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Presidente da AEB faz pronunciamento sobre o uso de satélites em evento no Rio de Janeiro
13/03/2009 17:59:50
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, participou, hoje, pela manhã, no Rio de Janeiro, do seminário: Satélites Impulsionando o Desenvolvimento do País.
O evento promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) em parceria com a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telecom) teve como objetivo fornecer subsídios atualizados sobre a situação atual e sobre o futuro das comunicações via satélite no Brasil, discutir os avanços das comunicações no Brasil e no mundo, motivar estudos e reflexões sobre a realidade e planos de países latino-americanos na área de satélites e estimular novos projetos nessa área.
Estiveram presentes representantes das Agências Reguladoras, do Ministério da Defesa, do Ministério da Educação, do Ministério das Comunicações, das TVs por assinatura e de outros segmentos. O presidente da Agência Espacial Brasileira falou sobre o Programa Espacial Brasileiro (PNAE): Situação Atual e Cenário Futuro.
Os Satélites e o Brasil
Vale lembrar que os negócios na área de comunicações via satélite estão em alta no mercado brasileiro. O País possui aproximadamente 34 satélites geoestacionários cobrindo o território brasileiro, em sua maioria, ocupados com a demanda do mercado.
O estado do Rio de Janeiro, onde aconteceu o evento, foi o pioneiro no uso de comunicações via satélite. Foi numa estação terrena instalada em Jacarepaguá, que o Brasil, em 1962, teve a primeira experiência com essa tecnologia, por meio de comunicação telefônica intercontinental através de satélites. Tratou-se à época de um programa experimental e pioneiro da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e uso do satélite Relay, lançado de Cabo Canaveral, na Flórida (USA).
Em 1969, foi ativada a primeira estação terrena para exploração comercial de serviços de comunicação via satélite, na cidade de Tanguá (RJ). Desde então, muita coisa mudou no que se refere a tecnologia espacial no Brasil.
Atualmente, as principais operadoras de satélites são a Eutelsat, Hispamar, Intelsat/Panamsat, Star One, Telesat e os maiores usuários dos serviços são a Rede Globo de Televisão, a Globosat e a Petrobrás.
No dia 11 de setembro de 2008 a portaria nº 91 do Ministério da Ciência e Tecnologia nomeou um grupo de trabalho (GT) para dar continuidade ao processo de implementação do Projeto Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) que consta do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).
Caberá ao grupo realizar um estudo de viabilidade do Projeto SGB.
Fonte: AEB
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sábado, 14 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Contrato do ACDH: alguns pontos interessantes
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Com o prazo de execução de 43 meses, e considerando que as atividades contratadas tenham sido iniciadas já em janeiro de 2009, a aceitação final do subsistema ACDH já integrado ao satélite Amazônia-1 ocorreria apenas no segundo semestre de 2012. Uma fonte de dentro do INPE ouvida pelo blog disse, no entanto, que o Instituto considera a data do lançamento em 2011. Essa data seria “imexível”, afirma a fonte.
Em entrevista concedida ao blog (leia aqui), Gilberto Câmara afirmou que o adiantamento da execução das fases do contrato do ACDH dependerá de recursos orçamentários.
Justificativa para a dispensa de licitação
Em dezembro de 2008, dias antes da contratação da INVAP, foi assinado entra a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Comision Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), da Argentina, um acordo de cooperação entre os dois para "Desenvolvimento de Atividades Conjuntas nas Áreas de Controle de Atitude e Órbita, Câmaras de Imageamento de Varredura Larga, e Processamento de Dados de Sensores Orbitais", com base no "Acordo-Quadro sobre Cooperação em Aplicações Pacíficas de Ciência e Tecnologia Espaciais", celebrado entre os dois países em 9 de abril de 1996. Esse acordo, específico, respaldou a contratação da empresa argentina pelo INPE, com dispensa de licitação. O referido acordo tem como escopo principal:
"ARTIGO 1º - CONAE e AEB concordam em realizar um programa de cooperação para desenvolver tecnologias espaciais para os seguintes subsistemas e instrumentos críticos para a missão conjunta SABIA-MAR e para a missão brasileira de interesse mútuo Amazônia-1, com possível adaptação para as missões brasileiras Lattes-1, MAPSAR e GPM-Br:
a) Tecnologia de sistemas de controle de atitude e órbita, em consonância com as especificações próprias às missões SABIA-MAR e Amazônia-1, a ser acordado entre as Partes ou seus representantes designados antes dos 90 dias a partir da segunda assinatura do presente acordo.
b) Tecnologia de câmaras (sic) ópticas, de acordo com as especificações definidas para as missões SABIA-MAR e Amazônia-1, a ser acordado entre as Partes ou seus representantes designados antes dos 120 dias a partir da segunda assinatura do presente acordo.
c) Tecnologia de estações de recepção, ingestão, e produção de imagens, de acordo com as especificações das missões SABIA-MAR e Amazônia-1, a ser acordado entre as Partes ou seus representantes designados antes dos 120 dias a partir da segunda assinatura do presente acordo.”
Basicamente, da leitura e interpretação do acordo subsume-se que o Brasil contribuirá com tecnologia em sensores óticos (INPE) e de recepção, ingestão e produção de imagens. Ao lado argentino, caberiam também sensores óticos, e o subsistema de controle de atitude e órbita.
O acordo tem ainda um dispositivo interessante. Caso a CONAE ou INPE necessite adquirir sistemas, equipamentos ou serviços que não possam ser fornecidos por seus países de origem, concedem ao país parceiro o direito prioritário para o fornecimento dos referidos elementos.
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Conforme prometido já há algumas semanas, seguem abaixo alguns dos principais e mais interessantes pontos do contrato de compra do subsistema de controle de atitude e órbita (ACDH, sigla em inglês) da indústria argentina INVAP pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para uso no satélite de observação terrestre Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM).
Preço
Alguns trechos das razões pela opção pelo subsistema argentino:
"3. De fato, o INPE realizou, no segundo semestre de 2006, um processo de RFI (Request for Information - Solicitação de Informações) para avaliar a capacidade do mercado nacional para o fornecimento de um Subsistema de ACDH compatível com a PMM. Foram admitidas a formação de consórcio de empresas e a participação internacional.
[...]
5. Objetivou-se fazer um estudo prospectivo de mercado bem como avaliar a capacidade da indústria nacional em estabelecer parcerias externas com ganho de conhecimento tecnológico. Observou-se participação minoritária das empresas nacionais, com as atividades estratégicas sendo executadas por empresas externas.
6. Como resultado do processo de RFI, cinco consórcios apresentaram seus retornos ao pedido de informações, com propostas de fornecimento. Foi solicitada reserva com relação ao conteúdo, pela própria natureza do objeto, com concordância por parte do INPE. A documentação entregue foi, dessa forma, convenientemente arquivada de forma a garantir a confidencialidade e está mantida sob guarda do INPE.
7. Os valores apresentados nas diferentes propostas foram:
Proposta # 1: Preço: US$ 38 milhões
Proposta # 2: Preço: US$ 28 milhões
Proposta # 3: Preço: US$ 26 milhões
Proposta # 4 Preço: US$ 32 milhões
Proposta # 5: Preço: US$ 22 milhões"
A proposta apresentada pela INVAP no final do ano passado, de US$ 19,8 milhões foi inferior ao valor de todas as propostas de 2006.
Motivação
Abaixo, síntese das motivações do INPE para a contratação da proposta argentina:
"Esse subsistema de controle de atitude e supervisão de bordo corresponde ao grande desafio tecnológico do programa de satélites hoje. O sistema de controle do satélite sino-brasileiro de recursos terrestres (CBERS - China Brazil Earth Resources Satellite) trabalha com uma filosofia de separação do ACDH em dois subsistemas distintos (AOCS + OBDH) e é de inteira responsabilidade da China. O sistema de controle dos satélites brasileiros SCD-1 e SCD-2 é um sistema passivo, baseado em estabilização por rotação (spin) e amortecimento de perturbações. Um sistema estabilizado em três eixos (que é usado, por exemplo, em satélites para imageamento da Terra) nunca foi desenvolvido no país."
Transferência de tecnologia
O contrato prevê a recepção nas dependências da INVAP de até 6 engenheiros do INPE durante toda a vigência do contrato, acesso ao desenvolvimento e validação de software e hardware de voo, aos algoritmos e códigos fonte do software, e a toda a documentação técnica envolvida.
Cronograma Físico-Financeiro
Teoricamente, o contrato assinado entre o INPE e a INVAP terá o prazo de cumprimento máximo de 43 meses. Observem a tabela abaixo, que detalha os eventos e prazos:
Preço
Alguns trechos das razões pela opção pelo subsistema argentino:
"3. De fato, o INPE realizou, no segundo semestre de 2006, um processo de RFI (Request for Information - Solicitação de Informações) para avaliar a capacidade do mercado nacional para o fornecimento de um Subsistema de ACDH compatível com a PMM. Foram admitidas a formação de consórcio de empresas e a participação internacional.
[...]
5. Objetivou-se fazer um estudo prospectivo de mercado bem como avaliar a capacidade da indústria nacional em estabelecer parcerias externas com ganho de conhecimento tecnológico. Observou-se participação minoritária das empresas nacionais, com as atividades estratégicas sendo executadas por empresas externas.
6. Como resultado do processo de RFI, cinco consórcios apresentaram seus retornos ao pedido de informações, com propostas de fornecimento. Foi solicitada reserva com relação ao conteúdo, pela própria natureza do objeto, com concordância por parte do INPE. A documentação entregue foi, dessa forma, convenientemente arquivada de forma a garantir a confidencialidade e está mantida sob guarda do INPE.
7. Os valores apresentados nas diferentes propostas foram:
Proposta # 1: Preço: US$ 38 milhões
Proposta # 2: Preço: US$ 28 milhões
Proposta # 3: Preço: US$ 26 milhões
Proposta # 4 Preço: US$ 32 milhões
Proposta # 5: Preço: US$ 22 milhões"
A proposta apresentada pela INVAP no final do ano passado, de US$ 19,8 milhões foi inferior ao valor de todas as propostas de 2006.
Motivação
Abaixo, síntese das motivações do INPE para a contratação da proposta argentina:
"Esse subsistema de controle de atitude e supervisão de bordo corresponde ao grande desafio tecnológico do programa de satélites hoje. O sistema de controle do satélite sino-brasileiro de recursos terrestres (CBERS - China Brazil Earth Resources Satellite) trabalha com uma filosofia de separação do ACDH em dois subsistemas distintos (AOCS + OBDH) e é de inteira responsabilidade da China. O sistema de controle dos satélites brasileiros SCD-1 e SCD-2 é um sistema passivo, baseado em estabilização por rotação (spin) e amortecimento de perturbações. Um sistema estabilizado em três eixos (que é usado, por exemplo, em satélites para imageamento da Terra) nunca foi desenvolvido no país."
Transferência de tecnologia
O contrato prevê a recepção nas dependências da INVAP de até 6 engenheiros do INPE durante toda a vigência do contrato, acesso ao desenvolvimento e validação de software e hardware de voo, aos algoritmos e códigos fonte do software, e a toda a documentação técnica envolvida.
Cronograma Físico-Financeiro
Teoricamente, o contrato assinado entre o INPE e a INVAP terá o prazo de cumprimento máximo de 43 meses. Observem a tabela abaixo, que detalha os eventos e prazos:
Com o prazo de execução de 43 meses, e considerando que as atividades contratadas tenham sido iniciadas já em janeiro de 2009, a aceitação final do subsistema ACDH já integrado ao satélite Amazônia-1 ocorreria apenas no segundo semestre de 2012. Uma fonte de dentro do INPE ouvida pelo blog disse, no entanto, que o Instituto considera a data do lançamento em 2011. Essa data seria “imexível”, afirma a fonte.
Em entrevista concedida ao blog (leia aqui), Gilberto Câmara afirmou que o adiantamento da execução das fases do contrato do ACDH dependerá de recursos orçamentários.
Justificativa para a dispensa de licitação
Em dezembro de 2008, dias antes da contratação da INVAP, foi assinado entra a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Comision Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), da Argentina, um acordo de cooperação entre os dois para "Desenvolvimento de Atividades Conjuntas nas Áreas de Controle de Atitude e Órbita, Câmaras de Imageamento de Varredura Larga, e Processamento de Dados de Sensores Orbitais", com base no "Acordo-Quadro sobre Cooperação em Aplicações Pacíficas de Ciência e Tecnologia Espaciais", celebrado entre os dois países em 9 de abril de 1996. Esse acordo, específico, respaldou a contratação da empresa argentina pelo INPE, com dispensa de licitação. O referido acordo tem como escopo principal:
"ARTIGO 1º - CONAE e AEB concordam em realizar um programa de cooperação para desenvolver tecnologias espaciais para os seguintes subsistemas e instrumentos críticos para a missão conjunta SABIA-MAR e para a missão brasileira de interesse mútuo Amazônia-1, com possível adaptação para as missões brasileiras Lattes-1, MAPSAR e GPM-Br:
a) Tecnologia de sistemas de controle de atitude e órbita, em consonância com as especificações próprias às missões SABIA-MAR e Amazônia-1, a ser acordado entre as Partes ou seus representantes designados antes dos 90 dias a partir da segunda assinatura do presente acordo.
b) Tecnologia de câmaras (sic) ópticas, de acordo com as especificações definidas para as missões SABIA-MAR e Amazônia-1, a ser acordado entre as Partes ou seus representantes designados antes dos 120 dias a partir da segunda assinatura do presente acordo.
c) Tecnologia de estações de recepção, ingestão, e produção de imagens, de acordo com as especificações das missões SABIA-MAR e Amazônia-1, a ser acordado entre as Partes ou seus representantes designados antes dos 120 dias a partir da segunda assinatura do presente acordo.”
Basicamente, da leitura e interpretação do acordo subsume-se que o Brasil contribuirá com tecnologia em sensores óticos (INPE) e de recepção, ingestão e produção de imagens. Ao lado argentino, caberiam também sensores óticos, e o subsistema de controle de atitude e órbita.
O acordo tem ainda um dispositivo interessante. Caso a CONAE ou INPE necessite adquirir sistemas, equipamentos ou serviços que não possam ser fornecidos por seus países de origem, concedem ao país parceiro o direito prioritário para o fornecimento dos referidos elementos.
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terça-feira, 10 de março de 2009
Tecnologia & Defesa n° 116
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A edição n° 116 da revista Tecnologia & Defesa começou a circular há duas semanas. Não há nesse número nenhuma matéria específica sobre Espaço, mas o assunto é abordado em três momentos. Numa entrevista com Laurent Mourre, diretor-geral da Thales International no Brasil, na qual, entre outros temas, abordamos a presença do grupo no País, e também suas perspectivas na área espacial. A Thales, por meio de sua controlada brasileira Omnisys, já participa do programa CBERS, mas pretende ampliar sua participação no Programa Espacial, em projetos como o da Plataforma Multimissão (PMM) e do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB). O grupo também já vendeu dois satélites de comunicações para a Star One, subsidiária da Embratel, e está negociando mais um, o Star One C3.
Na matéria "Acordos entre Brasil e França tomam forma", de minha autoria, abordei brevemente algumas das perspectivas de futuros negócios entre os governos e empresas do Brasil e da França, inclusive em tecnologia espacial. É o caso do SGB.
Por último, em minha coluna "Defesa & Negócios" há uma nota sobre o satélite Amazônia 1, e a compra do subsistema de controle de atitude e órbita da INVAP, da Argentina, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em parte da nota, escrevi: "No final de 2007, o INPE já havia adotado prática similar a do ACDH em relação a componentes para os satélites sino-brasileiros de recursos terrestres CBERS 3 e 4, que poderiam ter sido licitados junto à indústria nacional. Os componentes, avaliados em mais de 23 milhões de reais foram adquiridos sem licitação na China. Representantes da indústria nacional até tentaram interferir no processo, sem sucesso."
Ainda esse ano, teremos muitas novidades sobre Espaço na Tecnologia & Defesa. Aguardem.
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A edição n° 116 da revista Tecnologia & Defesa começou a circular há duas semanas. Não há nesse número nenhuma matéria específica sobre Espaço, mas o assunto é abordado em três momentos. Numa entrevista com Laurent Mourre, diretor-geral da Thales International no Brasil, na qual, entre outros temas, abordamos a presença do grupo no País, e também suas perspectivas na área espacial. A Thales, por meio de sua controlada brasileira Omnisys, já participa do programa CBERS, mas pretende ampliar sua participação no Programa Espacial, em projetos como o da Plataforma Multimissão (PMM) e do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB). O grupo também já vendeu dois satélites de comunicações para a Star One, subsidiária da Embratel, e está negociando mais um, o Star One C3.
Na matéria "Acordos entre Brasil e França tomam forma", de minha autoria, abordei brevemente algumas das perspectivas de futuros negócios entre os governos e empresas do Brasil e da França, inclusive em tecnologia espacial. É o caso do SGB.
Por último, em minha coluna "Defesa & Negócios" há uma nota sobre o satélite Amazônia 1, e a compra do subsistema de controle de atitude e órbita da INVAP, da Argentina, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em parte da nota, escrevi: "No final de 2007, o INPE já havia adotado prática similar a do ACDH em relação a componentes para os satélites sino-brasileiros de recursos terrestres CBERS 3 e 4, que poderiam ter sido licitados junto à indústria nacional. Os componentes, avaliados em mais de 23 milhões de reais foram adquiridos sem licitação na China. Representantes da indústria nacional até tentaram interferir no processo, sem sucesso."
Ainda esse ano, teremos muitas novidades sobre Espaço na Tecnologia & Defesa. Aguardem.
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domingo, 8 de março de 2009
INPE devolve peça de lançador Atlas
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INPE devolve peça de veículo lançador norte americano
04/03/2009
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realiza amanhã, 5 de março, às 14h, a cerimônia de devolução ao governo americano da peça componente do veículo lançador norteamericano Atlas, encontrada no dia 25 de março de 2008 em uma fazenda na cidade de Montividiu, no Estado de Goiás. A restituição da peça atende ao Artigo 5 do Acordo Internacional sobre Resgate de Astronautas, Retorno de Astronautas e Retorno de Objetos Lançados ao Espaço Exterior, em vigor desde 03/12/1968, e à Nota Diplomática nº 383, de 25/08/2008.
Depois de examinado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que constatou não haver nenhuma carga radioativa, o artefato foi enviado para o Laboratório Associado de Combustão e Propulsão (LCP) do INPE, em Cachoeira Paulista (SP).
A análise técnica revelou que o objeto é um tanque de nitrogênio de alta pressão utilizado em sistemas auxiliares de propulsão líquida, comum em foguetes e satélites. Em uma de suas extremidades havia um dispositivo com características de um aquecedor, utilizado neste tipo de tanque para compensar a diminuição da pressão interna que ocorre na medida em que o nitrogênio é consumido.
Com formato esférico, o objeto estava envolto em fibras de carbono. Segundo os técnicos, esta cobertura de fibra de carbono estava se descolando, sob a forma de pó, porque foi afetada na reentrada do objeto na atmosfera. Foram realizados testes de níveis de concentração de substâncias tóxicas ou inflamáveis, como hidrazina, monometil-hidrazina, dimetil-hidrazina assimétrica, entre outras, todos com resultados negativos. Apenas nitrogênio foi observado em maior concentração.
O tanque ficou sob responsabilidade do INPE, órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, aguardando sua eventual entrega ao seu proprietário, segundo as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.
Fonte: INPE
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INPE devolve peça de veículo lançador norte americano
04/03/2009
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realiza amanhã, 5 de março, às 14h, a cerimônia de devolução ao governo americano da peça componente do veículo lançador norteamericano Atlas, encontrada no dia 25 de março de 2008 em uma fazenda na cidade de Montividiu, no Estado de Goiás. A restituição da peça atende ao Artigo 5 do Acordo Internacional sobre Resgate de Astronautas, Retorno de Astronautas e Retorno de Objetos Lançados ao Espaço Exterior, em vigor desde 03/12/1968, e à Nota Diplomática nº 383, de 25/08/2008.
Depois de examinado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que constatou não haver nenhuma carga radioativa, o artefato foi enviado para o Laboratório Associado de Combustão e Propulsão (LCP) do INPE, em Cachoeira Paulista (SP).
A análise técnica revelou que o objeto é um tanque de nitrogênio de alta pressão utilizado em sistemas auxiliares de propulsão líquida, comum em foguetes e satélites. Em uma de suas extremidades havia um dispositivo com características de um aquecedor, utilizado neste tipo de tanque para compensar a diminuição da pressão interna que ocorre na medida em que o nitrogênio é consumido.
Com formato esférico, o objeto estava envolto em fibras de carbono. Segundo os técnicos, esta cobertura de fibra de carbono estava se descolando, sob a forma de pó, porque foi afetada na reentrada do objeto na atmosfera. Foram realizados testes de níveis de concentração de substâncias tóxicas ou inflamáveis, como hidrazina, monometil-hidrazina, dimetil-hidrazina assimétrica, entre outras, todos com resultados negativos. Apenas nitrogênio foi observado em maior concentração.
O tanque ficou sob responsabilidade do INPE, órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, aguardando sua eventual entrega ao seu proprietário, segundo as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.
Fonte: INPE
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quinta-feira, 5 de março de 2009
Torre do VLS em Alcântara
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IAE assina termo aditivo ao contrato da obra de construção da plataforma de lançamento do VLS em Alcântara
04/03/2009
No dia 26 de fevereiro foi assinado, entre o Instituto de Aeronáutica e Espaço e o consórcio Jaraguá /Lavitta o termo aditivo ao contrato da obra de construção do novo sistema plataforma de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Estiveram presentes no evento de assinatura, o sub-diretor de funções do CTA, brigadeiro Pazini, o diretor do IAE, coronel Pantoja, o co-presidente da Jaraguá Cristian Jaty e o diretor-presidente da Jaraguá Nazareno das Neves, além de oficiais e engenheiros envolvidos no projeto. Cristian declarou que o resultado deste trabalho trará visibilidade à Jaraguá e será gerador de futuros negócios com a Aeronáutica. O engenheiro Nazareno também se pronunciou dizendo que este é o resultado de um caminho de quatro anos, já que este processo começou em 2005 e que acima de tudo é uma oportunidade de participar do desenvolvimento do projeto VLS. Ressaltou ainda, que o grupo de trabalho alocado para este projeto se manteve atuando de diferentes formas e que agora irá contar com a sinergia da engenharia do IAE.
Durante a solenidade de aniversário do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), ocorrida nesta segunda-feira, 2 de março, o major brigadeiro Salamone, comandante do CTA, comunicou oficialmente à sociedade de Alcântara a assinatura deste aditivo ao contrato e ressaltou a importância do início das obras da torre de lançamento do VLS. No evento, autoridades locais e imprensa puderam conhecer detalhes do novo projeto. O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), professor Carlos Ganem, esteve presente no evento e foi convidado pelo comandante do CTA a falar ao público presente.
Em sua declaração, Ganem declarou que a capacidade de lançar satélites, entre importantes benefícios à região, permitirá ao país fornecer informações adequadas sobre o clima, beneficiando o agronegócio brasileiro e favorecendo um maior controle sobre as comunicações no país, além de reduzir a dependência do setor
Fonte: IAE/CTA
Comentário: curiosamente, a nota não informa qual é a natureza do aditivo assinado com o consórcio Jaraguá / Lavitta.
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IAE assina termo aditivo ao contrato da obra de construção da plataforma de lançamento do VLS em Alcântara
04/03/2009
No dia 26 de fevereiro foi assinado, entre o Instituto de Aeronáutica e Espaço e o consórcio Jaraguá /Lavitta o termo aditivo ao contrato da obra de construção do novo sistema plataforma de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Estiveram presentes no evento de assinatura, o sub-diretor de funções do CTA, brigadeiro Pazini, o diretor do IAE, coronel Pantoja, o co-presidente da Jaraguá Cristian Jaty e o diretor-presidente da Jaraguá Nazareno das Neves, além de oficiais e engenheiros envolvidos no projeto. Cristian declarou que o resultado deste trabalho trará visibilidade à Jaraguá e será gerador de futuros negócios com a Aeronáutica. O engenheiro Nazareno também se pronunciou dizendo que este é o resultado de um caminho de quatro anos, já que este processo começou em 2005 e que acima de tudo é uma oportunidade de participar do desenvolvimento do projeto VLS. Ressaltou ainda, que o grupo de trabalho alocado para este projeto se manteve atuando de diferentes formas e que agora irá contar com a sinergia da engenharia do IAE.
Durante a solenidade de aniversário do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), ocorrida nesta segunda-feira, 2 de março, o major brigadeiro Salamone, comandante do CTA, comunicou oficialmente à sociedade de Alcântara a assinatura deste aditivo ao contrato e ressaltou a importância do início das obras da torre de lançamento do VLS. No evento, autoridades locais e imprensa puderam conhecer detalhes do novo projeto. O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), professor Carlos Ganem, esteve presente no evento e foi convidado pelo comandante do CTA a falar ao público presente.
Em sua declaração, Ganem declarou que a capacidade de lançar satélites, entre importantes benefícios à região, permitirá ao país fornecer informações adequadas sobre o clima, beneficiando o agronegócio brasileiro e favorecendo um maior controle sobre as comunicações no país, além de reduzir a dependência do setor
Fonte: IAE/CTA
Comentário: curiosamente, a nota não informa qual é a natureza do aditivo assinado com o consórcio Jaraguá / Lavitta.
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quarta-feira, 4 de março de 2009
ACS: aumento do capital social
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Foi publicado na edição de hoje (4) do Diário Oficial da União um decreto federal determinando o aumento do capital social da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS), em 100 milhões de reais. Desse montante, 50 milhões de reais serão aumentados mediante crédito aberto em favor do Ministério da Ciência e Tecnologia, e o restante através de transferência intergovernamental realizada pelo governo da Ucrânia.
Aos poucos, o projeto da binacional vai avançando. Segundo uma fonte ouvida pelo blog, a ACS também discute com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiamento ao projeto. Publicamente, a empresa afirma pretender lançar o primeiro foguete Cyclone 4, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, até o final de 2010.
Para ler o decreto na íntegra, clique aqui.
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Foi publicado na edição de hoje (4) do Diário Oficial da União um decreto federal determinando o aumento do capital social da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS), em 100 milhões de reais. Desse montante, 50 milhões de reais serão aumentados mediante crédito aberto em favor do Ministério da Ciência e Tecnologia, e o restante através de transferência intergovernamental realizada pelo governo da Ucrânia.
Aos poucos, o projeto da binacional vai avançando. Segundo uma fonte ouvida pelo blog, a ACS também discute com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiamento ao projeto. Publicamente, a empresa afirma pretender lançar o primeiro foguete Cyclone 4, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, até o final de 2010.
Para ler o decreto na íntegra, clique aqui.
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Cooperação em meteorologia
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AEB e ANA assinam acordo de cooperação técnica
04/03/2009 17:11:26
A Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Nacional de Águas (ANA) assinaram, ontem, acordo de cooperação técnica com objetivo de juntar esforços para o desenvolvimento de atividades de suporte a medidas de precipitação efetuadas por satélites ambientais.
O Programa de Medida Global da Precipitação (Global Precipitation Measurement) - GPM é uma iniciativa conjunta da NASA e da agência espacial japonesa (JAXA), visando estabelecer e operar uma constelação de aproximadamente 30 satélites que, em seu conjunto, poderá oferecer medidas dos diversos tipos de precipitação no planeta, com um alto grau de resolução temporal.
O monitoramento da precipitação em alta resolução espacial e temporal é requisitos básicos para a mitigação de desastres naturais e ao desenvolvimento do país nas áreas de agricultura, energia, recursos hídricos.
As informações obtidas permitirão melhorias significativas no gerenciamento de recursos hídricos, no planejamento das atividades do agronegócio, nos alertas de tempestades severas, inundações e riscos de deslizamento, nas previsões do tempo, no entendimento do ciclo hidrológico regional e global e nas análises de mudanças climáticas globais.
Desta forma os resultados obtidos contribuirão significativamente para a melhoria e sucesso de quaisquer projetos ou iniciativas no âmbito das áreas beneficiadas pelo GPM, assim como os projetos voltados ao entendimento das mudanças climáticas.
O conhecimento da distribuição da precipitação é ferramenta básica para o correto gerenciamento dos recursos hídricos, do planejamento das atividades do agronegócio e para a segurança da população diante de eventos extremos de precipitação com perdas materiais e de vidas humanas.
A informação fornecida por satélites é, atualmente, imprescindível, quer para a previsão meteorológica, quer para estudos climatológicos. Assim, como consta no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), o segmento de meteorologia por satélites deve ser uma das aplicações privilegiadas.
A Comissão de Coordenação do Programa estabeleceu, mais recentemente, como uma das atividades prioritárias do GPM-Br a implantação de uma Rede Nacional de Validação de Dados GPM no Brasil, que oportunamente, será utilizada para distribuição de dados GPM.
Para implantação dessa rede será necessário contar com a cooperação de instituições interessadas em participar do Programa GPM, tais como, universidades e instituições que atuem na área de meteorologia, com as quais pretende-se estabelecer Acordo de Cooperação Técnica, tendo em vista a conjugação de esforços para desenvolvimento de atividades de suporte à medidas de precipitação efetuadas por satélites ambientais e, futuramente, ao processamento destas informações.
Inicialmente, foram contatadas oito instituições: Agência Nacional de Águas (ANA); Instituto Tecnológico Simepar; Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet); Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa); Instituto Astronômico e Geofísico/Universidade de São Paulo (IAG/USP); Universidade do Estado de São Paulo (USP) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Fonte: AEB
Comentário: o envolvimento do Brasil no Programa GPM deverá no futuro resultar na construção de um satélite dedicado, baseado na Plataforma Multimissão (PMM) desenvolvida pelo INPE, em conjunto com a indústria espacial nacional.
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AEB e ANA assinam acordo de cooperação técnica
04/03/2009 17:11:26
A Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Nacional de Águas (ANA) assinaram, ontem, acordo de cooperação técnica com objetivo de juntar esforços para o desenvolvimento de atividades de suporte a medidas de precipitação efetuadas por satélites ambientais.
O Programa de Medida Global da Precipitação (Global Precipitation Measurement) - GPM é uma iniciativa conjunta da NASA e da agência espacial japonesa (JAXA), visando estabelecer e operar uma constelação de aproximadamente 30 satélites que, em seu conjunto, poderá oferecer medidas dos diversos tipos de precipitação no planeta, com um alto grau de resolução temporal.
O monitoramento da precipitação em alta resolução espacial e temporal é requisitos básicos para a mitigação de desastres naturais e ao desenvolvimento do país nas áreas de agricultura, energia, recursos hídricos.
As informações obtidas permitirão melhorias significativas no gerenciamento de recursos hídricos, no planejamento das atividades do agronegócio, nos alertas de tempestades severas, inundações e riscos de deslizamento, nas previsões do tempo, no entendimento do ciclo hidrológico regional e global e nas análises de mudanças climáticas globais.
Desta forma os resultados obtidos contribuirão significativamente para a melhoria e sucesso de quaisquer projetos ou iniciativas no âmbito das áreas beneficiadas pelo GPM, assim como os projetos voltados ao entendimento das mudanças climáticas.
O conhecimento da distribuição da precipitação é ferramenta básica para o correto gerenciamento dos recursos hídricos, do planejamento das atividades do agronegócio e para a segurança da população diante de eventos extremos de precipitação com perdas materiais e de vidas humanas.
A informação fornecida por satélites é, atualmente, imprescindível, quer para a previsão meteorológica, quer para estudos climatológicos. Assim, como consta no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), o segmento de meteorologia por satélites deve ser uma das aplicações privilegiadas.
A Comissão de Coordenação do Programa estabeleceu, mais recentemente, como uma das atividades prioritárias do GPM-Br a implantação de uma Rede Nacional de Validação de Dados GPM no Brasil, que oportunamente, será utilizada para distribuição de dados GPM.
Para implantação dessa rede será necessário contar com a cooperação de instituições interessadas em participar do Programa GPM, tais como, universidades e instituições que atuem na área de meteorologia, com as quais pretende-se estabelecer Acordo de Cooperação Técnica, tendo em vista a conjugação de esforços para desenvolvimento de atividades de suporte à medidas de precipitação efetuadas por satélites ambientais e, futuramente, ao processamento destas informações.
Inicialmente, foram contatadas oito instituições: Agência Nacional de Águas (ANA); Instituto Tecnológico Simepar; Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet); Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa); Instituto Astronômico e Geofísico/Universidade de São Paulo (IAG/USP); Universidade do Estado de São Paulo (USP) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Fonte: AEB
Comentário: o envolvimento do Brasil no Programa GPM deverá no futuro resultar na construção de um satélite dedicado, baseado na Plataforma Multimissão (PMM) desenvolvida pelo INPE, em conjunto com a indústria espacial nacional.
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Rastreio da Operação Ariane V187
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CLBI atua no rastreio da Operação Ariane V187
25/02/2009 - 17h41
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, unidade sediada em Natal/RN, iniciou suas atividades de 2009 com o rastreio do foguete Ariane V187, que foi lançado da Guiana Francesa, com satélites geoestacionários.
O CLBI atuou durante aproximadamente sete minutos, na parte que lhe coube dos 47 minutos de lançamento.
Devido à curvatura da Terra, é necessário que o foguete seja rastreado por diferentes bases pelo mundo. O foguete atravessou o continente sul americano, o oceano Atlântico e o continente africano, terminando sua missão ao colocar em órbita satélites geoestacionários.
A estação em terras brasileiras é gerenciada pelo CLBI, que há 32 anos assegura o rastreio do foguete Ariane, com seus registros precisos tornando permanente a presença do Brasil neste seleto clube do domínio espacial.
Satélites passageiros do V187 - HOTBIRD 10, é um satélite geoestacionário, dedicado aos serviços de telecomunicações, televisão de alta definição . Zona de cobertura é Europa, norte da África e Oriente Médio.
Outras informações:
Massa no lançamento : 4900 kg
Vida média: 15 anos.
NSS-9, é um satélite geoestacionário, dedicado aos serviços de telecomunicações.
Zona de cobertura: Austrália, Indonésia, Filipinas Japão, China, Coréia e ilhas do Pacífico, Estados Unidos, Havaí e Polinésia.
Massa no lançamento: 2240 kg
Vida média: 15 anos.
Fonte: CLBI
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CLBI atua no rastreio da Operação Ariane V187
25/02/2009 - 17h41
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, unidade sediada em Natal/RN, iniciou suas atividades de 2009 com o rastreio do foguete Ariane V187, que foi lançado da Guiana Francesa, com satélites geoestacionários.
O CLBI atuou durante aproximadamente sete minutos, na parte que lhe coube dos 47 minutos de lançamento.
Devido à curvatura da Terra, é necessário que o foguete seja rastreado por diferentes bases pelo mundo. O foguete atravessou o continente sul americano, o oceano Atlântico e o continente africano, terminando sua missão ao colocar em órbita satélites geoestacionários.
A estação em terras brasileiras é gerenciada pelo CLBI, que há 32 anos assegura o rastreio do foguete Ariane, com seus registros precisos tornando permanente a presença do Brasil neste seleto clube do domínio espacial.
Satélites passageiros do V187 - HOTBIRD 10, é um satélite geoestacionário, dedicado aos serviços de telecomunicações, televisão de alta definição . Zona de cobertura é Europa, norte da África e Oriente Médio.
Outras informações:
Massa no lançamento : 4900 kg
Vida média: 15 anos.
NSS-9, é um satélite geoestacionário, dedicado aos serviços de telecomunicações.
Zona de cobertura: Austrália, Indonésia, Filipinas Japão, China, Coréia e ilhas do Pacífico, Estados Unidos, Havaí e Polinésia.
Massa no lançamento: 2240 kg
Vida média: 15 anos.
Fonte: CLBI
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terça-feira, 3 de março de 2009
"O ACDH já era..."
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Hoje (3), teve início na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o "Seminário de Interesse Econômico para Indústria de Defesa Brasil - França", evento que tem o envolvimento da Rafale International, um consórcio de três empresas francesas lideradas pela Dassault Aviation que disputa no Brasil uma concorrência para o fornecimento de aviões de combate para a Força Aérea, dentro do chamado Programa F-X2. Até aí, nada diretamente relacionado à indústria espacial (embora seja um fato: a linha que separa os setores espacial e de defesa é bastante tênue, tanto é que cubro na revista Tecnologia & Defesa as duas áreas).
Nesses eventos, porém, é sempre comum encontrar gente também envolvida com Espaço. No seminário de hoje, náo havia muita gente da área, mas encontrei e conversei rapidamente com uma pessoa fortemente ligada à indústria espacial brasileira. Não perdi e tempo e fui direto ao tema que, nas últimas semanas, tomou boa parte do meu tempo. Perguntei: "E o ACDH? (referia-me ao sistema de controle e atitude em órbita, já abordado aqui, talvez até em excesso, em várias postagens)" A pessoa respondeu: "O ACDH já era... Tá na Argentina..." Mais direito e objetivo, impossível.
Não querendo adotar nenhuma posição, mas parece que a turma que reclama, mas na "hora do vamos ver" fica, com todo o respeito, "quietinha", já se conformou.
Farei ao menos mais uma postagem a respeito do ACDH argentino: revelações e comentários sobre o contrato assinado com a INVAP. Em breve.
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Hoje (3), teve início na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o "Seminário de Interesse Econômico para Indústria de Defesa Brasil - França", evento que tem o envolvimento da Rafale International, um consórcio de três empresas francesas lideradas pela Dassault Aviation que disputa no Brasil uma concorrência para o fornecimento de aviões de combate para a Força Aérea, dentro do chamado Programa F-X2. Até aí, nada diretamente relacionado à indústria espacial (embora seja um fato: a linha que separa os setores espacial e de defesa é bastante tênue, tanto é que cubro na revista Tecnologia & Defesa as duas áreas).
Nesses eventos, porém, é sempre comum encontrar gente também envolvida com Espaço. No seminário de hoje, náo havia muita gente da área, mas encontrei e conversei rapidamente com uma pessoa fortemente ligada à indústria espacial brasileira. Não perdi e tempo e fui direto ao tema que, nas últimas semanas, tomou boa parte do meu tempo. Perguntei: "E o ACDH? (referia-me ao sistema de controle e atitude em órbita, já abordado aqui, talvez até em excesso, em várias postagens)" A pessoa respondeu: "O ACDH já era... Tá na Argentina..." Mais direito e objetivo, impossível.
Não querendo adotar nenhuma posição, mas parece que a turma que reclama, mas na "hora do vamos ver" fica, com todo o respeito, "quietinha", já se conformou.
Farei ao menos mais uma postagem a respeito do ACDH argentino: revelações e comentários sobre o contrato assinado com a INVAP. Em breve.
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domingo, 1 de março de 2009
Entrevista com Gilberto Câmara – Parte II
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Começamos o mês de março com a segunda parte da entrevista com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto Câmara. A segunda parte é mais extensa e densa, mas revela informações interessantes sobre projetos e possibilidades na área de satélites. Para acessar a primeira parte da entrevista, clique aqui.
Compra de ACDH argentino
O blog questionou Gilberto Câmara sobre aquele que é considerado um dos mais polêmicos negócios do setor espacial brasileiro nos últimos anos: a compra do projeto de subsistema de atitude e controle de órbita (ACDH, sigla em inglês) da indústria argentina INVAP, para a Plataforma Multimissão (PMM). Câmara logo esclareceu que não existe complicação na aquisição. Segundo ele, várias concorrências já haviam sido realizadas visando a aquisição do subsistema, todas mal sucedidas, com complicações na justiça, entre outras razões.
De acordo com o diretor do INPE, a indústria espacial brasileira se caracterizou pela especialização em diferentes áreas – câmeras, estruturas, etc. No entanto, não haveria hoje no País indústria capaz de desenvolver a tecnologia de ACDH, o que decorreria, segundo explicou, “de falha na formação da mão-de-obra aeroespacial brasileira”, focada no ensino de desenvolvimento de hardware, e não software.
Na opinião de Gilberto Câmara, se o INPE tivesse optado por contratar uma empresa brasileira consorciada com alguma companhia estrangeira, como era a realidade de todos os consórcios participantes da concorrência nacional cancelada no ano passado, a companhia estrangeira integrante do consórcio acabaria por ter uma participação maior no projeto, dada a falta de conhecimento da indústria nacional sobre a tecnologia. A participação nacional seria reduzida, com geração de menos empregos. A transferência de tecnologia seria também mais demorada, afirmou. “Iríamos receber uma caixa-preta, agora receberemos uma caixa-branca”, argumentou. “A INVAP fornecerá o código-fonte”, complementou Câmara.
Gilberto reconheceu que a compra do ACDH argentino era o “Plano B” do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A proposta do país vizinho foi apresentada por representantes da INVAP que foram a São José dos Campos (SP) especialmente com esse propósito. O INPE não buscou a proposta argentina, foi convencido de que era a melhor alternativa diante dos problemas que ocorriam com a concorrência nacional (nota do blog: recurso judicial de um dos consórcios participantes, a Aeroeletrônica e a italiana Carlo Gavazzi Space). “A melhor solução foi a da INVAP.” “A PMM não pode virar um projeto sem fim”, alegou. Poderia ainda comprar um ACDH da China, mas isso não foi seriamente considerado, afirmou.
Dando continuidade ao assunto, o blog argumentou sobre o longo prazo de entrega do subsistema argentino (43 meses), o que viabilizaria o lançamento do satélite Amazônia-1, o primeiro que utilizará a PMM apenas para o final de 2012 ou início de 2013, considerando-se que não ocorram atrasos no cronograma contratado. Câmara afirmou que o prazo de entrega do ACDH da INVAP poderá ser reduzido, a depender da liberação de recursos orçamentários. A razão do prazo contratado de 43 meses foi meramente por razões orçamentárias, explicou.
Ao abordarmos a questão do desconforto da indústria espacial brasileira com a contratação de solução estrangeira, tratada por alguns industriais como um “golpe” ao setor nacional, Câmara categoricamente afirmou: “não houve golpe”. Ressaltou que a indústria nacional tem cerca de 400 milhões de reais em contratos, e que é natural que reclamações e desconfortos surjam. Fez questão de frisar que o INPE espera que a INVAP subcontrate indústrias brasileiras para o projeto, embora não exista essa previsão no contrato assinado (nota do blog: tivemos acesso ao contrato. Em breve, divulgaremos mais detalhes sobre o seu conteúdo).
Um ponto levantado pelo blog foi a possibilidade de subcontratação pela indústria argentina de determinada empresa brasileira que está com dificuldades técnicas para a entrega de um dos subsistemas da PMM (nota do blog: preferimos omitir o nome da empresa para preservá-la). Câmara esclareceu que não vê isso como um grande risco, uma vez que a contratada é a INVAP, de tal modo que a empresa não se comprometeria subcontratando outras empresas com problemas. Câmara também afirmou haver no INPE conforto quanto à maturidade tecnológica da solução argentina.
Quanto ao preço do ACDH argentino – 47,5 milhões de reais, Câmara informou que este foi determinado pelo INPE, que apresentou à INVAP o valor que poderia pagar. Perguntado sobre a hipótese de no futuro ter que se aditar o contrato por insuficiência de recursos, Câmara respondeu que por entendimento legal do governo federal, não se admite a celebração de aditivos a contratos assinados com dispensa de licitação.
Encerrando o tópico, o blog perguntou se a compra do subsistema argentino tinha alguma relação com a possível contratação da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS) para o lançamento ao espaço do satélite SAOCOM, da CONAE, numa espécie de contrapartida, como se chegou a especular nos bastidores (nota do blog: a ACS participa da concorrência aberta pela CONAE para o lançamento do SAOCOM, que ainda não teve uma definição). Câmara foi direto ao afirmar não existir relação entre os dois negócios. A escolha da proposta argentina, além dos critérios técnicos, tem forte razão geopolítica, pois é do interesse do Brasil uma aproximação com o país vizinho na área espacial, revelou.
Política industrial
Gilberto Câmara foi questionado sobre a necessidade ou não de uma indústria brasileira que atue como contratante principal (“prime contractor”), a exemplo do modelo argentino, com a INVAP. Respondeu que não falta um “prime contractor” no País, pois, antes disso, haveria um “dever de casa” para se fazer.
Segundo explicou, não existe volume no Brasil que justifique a existência de um “prime contractor”. O volume deveria, portanto, crescer. Câmara afirmou ainda que o INPE realizou um estudo levando-se em consideração a possível existência de um contratante principal no País, no qual se constatou que os custos dos projetos contratados aumentariam em 40%.
Observação da Amazônia
O blog perguntou ao diretor do INPE a sua opinião sobre os sistemas de observação da Amazônia hoje disponíveis. Câmara alegou ser “suspeito” para falar a respeito, afinal, esteve envolvido com os seus desenvolvimentos desde o início. De qualquer modo, afirmou: “o nosso sistema (DETER e PRODES) é o melhor que existe e ainda assim insuficiente.” Falta, em sua opinião, um satélite radar (SAR, sigla em inglês).
O projeto do satélite MAPSAR, que envolveria o INPE e a agência espacial alemã (DLR) seria o elemento para se preencher a lacuna existente. Gilberto Câmara informou que o projeto ainda está indefinido, aguardando-se uma definição do governo alemão sobre a sua continuidade. A data limite para que a Alemanha dê uma resposta é setembro ou outubro desse ano. De qualquer modo, o INPE já estuda alternativas, como a construção de um satélite radar com a Argentina, que está construindo o SAOCOM com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ou com a China, que já demonstrou interesse em desenvolver com o Brasil um satélite com sensor SAR embarcado.
Comentários finais
O blog encerrou a entrevista com a seguinte pergunta: desde 1998, portanto, há mais de dez anos, o Brasil não lança ao espaço um satélite 100% nacional. Quando teremos o próximo satélite 100% brasileiro?
Câmara respondeu que tem trabalhado para lançar o Amazônia 1 o quanto antes, embora o orçamento e a contratação do ACDH prevejam a sua disponibilização apenas no final de 2012 ou início de 2013. Não quis arriscar nenhum palpite sobre um possível adiantamento da missão, pois prefere aguardar a definição do orçamento de 2010. Quanto ao possível lançador a ser utilizado, também não quis aprofundar, afirmando apenas que a preferência é o Cyclone 4, da ACS.
Em relação ao Sistema de Coleta de Dados, integrado pelos satélites da série SCD-1 e 2, e pôr transpônderes a bordo do CBERS, Câmara esclareceu haver dificuldades para o lançamento de satélites totalmente dedicados por falta de lançadores para a órbita equatorial. De fato, existem lançadores, porém, o custo é proibitivo quando se leva em consideração que a construção de um novo satélite custaria algo em torno de 3 a 4 milhões de dólares, enquanto que o frete do foguete seria da ordem de 10 milhões de dólares. “Não tenho como lançá-los”, disse. Com a conclusão do projeto do VLS-1B, do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), isso deve mudar, sendo possível o lançamento de satélites totalmente dedicados. Enquanto isso, o sistema é mantido com a rede Argos, das agências espaciais da França (CNES), dos EUA (NASA), e NOAA (EUA).
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Mais uma vez, o blog agradece Gilberto Câmara, Marjorie Xavier e Ana Paula Soares por terem tornado possível essa entrevista.
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Começamos o mês de março com a segunda parte da entrevista com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto Câmara. A segunda parte é mais extensa e densa, mas revela informações interessantes sobre projetos e possibilidades na área de satélites. Para acessar a primeira parte da entrevista, clique aqui.
Compra de ACDH argentino
O blog questionou Gilberto Câmara sobre aquele que é considerado um dos mais polêmicos negócios do setor espacial brasileiro nos últimos anos: a compra do projeto de subsistema de atitude e controle de órbita (ACDH, sigla em inglês) da indústria argentina INVAP, para a Plataforma Multimissão (PMM). Câmara logo esclareceu que não existe complicação na aquisição. Segundo ele, várias concorrências já haviam sido realizadas visando a aquisição do subsistema, todas mal sucedidas, com complicações na justiça, entre outras razões.
De acordo com o diretor do INPE, a indústria espacial brasileira se caracterizou pela especialização em diferentes áreas – câmeras, estruturas, etc. No entanto, não haveria hoje no País indústria capaz de desenvolver a tecnologia de ACDH, o que decorreria, segundo explicou, “de falha na formação da mão-de-obra aeroespacial brasileira”, focada no ensino de desenvolvimento de hardware, e não software.
Na opinião de Gilberto Câmara, se o INPE tivesse optado por contratar uma empresa brasileira consorciada com alguma companhia estrangeira, como era a realidade de todos os consórcios participantes da concorrência nacional cancelada no ano passado, a companhia estrangeira integrante do consórcio acabaria por ter uma participação maior no projeto, dada a falta de conhecimento da indústria nacional sobre a tecnologia. A participação nacional seria reduzida, com geração de menos empregos. A transferência de tecnologia seria também mais demorada, afirmou. “Iríamos receber uma caixa-preta, agora receberemos uma caixa-branca”, argumentou. “A INVAP fornecerá o código-fonte”, complementou Câmara.
Gilberto reconheceu que a compra do ACDH argentino era o “Plano B” do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A proposta do país vizinho foi apresentada por representantes da INVAP que foram a São José dos Campos (SP) especialmente com esse propósito. O INPE não buscou a proposta argentina, foi convencido de que era a melhor alternativa diante dos problemas que ocorriam com a concorrência nacional (nota do blog: recurso judicial de um dos consórcios participantes, a Aeroeletrônica e a italiana Carlo Gavazzi Space). “A melhor solução foi a da INVAP.” “A PMM não pode virar um projeto sem fim”, alegou. Poderia ainda comprar um ACDH da China, mas isso não foi seriamente considerado, afirmou.
Dando continuidade ao assunto, o blog argumentou sobre o longo prazo de entrega do subsistema argentino (43 meses), o que viabilizaria o lançamento do satélite Amazônia-1, o primeiro que utilizará a PMM apenas para o final de 2012 ou início de 2013, considerando-se que não ocorram atrasos no cronograma contratado. Câmara afirmou que o prazo de entrega do ACDH da INVAP poderá ser reduzido, a depender da liberação de recursos orçamentários. A razão do prazo contratado de 43 meses foi meramente por razões orçamentárias, explicou.
Ao abordarmos a questão do desconforto da indústria espacial brasileira com a contratação de solução estrangeira, tratada por alguns industriais como um “golpe” ao setor nacional, Câmara categoricamente afirmou: “não houve golpe”. Ressaltou que a indústria nacional tem cerca de 400 milhões de reais em contratos, e que é natural que reclamações e desconfortos surjam. Fez questão de frisar que o INPE espera que a INVAP subcontrate indústrias brasileiras para o projeto, embora não exista essa previsão no contrato assinado (nota do blog: tivemos acesso ao contrato. Em breve, divulgaremos mais detalhes sobre o seu conteúdo).
Um ponto levantado pelo blog foi a possibilidade de subcontratação pela indústria argentina de determinada empresa brasileira que está com dificuldades técnicas para a entrega de um dos subsistemas da PMM (nota do blog: preferimos omitir o nome da empresa para preservá-la). Câmara esclareceu que não vê isso como um grande risco, uma vez que a contratada é a INVAP, de tal modo que a empresa não se comprometeria subcontratando outras empresas com problemas. Câmara também afirmou haver no INPE conforto quanto à maturidade tecnológica da solução argentina.
Quanto ao preço do ACDH argentino – 47,5 milhões de reais, Câmara informou que este foi determinado pelo INPE, que apresentou à INVAP o valor que poderia pagar. Perguntado sobre a hipótese de no futuro ter que se aditar o contrato por insuficiência de recursos, Câmara respondeu que por entendimento legal do governo federal, não se admite a celebração de aditivos a contratos assinados com dispensa de licitação.
Encerrando o tópico, o blog perguntou se a compra do subsistema argentino tinha alguma relação com a possível contratação da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS) para o lançamento ao espaço do satélite SAOCOM, da CONAE, numa espécie de contrapartida, como se chegou a especular nos bastidores (nota do blog: a ACS participa da concorrência aberta pela CONAE para o lançamento do SAOCOM, que ainda não teve uma definição). Câmara foi direto ao afirmar não existir relação entre os dois negócios. A escolha da proposta argentina, além dos critérios técnicos, tem forte razão geopolítica, pois é do interesse do Brasil uma aproximação com o país vizinho na área espacial, revelou.
Política industrial
Gilberto Câmara foi questionado sobre a necessidade ou não de uma indústria brasileira que atue como contratante principal (“prime contractor”), a exemplo do modelo argentino, com a INVAP. Respondeu que não falta um “prime contractor” no País, pois, antes disso, haveria um “dever de casa” para se fazer.
Segundo explicou, não existe volume no Brasil que justifique a existência de um “prime contractor”. O volume deveria, portanto, crescer. Câmara afirmou ainda que o INPE realizou um estudo levando-se em consideração a possível existência de um contratante principal no País, no qual se constatou que os custos dos projetos contratados aumentariam em 40%.
Observação da Amazônia
O blog perguntou ao diretor do INPE a sua opinião sobre os sistemas de observação da Amazônia hoje disponíveis. Câmara alegou ser “suspeito” para falar a respeito, afinal, esteve envolvido com os seus desenvolvimentos desde o início. De qualquer modo, afirmou: “o nosso sistema (DETER e PRODES) é o melhor que existe e ainda assim insuficiente.” Falta, em sua opinião, um satélite radar (SAR, sigla em inglês).
O projeto do satélite MAPSAR, que envolveria o INPE e a agência espacial alemã (DLR) seria o elemento para se preencher a lacuna existente. Gilberto Câmara informou que o projeto ainda está indefinido, aguardando-se uma definição do governo alemão sobre a sua continuidade. A data limite para que a Alemanha dê uma resposta é setembro ou outubro desse ano. De qualquer modo, o INPE já estuda alternativas, como a construção de um satélite radar com a Argentina, que está construindo o SAOCOM com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ou com a China, que já demonstrou interesse em desenvolver com o Brasil um satélite com sensor SAR embarcado.
Comentários finais
O blog encerrou a entrevista com a seguinte pergunta: desde 1998, portanto, há mais de dez anos, o Brasil não lança ao espaço um satélite 100% nacional. Quando teremos o próximo satélite 100% brasileiro?
Câmara respondeu que tem trabalhado para lançar o Amazônia 1 o quanto antes, embora o orçamento e a contratação do ACDH prevejam a sua disponibilização apenas no final de 2012 ou início de 2013. Não quis arriscar nenhum palpite sobre um possível adiantamento da missão, pois prefere aguardar a definição do orçamento de 2010. Quanto ao possível lançador a ser utilizado, também não quis aprofundar, afirmando apenas que a preferência é o Cyclone 4, da ACS.
Em relação ao Sistema de Coleta de Dados, integrado pelos satélites da série SCD-1 e 2, e pôr transpônderes a bordo do CBERS, Câmara esclareceu haver dificuldades para o lançamento de satélites totalmente dedicados por falta de lançadores para a órbita equatorial. De fato, existem lançadores, porém, o custo é proibitivo quando se leva em consideração que a construção de um novo satélite custaria algo em torno de 3 a 4 milhões de dólares, enquanto que o frete do foguete seria da ordem de 10 milhões de dólares. “Não tenho como lançá-los”, disse. Com a conclusão do projeto do VLS-1B, do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), isso deve mudar, sendo possível o lançamento de satélites totalmente dedicados. Enquanto isso, o sistema é mantido com a rede Argos, das agências espaciais da França (CNES), dos EUA (NASA), e NOAA (EUA).
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Mais uma vez, o blog agradece Gilberto Câmara, Marjorie Xavier e Ana Paula Soares por terem tornado possível essa entrevista.
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