terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cooperação Brasil - Índia

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Brasil e Índia: a busca da cooperação espacial

20-09-2011

As duas potências emergentes precisam definir formas e campos de cooperação espacial. A plena consciência dessa crescente necessidade ficou clara na visita do Embaixador da Índia, B. S. Prakash, ao Presidente da Agência Espacial Brasileira, Prof. Marco Antônio Raupp, nesta terça-feira.

Ficou acertado delinear, até o final do ano, os campos concretos da colaboração a ser efetivada, com base em interesses mútuos e na participação de empresas dos dois países. Acordou-se também dedicar especial atenção nas próximas reuniões ao programa de Satélites IBAS, aprovado pelo fórum Índia, Brasil e África do Sul. As características técnicas desses satélites já começaram a ser desenvolvidas.

Uma visita da Presidente Dilma Rousseff à Índia está prevista, em princípio, para fevereiro próximo. O principal compromisso ora assumido pelo Presidente da AEB e pelo Embaixador da Índia é de preparar uma proposta que atenda às necessidades reais de ambos os países em áreas como observação da Terra, telecomunicações por satélite e preparação de recursos humanos em alta qualificação na área espacial.

O Embaixador B. S. Prakash presenteou o Dr. Marco Antonio Raupp com o livro “India 2020 – A Vision for the New Millenium”, dos renomados cientistas indianos A. P. J. Abdul Kalam e Y. S. Rajan. O livro tem como epígrafe uma referência válida para a ocasião: “se aqueles que pensam alcançar algo têm um propósito firme e bem definido, eles haverão de realizar o que pensam e até mesmo na forma como pensam”.

Participaram da audiência o Dr. Vinod K. Sachdeva, Ministro Encarregado de Negócios da Embaixada da Índia, o Dr. G. K. Rayalu, pesquisador indiano que trabalha há muitos anos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Dr. Himilcon de Castro Carvalho, Diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos (DPEI) da Agência Espacial Brasileira (AEB), e o Prof. José Monserrat Filho, Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional (ACI) da AEB.

Fonte: AEB
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Novo diretor-presidente da ACS

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Segundo a coluna de Alcelmo Góis publicada no jornal "O Globo" da última sexta-feira (16), o novo diretor-presidente da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS) será o brigadeiro Reginaldo dos Santos, atualmente reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

Reginaldo dos Santos é tenente-brigadeiro do ar da reserva da Força Aérea Brasileira, com graduação em engenharia eletrônica pelo ITA, e mestrado e doutorado pela Purdue University, dos EUA. No período de 1995 a 1999, foi diretor do então CTA (hoje, DCTA), Vice-Diretor (1999-2000) e Diretor-Geral (2000-2003) do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento (DEPED), do Comando da Aeronáutica. Entre agosto de 2003 a agosto de 2005, atuou como Conselheiro Militar do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova Iorque, EUA.
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domingo, 18 de setembro de 2011

SGB: o retorno da Telebras

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Desde o ressurgimento da estatal Telebras, em meados de 2010, especulava-se sobre a possibilidade de seu envolvimento no projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) ("Telebras no SGB?"). Sexta-feira passada (16), o blog Panorama Espacial divulgou que haveria uma reunião entre os ministros da Defesa, Ciência, Tecnologia e Inovação, e Comunicações, e os presidentes da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da estatal Telebras, para a discussão do projeto ("SGB em pauta?"). Com a reunião, outras informações obtidas nos últimos dias, além de todas as movimentações passadas, o cenário para o SGB foi se tornando mais claro: o SGB será viabilizado por meio da Telebras.

Indícios

Em entrevista publicada na edição de agosto da revista Teletime, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que o governo investiria R$ 3 bilhões em projetos de cabos submarinos e num satélite geoestacionário de comunicações com duas vertentes, uma civil e outra militar. "Existem duas vertentes: uma é o satélite puramente comercial, esse que está sendo licitado pela Anatel, e que não vai ter necessariamente investimento público. Mas nós estamos discutindo com a Defesa para fazermos um satélite geoestacionário. Evidentemente a parte da Defesa seria controlada pela Defesa e a parte comercial, na nossa visão, é que seria coordenada pela Telebrás", declarou.

Antes da entrevista de Bernardo, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, já havia discorrido sobre o projeto, em apresentação na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, no final de junho (ver a postagem "SGB se aproximando?"). O lançamento do satélite dependeria de "uma decisão final do governo brasileiro", declarou Jobim, acrescentando que o investimento envolvido seria de aproximadamente R$ 700 milhões, quantia que incluiria a construção, lançamento e seguro do satélite, e também a infraestrutura terrestre para recepção e controle.

PPA 2012-2015 e Orçamento de 2012

O que até então era mero discurso, começa a se tornar algo concreto, ao menos no papel. No final de agosto, o governo federal divulgou o Plano Plurianual (PPA) 2012/2015 que, grosso modo, estabelece os principais projetos e programas para um período de quatro anos, no caso, de 2012 a 2015. E um dos projetos que lá figuraram é justamente o "lançamento de satélite para comunicações" pela Telebras, com custo total estimado de R$ 716 milhões, iniciando-se em 01/01/2012 e se encerrando em 31/12/2015. Não por mera coincidência, o valor é muito próximo do informado por Jobim no Senado.

O orçamento de 2012 também dá mais um elemento concreto, prevendo investimentos de R$ 55,7 milhões, forte indicativo de que, não havendo cortes orçamentários, um contrato pode ser assinado já em 2012.

A inclusão do projeto da Telebras no PPA e a previsão orçamentária para a sua execução representam, finalmente, a decisão do governo quanto ao SGB, projeto idealizado no início da década de 2000 e que, desde então, teve sua viabilidade considerada sob diferentes modelos. Dentre eles, a ideia de uma Parceria Público Privada (PPP) e mesmo a continuidade da contratação direta de serviços de comunicações junto a operadores privados através do conceito "hosted payloads".

Comunicações governamentais

Embora não tenham conexão entre si, é interessante observar que a decisão do governo de dispor de um satélite próprio de comunicações se aproxima da estratégia adotada por vários países latino-americanos, que preferiram não depender apenas da iniciativa privada para comunicações por satélite. Citem-se os casos da Argentina (Arsat), Venezuela (Venesat), Bolívia (Tupac Katari) e México (MEXSAT).

Outro ponto que merece destaque é o retorno da Telebras aos satélites. Criada na década de sessenta como holding das empresas de telecomunicações, a empresa foi controladora da Embratel, que operava os satélites da série Brasilsat, até a sua privatização em 1998. A venda incluiu os satélites geoestacionários, hoje operados por uma subsidiária da Embratel, a Star One, o que desde então gera desconforto em alguns setores do governo e Forças Armadas (certamente, um motivador para que o SGB fosse viabilizado), especialmente pelo fato de que a empresa é controlada por um grupo estrangeiro, do México. A capacidade e forte expertise da Star One, reconhecido internacionalmente, tem, portanto, sua origem dos tempos de Telebras.

"Briga de foice"

Com a definição do SGB, a tão aguardada "briga de foice", que já acontece em movimentos mais sutis, será finalmente deflagrada ('SGB: "será uma briga de foice"'). Dentro dos próximos dias, o blog Panorama Espacial trará mais informações sobre o SGB.
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SGB em pauta?

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Consta da agenda oficial do ministro da Defesa, Celso Amorim: esta sexta-feira (16), ao final do dia (17h30), haverá uma reunião de Amorim com o ministro da Ciência, Tecnologia & Inovação, Aloizio Mercadante, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, e Caio Cesar Bonilia, da empresa estatal Telebras. A pauta não foi divulgada, mas é mais do que óbvia: satélite de comunicações, vulgarmente conhecido como Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).

Aliás, muito tem se falado nos bastidores sobre o SGB, que a cada dia parece estar mais próximo da realidade. Mais informações, em breve. .
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Preparativos para a missão SHEFEX 2

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Pré-Montagem do VS-40M SHEFEX2 e Revisão de Aceitação

Campo Montenegro, 14/09/2011

Desde o dia 06 de setembro uma equipe do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) encontra-se na Noruega - Andenes (Andoya Rocket Range - ARR) para a realização do VS-40M SHEFEX2 Pre-Trial, que consiste na pré-montagem do VS-40M naquele centro a fim de verificar as interfaces e antecipar possíveis ajustes de montagem do foguete, da carga útil e do lançador. Embora os motores de voo já estejam no ARR, nesta pré-montagem são utilizados motores inertes (mock-up), cujas interfaces mecânicas são idênticas às de voo.

Paralelamente, o DLR realiza a Revisão de Aceitação (Acceptance Review) do foguete VS-40M, que consiste na verificação de toda a documentação do foguete gerada durante a fabricação e compilada pelo IAE.

Além disso, as equipes do DLR aproveitam a presença dos especialistas do IAE para sanar dúvidas com relação as modificações incorporadas ao projeto e à engenharia de sistemas.

Todas estas atividades estão previstas no cronograma que antecede o lançamento do VS-40M, que está previsto para ser realizado em meados de fevereiro de 2012.

Fonte: IAE/DCTA

Comentário: para saber mais sobre o envolvimento brasileiro na missão SHEFEX, desenvolvido pela Deutschen Zentrums für Luft- und Raumfahrt (DLR), a agência espacial da Alemanha, acesse a postagem "O VLS "alemão"". Em 2011, aliás, comemoram-se 40 anos de cooperação espacial entre o Brasil e a Alemanha. Em breve, o blog Panorama Espacial postará um artigo sobre essa cooperação.
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AEB e Yuzhnoye: declaração conjunta

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Declaração Conjunta da Agência Espacial Brasileira e da Delegação da Empresa Espacial SDO Yuzhnoye da Ucrânia

14-09-2011

A cooperação espacial entre o Brasil e a Ucrânia deu mais um passo importante. Foi extremamente produtiva a reunião realizada nesta terça-feira, 13 de setembro de 2011, na Agência Espacial Brasileira (AEB), entre a AEB, encabeçada pelo seu presidente, Marco Antonio Raupp, e a Delegação visitante da Empresa SDO Yuzhnoye da Ucrânia, liderada por seu diretor geral, Alexander Degtyarev. O encontro contou com a participação de representantes do Instituto de Aeronáutica e Espaço do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e da Empresa Alcântara Cyclone Space (ACS).

A reunião deu continuidade aos entendimentos iniciados durante a visita da comitiva técnica brasileira, comandada pelo presidente da AEB, no início de julho último, às indústrias ucranianas envolvidas no programa da empresa binacional ACS, que vai promover lançamentos do foguete Cyclone-4, da Ucrânia, a partir do Centro de Alcântara, no Brasil, introduzindo uma alternativa econômica e segura no mercado mundial de lançamentos comerciais.

Foram discutidas as várias possibilidades de ampliação da cooperação entre as instituições espaciais brasileiras, coordenadas pela AEB, e a indústria espacial ucraniana – em especial, a empresa SDO Yuzhnoye, com mais de 50 anos de existência ininterrupta e invejável experiência em diversos setores das atividades espaciais, tanto em veículos lançadores e seus sistemas básicos, como em satélites de diferentes tipos e finalidades.

Ficaram claras as grandes oportunidades de colaboração existentes em todas essas esferas. O desenvolvimento conjunto de satélites, inclusive os dotados de radar, será objeto de atenção especial. Acordou-se preparar um plano de treinamento de técnicos brasileiros em sistemas e equipamentos fundamentais para lançadores, bem como em segurança de combustíveis. O esforço de capacitação de recursos humanos deverá envolver universidades brasileiras e ucranianas, além de especialistas vinculados aos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Defesa e das Comunicações.

Os Presidentes da AEB e da SDO Yuzhnoye fizeram questão de deixar registrados os resultados e perspectivas altamente promissores alcançados no encontro, bem como o empenho comum e coeso de concretizar as decisões adotadas.

MARCO ANTONIO RAUPP
Presidente da AEB

ALEXANDR DEGTYAREV
Diretor-Geral da YUZHNOYE

Fonte: AEB

Comentário: muito interessante o trecho que discorre sobre a "atenção especial" a ser dada para o desenvolvimento de satélites, "em especial os dotados de radar". Este é um campo em que o Brasil tem considerado várias possibilidades, envolvendo a China, Itália ou Argentina, entre outros países, depois que a iniciativa do MAPSAR, em parceria com a Alemanha, não seguiu adiante.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

UnB, Ucrânia e cooperação espacial

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Parceria Unb-Ucrânia formará quadros para o futuro do Programa Espacial

13-09-2011

Um novo rumo para o programa espacial brasileiro está sendo projetado em parceria com a Ucrânia, país com larga experiência nessa indústria. A UnB faz parte da proposta com o mestrado em Engenharia Aeroespacial que formará quadros para a empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), com sede em Brasília. Professores, mestrandos, representantes da empresa e do governo ucraniano discutiram o futuro do projeto no seminário Brasil-Ucrânia: Oportunidades para a Cooperação Técnico-Científica no Espaço, realizado nesta segunda-feira 12, no Auditório da Reitoria. O objetivo da parceria é a troca de tecnologias e culminará com o lançamento do foguete Cyclone-4, programado para 2013.

No final deste ano, os dez alunos do mestrado em Engenharia Aeroespacial da UnB passarão seis meses na Ucrânia, onde terão contato com o Cyclone-4, desenvolvido inteiramente pelos ucranianos, e serão treinados para trabalhar na ACS. Os alunos serão recebidos na universidade Dnipropetrovsk e voltarão ao Brasil para completar o mestrado. O projeto custa US$ 487 milhões e é custeado pelos dois países, meio a meio. A ACS coordenará a preparação e o lançamento do foguete em 2013 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e terá técnicos dos dois países.

Ao falar no seminário, o reitor José Geraldo de Sousa Júnior lembrou que a UnB está consolidando novas áreas de pesquisa. “Essa será a base para uma futura graduação de engenharia aeroespacial”, lembrou. A ideia é montar um Centro Aeroespacial em Brasília para abrigar cerca de 100 cientistas, no campus da UnB Gama, iniciativa com respaldo de duas entidades da área com sede na cidade, a ACS e a Agência Espacial Brasileira (AEB).

A convergência entre os dois países vem desde 2006, quando a ACS foi criada. No começo de 2009, a Ucrânia procurou a UnB para tratar da criação do mestrado. Depois de conhecer os projetos do país europeu, Carlos Alberto Gurgel Veras, chefe do Departamento de Engenharia Mecânica da UnB, impressionou-se com o estado tecnológico da Ucrânia. “É uma oportunidade única iniciar essa parceria”, disse. Segundo Gurgel, depois de formar os primeiros dez engenheiros, o curso de Engenharia Aeroespacial habilitará os futuros integrantes do programa espacial brasileiro.

COOPERAÇÃO – Dmitriy Pozdnyakov, secretário de relações internacionais comerciais da Yuzhnoye, estatal ucraniana que montará o foguete, apresentou diversos projetos da empresa, que desde 1954 lançou mais de 400 naves espaciais. Para o futuro, ela planeja o desenvolvimento de projetos inovadores, como lançamento de naves para proteger a Terra de asteróides.

O designer geral e diretor geral da Yuzhnoye, Alexandr Degtyarev, explicou que o fim da União Soviética tornou a empresa grande demais para os interesses nacionais. “Por isso, as parcerias com mercados externos não são impulsivas, mas estratégicas”. Ele considera o projeto do Cyclone-4 o passo inicial de uma grande parceria. “O objetivo é que o Brasil rume para o acesso independente ao espaço.”

Paulo Moraes Júnior, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial do Ministério da Defesa (DCTA), apresentou um histórico dos 50 anos do projeto brasileiro, que fez três tentativas frustradas de lançamento. O último foi em 2003, quando uma falha no combustível provocou explosão que matou 21 técnicos civis.

Ele também falou do futuro programa “Cruzeiro do Sul”. Serão cinco veículos projetados em alusão às cinco estrelas da conhecida constelação. O primeiro foguete deve ser lançado em 2015 e o segundo está previsto para 2020. Diferente dos foguetes anteriores, de propulsão sólida, o projeto contará com também com propulsão líquida. Esse projeto espacial pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade, esclarece: “Estamos todos dependentes de satélites e consequentemente de foguetes”, diz.

Fonte: UnB Agência
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

"Eles vão partir para o Ataque"

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Recomendável a leitura da reportagem "Eles vão partir para o Ataque", publicada na edição de hoje (12) do jornal "O Estado de S. Paulo", sobre as articulações entre grupos nacionais e estrangeiros de olhos no mercado brasileiro de defesa e segurança.

Dentro deste contexto de defesa e segurança, conforme tem sido frequentemente abordado aqui no blog, insere-se também a área espacial. O "namoro" entre o grupo francês Thales e a brasileira Andrade Gutierrez, que desde 2010 já circulava nos bastidores e em junho, no salão de Le Bourget, foi oficialmente reconhecido (ver a postagem "Thales, Andrade Gutierrez e satélites"), aliás, é mencionado na reportagem, sendo que um dos principais tópicos seriam satélites. Diz a reportagem, citando um executivo da empreiteira brasileira:

"A articulação para receber tudo isso já começou. Como as empresas mais experientes da defesa são de porte médio - portanto, sem condições de arcar com o volume de investimentos necessário -, grandes grupos brasileiros, alguns sem experiência na área, decidiram entrar no jogo. Um deles é o Andrade Gutierrez, que controla uma das maiores construtoras do País e tem participação relevante na operadora Oi. O conglomerado mantém negociações com a francesa Thales, que fabrica de sistemas de tráfego aéreo a estações espaciais e fatura 13 bilhões.

"Estamos discutindo, mas o modelo deve caminhar para uma joint venture", diz Giovanni Foragi, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Andrade Gutierrez. "Nós temos competência de gestão e experiência em telecomunicações, que pode ser usada para conceber sistemas de satélites. Já a Thales é uma líder mundial em defesa e segurança.""

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Em breve, o blog trará mais informações sobre o "namoro", as movimentações empresariais em andamento e suas motivações.
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domingo, 11 de setembro de 2011

Workshop da AAB sobre "Acesso ao Espaço"

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A Associação Aeroespacial Brasileira (AAB) promoverá no dia 15 de setembro, em São José dos Campos (SP), mais um workshop de uma série lançada este ano, que tem como propósito "aprofundar as propostas e as discussões apresentadas no documento 'A Visão da AAB para o Programa Espacial Brasileiro'". O workshop, que abordará o tema "Acesso ao Espaço", acontecerá no auditório do Memorial Aeroespacial Brasileiro, das 13h30 às 17h30, e contará com a seguinte programação:

13:30: Abertura
Otávio Durão (AAB/Presidente da Comissão de Política Espacial)

13:40: "IAE - Programas e Projetos de Foguetes Suborbitais e Lançadores de Satélites"
Brig. Eng. Francisco Carlos Melo Pantoja (IAE/ Diretor)

14:15: "ACS - Ciclone IV & Parceria com NSAU/Yuzhnoye/Yuzhmash."
Wagner Santilli (ACS/ Gerente de Relações Institucionais) & Carlos A. T. Moura (ACS/ Vice-Diretor Técnico)

14:50: Discussões - Moderador: Nivaldo Hinckel

15:20: Intervalo [Serviço: DIOGO BIANCHI CAFFÈS]

15:40: Visão Empresarial para o Acesso ao Espaço no Brasil
José Carlos Argolo (SYGMA/ Diretor)

16:10: Pensando Grande no Acesso ao Espaço
Nivaldo Hinckel (AAB/ Coordenador do Tópico Acesso ao Espaço)

16:40: Discussões - Moderador: Ricardo Luís Carmona

17:10: Conclusões & Finalização do Evento: Otávio Durão

A AAB pretende ainda organizar outros workshops este ano, de acordo com o seguinte cronograma:

- "Meios & Recursos (Físicos, Humanos e Orçamentários)", em 20 de outubro de 2011;

- "Indústria Espacial Brasileira", em 24 de novembro de 2011; e

- "Organização Institucional & Empresarial", em 15 de dezembro de 2011.
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sábado, 10 de setembro de 2011

ACS: "O Brasil não pode não ter ambições espaciais"

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ENGENHARIA AEROESPACIAL

"O Brasil não pode não ter ambições espaciais"

09/09/2011

O responsável pelo projeto Cyclone-4, que estará na UnB no dia 12 de setembro, explica em entrevista ao UnBCiência como funciona o foguete que será lançado em 2013 em uma parceria do Brasil com a Ucrânia

Thais Antonio
Da Secretaria de Comunicação da UnB

Há cinco anos, a empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) saiu oficialmente do papel. Criada três anos antes, a parceria entre Ucrânia e Brasil nasceu com o objetivo de criar um veículo de lançamento de satélites. O foguete Cyclone-4 será lançado em 2013 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

Em entrevista ao UnBCiência, Alexandr Degtyarev, designer geral e diretor geral da empresa estatal ucraniana Yuzhnoye, responsável pelo projeto do Cyclone-4, explicou como funciona o foguete e quais as vantagens do modelo que substitui o Cyclone-3, também desenvolvido pela empresa. Degtyarev estará na Universidade de Brasília na segunda-feira, 12 de setembro, no seminário Brasil-Ucrânia: Oportunidades para a Cooperação Técnico-Científica no Espaço, que começa às 9h30, no Auditório da Reitoria.

Os veículos lançadores da Yuzhnoye já colocaram mais de 1.000 satélites em órbita. No projeto binacional, a empresa é responsável pelo projeto do foguete Cyclone-4, equipamentos técnicos do sítio de lançamento da ACS e estudos técnicos de cada missão.

A base de Alcântara é um ponto estratégico para o lançamento de foguetes, já que fica próxima à linha do Equador e permite que o veículo lançador utilize o movimento de rotação da Terra para diminuir a quantidade de combustível, além de ficar distante de áreas com alta densidade populacional. O Projeto Cyclone-4 custa US$ 487 milhões e é custeado pelos dois países, meio a meio. Cada veículo pode lançar até 18 satélites, em duas órbitas diferentes.

UnB Agência: O que é o Projeto Cyclone-4?

Alexandr Degtyarev: Ele baseia-se em um foguete já existente, que foi modernizado, o Cyclone-3. É um veículo com grande futuro no mercado para lançamento de satélites em órbitas baixas e também para órbitas geoestacionárias e será lançado no segundo semestre de 2013 em Alcântara.

UnB Agência: Qual a importância do Brasil nesse projeto?

Alexandr Degtyarev: O centro de lançamento de Alcântara tem uma posição geográfica ótima, que dá uma vantagem muito grande quanto ao lançamento, porque é próximo à linha do Equador. Além disso, Alcântara não é só um ponto geográfico, mas tem o programa espacial brasileiro e toda a infraestrutura para garantir o sucesso do Cyclone-4. O Brasil é o país que hoje é 5ª ou 6ª economia mundial. Esse país, absolutamente, não pode não ter ambições espaciais. O Brasil não possui o acesso real ao espaço e o Projeto Cyclone-4 é o que vai transformar esse acesso em realidade. Isso combina com interesses nacionais do Brasil e, sem duvida nenhuma, corresponde aos interesses nacionais da Ucrânia.

UnB Agência: Qual a contribuição da UnB no projeto espacial?

Alexandr Degtyarev: A Ucrânia tem necessidade e objetivo de trabalhar com cooperação internacional na área espacial e enxergamos o Brasil como um ponto para aplicar todas as nossas possibilidades e perspectivas. Primeiramente nossa área é de tecnologia de ponta e a ciência, técnica e negócios são todos muito misturados. Aqui são necessários especialistas de alta qualificação, por isso nós queremos, na medida do possível, favorecer o treinamento dos especialistas de alta qualificação aqui no Brasil, com a nossa experiência ucraniana. Gostaríamos de manter um programa de cooperação a longo prazo entre Ucrânia e Brasil, porque as nossas possibilidades são muito grandes. Ciência e Educação são a base para o desenvolvimento de todo o projeto e temos o desejo muito grande de cooperar com a Universidade de Brasília.

UnB Agência: Quais são os mercados potenciais de satélites?

Alexandr Degtyarev: Nosso lançador resolve duas tarefas. Uma é o lançamento para órbita geoestacionária capacidade de carga útil um pouco limitada, de 1.700 kg, que abrange, principalmente, satélites de comunicação, de transmissão e meteorológicos. A outro é o lançamento para as órbitas baixas, que incluem satélites para sensoriamento remoto que, em termos gerais, resolvem situações para agricultura, florestas e situações de emergência, além de objetivos militares. Outro grupo pode ser de aparelhos espaciais de órbita baixa que podem resolver pesquisas científicas, como prognósticos de terremotos. No caso do terremoto do Japão, por exemplo, as despesas que o país teve com o desastre dariam para pagar a pesquisa completa.

UnB Agência: Qual o diferencial do Cyclone 4 em relação aos veículos anteriores?

Alexandr Degtyarev: Ele foi feito em cima do Cyclone 3, que foi criado na Rússia e foi praticamente o primeiro complexo de preparação automatizada para lançamento. Pegamos tudo de melhor do Cyclone 3 e colocamos no Cyclone 4. O foguete foi modificado principalmente no terceiro estágio (parte de cima do foguete, que armazena os satélites e é a última parte que sobre do veículo antes do lançamento dos satélites). Aumentamos a reserva de combustível, aperfeiçoamos o propulsor que providencia um esquema melhor de voo do terceiro estágio e aumentamos a capacidade de carga útil. O motor pode ser ligado cinco vezes, o que permite lançar satélites para órbitas diferentes e isso é muito importante para posicionamento no mercado. Outra coisa, esse veículo lançador está em conformidade com os requisitos modernos dos consumidores. Aumentamos o volume do bloco de coifa para colocar os satélites e o regime de temperatura e umidade é mais conveniente. Tudo isso foi aperfeiçoado.


Comentários: Em geral, a entrevista apresenta informações interessantes, com algumas imprecisões (da jornalista e não do entrevistado, ressalte-se). A data do voo de estreia do Cyclone 4, que durante muito tempo ocorreria em 2011, depois 2012, agora é apresentada com uma data mais crível: 2º semestre de 2013. Algo a se conferir, à medida que informações sobre as obras no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, e do desenvolvimento do lançador na Ucrânia forem sendo divulgadas.

Por fim, é interessante observar que a Alcântara Cyclone Space parece ter adotado uma nova política de divulgação e comunicação, estando mais presente em eventos e se comunicando mais através da mídia. Possivelmente, uma medida tomada desde que o projeto passou a ser altamente questionado em importantes instâncias dentro do Programa Espacial Brasileiro e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
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