terça-feira, 14 de junho de 2011

Astrium GEO-Information Services satisfeita com o Brasil

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O blog Panorama Espacial conversou hoje (14) com Pierre Duquesne, diretor-geral da Astrium GEO-Information Services Brasil, durante o evento MundoGEO#Connect, que acontece na capital paulista até 16 de junho. Duquesne fez um balanço dos mais de dois anos da presença local, por meio de subsidiária, no País, e também falou um pouco sobre as novidades da empresa.

A denominação Astrium GEO-Information Services é nova, mas traz um extenso legado em imagens de satélites. Trata-se da nova estrutura de serviços em imagens de satélites da Astrium, que integra o grupo europeu EADS. A nova unidade, anunciada em dezembro de 2010, foi implementada no início deste ano e reúne as atividades de duas empresas controladas pela Astrium: a francesa Spot Image, forte em imagens óticas (constelação Spot e outras), com a Infoterra, da Alemanha, atuante em imagens radar (TerraSAR-X e TanDEM-X).

A presença mais significativa da Astrium GEO-Information Services no Brasil se dava com a Spot Image, que abriu uma subsidiária no Brasil há pouco mais de dois anos, em abril de 2009. Com a nova estrutura, a empresa agregou ao seu portfólio, os satélites radares TerraSAR-X e TanDEM-X, capazes de produzir imagens a qualquer tempo e sob quaisquer condições meteorológicas, abrindo um novo leque de oportunidades de negócios, principalmente para aplicações em cartografia.

Segundo Duquesne, a Astrium GEO-Information Services está firme e satisfeita com os negócios locais. "As metas de 2009 e 2010 foram batidas, e há boas perspectivas para o futuro", afirmou. Atualmente, a empresa conta com cerca de 100 clientes no País, das três esferas do setor público, da iniciativa privada e entidades do terceiro setor.

Defesa e Segurança Pública

A Astrium Geo-Information espera crescer e desenvolver novos negócios nas áreas de defesa e segurança pública, mercados de grande potencial no País, e para isso está reforçando a equipe. Recentemente, a empresa contratou um oficial da reserva, especialista em sensoriamento remoto, com passagens no Serviço Geográfico do Exército.

Além dos grandes programas em desenvolvimento, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), do Ministério da Defesa, podem surgir oportunidades de negócios nos preparativos para a realização dos grandes eventos, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, em 2014 e 2016, respectivamente. "São programas que necessitam de imagens, seja para monitoramento, seja para mapeamento. Nós vislumbramos muitas oportunidades", afirmou Duquesne.

Monitoramento ambiental

Meses após a sua instalação no Brasil, a então Spot Image obteve um importante contrato com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para o fornecimento de imagens radar do satélite Envisat, da Agência Espacial Europeia (ESA), para aplicações em monitoramento de exploração de petróleo na costa brasileira, iniciativa que também envolve a estatal Petrobras. As imagens são recebidas pela estação do Instituto localizada em Cachoeira Paulista (SP).

O INPE fez também avaliações de imagens radar do TerraSAR-X para a geração de modelos.

Mas, em matéria de monitoramento ambiental, principalmente para a observação da região amazônica, a grande novidade da Astrium GEO-Information Services no País foi a assinatura de um acordo com a empresa espanhola Elecnor Deimos para a distribuição de imagens e produtos do DEIMOS-1, primeiro satélite de observação da Terra 100% privado lançado na Europa.

Dotado de duas câmeras, o DEIMOS-1 tem características adequadas para o imageamento de regiões equatoriais, nas quais as nuvens em geral impõem restrições para sistemas óticos. Dentre as aplicações previstas, além de meio ambiente (desmatamento e manejo florestal), incluem-se também o agronegócio e vigilância marítima. O satélite foi construído pela Surrey Satellite Technoloy (SSTL), da Inglaterra, e integra a rede DMC (Disaster Monitoring Constellation), largamente usada pelo INPE para o monitoramento do desmatamento na região amazônica. O INPE já demonstrou interesse no sistema.

As câmeras do DEIMOS-1 produzem imagens com resolução de 22 metros, cobrindo áreas de até 625 km x 1000 km, com revisita a cada 4 dias.

“No momento em que o desmatamento na Amazônia Legal volta a crescer e na iminência da votação das mudanças no Código Florestal, torna-se crucial o contínuo monitoramento das áreas de devastação para as devidas ações de combate e fiscalização”, ressaltou Duquesne em nota. “Por meio do acordo inédito firmado com a Elecnor Deimos, passamos a agregar ao nosso portfólio as imagens e produtos de valor agregado do DEIMOS-1, que se adapta perfeitamente às necessidades do Brasil, especialmente por suas grandes extensões agrícolas e florestais”, completou.
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Mais informações sobre o SAC-D/Aquarius

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Abaixo, em "bullet points", algumas informações adicionais sobre a missão argentina-americana SAC-D/Aquarius, colocada em órbita no último dia 10:

- Vídeos. A INVAP, principal empresa envolvida na construção do SAC-D/Aquarius, disponibilizou em seu website um vídeo sobre a missão. No Youtube, há também um vídeo produzido pelo LIT/INPE sobre a passagem do satélite por suas instalações (veja aqui).

- Custos. A NASA dedicou ao programa 287 milhões de dólares, que foram usados para a construção do principal experimento, o Aquarius, e na contratação do lançamento. Segundo a Space News, o SAC-D/Aquarius teve custo total de 400 milhões de dólares. Nunca antes a agência americana confiou um experimento científico da relevância do Aquarius para voar a bordo de um satélite argentino.

- Cooperação EUA - Argentina. A cooperação espacial entre os governos da Argentina e EUA não é recente. Pode-se dizer, aliás, que neste campo a Argentina é a principal parceira dos Estados Unidos na América do Sul. Em 1998, o SAC-A (missão tecnológica), foi colocado em órbita pelo ônibus espacial Endeavour. Dois anos antes, em novembro de 1996, o foguete americano Pegasus falhou ao lançar o SAC-B, um satélite com experimentos de astrofísica argentinos, americanos e um italiano. Em novembro de 2000, foi lançado também dos EUA o satélite de observação SAC-C, missão que contou com a participação dos EUA, França, Itália, Dinamarca e Brasil. O programa espacial argentino tem como uma de suas principais características a realização de projetos em cooperação internacional.

- Delta II. O Delta II, lançador usado na operação, fabricado pela Boeing, tem uma taxa de 100% de sucesso em missões da NASA ao longo das últimas duas décadas. O sucesso na colocação em órbita do SAC-D/Aquarius, aliás, trouxe um certo alívio para a divisão de missões de observação da NASA, já que em 2009 e em março deste ano, dois satélites foram perdidos em razão de falhas no lançamento (ambos do foguete Taurus).

- O papel do LIT/INPE. Entre junho de 2010 e março de 2011, o SAC-D/Aquarius foi submetido a testes ambientais no Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). "Foram realizados testes de interferência e compatibilidade eletromagnéticas, vibração, vibro-acústico, choque de separação, vácuo-térmico, além das medidas de propriedades de massa do satélite", divulgou o Instituto em nota. O LIT é considerado o único laboratório do gênero no Hemisfério Sul capacitado para a realização de atividades de montagem, integração e testes de satélites e seus subsistemas. Estima-se que os ensaios executados no Laboratório, os mais complexos desde a sua criação, teriam custo de alguns milhões de dólares caso fossem contratados no mercado.
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O Brasil e a colocação de armas em órbitas da Terra

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José Monserrat Filho

13-06-2011

“Os efeitos da colocação de armas no espaço podem produzir um desastre global. As armas espaciais podem causar um apagão em qualquer região do mundo, destruindo satélites úteis e de primeira necessidade”, declarou a delegação do Brasil perante o Comitê da ONU para o Uso Pacífico do Espaço (Copuos) sobre o tema “Meios e formas de manter o espaço exterior para fins pacíficos”, em Viena, Áustria, no dia 7 de junho último.

A declaração foi apesentada pelo chefe da Assessoria Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Monserrat Filho.

Eis a íntegra da declaração brasileira:

“O Brasil está profundamente convencido de que a Terra sem armas de destruição em massa e o espaço exterior livre de qualquer tipo de armas – abertos ambos para atividades exclusivamente pacíficas e construtivas – criam garantias reais e sólidas para o futuro de todos os Estados, todos os povos, toda a humanidade.

Vivemos os últimos 54 anos, desde o primeiro satélite artificial e o primeiro voo espacial humano, sem armas e sem conflitos armados no espaço. O Brasil deseja que esta situação continue nos próximos 50 anos. Dificilmente haverá conquista maior para comemorarmos o centenário do nosso Copuos, em 2061.

Como escreve o eminente pensador húngaro Ervin Laszlo, vivemos hoje no contexto histórico de uma “janela de decisão”. É a primeira vez que uma espécie na Terra tem consciência de que pode se extinguir por seus próprios meios ou evoluir para um futuro incomensurável – também por suas próprias ações. Em época tão singular, ainda segundo Laszlo, “qualquer contribuição, mesmo pequena, pode causar uma explosão que mude as tendências existentes, fazendo surgir novas correntes e processos”. A partir daí “podemos ir tanto para um colapso como para a descoberta de nova estrutura e novas formas de operar”.

No nosso caso, isso significa que, se lograrmos manter o espaço livre de armas e de ações bélicas, abrir-se-á para nós, neste ambiente, uma situação geopolítica inteiramente nova. Mais que nunca seremos capazes de assegurar atividades espaciais exclusivamente pacíficas e de cooperação.

Por isso, a questão sobre “meios e formas de manter o espaço para fins pacíficos” é, a nosso ver, um ponto da mais alta prioridade na agenda do Copuos.

“Si vis pacem, para bellum”, ou seja, “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Esse conhecido adágio latino, nascido no século 4º ou 5º, ainda é o paradigma da vida humana no início do século 21.

Será que estamos condenados a transpor a cultura da ameaça e do uso da força para o espaço também? É essa uma herança saudável para a nova fronteira e para as novas gerações? Como prevenir e alterar esse antigo costume, que pode ser catastrófico em nosso tempo? O que podemos fazer com paciência, passo a passo, construtivamente, para garantir ao espaço um destino exclusivamente pacífico? Essa é a nossa tarefa histórica.

Questão oportuna e prática, neste contexto, é tentar estabelecer a relação custo-benefício resultante da radical militarização do espaço, isto é, da transformação do espaço em novo teatro de guerra e sua manutenção como tal, levando na devida consideração as demandas e necessidades de segurança de todos os países.

A militarização radical do espaço, com a provável criação de novo campo de batalha, não é apenas uma questão nacional ou uma questão exclusiva das nações que realizam atividades espaciais, como se sugere com frequência. Esse é, sobretudo, um problema global extremamente grave, que afeta a todos os países, povos e nações. E isso é simplesmente óbvio.

Os efeitos da colocação de armas no espaço podem produzir um desastre global. As armas espaciais têm, claramente, alcance global e, portanto, impacto global. Elas podem causar um apagão em qualquer região do mundo, destruindo satélites úteis e de primeira necessidade, afetando as telecomunicações, a observação da Terra, o posicionamento global, a previsão do clima, os serviços de alerta e mitigação de desastres naturais, e assim por diante.

Empresas públicas e privadas podem sofrer perdas imprevisíveis e incalculáveis. Vultosos investimentos e negócios rentáveis podem desaparecer inesperadamente na imensidão do espaço.

O que ganhamos ao aceitar riscos tão grandes?

A militarização radical do espaço, com a instalação de armas modernas em suas órbitas, pode reforçar a tendência de resolver as controvérsias internacionais por meio da ameaça ou do uso da força, ações totalmente contrárias aos princípios da Carta das Nações Unidas.

Esse novo quadro estratégico pode reproduzir velhas rivalidades e confrontações, além de criar novas e mais desafiadoras. E os resultados desse novo tipo de guerra fria, com o emprego das avançadas tecnologias disponíveis podem ser incomparavelmente piores do que a anterior.

Como frisou o ilustre delegado da Federação Russa nesta sessão plenária, sabemos muito bem como é difícil monitorar o cumprimento dos acordos sobre desarmamento na Terra. No espaço, esse controle será ainda mais difícil.

Também preocupa a delegação brasileira outra observação feita também pelo delegado russo. Ei-la: “A Rússia considera que as ações dos Estados que resultem no surgimento de armas no espaço e a adoção de concepções que envolvam o uso da força naquele ambiente podem minar os fundamentos morais e a lógica política do fortalecimento dos mecanismos de não-proliferação, bem como os princípios fundamentais e normas do Direito Espacial Internacional.”

Ante essas graves perspectivas, a delegação do Brasil fica ainda mais convencida de que o tema de altíssima relevância da agenda do Copuos sobre “meios e formas de manter o espaço para fins pacíficos” deve ser discutido também em seu Subcomitê Jurídico – instância adequada para analisar e apreciar o mencionado efeito demolidor da colocação de armas no espaço sobre o direito espacial internacional e sobre o conceito de Estado de Direito nas atividades espaciais.

Concluindo, a delegação do Brasil considera oportuno e benéfico examinar a possibilidade de se criar uma ação coordenada entre o Grupo de Trabalho do Copuos sobre a sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais e o Grupo de Especialistas Governamentais, a ser criado em 2012, por decisão aprovada em outubro de 2010 pela Assembleia Geral da ONU, com a missão de propor medidas voluntárias destinadas a promover a segurança e a sustentabilidade das atividades espaciais, bem como o conhecimento da situação real no espaço.

Os dois grupos poderiam trabalhar de forma coordenada para adotar medidas abrangentes de transparência e confiança nas atividades espaciais. Isso significaria uma forte contribuição e um passo muito vigoroso no sentido de assegurar um espaço exterior livre de armas e de conflitos.

Fonte: AEB
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pesquisa do IAE em propulsão a etanol

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Etanol no espaço

13-06-2011

Depois de conquistar carros, motos e até ônibus, o etanol também será utilizado no abastecimento de foguetes. Este é o projeto inédito do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que busca desenvolver foguetes abastecidos com o biocombustível nacional em substituição ao uso dos propulsores sólidos, alguns acrescidos de hidrazina, que é um componente importado e considerado corrosivo e tóxico.

Para impulsionar a produção do artefato no País, o IAE começou há cerca de 15 anos um programa de pesquisa baseado no etanol como combustível para os veículos espaciais. O projeto surgiu da necessidade de capacitar o instituto para operação, manuseio e lançamento de foguetes a propelente líquido, uma vez que, até o momento, todos os foguetes brasileiros utilizam exclusivamente propulsores sólidos.

“A ideia é a sequência natural no desenvolvimento de motores para foguetes e visa verificar o desempenho do motor em condições de voo e treinar equipes para operação e lançamento de veículos com propulsores líquidos”, afirma o coordenador da pesquisa, Coronel Santana Júnior. A concepção do foguete e o desenvolvimento são do IAE. Entretanto, partes desse novo foguete (sistema de alimentação e motor) estão sendo produzidos pela empresa Orbital, localizada em São José dos Campos, com recursos de subvenção Finep (Financiadora Nacional de Estudos e Projetos).

Atualmente, estão sendo realizados ensaios em solo (ensaios hidraúlicos, ensaios de resistência e ensaios de funcionalidade) com os componentes produzidos pela Orbital.

Tecnologia

O projeto do IAE prevê o domínio da tecnologia de propulsão líquida em foguetes de sondagem, representando um passo fundamental para o emprego desses motores em veículos lançadores de satélites, o que servirá para aumentar significativamente a carga útil e a precisão de inserção de satélites. O próximo passo da pesquisa é a conclusão de ensaios em solo para confirmação dos parâmetros de massa e propulsivos. “Somente de posse desses indicadores, comparando com os requisitos de um foguete, é que poderá ser confirmada a viabilidade e configuração de voo, bem como a data de lançamento do foguete, pois depende de recursos da Agência Espacial Brasileira”, explica Santana sobre o prazo final da pesquisa.

A principal dificuldade, no momento, é a montagem de dispositivos que posssibilitem os ensaios em solo, responsabilidade do IAE. Posteriormente, serão os dispositivos para lançamento. Assim, o atual conceito é utilizar o máximo possível os recursos existentes para lançamento dos foguetes de sondagem.

Em relação aos propulsores sólidos, as principais vantagens do etanol são o maior desempenho do propelente e a maior facilidade de controle de acionamento do motor. Com isso, o foguete adquire uma maior carga útil e maior precisão de inserção em órbita, respectivamente. “Mas o maior diferencial do uso do etanol, principalmente em relação ao uso de hidrazina, é a baixa toxicidade e a grande disponibilidade no País”, explica Santana.

Hoje, poucos foguetes comerciais ainda utilizam a hidrazina em seus propulsores. A hidrazina como propelente foi primeiramente usada na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, em aeronaves militares. Durante o período da Guerra Fria, foi muito utilizada em mísseis balísticos intercontinentais, pois possui duas características essenciais para aplicações militares: prontidão de uso e estocabilidade. Isso decorre de sua capacidade de se inflamar espontaneamente, quando em contato com um agente oxidante ou catalítico, bem como de manter suas propriedades fisicoquímicas inalteradas por dezenas de anos, facilitando a sua estocagem.

O uso da hidrazina em foguetes é uma preocupação em todo mundo, por causa da toxicidade do produto. Para abastecer os tanques dos veículos espaciais, os técnicos usam roupas especiais para evitar a intoxicação. Na Europa, a Agência Espacial Europeia (ESA) está buscando um substituto para o combustível, que seja menos perigoso e também mais limpo. O projeto é conduzido junto ao Grupo de Corporações Espaciais da Suécia e envolve também o desenvolvimento de propulsores que funcionem com um novo tipo de propelente.

Fonte: Jornal da Bionergia, via website da AEB.
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O futuro dos satélites brasileiros

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Futuro de satélites brasileiros depende de orçamento

12/06/2011 - 14h02

Gilberto Costa*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em julho, o governo federal deverá estabelecer metas que pretende atingir e valores a serem gastos com o desenvolvimento e a aquisição de satélites no período de 2012 a 2016. Até o fim de agosto, a proposta será encaminhada ao Congresso Nacional, no Projeto de Lei do Plano Plurianual (PPA) que o governo está elaborando, informa Lúcia Falcón, secretária de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Por enquanto, a expectativa é que o Brasil consiga lançar nos próximos anos o satélite nacional Amazônia 1 (previsto para 2013) e os dois satélites com a China, o Cbers 3 e 4 (previstos para 2012 e 2014, respectivamente). O gasto com o desenvolvimento e lançamento dos três satélites é em torno de US$ 200 milhões, e segundo Marco Antônio Chamon, coordenador de gestão tecnológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há recursos já empenhados para o desenvolvimento da tecnologia.

“A questão orçamentária para esses satélites é menos complicada”, garante o coordenador. De acordo com ele, há orçamento definido no governo. “Todos os pedaços desses satélites já estão contratados na indústria”, assegura ao afirmar que a intenção é evitar, no futuro, “que não aconteça o que está ocorrendo agora: esse período sem nenhum satélite sob o nosso controle no espaço”.

A continuidade dos projetos segue em aberto, no entanto. Conforme Chamon, em perspectiva estão os lançamentos, com peças suplementares, dos satélites em desenvolvimento e o envio à órbita espacial dos satélites Amazônia 1b e o Cbers 4b, assim como aconteceu com o satélite Cbers 2b.

Esses projetos e outros já anunciados (inclusive parcerias com os Estados Unidos e a Alemanha) vão depender de orçamento. De acordo com o Caderno de Altos Estudos elaborado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, o gasto orçamentário é insuficiente e irregular.

Segundo avaliação publicada do consultor legislativo Roberto de Medeiros Filho, o gasto brasileiro com satélites (abaixo dos US$ 150 milhões) é cerca de 10% do que fazem a China, Rússia e Índia, os outros países emergentes do Brics, que inclui agora a África do Sul.

“Por que, além das irregularidades, são baixos os recursos quando comparados com os demais países que detêm o domínio tecnológico das atividades espaciais? Não estaria o país desprovido de uma estratégia nacional que devidamente considerasse seus programas e projetos estratégicos, de forma a protegê-los?” pergunta o consultor.

Apesar do futuro incerto e do atual “apagão” de satélites próprios, o país continua contando com imagens de satélite para observação da terra, como ocorre com o monitoramento do desmatamento. George Porto Ferreira, responsável pela área no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), assegura que a situação do monitoramento “é tranquila” e “não há temor” de que faltem imagens para a “defesa do meio ambiente”.

O instituto utiliza as imagens obtidas pelo Inpe, que mantém cooperação com os Estados Unidos, a Europa e Índia, para fazer o monitoramento em tempo real do desmatamento e fazer avaliações consolidadas periódicas do desflorestamento. “O Inpe é um grande parceiro”, defende.

A Agência Brasil tentou ouvir a Agência Espacial Brasileira sobre o orçamento atual e futuro para o desenvolvimento de satélites, mas a direção da autarquia, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, não retornou os pedidos de informação.

*Colaborou Luciene Cruz//Edição: Graça Adjuto

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sábado, 11 de junho de 2011

Operação Falcão I em Alcântara

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Alcântara inicia série de lançamentos de foguetes de treinamento

10/06/2011

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no Maranhão, realiza, entre os dias 13 e 22 de junho, a Operação Falcão I, com o lançamento de dois Foguetes de Treinamento (FTB). Esta é a primeira de uma série de lançamentos planejada para este ano. As segunda e terceira fases estão previstas, respectivamente, entre os dias 1 e 10 de agosto, e de 24 de outubro a 2 de novembro. No total serão lançados quatro FTB.

“O objetivo é desenvolver e certificar foguetes instrumentados para treinamento do CLA e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) visando o aprimoramento e a manutenção da capacidade operacional para o cumprimento das atividades previstas no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE)”, explica o diretor do CLA, Coronel Aviador Ricardo Rodrigues Rangel.

Os treinamentos proporcionados pelas campanhas de lançamento dos veículos FTB, segundo o diretor do CLA, viabilizam a preparação do Centro de Lançamento de Alcântara para operações de maior porte, com é o caso do VLS (Veículo Lançador de Satélites, uma família de foguetes desenvolvida no Brasil com a finalidade de colocar um satélite na órbita da Terra) e do Cyclone 4 (foguete lançador de satélites desenvolvido pela Ucrânia).

O Coronel Ricardo Rangel explica que essas operações são fundamentais para os Centros de Lançamento, pois permitem o treinamento das equipes técnicas, a manutenção dos meios operacionais e a identificação de novos procedimentos técnicos, incluindo as áreas de preparação, integração, lançamento, rastreio, coordenação operacional, meios aéreos e marítimos de esclarecimento, mecanismos de resgate e evacuação aeromédica, segurança de superfície e de voo.

“Só para ter uma idéia da importância dos foguetes de treinamento, antes de se realizar um lançamento do VLS, todos os meios operacionais deverão ser testados, inclusive o sistema de terminação de voo, que poderá ser avaliado com o lançamento de um Foguete de Treinamento Intermediário, que é equipado com telemetria na banda "S", transponder na banda "C" e sistema de terminação de voo, além de 30kg disponíveis para experimentos”, afirma o Coronel Ricardo Rangel.

Os FTB tem comprimento total de 3,05 m, tempo de queima de 4s e um peso total de 68,3 Kgf. Na Operação Falcão I não serão levados experimentos a bordo em nenhum dos dois foguetes, embora haja disponibilidade de 5 kg de carga útil em cada lançamento, com possibilidade de transmissão dos dados via telemetria para as estações de solo.

Fonte: CLA/Agência Força Aérea
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

SAC-D/Aquarius em órbita

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O satélite SAC-D/Aquarius, construído numa iniciativa conjunta da Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), da Argentina, e a norte-americana NASA, foi lançado com sucesso hoje (10), a partir do centro espacial de Vandenberg, na Califórnia, EUA, por um foguete Delta II (foto).

Segundo as primeiras informações divulgadas, os dados iniciais de telemetria indicam que o satélite se encontra em excelente estado.

"Esta missão é o mais marcante na história da cooperação científica e tecnológica entre a Argentina e os Estados Unidos", afirmou Conrado Varotto, diretor da CONAE. "As informações da missão trarão benefícios significativos para a humanidade", complementou.

O principal instrumento do SAC-D é o Aquarius, construído pelo prestigiado Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês), da NASA. O equipamento mapeará os oceanos a cada sete dias por ao menos três anos numa resolução de 150 km. Os dados produzidos mostrarão mudanças na salinidade dos oceanos a cada mês, estação ou ano.

Além do Aquarius, o satélite conta com sete instrumentos para o monitoramento de fenômenos naturais e coleta de dados ambientais. Brasil, Canadá, França e Itália, ao lado dos EUA, foram parceiros da missão, colaborando nos instrumentos científicos ou testes. A empresa argentina INVAP, de Bariloche, foi a contratante principal da missão.

Em mais um exemplo da cooperação espacial entre o Brasil e a Argentina, o Laboratório de Integração e Testes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (LIT/INPE), de São José dos Campos, foi responsável pelos testes e verificações finais do satélite. O Instituto divulgou uma nota sobre o lançamento (veja aqui). No passado, o LIT também atuou nas missões argentinas SAC-B e SAC-C.

Durante os próximos 25 dias, a plataforma do satélite será testada e manobrada para a colocação em sua órbita operacional, a 657 km de altitude. As operações científicas dos instrumentos a bordo devem ser iniciadas apos todas as verificações, sendo que o comissionamento da missão deve durar até 65 dias.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mercado de lançadores geoestacionários

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A edição de maio da revista Via Satellite traz uma reportagem sobre a possibilidade de mudanças no mercado mundial de lançamentos geoestacionários com a potencial entrada de um novo operador - a SpaceX com o lançador Falcon 9, o retorno em operação do Zenit 3SL, da Sea Launch, e os chineses, tudo isto previsto para os próximos anos. Para quem se interessa pelo assunto, a leitura é recomendada.

O último parágrafo da reportagem resume a análise do autor. Traduzimos para o português:

"O mercado de serviços de lançamento parece estar a beira de mudanças, mas ainda serão necessários anos antes que algum impacto real seja notado nos preços dos lançamentos. Nos próximos anos, a Sea Launch terá que demonstrar que é capaz de se recuperar, enquanto que a SpaceX terá que provar que pode ir além de lançamentos de demonstração, executando missões pagas. Então, levará muitos anos para que a Sea Launch e a SpaceX desenvolvam um histórico [track record] de confiabilidade que a Arianespace e a ILS já têm. Estes dois operadores continuarão a capturar a "fatia do leão" em lançamentos pelos próximos anos, mas a pressão vinda da potencial entrada de novos operadores terá um impacto nos custos de lançamento e no mercado como um todo."

O caso da SpaceX

O caso da operadora norte-americana SpaceX, do empreendedor Elon Musk, exige comentários à parte. Em sua carteira de pedidos, a empresa já conta com contratos importantes obtidos com a NASA e outras agências governamentais, fontes dos recursos para o desenvolvimento de sua família de lançadores. Em missões geoestacionárias, destinadas ao lançador Falcon 9, a SpaceX tem estado bem ativa na busca de contratos, embora o Falcon 9 ainda careça da exigida confiabilidade. Além de um acordo com a operadora SES, de Luxemburgo, comenta-se que o Falcon 9 também lançará o satélite tailandês Thaicom 6.

Apesar de ter obtido alguns contratos (principalmente por seus fretes com preços baixos), antes de rivalizar de igual para igual com a Arianespace e ILS, a Space X terá que, além de provar a confiabilidade do Falcon 9, enfrentar outros desafios, como garantir a sua sustentação financeira e se firmar no mercado governamental norte-americano, onde a empresa já começa a ter atritos (veja aqui) envolvendo a Boeing e Lockheed Martin, que dominam o mercado de lançamentos governamentais norte-americanos.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nova data para o lançamento do SAC-D/Aquarius

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A missão espacial SAC-D/Aquarius, desenvolvida pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), da Argentina, em parceria com os EUA e alguns países europeus, teve seu lançamento adiado para a próxima sexta-feira, 10 de junho. A previsão inicial era de que o foguete Delta II decolasse do centro espacial de Vandenberg, na Califórnia, EUA, na quinta-feira, 9 de junho. A NASA divulgou a seguinte nota, vertida livremente do inglês para o português pelo blog Panorama Espacial:

"A nova data de lançamento permitirá ao time da missão concluir uma revisão adicional completa de uma inconsistência encontrada no perfil de voo do veículo Delta II para as condições de vento no dia do lançamento. Estes dados são usados para conduzir o Delta II através dos ventos de alta altitude. A previsão de tempo para 10 de junho mostra uma chance de 100% de condições de tempo favoráveis para o lançamento."

O Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, responsável pela participação norte-americana na missão, mantém um hotsite, atualizado diariamente com notícias e imagens, sobre o SAC-D/Aquarius, além de várias informações sobre o satélite, seus instrumentos, dentre outras informações.
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terça-feira, 7 de junho de 2011

"Desafios do Programa Espacial Brasileiro"

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No início deste mês, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), subordinada à Presidência da República, divulgou um documento, de 276 páginas, intitulado "Desafios do Programa Espacial Brasileiro". O material conta com diversos artigos e palestras de dirigentes e especialistas no assunto, abordando variados temas, como alternativas de financiamento, desafios estratégicos, acesso independente ao espaço, satélites e comunicações militares, recursos humanos, entre outros.

Na opinião do blog Panorama Espacial, trata-se de leitura obrigatória para aqueles que desejam conhecer e entender mais sobre o programa brasileiro. Para acessá-lo, em versão PDF (2,79 mb), clique aqui.

A publicação da SAE se soma a outras duas bastante significativas, divulgadas no ano passado, e cujas leituras cuidadosas são também recomendadas: "A Política Espacial Brasileira", elaborada pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, e "Visão da AAB para o Programa Espacial Brasileiro", editada pela Associação Aeroespacial Brasileira (AAB).
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