como o início das obras de infraestrutura, suas perspectivas comerciais, a necessidade de acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos, cooperação tecnológica com a Ucrânia, Programa VLS, participação da indústria nacional, entre outros.

Para acessar a entrevista, clique aqui.
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

'Um barraco aeroespacial"

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Um barraco aeroespacial

Reunião para discutir lançamento de foguete acaba em briga entre ex-ministro da Ciência e Tecnologia e um major-brigadeiro

Noelle Oliveira

O que era para ser mais uma das 20 reuniões já realizadas pela cúpula Agência Espacial Brasileira (AEB) para discutir a questão espacial brasileira acabou em xingamentos e quase em agressão física na última quarta-feira. O resultado da confusão será o afastamento de um dos diretores da agência, cuja exoneração deve ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial da União (DOU). A confusão envolveu o diretor-geral brasileiro da Alcântara Cyclone Space (ACS), o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, e o então diretor de Transporte Espacial e Licenciamento da AEB, major-brigadeiro Antonio Hugo Pereira Chaves (1).

A reunião realizada no início da tarde na sede da AEB, no Setor Policial Sul, tinha como pauta alguns ajustes com relação ao lançamento do primeiro foguete da empresa, o Cyclone 4, previsto para dezembro do ano que vem. Durante a discussão, no entanto, Amaral teria cobrado alguns posicionamentos da agência. O ex-ministro e outro integrante da Cyclone foram interrompidos várias vezes pelo diretor Antonio Chaves, o que irritou Amaral. Chaves e Amaral chegaram a esmurrar a mesa, até que o diretor da Cyclone xingou verbalmente o major-brigadeiro que, irritado, jogou um copo de água em Amaral. Segundo um funcionário presente à reunião, a discussão só não terminou em pancadaria pela intervenção dos presentes. Fontes do setor afirmam que o major-brigadeiro Antonio Chaves foi demitido no mesmo dia. Já Amaral, com 70 anos de idade, acabou indo parar em um hospital no dia seguinte, apresentando quadro de pressão alta.

Procurado pelo Correio, Amaral confirmou por meio de sua assessoria a ocorrência do incidente. Ele destacou que as relações da AEB com a Cyclone são harmônicas e que ficarão “melhores ainda a partir de agora”. A agência, por sua vez, esclareceu em nota que “no calor dos debates técnicos, houve um acirramento pontual de ânimos entre dois interlocutores, que, no entanto, não comprometeu as relações institucionais e nem os prazos de andamento do referido projeto”. A agência não informou quem substituirá o diretor exonerado.

Segunda empresa binacional do país, a ACS nasceu há menos de dois anos, criada pelos governos do Brasil e da Ucrânia, para inserir os dois países no mercado mundial de lançamento de satélites, que movimenta, anualmente, mais de US$ 1 bilhão. No tratado firmado entre os dois países, cabe ao Brasil cuidar da infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) e à Ucrânia, o desenvolvimento do foguete Cyclone-4. Até abril deste ano, a binacional já havia recebido US$ 72 milhões dos US$ 105 milhões previstos para serem repassados pelos dois países. O governo brasileiro investiu US$ 50 milhões, e o ucraniano, US$ 22 milhões.

A empresa publicou no último 14 de agosto os editais referentes às licitações das obras dos sítios de lançamentos do Cyclone 4. Outra etapa importante para a construção desses locais é a concessão da licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que já está em andamento.

Apesar dos objetivos em comum, fontes dão conta de que o relacionamento entre a AEB e a Cyclone não anda em seus melhores dias, como afirmou Amaral. A situação ficaria ainda mais complicada porque envolveria militares ligados à Aeronáutica. A rixa estaria no fato de a binacional permear um setor historicamente ligado ao comando da coorporação. No entanto, o primeiro foguete só será lançado, agora, sob a administração da recém-criada binacional. Dois militares chegaram a trabalhar na Cyclone, mas foram demitidos.

Outro problema seria a forte influência política quando o assunto é o programa espacial brasileiro. Além de ser dirigida no Brasil por Amaral, vice-presidente nacional do PSB, a Alcântara Cyclone Space tem em seus quadros pessoas ligadas ao partido. A chefe de gabinete de Amaral é Patrícia Patriota, filha do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). Em uma outra reportagem, o Correio questionou Amaral sobre o fato. “Aqui, o critério é currículo. Ela é uma expert no setor”, disse o ex-ministro na ocasião.

1 - O militar

O major-brigadeiro Antonio Hugo Pereira Chaves foi cadete da Academia da Força aérea, em 1967. Concluiu os cursos acadêmicos da carreira de oficial-aviador. Formou-se em engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e é doutor engenheiro em automatismo pela Escola Nacional Superior de Aeronáutica e Espaço, em Toulose (França). Orientador acadêmico nos cursos de pós-graduação do ITA, foi também diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEAv).

O POLÍTICO

Vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral foi ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004, no primeiro governo Lula. Ficou mais conhecido pelas declarações sobre a bomba atômica do que por sua atuação à frente da pasta, apesar de ter permanecido um ano na função. “Nós somos contra a proliferação nuclear, nós somos signatários do tratado de não proliferação (de armas nucleares), mas não podemos renunciar ao conhecimento científico”, afirmou.

Fonte: Jornal Correio Braziliense, 01/09/2009, via NOTIMP.

Comentários: o acontecimento em si não merece muitos comentários. A piada que tem circulado no meio especializado é que baixou o "Hugo Chávez" venezuelano no Brig. Hugo Chaves, brasileiro. O interessante é que a velha divergência entre setores do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Comando da Aeronáutica sobre lançadores espaciais continua a existir. Há alguns anos, outro diretor de Transporte Espacial e Licenciamento da AEB foi também exonerado por razões parecidas (embora menos agressivas!).
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

ACS: visita ucraniana

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Vice-ministra da Economia da Ucrânia visita a ACS

19/08/2009

A vice-ministra da Economia da Ucrânia, Nataliya Boitsun, em viagem oficial ao Brasil, visitou, na tarde desta quarta-feira (19), a sede da Alcântara Cyclone Space, em Brasília. Na oportunidade, ela se reuniu com os dois diretores-gerais, Oleksandr Serdyuk (Ucrânia) e Roberto Amaral (Brasil).

Durante aproximadamente uma hora, Nataliya assistiu a apresentações do diretor-geral ucraniano e do vice-diretor financeiro da ACS, Viacheslav Alexeyenko, a respeito do cronograma de atividades da empresa binacional e da situação financeira da ACS, cujo capital de US$ 487 milhões tem de ser integralizado em iguais parcelas pelos países.

Nataliya chegou ao Brasil no domingo (16) e, já na segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, participou de reuniões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Em Brasília, além de visitar a ACS, Nataliya Boitsun se reuniu com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Itamaraty.

O objetivo principal da viagem é estreitar os laços comerciais entre a Ucrânia e o Brasil, sendo a ACS a principal locomotiva que une as duas nações.

Fonte: ACS
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domingo, 14 de junho de 2009

"O Fogueteiro do Planalto"

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A edição dessa semana da revista de finanças e negócios IstoÉ Dinheiro traz uma pequena reportagem sobre a Alcântara Cyclone Space (ACS). Como tem sido de costume nos últimos meses, Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e diretor-geral da ACS comenta os problemas que têm atrasado o andamento do projeto, como a questão dos quilombolas, infraestrutura limitada, etc.

Algumas novidades mencionadas na reportagem: Amaral pediu à ministra da Casa-Civil, Dilma Rousseff, a inclusão da ACS no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O ex-ministro também informou uma nova data para o primeiro lançamento do Cyclone 4: 2011. Há tempos, as autoridades da ACS insistiam em 2010, ano que vem, para o primeiro lançamento, intenção extremamente arrojada, como afirmamos algumas vezes no blog.

Outra novidade são os interesses da companhia norte-americana provedora de serviços de comunicações Iridium, e do projeto do Sistema Satelital Geoestacionario Argentino de Telecomunicaciones (SSGAT), de usarem o Cyclone 4 como lançador de seus satélites.

Para ler a reportagem na íntegra, clique aqui.
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quinta-feira, 30 de abril de 2009

PAC e Alcântara Cyclone Space

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Empresa quer base de Alcântara no PAC

Paulo de Tarso Lyra

O diretor-geral brasileiro da Cyclone Alcântara Space (CAS), Roberto Amaral, pediu ontem à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a inclusão do projeto de lançamento do satélite binacional no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O projeto está atrasado desde o seu princípio, em dezembro de 2007. Amaral espera que, com a inclusão no PAC, as coisas funcionem em um novo ritmo. "Incluir no PAC mostra que o projeto é prioritário para o país e a burocracia diminui", disse ele.

Amaral afirma que algumas barreiras já foram transpostas. Ontem ele esteve com a ministra Dilma para apresentar o diretor-geral ucraniano, Alexander Ardyuk. Há dois dias, ficou acertado um aumento de capital de US$ 105 milhões para US$ 475 milhões, divididos equitativamente entre ambos os países. No entanto, Amaral precisa, ainda, convencer o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a desembolsar a contrapartida brasileira. "Além de uma quantidade maior de recursos, o aporte de capital nos coloca em um novo patamar no cenário internacional", disse ele.

Presidente em exercício do PSB e ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral acredita que o "carimbo de prioritário" da inclusão no PAC servirá, por exemplo, para acelerar o processo de licença ambiental da área onde o lançamento será feito. Ele afirma que a intenção da empresa é iniciar as obras de terraplanagem em agosto deste ano para lançar o primeiro satélite, ainda que sem fins comerciais, no segundo semestre de 2010. O lançamento comercial está previsto para 2011.

Ele admite que o mesmo pedido já havia sido feito em outras oportunidades à ministra Dilma. Mas, desta vez, acha que será atendido. "Ela prometeu advogar pessoalmente junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva", acrescentou. No fim de maio está prevista uma reunião do presidente Lula com todos os ministérios diretamente ligados ao projeto, como Defesa e Ciência e Tecnologia. "Esperamos, antes disso, êxito no nosso pleito."

Amaral disse ser coisa do passado a disputa judicial com os quilombolas, que reivindicavam como sua uma área de 78 mil hectares, de um total de 114 mil hectares que constituem a península de Alcântara, no Maranhão. A antiga base de Alcântara, controlada pela aeronáutica, explodiu em agosto de 2003, matando mais de 20 engenheiros, na maior tragédia sofrida pelo setor na história brasileira. "Vamos construir uma nova base de lançamento de foguetes, que será controlada pela binacional Brasil-Ucrânia", reforçou.

Amaral também anunciou o recapeamento de 51 quilômetros da MA 106, que liga o Porto Marítimo ao Centro de Lançamentos (CLA), facilitando o deslocamento de veículos na região. O diretor brasileiro acrescentou ainda que, no início de agosto, o presidente da Ucrânia, Victor Yuschenko, virá ao Brasil para encontrar-se com o presidente Lula. A intenção de Roberto Amaral é agendar com os diplomatas do Itamaraty uma visita dos dois presidentes à base de lançamento de foguetes em Alcântara.

Fonte: jornal Valor Econômico, 30/04/2009

Comentários: todas as notícias que têm sido publicadas sobre a empresa binacional Alcântara Cyclone Space indicam um esforço da direção da empresa, liderada pelo ex-ministro Roberto Amaral, em cumprir com o cronograma de primeiro lançamento no final de 2010, objetivo bastante arrojado, como já foi dito em algumas ocasiões aqui no blog. Apenas a título de informação, as obras de infraestrutura do lançador russo Soyuz, em Kourou, na Guiana Francesa, foram iniciadas em abril de 2005 e ainda não foram concluídas. Espera-se que o primeiro lançamento do Soyuz a partir de Kourou ocorra no final desse ano ou começo de 2010.
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