quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Aquisições no setor de defesa? - Parte II

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No início de janeiro, fizemos comentários sobre rumores relacionados a aquisições de indústrias brasileiras dos setores aeroespacial e de defesa ("Aquisições no setor de defesa?"). Hoje (27), o que era rumor tomou um caráter mais definitivo, com a Mectron, de São José dos Campos (SP), divulgando nota acerca de negociações privadas (ver nota do website Defesanet). O mercado inteiro afirma que a compradora seria a gigante Odebrecht.

Colocando mais "combustível" a esses rumores, reproduzimos abaixo um relato de conversa
mantida com uma pessoa conhecida do setor, no início de janeiro:

Eu: "Olá, tudo bem?"
Interlocutor: "Tudo bem, e com você?"
Eu: "Tudo bem."
Interlocutor: "Legal. Viu, vocês precisam escrever alguma coisa sobre as compras de empresas brasileiras por estrangeiras..."
Eu: "Ah, é? Teve o lance da Ares e Periscópio com a Elbit, né? Ouvi falar também da A falando com a E, e da Mectron com a Odebrecht."
Interlocutor: "Sim, e a O também."
Eu: "A O?! [Surpreso] Mas, para quem!?"
Interlocutor: "Não posso dizer."
Eu: "Poxa, conte aí, quem é?"
Interlocutor: "Sério, não posso dizer, mas não é tão ruim assim..."

Pensava que o assédio sobre O poderia ser de T, pois realmente faria sentido (tanto em defesa como espaço), mas alguns minutos após a conversa, falando com a pessoa certa, descobri que o interessado era, na verdade, E. Algo, aliás, condizente com o final da frase do interlocutor ("não é tão ruim assim..."), apesar disso sempre ser uma questão de ponto de vista.

Desde então, é claro, o tema é sempre pauta das conversas com pessoas relacionadas ao ramo. De acordo com as últimas informações colhidas, a situação atual seria a seguinte: A e O estariam em fase de auditoria ("due diligence") por E. Especificamente no caso de O (não temos a informação em relação à A), haveria um memorando de entendimentos já assinado, inclusive definindo valores (o número que nos foi dito: R$ 77 milhões). Em ambos os casos, trata-se de operação de compra de controle. No caso de O, haveria uma cisão da parte (unidade no estado do Amazonas) não relacionada à defesa e que ficaria com os atuais sócios.

Segundo o blog pode apurar, a transação entre Odebrecht e Mectron também deve envolver transferência de controle. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de seu braço de participações, deve continuar na empresa. A Mectron, diga-se de passagem, sempre foi considerada uma "noiva" no mercado, para alguns meio problemática, em busca de marido.

As transações em negociação, segundo rumores, teriam múltiplos em torno de 1,5 vez o faturamento.
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3 comentários:

Fernando disse...

Acredito que a compra da A e/ou a O pela E, pode dar um impulso, e uma importância política para as decisões de compras. Convenhamos que a E coloca vários políticos no governo.

Aureo André disse...

Na minha humilde opinião deveria ser restrita a venda de sociedades de capital fechado a grupos estrangeiros (isso para tecnologia militar), Creio que a abertura de capital (IPO) é a forma mais idônea de capitalizar e projetar empresas desta area especifica. A participação do executivo pela chamada golden share é outro caminho interessante. Em geral empresas de capital fechado tiveram suas capacidades redobradas a partir da abertura. O controle público das s.a. tambem é algo salutar. As maiores empresas de tecnologia de defesa do mundo tem capital aberto. Tem até brasileiro "dono" da boeing. Agora entendo temores sobre o real interesse de sócios estrangeiros em empresas do setor. Querem investir? Querem apenas repassar seus produtos? Querem apenas ter o controle do material de defesa nacional? Ou todas as opções anteriores? Esta é uma daquelas perguntas sem resposta facil.
Para concluir empresas como a engesa teriam tido mais bala na agulha para tentar resistir a crise sem fechar as portas se tivessem suas ações pulverizadas no mercado.
Abraço

Aureo André disse...

Para complementar meu post anterior. Fui técnico na aeroeletrônica nos bons tempos ( e bota tempo nisso), era uma administração familiar com tudo de bom ou ruim que isso significa. Pelo pouco que sei( do pessoal de lá) houve uma melhoria com a venda da empresa. Então é bastante polêmico e sensivel o caso de venda de empresas extratégicas.