terça-feira, 17 de março de 2009

"Alcântara: Um programa bloqueado"

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Alcântara: Um programa bloqueado, artigo de Roberto Amaral

“Em um ano e dois meses de obras paralisadas, já jogamos pelo ralo cerca de R$ 37 milhões, sendo 60% com a implantação do sítio de lançamento, e o restante com despesas operacionais”

Roberto Amaral foi ministro da Ciência e Tecnologia e é diretor-geral da Alcântara Cyclone Space. Artigo publicado em “O Globo”:

A Alcântara Cyclone Space (ACS) resulta de tratado firmado entre o Brasil e a Ucrânia. Seu objetivo é integrar-nos no disputado clube dos países que dominam o espaço aéreo, mediante a construção de base de lançamentos, e a operação de foguetes ucranianos.

Nossos trabalhos, porém, estão bloqueados, desde fevereiro de 2008, por pessoas que se dizem quilombolas, cujos direitos, gritam seus representantes, estariam sendo violados. Esses direitos não são explicitados, mas podemos destacar pelo menos um, exatamente aquele que ninguém menciona: o direito de falar e ouvir. Até esta data, não nos foi possível conversar com os quilombolas, nem aqui, nem ali, nem acolá, pois intermediários de todo jaez se interpõem e falam por aqueles brasileiros.

Na verdade, esses “líderes” não estão interessados nos quilombolas, pois exibi-los no “parque antropológico” de que nos fala o mestre Hélio Jaguaribe é um verdadeiro crime contra a cidadania. O que essa gente quer, mesmo, é impedir o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro.

Por isso se omite das comunidades que não pretendemos instalarmo-nos em área dita quilombola. Como já afirmado, até em autos de ação judicial e em notificação do Ministério Público Federal, nossa base estará localizada no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), área militar, pertencente ao Comando da Aeronáutica desde 1983, e que não é reivindicada por ninguém.

Ocorre que “se instalar no atual CLA” se traduz também por fazer obras e, para fazer obras, o Ibama, brandindo leis, nos exige pesquisas e coletas de material (solo, fauna e flora) em terras hoje reivindicadas pelos quilombolas. É essa pesquisa que está sendo impedida. Se ela não é feita, não obtemos a Licença do Ibama, se não temos a Licença, não podemos construir.

Como explicar tudo isso aos nossos sócios ucranianos? Essa pesquisa não agride um só direito, de quem quer que seja; o único agente coagido é a ACS, impedida de cumprir a lei.

Queremos, simplesmente, explicar tudo isso aos quilombolas e reiterar nossa decisão de respeitar sua cultura e seus direitos. Mas queremos conversar diretamente com as comunidades, as quais, afirmamos, estão sendo manipuladas, isto é, dispensamos intermediários. O MPF do Maranhão diz que precisamos dialogar com os quilombolas.

Quando procuramos os quilombolas, esses nos dizem que só conversam com autorização do MPF. No meio, seus “protetores”, entidades de vida pouco conhecida, agentes de Estado cumprindo o papel de militantes sociais. Nosso projeto, que tem data para lançar o primeiro foguete (2010), depende do humor da burocracia de 11 ministérios!

É assim que neste país se trata um projeto de Estado fundamental para a nação de hoje e de amanhã. Depois, os ingênuos e os muito sabidos perguntarão por que em 20 anos fomos sucessivamente superados pela Coreia do Sul, pelo Japão, pela China e, agora, pasme o leitor, pelo Irã e pela Coreia do Norte.

Além do atraso tecnológico, há o prejuízo financeiro, pago pelo distinto público. Em um ano e dois meses de obras paralisadas, já jogamos pelo ralo cerca de R$ 37 milhões, sendo 60% com a implantação do sítio de lançamento, e o restante com despesas operacionais.

Cada ano que perdemos de operação corresponde a uma perda de faturamento de US$ 300 milhões. De quem cobrar tanto desserviço ao país?

Fonte: JC E-mail, 17/03/2009.
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3 comentários:

phobus disse...

Brasil Nação pós 1500-A historia demonstra que quando os povos eram nômades guerreavam entre si; quando tinham territórios também guerreavam e exterminavam, para aumentar territorios e se fortalecerem o grupo(tribais) na europa,ásia,áfrica,americas.Grupos (étnicos e sociais) com ganância por riquezas e poder levaram a humanidades a vários conflitos, como atualmente. A unidade territorial da maioria dos países só conseguiu ser mantida através do emprego da força, da coerção e dos assassinatos em massa.As nações se fortaleceram após a formação territorial, devendo assim serem compreendias.Todos que nasceram no Brasil após a formação do território em 1500 são brasileiros, e não só os descendentes da etnia indígenas ou de escravos, que a lei quer previligiar, afrontando o art 3 IV da C.F. "deve ser promovida o bem de todos sem discriminações de raça, cor sexo ...., mas que são ignorado tais diretrizes ., bem como também são brasileiros os imigrantes por opção.Estão dividindo e enfraquecendo uma Nação que é composta pela miscigenação de raças e culturas. Os índios guerreavam para aumentar territórios, e escravizavam assim como acontece e aconteceu entre as etnias em outras partes do mundo e especialmente na África. Quem pode acreditar que índios e quilombolas vão ficar eternamente vivendo de caça e pesca. Temos uma Nação para ser fortalecida pela miscigenação de raças e não dividida com privilégios para alguns.Bens de brasileiros são desapropriados(fazendas seculares e outros imóveis) quando para execução de obras de interesse publico,(estradas e outras) porque alguns brasileiros devem ter privilégios e até impunidades, afrontando a inteligência da Nação Brasileira? Leis não observam os valores morais e civismo da maioria do povo brasileiro sendo estes os alicerces no fortalecimento da Nação Brasileira. O Brasil esta caminhando para se tornar uma Tchecolosvaquia. A ganância por riquezas e poder foram e são as causas das atrocidades ocorridas no mundo, praticadas por grupos fortalecidos e armados,é histórico.

Sengedradog disse...

Phobus,

O risco é que se interesses econômicos de potências estrangeiras conseguirem criar nações indígenas ou quilombolas por aqui é quem vai deter os benefícios, indíos e quilombolas é que não serão. Eles serão a carne de sacrifício dos gananciosos e ainda vão querer botar a culpa em nós.

Raul(51) disse...

Tudo bem, eu concordo com o autor.

Mas ao pé da letra ele às vezes pode levar a enganos gravíssimos.

Não é lançando foguetes ucranianos Cyclone que poderemos falar então em autonomia em se tratando de lançar seus próprios satélites.

Somente alcançaremos o patamar de certos países com essa capacidade quando conseguirmos colocar um satélite no espaço COM NOSSO PRÓPRIO VEÍCULO LANÇADOR. Ou seja, quando termos o nosso VLS-1B, já que o "1" não tem missão para ele e a PMM exige um foguete de maior capacidade. Ainda será pouco. Precisaremos de coisas mais capazes.

Esse tipo de argumento do autor, se levado a sério, pode levar parlamentares por exemplo, a questionarem a necessidade de desenvolvermos um VLS já tendo um foguete lançado aqui (mesmo que não seja noss).
Se o programa ACS der certo, ótimo. Mas se não der, é um motivo a mais para desenvolvermos nossos próprios meios e AÍ SIM, dissermos a palavra INDEPENDÊNCIA e SOBERANIA.


abraços]