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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Reportagem sobre o SISCOMIS e SGB

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Elemento estratégico - Comunicações por satélite

Um panorama do SISCOMIS e as perspectivas do SGB

André M. Mileski

Desde o início da década de 2000 que, dentro do governo, se fala sobre o Satélite Geoestacionário Brasileiro, também conhecido como Sistema Geoestacionário Brasileiro, ou simplesmente pela sigla SGB. Em 2003, na edição n.º 103 de Tecnologia & Defesa, foi publicada uma reportagem até então exclusiva, intitulada “Um Passo Fundamental - O Satélite Geoestacionário Brasileiro”, que indicava os planos e objetivos para dispor de um satélite de órbita geoestacionária que atendesse algumas necessidades do País.

Passados quase dez anos, o governo parece, finalmente, ter tomado a decisão de seguir adiante com o projeto. O SGB de hoje, no entanto, focado em comunicações, é bem diferente daquele desenhado anteriormente, que pretendia dotar o Brasil de um sistema de controle de tráfego aéreo envolvendo satélites, atendendo compromissos assumidos perante a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) e, secundariamente, prover comunicações estratégicas e também imageamento para fins meteorológicos.

A viabilização

Com o ressurgimento da estatal Telebras, de telecomunicações, em meados de 2010, especulava-se sobre a possibilidade de seu envolvimento no SGB, o que acabou se materializando.

No final de agosto passado, o Governo Federal divulgou o Plano Plurianual (PPA) 2012/2015 que, grosso modo, estabelece os principais projetos e programas para um período de quatro anos, no caso, de 2012 a 2015. E um dos que lá figuram é o do “lançamento de satélite para comunicações” pela Telebras, com custo total estimado de R$ 716 milhões, iniciando-se em 1º de janeiro de 2012 e se encerrando em 31 de dezembro de 2015. No orçamento de 2012, constam investimentos de R$ 55,7 milhões, com a expectativa de que um contrato para o primeiro satélite seja assinado neste mesmo ano.

O satélite será destinado prioritariamente para atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), sob a responsabilidade da Telebras, e também as necessidades em comunicações das Forças Armadas, atendidas pelo Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).

O objetivo é que o primeiro SGB seja lançado em 2014, com um segundo satélite, com recursos ainda a serem obtidos, sendo colocado em órbita em 2019. Muito embora ainda não tenha ocorrido a contratação do sistema, as informações recebidas por Tecnologia & Defesa indicam que o satélite terá grande porte – de 5 a 6 toneladas, contando com transpônderes em banda X, para uso exclusivo militar, e Ka, focada no atendimento do PNBL, mas que também poderá ser usada para a comunicação com veículos aéreos não tripulados.

Em evento sobre satélites realizado no início de outubro último, o general-de-divisão Celso José Tiago (ver entrevista [nota do blog: a entrevista será reproduzida no blog ainda essa semana]), responsável pelo SGB no Ministério da Defesa, destacou a intenção de que o SGB ocupe uma posição orbital que lhe permita cobrir o Atlântico, o continente africano e o Mediterrâneo, regiões de interesse estratégico para o País.

Movimentações empresariais

Definida a modelagem do programa SGB e a sua viabilização por meio da Telebras, o governo, num processo coordenado por vários ministérios liderados pelos das Comunicações e da Defesa, e em linha com a Estratégia Nacional de Defesa, buscou inserir a indústria nacional no projeto, o que se deu de forma bastante célere.

No início de novembro de 2011, a Embraer e a Telebras assinaram um memorando de entendimentos visando a constituição de sociedade, na qual a Embraer terá participação de 51%, e a Telebras de 49%, para atuar no plano de desenvolvimento satelital para o Brasil, incluindo o PNBL e comunicações estratégicas de defesa e governamentais. A joint-venture, cuja montagem estava em fase de negociações finais até o fechamento desta edição, vai contratar, integrar e operar o sistema em benefício dos usuários finais.

De acordo com Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, o SGB deverá contar com significativo envolvimento da Atech Negócios em Tecnologias S/A, empresa da qual a Embraer adquiriu 50% de participação em abril de 2011, em razão de sua grande expertise em integração de sistemas. A Atech esteve envolvida no programa do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (SIVAM/SIPAM), e também foi contratada, em 2010, para a elaboração do projeto básico do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), do Exército Brasileiro. No final, o objetivo é que todos os sistemas brasileiros, como o de controle de tráfego e defesa aérea, de monitoramento de fronteiras e de comunicações via satélite estejam operando integrados.

Em paralelo a isso, os fabricantes de satélites também se movimentam, e dois despontam como favoritos, ao menos nas informações que circulam nos bastidores: a Astrium, do grupo europeu EADS, e a franco-italiana Thales Alenia Space, não se descartando a possibilidade de uma proposta conjunta. A França e a Itália, aliás, firmaram acordos de cooperação estratégica com o Brasil que incluem possíveis iniciativas em comunicações militares por satélite, facilitando as negociações e acordos comerciais.

Oportunidades também surgirão em outros segmentos além do espacial, como o terrestre, com o fornecimento de estações de recepção e transmissão de dados, lançamento e colocação do satélite em órbita final, por exemplo. Nesta área em específico, a Telespazio Brasil, controlada pela Finmeccanica e Thales, já demonstrou seu interesse em participar do projeto, inclusive dentro de uma lógica de transferência de competências.

Muito embora esteja prevista a participação nacional, liderada pela Embraer Defesa e Segurança, no projeto do SGB, fato é que isso se dará mais na de aquisição e integração do sistema e não na fabricação do satélite propriamente dita. No entanto, a possibilidade de que a indústria brasileira esteja presente, no futuro, da construção de subsistemas e componentes para novos satélites não é descartada. A atuação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nos comitês de trabalho criados pelos ministérios das Comunicações e da Defesa é uma sinalização dessa intenção.

SISCOMIS

O SGB, quando em órbita, também se integrará ao Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa. A origem das telecomunicações militares no Brasil, por sinal, data de 1985, a partir de um trabalho interministerial elaborado pelo antigo Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), que implantou o SISCOMIS. Buscava-se dotar o País da capacidade de operar, desde o tempo de paz, uma rede de comunicações exclusivas e confiáveis do Alto-Comando das Forças Armadas às mais altas autoridades civis do Governo Federal e a Presidência da República.

Para tanto, foi criada em 9 de dezembro de 1991 a Comissão de Desenvolvimento do Projeto e da Implantação do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (CISCOMIS), com atribuições para coordenação dos trabalhos relativos, incluindo a implantação, avaliação e acompanhamento do sistema.

Os estudos realizados pela comissão culminaram com a aprovação de um projeto que levou em consideração, predominantemente, a interligação entre as autoridades e os aspectos estratégicos do início a década de 1990, baseados na importância geopolítica do Cone Sul. Sob este contexto, foram criadas três estações terrenas, a de Brasília (DF), de Curitiba (PR) e no Rio de Janeiro (RJ). A partir de 2000, houve um processo de expansão, com destaque à região amazônica, sendo criadas outras cinco estações: Manaus (AM), Campo Grande (MS), Belém (PA), Porto Alegre (RS) e Natal (RN). As estações terrestres estão interligadas por meio de fibras ópticas ou enlaces rádio, dependendo das características do terreno.

O segmento espacial é composto por dois transponders de banda X, de uso exclusivo das Forças Armadas, a bordo dos satélites Star One C1 e C2, operados pela Star One, subsidiária da Embratel. Também um canal em banda Ku é alugado da Star One, do satélite Star One C1, complementando toda a rede pela qual trafegam sinais de voz, fax, dados e vídeo (videoconferência). Pela banda X operam as Estações Tático-Transportáveis (ETT), comumente utilizadas em manobras e exercícios das Forças Armadas brasileiras.

Em 2011, o SISCOMIS recebeu e colocou em uso mais dois terminais transportáveis e outros cinco terminais transportáveis leves. Até o momento, foram recebidos, em fábrica, mais 29 terminais transportáveis, que serão colocados em uso em março de 2012. Assim, o SISCOMIS contará com 88 terminais, que atenderão satisfatoriamente às principais demandas das instituições militares. O sistema possui uma área de abrangência que cobre toda a América do Sul, o Caribe, a Antártida e proximidades da costa da África. Anualmente, conta com um orçamento em torno de R$ 18,5 milhões, utilizado para a sua operação e eventual complementação.

O SISCOMIS passou por um crescimento considerável nos últimos anos, não apenas localmente, mas também no exterior. Três terminais transportáveis são operados pela missão brasileira no Haiti, provendo comunicações com o Brasil. No terremoto que assolou aquele país em janeiro de 2010, o SISCOMIS demonstrou a sua importância, pois os primeiros contatos entre o comando, em Brasília, e a missão brasileira foram providos pela rede.

O aumento do emprego, que tem exigido do Ministério da Defesa a constante atualização e complementação do segmento terrestre, aliado às expectativas de crescimento e evolução com a chegada do SGB, tem aberto boas oportunidades comerciais. No final de novembro passado, a empresa brasileira Arycom promoveu, na capital federal, um seminário sobre novas soluções em comunicações militares por satélite, ocasião em que, dentre outras, apresentou o terminal portátil Panther Manpack, da estadunidense L-3 Communications, destinado para uso exclusivo militar, capaz de operar nas bandas Ku, Ka ou X, atingindo velocidades de transmissão superiores a 2Mbps.

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 127, dezembro de 2011.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

SGB, Embraer e Telebras

Na última terça-feira (13), no tradicional almoço de final de ano da Embraer, Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança comentou com o blog Panorama Espacial sobre o status das negociações relacionadas ao Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB). Segundo o executivo, os documentos para a constituição da joint-venture com a estatal Telebras estão em processo final de preparação, e a expectativa é que a conclusão e início da operação da empresa ocorra em breve.

Questionado pelo blog sobre o papel que a Atech no SGB, empresa em que a Embraer detém 50% de participação, adquirida em abril desse ano, Aguiar afirmou que a empresa terá função essencial no projeto, tendo em vista sua experiência com outros projetos na área espacial. A Atech, que possui grande expertise em integração de sistemas, foi responsável pelo projeto do Sistema de Proteção e Vigilância da Amazônia (SIPAM/SIVAM), e também foi recentemente contratada pelo Comando do Exército e Comando da Marinha para a elaboração dos projetos básicos do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), e Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ACS e SGB no Valor e Folha de hoje

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Os jornais de hoje (26) trazem notícias sobre o Programa Espacial Brasileiro.

Repercutindo os rumores e acontecimentos das últimas semanas sobre o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), Virginia Silveira assina reportagem sobre o projeto publicada no "Valor Econômico", com declarações do ministro da Defesa, Celso Amorim, e destacando o envolvimento de indústrias nacionais na iniciativa (Embraer e Atech já demonstraram interesse). Informação interessante contida na reportagem é a possibilidade de que no futuro sejam feitos satélites menores de comunicações para serem lançados pelo foguete Cyclone 4, que operará de Alcântara, e que tem capacidade em órbita geoestacionária da ordem de 1,7 toneladas. Esta possibilidade, aliás, já foi apontada pelo então presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Ganem, em setembro de 2010 (veja aqui).

Já na "Folha de S. Paulo", foi publicada uma reportagem sobre a "retomada" da parceria com a Ucrânia na exploração comercial de Alcântara, por meio da binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). O texto cita que o governo brasileiro liberará 50 milhões de reais em recursos para integralização do capital da binacional, em contrapartida à decisão do governo ucraniano de também aportar cerca de 180 milhões de dólares. Menciona também a indicação de Reginaldo dos Santos, reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA/DCTA) para a ACS.
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sábado, 16 de julho de 2011

Marinha do Brasil assina contrato para SisGAAz

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Marinha do Brasil e Atech assinam contrato para delinear o SisGAAZ

Qui, 14 de Julho de 2011 18:00

A Atech e a Marinha do Brasil (MB) firmaram no último dia 07 um contrato para delinear a arquitetura do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz). No ato de assinatura do documento, a Fundação de Aplicações de Tecnologias Críticas (Atech) esteve representada por seu presidente, Tarcísio Takashi Muta, e a MB pelo diretor de Sistemas de Armas da Marinha, vice-almirante Elis Treidles Öberg.

O SisGAAz é integrador de vários outros sistemas, com o objetivo ampliar a capacidade de monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras e das regiões de busca e salvamento (SAR) que estão sob responsabilidade do Brasil, em cumprimento a acordos internacionais assinados pelo governo. Adicionalmente, possibilitará uma rápida reação a eventuais ameaças detectadas e identificadas, contribuindo para a proteção e a defesa dessa imensa área marítima. Trata-se de um complexo e abrangente sistema de monitoramento, controle, proteção e defesa, composto por meios operacionais da MB e por diversos tipos de sensores que integrarão redes de informação e de apoio à decisão. Toda a inteligência reunida nos vários níveis de atuação, contribuirá para a obtenção de uma acurada consciência situacional da área marítima coberta pelo SisGAAz.


Comentários: o valor do contrato firmado pela Marinha do Brasil com a Fundação Atech é de R$ 31.017.610,00, segundo publicado no Diário Oficial da União em 8 de julho. Interessante observar que, diferentemente do caso do Sisfron, quem está envolvido com a concepção do projeto básico do SisGAAz é a Fundação Atech, e não uma das empresas de seu grupo, a Atech Negócios em Tecnologias S.A. Embora possa parecer um mero detalhe contratual, este aspecto tem implicações negociais importantes, uma vez que a Atech Negócios em Tecnologias S.A. tem como uma de suas sócias, com 50% de participação, a Embraer Defesa e Segurança.

O blog Panorama Espacial tem abordado com certa frequência os projetos do Sisfron e SisGAAz, uma vez que estes contarão com segmentos espaciais ou, ao menos, exigirão a contratação de serviços oferecidos por satélites (comunicações, meteorologia, navegação e observação terrestre). No início de junho, Tecnologia & Defesa publicou um suplemento especial sobre segurança marítima (em breve, disponibilizaremos o link para acesso a sua íntegra), dando especial enfoque ao SisGAAz. Em entrevista para a coleta de informações para a elaboração de uma das reportagens, uma pessoa que acompanha os desdobramentos do projeto comentou que a Marinha considerava contar com uma constelação de satélites de órbita baixa para a recepção e transmissão de dados AIS (Automatic Identification System) de embarcações situadas na costa brasileira. Este tipo de serviço já é oferecido no mercado por algumas empresas, como a Orbcomm e a LuxSpace (OHB Systems), e existem também cargas úteis secundárias para a oferta desse serviço em alguns satélites governamentais, como o indiano Resourcesat-2, dentre outros. Apesar da intenção em se dispor de uma constelação para AIS possa parecer muito otimista, a ideia indica mais uma vez a importância que o segmento espacial terá para redes como o Sisfron e SisGAAz, integrando ainda outros sistemas, como o de controle de tráfego aéreo e defesa aérea.
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terça-feira, 17 de maio de 2011

Entrevista de Takashi Muta, da Atech

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Em razão de problemas técnicos com o Blogger, que hospeda o blog Panorama Espacial, estamos publicando novamente uma postagem feita no meio da semana passada, deletada indevidamente:

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Reproduzimos abaixo um vídeo da TV Estadão com uma entrevista feita pelo jornalista Roberto Godoy, do "Estado de S. Paulo", com Takashi Muta, presidente da Atech, organização brasileira que atua nos segmentos aeroespacial e defesa e em soluções de integração.


Dentre os vários assuntos abordados, como a parceria com a Embraer e a experiência da Atech, no final, Takashi fala um pouco sobre os tão comentados futuros sistemas brasileiros de vigilância e monitoramento (Sisfron e SisGAAz), e também sobre o papel do domínio espacial neste contexto. Transcrevemos um trecho:

“Já temos dois sistema operando, que é justamente o tráfego aéreo e defesa aérea, o SIVAM que está aí, então vem agora o sistema SisGAAz, da Marinha, e o Sisfron para fronteiras, do Exército. Estes sistemas todos, na realidade, vão fazer parte de um grande sistema de comando e controle brasileiro. E o que une essas soluções? Une justamente a inteligência da informação e o tratamento da informação para a decisão estratégica. E isso só será possível através de outro sistema, que seria o domínio do sistema satelital, não só de comunicações, como de monitoramento. Este é um quinto projeto estratégico brasileiro que está sendo trabalhado pela área de defesa. Então a participação nossa, no caso, seria na integração desses grandes sistemas. Na integração de cada sistema per si, e na integração de todos eles. Traduzindo, então, num grande sistema de comando e controle.”

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Aquisições no setor de defesa? - Parte III

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Em 27 de janeiro, colocamos aqui uma postagem ("Aquisições no setor de defesa? - Parte II") sobre negociações em andamento relacionadas à consolidação do setor industrial de defesa no Brasil, algo que, como temos insistido, terá inevitáveis reflexos no campo espacial. Naquela ocasião, divulgamos um trecho de conversa tida no início de janeiro com uma pessoa bastante familiarizada com o setor, abaixo novamente reproduzida:

Eu: "Olá, tudo bem?"
Interlocutor: "Tudo bem, e com você?"
Eu: "Tudo bem."
Interlocutor: "Legal. Viu, vocês precisam escrever alguma coisa sobre as compras de empresas brasileiras por estrangeiras..."
Eu: "Ah, é? Teve o lance da Ares e Periscópio com a Elbit, né? Ouvi falar também da A falando com a E, e da Mectron com a Odebrecht."
Interlocutor: "Sim, e a O também."
Eu: "A O?! [Surpreso] Mas, para quem!?"
Interlocutor: "Não posso dizer."
Eu: "Poxa, conte aí, quem é?"
Interlocutor: "Sério, não posso dizer, mas não é tão ruim assim..."

Pois bem, depois de algum tempo, os nomes de "A" (Atech) e "O" (Orbisat) começaram a vazar (demorou!). Não divulgamos antes simplesmente para preservar as fontes, embora, quem seja do ramo, já soubesse disso há muito tempo. Nossa postagem anterior tem mais informações (inclusive números, avaliação, formas da transação, etc.), e até onde fomos atualizados, as negociações continuam.

Novos elementos vão também surgindo. Pode-se afirmar que hoje, dificilmente existe alguma empresa brasileira do setor de defesa (e algumas de espaço) que não tenha recebido visitas ou propostas dos grandes players atuantes no mercado local para parcerias ou compras de participação. Um caso específico de uma empresa paulista, com negócios em defesa e espaço, é bem interessante: num intervalo de semanas, recebeu contatos, visitas e demonstrações de interesses de, ao menos, quatro players (um nacional, um misto e dois estrangeiros).

Sobre o "namoro" entre Odebrecht e Mectron: pelo rumor que chegou ao conhecimento do blog, vindo diretamente do "velho continente", o interesse da Odebrecht (não apenas da Odebrecht, logicamente, mas num movimento já orquestrado) pode até mesmo cruzar o Oceano Atlântico, chegando até à África do Sul (Denel Dynamics).
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domingo, 9 de janeiro de 2011

Sisfron e Espaço

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A edição de domingo (9) do jornal "Folha de S. Paulo" traz como reportagem de capa uma matéria de Eliane Cantanhêde (veja aqui) com detalhes sobre o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), projeto do Ministério da Defesa que, por ter relação com tecnologia espacial, já foi comentado algumas vezes no blog e em Tecnologia & Defesa.

A matéria detalha informações sobre o projeto atualmente em discussão e concepção pelo governo, atividades que têm movimentado o efervescente mercado de defesa no Brasil. Pela primeira vez, foi divulgado publicamente o montante estimado de investimentos: 6 bilhões de dólares, ao próximo a 10 bilhões de reais.

O texto faz também menção a uma reunião realizada no último dia 17 de dezembro no Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro (Ccomgex), em Brasília (DF), que contou com a participação de empresas nacionais e estrangeiras interessadas no Sisfron. Cinco dias após esta reunião, o Exército publicou uma portaria aprovando a diretriz para a implantação do projeto.

A reportagem da Folha não menciona expressamente o envolvimento de tecnologia espacial na rede de monitoramento planejada, mas de acordo com informações recebidas pelo blog na segunda quinzena de dezembro, na reunião do dia 17 foi ressaltado que o sistema contará com satélites de comunicações e observação próprios ou, ao menos, a contratação desses serviços. Em linha com esta informação, há algumas semanas, em confraternização fora do País, um executivo de empresa atuante no setor espacial comentou com o blog que estava trabalhando em propostas para a rede.

É sempre bom lembrar, além do sistema do Exército, existem também discussões para uma rede de monitoramento da costa brasileira, de responsabilidade da Marinha do Brasil, o chamado Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz). Assim como o seu equivalente terrestre, o sistema da Marinha também deverá contar com segmento espacial, possivelmente compartilhado.
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Atualização do banco de controle do VLS

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Discretamente, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) publicou no Diário Oficial da União, em 20 de outubro, um aviso de concorrência para "serviço de engenharia para atualização do Hardware e Software do Banco de Controle do Veículo Lançador de Satélite (BC-VLS)." As propostas de empresas interessadas devem ser entregues até 6 de dezembro.

O primeiro BC-VLS, instalado no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, contou com a participação da indústria Compsis, de São José dos Campos, que contribuiu com o projeto de testes das redes elétricas. Outra entidade que esteve envolvida foi a Atech, que junto com a Compsis desenvolveu o sistema de segurança utilizado nas missões de lançamento. O interesse das duas em disputar a concorrência lançada pelo IAE/DCTA é tido como certo nos bastidores.

A licitação promovida pelo IAE, associada a outros movimentos e projetos em andamento, tocados já há alguns anos, evidenciam uma relativa retomada do Programa VLS, ao menos em relação ao conceito do foguete conforme proposto na Missão Espacial Completa Brasileira (MECB). A nova Torre Móvel de Integração, no CLA, já foi concluída e deve ser oficialmente inaugurada em dezembro.

No entanto, de acordo com as últimas notícias recebidas pelo blog, a decisão em relação à propulsão do VLS "híbrido" (parte baixa com propulsores de combustível líquido, e últimos estágios com propulsores líquidos) está em compasso de espera, devendo ser retomada possivelmente no ano que vem.
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domingo, 15 de agosto de 2010

Livro sobre controle de tráfego aéreo no Brasil

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Para aqueles que se interessam em controle de tráfego aéreo - tema que guarda alguma relação, indireta, com espaço, este ano foi publicado uma importante obra com um panorama (passado, presente e futuro), sobre a evolução brasileira na área. Intitulado "Destino: soberania - O domínio brasileiro da tecnologia no tráfego aéreo", o livro é de autoria de Valéria Rossi e Aldrich Kanashiro.

A obra foi patrocinada pela Atech, grupo brasileiro fortemente envolvido com o setor, tendo sido responsável pelo desenvolvimento e integração de várias redes e sistemas de vigilância, como o SIVAM (hoje, Cindacta IV), softwares, etc. O livro, aliás, discorre em alguns poucos parágrafos sobre o interesse brasileiro em se contar com um satélite geoestacionário (a Atech foi uma das contratadas para os estudos do SGB no início da atual década), e também sobre outras atividades do grupo na área espacial (Programa Celeste, relacionado à constelação Galileo, e Alcântara Cyclone Space - ACS).

O Sistema de Controle de Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), a cargo do Comando da Aeronáutica, é operado tanto para o controle de tráfego aéreo civil como de defesa do espaço aéreo nacional. E, de certo modo, considerando-se os conceitos atuais de integração de sistemas e redes, C4ISR, guerra centrada em rede, etc., e os projetos e intenções brasileiras na área (SIVAM/SIPAM, SISFRON, entre outros), a evolução do monitoramento e controle do espaço aéreo, costas e fronteiras passa pelo segmento espacial, que cada vez mais exercerá função de destaque na transmissão e coleta de dados. Não é por acaso que o Ministério da Defesa tem exercido papel essencial em algumas discussões de projetos espaciais, como o do SGB e Projeto Sentinela, em linha com a Estratégia Nacional de Defesa.
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sábado, 26 de junho de 2010

Mudanças no GT do SGB

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Pouco mais de um mês depois de publicada uma portaria da Agência Espacial Brasileira (AEB) nomeando membros para o grupo de trabalho sobre o Satélite Geoestacionário Brasileiro (GT/SGB) (vejam a postagem "Grupo de trabalho sobre o SGB"), foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) um novo normativo (Portaria nª 81), em 24 de junho, retificada no dia seguinte (25), re-indicando e fazendo algumas alterações na relação de membros.

Comparando-se as duas portarias, nota-se que vários suplentes acabaram se tornando membros titulares, além de ter havido a inclusão de novos nomes. No caso da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), por exemplo, Marcos José Mahler de Araújo, da Atech, se tornou membro titular, enquanto que César Celeste Ghizoni, presidente da Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP), foi incluído como um dos representantes da AIAB. Nove entidades governamentais (ministérios, autarquias e centros de pesquisas), e uma associação (AIAB) estão representadas no GT/SGB, reunindo muitos nomes conhecidos desde as discussões iniciais sobre o satélite geoestacionário, no início da atual década.

Reproduzimos abaixo a íntegra da nova portaria, extraída do DOU:

"AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA

PORTARIA Nº 81, DE 23 DE JUNHO DE 2010 O PRESIDENTE DA AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA, no uso das atribuições que foram conferidas pela Lei nº 8.854, de 10 de fevereiro de 1994, resolve:

Art. 1º. Nomear Grupo de Trabalho (GT/SGB) com a finalidade de dar continuidade ao processo de implementação do Projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), constante do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2008-2011), com a seguinte composição:

AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA (AEB)
Benjamin da Silva Medeiros Correia Galvão
Carlos Eduardo Quintanilha Vaz de Oliveira
Celso Deusdeti Costa
Francisco Cleodato Porto Coelho
Gisele Imbuzeiro Camargo
Himilcon de Castro Carvalho (Coordenador Substituto)
Leonardo de Figueiredo Naves
Thyrso Villela Neto (Coordenador)

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO (MPOG)
Claudete Hideko Fukunishi
Marcelo de Lima e Souza
Ricardo Dislich
Vânialúcia Lins Souto

MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES (MC)
Jovino Francisco Filho
Mônica Guedes de Magela Moura
Otávio Viegas Caixeta
Ludmila Deute Ribeiro

MINISTÉRIO DA DEFESA (MD)
Anderson Alvarenga Hoskin
Edwin Pinheiro da Costa
Paulo Mourão Pietroluongo

AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (ANATEL)
João Carlos Fagundes Albernaz
Vânia Maria da Silva

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AEROESPACIAL (DCTA)
Gilberto Fisch
Osvaldo Catsumi Imamura

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES (MRE)
André Tenório Mourão
Luiz Maria Pio Corrêa

ASSOCIAÇÃO DAS INDÚSTRIAS AEROESPACIAIS DO BRASIL (AIAB)
César Celeste Ghizoni
Marcos José Mahler de Araújo
Walter Bartels

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (INMET)
Alaor Moacyr Dall' Antonia Júnior
Luiz Cavalcanti

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE)
Marco Antonio Chamon
Mário Marcos Quintino da Silva

Art. 2º. Nomear Subgrupo para acompanhar os estudos de viabilidade da Parceria Público-Privada (PPP) em desenvolvimento pelo Consórcio AAA/AGR/TlecomBiz/UnionEngenharia, que terá a seguinte composição:

Benjamim da Silva Medeiros Correia Galvão
Carlos Eduardo Quintanilha Vaz de Oliveira
Celso Deusdeti Costa
Francisco Cleodato Porto Coelho
Gisele Imbuzeiro Camargo
Himilcon de Castro Carvalho
Leonardo de Figueiredo Naves
Ludmila Deute Ribeiro
Marcelo de Lima e Souza
Thyrso Villela Neto
Vânialúcia Lins Souto (Coordenadora)

Art. 3º. O Coordenador do GT/SGB poderá convidar especialistas para colaborar com a equipe em temas específicos.

Art. 4º. Revogam-se a portaria nº 56, publicada no D.O.U nº 92, de 17 de maio de 2010, e demais disposições em contrário.

Art. 5º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação."

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Cooperação Brasil - Rússia: Glonass

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A Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Espacial da Rússia (Roscosmos) promoveram hoje (06), na capital paulista, o Encontro Empresarial sobre o Glonass. O objetivo do encontro, nas palavras do coordenador técnico-científico da AEB, Raimundo Mussi, era "casamenteiro", isto é, aproximar empresas brasileiras e russas interessadas em parcerias para a produção de receptores terrestres do sistema, além da oferta de serviços e aplicações no Brasil.

O evento contou com a presença de cerca de quinze integrantes da Roscosmos e de empresas de seu país, liderados por Vladmir Putkov, vice-diretor de assuntos internacionais da agência russa, além de dezenas de empresários e interessados brasileiros. Representantes de ao menos uma indústria espacial brasileira, a Atech, compareceram ao encontro, embora o blog tenha obtido a informação de que existem outras empresas nacionais do setor interessadas no Glonass, inclusive uma, de controle estrangeiro, também bastante atuante na área de Defesa.

Dividido em duas partes, pela manhã foi apresentado um panorama e perspectivas do Glonass, enquanto que a parte da tarde foi dedicada à promoção de encontros específicos entre os empresários presentes. Na apresentação inicial, Putkov, que fala português, recordou a parceria entre Rússia e Brasil na área espacial, destacando o caso da revisão crítica do projeto do VLS-1 após o trágico acidente em 2003, e a cooperação para o desenvolvimento de propulsores de combustível líquido.

Segundo Alexandre Martynov, chefe de divisão do Departamento de Navegação por Satélite da Roscomos, a constelação Glonass conta atualmente com 23 satélites em órbita, sendo 21 operacionais. Sua disponibilidade global está em torno de 99%, devendo ser ampliada para 99,7% em outubro, quando mais um satélite será lançado, e 99,9% em dezembro, mês em que a constelação estará completa, com 24 satélites. O objetivo é que o sistema de geoposicionamento russo seja equivalente ao GPS em termos de disponibilidade global até o final de 2011. Martynov destacou que nos últimos três anos, a acurácia do Glonass melhorou cinco vezes, estando hoje na mesma categoria que o GPS norte-americano.

Em suas apresentações, os representantes da Roscosmos focaram bastante na interoperabilidade e compatibilidade do Glonass com outros sistemas existentes ou futuros, como o GPS e o europeu Galileo, o que, aliás, possibilitaria uma sensível redução de riscos. Inclusive, a expectativa é que se opere no Brasil receptores combinados, isto é, com sinais tanto do Glonass como do GPS. Além do sinal padrão do Glonass, o blog apurou que a Roscosmos está oferecendo ao Brasil a liberação de sinal mais preciso (L2) em casos específicos e por períodos limitados de tempo, que poderia ser útil, por exemplo, em atividades de geodésia em Petróleo & Gás.

Ao conversar com o blog, Raimundo Mussi informou que existe interesse na instalação de uma pequena estação de monitoramento da constelação de satélites em território brasileiro, possivelmente na região central do País. A materialização dessa possibilidade, no entanto, dependerá das evoluções do encontro empresarial e da aceitação do sistema pelos usuários brasileiros. Pesquisas científicas relacionadas ao sistema também são um dos itens de cooperação.

Atualização, 07/04, às 11h15: a AEB divulgou um press release sobre o evento. Para acessá-lo, clique em "Brasil e Rússia debatem cooperação na área espacial". A edição da "Folha de S. Paulo" de hoje também traz uma reportagem a respeito: ""GPS" russo busca parceria com empresas brasileiras".
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Projeto Celeste: demonstrações práticas em julho

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O mês de julho será marcado por uma série de demonstrações práticas do projeto Celeste - consórcio de cooperação na área de sistemas de navegação por satélites.

O projeto, que conta com a participação da Atech e de empresas de outros países, tem como objetivo prover diretrizes e recomendações para definir atividades futuras e projetos a serem desenvolvidos na América Latina, envolvendo a constelação europeia de satélites de posicionamento global da série Galileo.

Segundo informações divulgadas, as primeiras demonstrações envolveram o monitoramento de cargas perigosas em deslocamento entre as cidades de Cubatão (SP) e Uberaba (MG). Outros testes, com monitoramentos de transportes hidroviário e ferroviário devem ocorrer ao longo deste mês.

Nessa fase do Projeto Celeste, a Atech, fundação brasileira atuante em integração de sistemas aeroespaciais, de defesa, energia e transportes, é responsável por coordenar e conduzir as demonstrações e os estudos sobre quais serviços serão prestados pelo sistema Galileo, que gerencia o Celeste, à América Latina.

Além da Atech, participam do projeto Celeste outras companhias brasileiras (a Hispamar, por exemplo), de outros países latino-americanos, e da Europa (Thales Alenia Space, AENA e GMV). A gerência do projeto cabe ao Galileo Joint Undertaking, ligado à Comissão Europeia, e sua coordenação é de responsabilidade da companhia espanhola AENA.

(Blog Panorama Espacial, com informações divulgadas pela Atech)
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terça-feira, 7 de abril de 2009

Espaço na LAAD 2009

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Entre os dias 14 e 17 de abril, acontece no Rio de Janeiro a Latin America Aero & Defence - LAAD 2009, considerada a mais importante feira dos setores de Defesa e Segurança da América Latina. O evento, que esse ano deve contar com mais de 300 expositores provenientes de mais de 30 países é tradicionalmente focado no setor de Defesa, mas nem por isso deixa de apresentar algo relacionado à tecnologia espacial, seja em seu aspecto civil ou militar.

Vários expositores demonstrarão soluções que envolvem tecnologia espacial. O grupo europeu EADS, por exemplo, anunciou em nota enviada à imprensa que apresentará o satélite de telecomunicações geoestacionário Amazonas, fornecido por sua divisão Astrium à companhia brasileira Hispamar. Muito provavelmente a EADS Astrium também promoverá algumas de suas soluções em sensoriamento remoto, como o satélite de observação terrestre adquirido pelo governo do Chile no ano passado, e muitos outros.

Outra tradicional expositora da LAAD é a Thales Alenia Space, resultado da fusão das divisões espaciais da Thales (antiga Alcatel Space) e da Alenia Spazio e Telespazio, do grupo italiano Finmeccanica. A empresa possui um amplo leque de produtos espaciais, como satélites de comunicações, de observação terrestre (óticos e SAR), científicos, dentre outros.

Embora não exista uma concorrência oficialmente aberta para a construção do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), várias vezes abordado no blog, tanto a EADS Astrium como a Thales Alenia Space (e outros interessados também) trabalham nos bastidores para garantir alguma participação no programa, o que até explica em parte a presença na feira de negócios.

A inglesa Inmarsat, provedora de serviços de telecomunicações via satélite também estará presente, e pela primeira vez. Comparece em parceria com a brasileira Arycom, que no ano passado conquistou um negócio com o Exército Brasileiro para o fornecimento de doze terminais e serviços BGAN (Broadband Global Area Network) para uso no projeto Cartografia da Amazônia.

Um grupo de expositores que impressiona pela dimensão de seus estandes é o da indústria espacial russa, reunida sob o guarda-chuva da International Association of Space Activities Participants (IASP). Ocupando um estande de mais de 180 metros quadrados, empresas como a Korolev Rocket and Space Corporation Energia, Samara Space Centre, Khrunichev State Research and Production Space Center e Lavochkin apresentarão suas "expertises" em tecnologias espaciais, notadamente na área de lançadores. Vale sempre lembrar que o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) tem estreito programa de cooperação em propulsão líquida para foguetes com instituições e empresas russas. Algumas empresas da ex-república soviética inclusive têm obtido alguns contratos com o IAE/CTA para a prestação de serviços de consultoria, transferência de tecnologia e fornecimento de bancadas de testes. Curiosamente, a Roscosmos (agência espacial russa), que também comparece à LAAD, faria uma coletiva à imprensa no dia 14, aparentemente cancelada, sem razões conhecidas.

Empresas e instituições brasileiras também estarão presentes, como a Mectron, Aeroeletrônica e Atech, que atuam tanto nos setores Espacial como de Defesa. Uma novata na exposição será a Alcântara Cyclone Space, companhia binacional ucraniano-brasileira constituída com o propósito de comercializar e operar os serviços de lançamento do foguete Cyclone 4, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Lamentavelmente, os órgãos do Programa Espacial Brasileiro da esfera civil, nomeadamente a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) não participam do evento. Apesar de se tratar de uma feira de Defesa e Segurança, fato é que uma presença, ainda que institucional, seria muito interessante. Vale lembrar que o Ministério da Defesa e os três comandos militares possuem assento no Conselho Superior da AEB, além de várias iniciativas em conjunto com as forças armadas, como o programa de lançadores, desenvolvimento de satélites, sensoriamento remoto, pesquisas aplicadas, entre outras. Por sua vez, o INPE tem o Laboratório de Integração e Testes (LIT), tido como o mais capaz em sua área no hemisfério sul, usado por várias indústrias de defesa para a realização de testes de equipamentos com finalidades militares. O INPE ignora uma boa oportunidade de promover suas capacidades e serviços para um público altamente especializado, formado inclusive por dezenas de delegações estrangeiras.

Em paralelo à LAAD 2009, acontece o II Seminário de Defesa, que contará com painéis sobre os mais variados temas, inclusive um sobre espaço, que acontece na tarde do dia 16, e de temática bem genérica: "Tecnologia Satelital Aplicada". Esse painel contará com a mediação do editor-chefe de Tecnologia & Defesa, Francisco Ferro.

Para os interessados: a revista Tecnologia & Defesa, publicação oficial nacional da LAAD 2009, fará uma cobertura, com atualizações diárias, por meio de um hot-site especialmente criado para esse propósito. Para acompanhá-la, acessem http://www.tecnodefesa.com.br/laad

Na medida do possível, também serão postadas aqui no blog notícias, informações e análises sobre o que acontecer em Espaço no decorrer da feira.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Avanços da ACS

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Apesar dos problemas da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS) com os quilombolas vizinhos do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o projeto continuar a andar.

A Atech, fundação com sede em São Paulo (SP), contratada pela ACS no ano passado para a execução de serviços de levantamento de campo, e estudos de engenharia civil, mecânica, elétrica e hidráulica necessários à construção da plataforma de lançamento e infraestrutura relacionada continua trabalhando.


Ainda não existem obras em andamento no centro espacial, mas a expectativa é que sejam iniciadas até o final do ano, após a realização de licitação. No momento, além do estudo da Atech, que deve ser concluído até julho ou agosto próximos, também está sendo preparada toda a documentação para o licenciamento ambiental.

O objetivo, bastante arrojado, diga-se de passagem, é lançar o primeiro Cyclone 4 em julho de 2010.

Novidade

Se tudo acontecer conforme o planejado, na próxima quarta-feira (18), será dado um importante passo para o projeto da binacional. A informação dada ao blog veio de uma fonte altamente confiável, e teria surgido no final da semana passada, pegando algumas pessoas de surpresa. Surpresa, ressalte-se, positiva. É aguardar para ver.
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