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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Política Industrial Espacial Brasileira: uma análise

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De uns tempos para cá, temos tratado no blog Panorama Espacial sobre a crise em que se encontra indústria espacial brasileira. Em reportagem  publicada no jornal Valor Econômico desta segunda (25), a jornalista Virgínia Silveira dá a tônica do momento, detalhando demissões e as reduções de pesquisas pela falta de carga de trabalho para o setor. Seu título, aliás, sintetiza muito bem: "Falta de projetos ameaça companhias".

Tratamos do assunto em alguns parágrafos a seguir.

Política industrial: da teoria à prática

A mais recente versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012 - 2021), editada há dois anos, é farta nas citações e disposições sobre a importância do setor industrial para o Programa Espacial. Cita como prioridade maior "impulsionar o avanço industrial", e lista como uma de suas diretrizes estratégicas a consolidação da "indústria espacial brasileira, aumentando sua competitividade e elevando sua capacidade de inovação, inclusive por meio do uso do poder de compra do Estado, e de parcerias com outros países."

Mesmo em pouco tempo, algumas de suas diretrizes foram inseminadas de forma relativamente bem sucedida. Foi o caso, por exemplo, do surgimento de uma prime-contractor para o segmento de satélites, lacuna ocupada pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Embraer com a Telebras, viabilizada com a concretização do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seus interesses, ressalte-se, vão além do SGDC, passando pelos projetos do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa.

Se de início havia dentro do governo alguma expectativa de que a Visiona atuasse de alguma forma num processo de reorganização da indústria espacial local, esta acabou não se materializando, ao menos não por ora. Diferentemente da estratégia seguida pela Embraer para o setor de defesa, não houve aquisições ou formação de parcerias com indústrias e mesmo grupos internacionais. Talvez, como o blog chegou a ouvir de pessoas bem familiarizadas com o assunto, pelas especificidades do setor, por sua diminuta dimensão e, é claro, pela falta de perspectivas claras e investimentos duradouros.

No caso do segmento de lançadores, a situação é ainda mais crítica. Depois de um certo burburinho e uma sequência de movimentações nos bastidores, com a Odebrecht sendo desenhada como a principal player industrial, tudo parou. Muitas indefinições, sendo as duas principais, as mesmas que afetam os satélites: falta de perspectivas claras e de investimentos.

O SGDC, a maior iniciativa na área nos anos recentes, foi apresentado como uma oportunidade que beneficiaria à indústria nacional, algo que espera-se que aconteça, mas não neste primeiro momento. Quanto à transferência tecnológica prevista no memorando de entendimentos firmado no final de 2013, que beneficiaria a indústria local, há a dependência de recursos orçamentários. O pacote em si é avaliado em cerca de 80 milhões de dólares.

Indústria nacional: diagnóstico, mea culpa, consolidação?

A indústria espacial nacional é formada quase que inteiramente por pouco mais de uma dezena de empresas, quase todas de pequeno porte. Várias delas têm o setor como seu único negócio, estando, portanto, completamente dependentes do poder de compra do governo.

Pelo mercado em que atuam, é inegável a importância do papel do Estado, pondo encomendas com regularidade e, assim, propiciando condições para a manutenção de todo uma cadeia produtiva (com os benefícios a ela atrelados). Mas, cabe a algumas das empresas uma mea culpa pela crise atual, por falharem em questões básicas, desde má gestão à não busca pela diversificação e criação de novos mercados (dado o caráter dual de muitas das tecnologias com que lidam e os spin-offs derivados). Em entrevista concedida ao blog em novembro de 2013, José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, já alertava sobre a necessidade da indústria buscar se diversificar, mencionando o exemplo da China.

Não analisando situações específicas, mas basta uma análise não muito profunda destas indústrias para se concluir que existe espaço para se obter eficiências. Em alguns campos específicos, com três ou quatro empresas com atuações similares, as oportunidades de consolidação por meio de fusões e aquisições parecem latentes.

Apesar das oportunidades, diferentemente do que acontece em mercados maduros, como os Estados Unidos e a Europa, o governo brasileiro não demonstra muito interesse em estimular ações de consolidação no campo espacial, optando por exercer sua política industrial quase que exclusivamente pelo poder de compra do Estado. O mais próximo que chegou disso foi patrocinar a criação da Visiona, um prime-contractor ao estilo brasileiro, de procurement, mas não industrial, e o lançamento de um fundo de investimento em participações para as áreas aeroespacial e de defesa (FIP Aeroespacial).

É curioso observar que uma política um pouco diferente (mas, nem por isso não sujeita à críticas) foi adotada para o mercado de defesa, com consolidações promovidas pela Embraer (Atech, Orbisat, AEL Sistemas) e Odebrecht (Mectron), que tiveram certo reflexo em espaço em razão de algumas destas empresas terem atividades na área.

O FIP Aeroespacial foi lançado em maio deste ano com patrimônio de pouco mais de R$ 130 milhões, numa iniciativa conjunta do BNDES com a FINEP, a Agência de Desenvolvimento Paulista (DESENVOLVE SP) e a Embraer. Seu objetivo, conforme divulgado na época, é "fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial, aeronáutica, de defesa e segurança e promover a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas". Não há detalhes sobre as teses e estratégias pretendidas (se crescimento, diversificação, consolidação), mas é razoável de se imaginar que a equipe de gestão avalie oportunidades de consolidação.

Em reportagem num veículo especializado (revista "Participações" n.º 56, maio de 2014), a Portbank, gestora do FIP Aeroespacial, revelou que pretende fazer de oito a dez investimentos em empresas consideradas inovadoras, atuantes em segmentos como o de painéis solares, biometria, sistemas ópticos e de simulação e treinamento.
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quarta-feira, 14 de maio de 2014

"Espaço no radar da Indra"

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Está disponível no website da revista Tecnologia & Defesa uma pequena reportagem sobre os interesses da companhia espanhola Indra no setor espacial brasileiro.

Especializada nos segmentos terrestres que compõem sistemas espaciais, a Indra é desde 2005 fornecedora de estações operadas no âmbito do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa.

Para acessar a reportagem, clique aqui.
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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Fundo Aeroespacial é lançado

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BNDES, Desenvolve SP, FINEP e Embraer lançam fundo de investimento para o setor aeroespacial

Rio de Janeiro, 7 de maio de 2014 – O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Aeroespacial, primeiro na América Latina voltado para o setor, está sendo lançado nesta quarta-feira (7), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Resultado de uma iniciativa conjunta do BNDES com a FINEP, a Agência de Desenvolvimento Paulista (DESENVOLVE SP) e a Embraer, o fundo foi criado com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial, aeronáutica, de defesa e segurança e promover a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas.

O patrimônio inicial do fundo será de R$ 131,3 milhões, assim distribuído pelos quotistas: BNDESPAR, Embraer e FINEP, cada um com R$ 40 milhões; Desenvolve-SP, com R$ 10 milhões e R$ 1,3 milhão aportados pela PORTBANK, gestora do fundo.

O FIP foi estruturado com elementos de Corporate Venturing, isto é, a partir do esforço corporativo de uma empresa estratégica do setor, no caso a Embraer, cujo objetivo é contribuir com a estruturação e o fortalecimento da cadeia produtiva relacionada às suas atividades nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e segurança e integração de sistemas. Além disso, o fundo cria um canal permanente que permite o contato mais próximo entre a empresa estratégica do setor e as iniciativas empreendedoras mais inovadoras destes setores e promove o investimento em setores estratégicos para o Brasil por meio do conceito de Corporate Venturing no País.

“É com muita satisfação que vemos esta iniciativa tornar-se realidade. O apoio a micro e pequenas empresas de base tecnológica, com o suporte de grandes companhias de setores correlatos, tem grande sintonia com o papel do BNDES. Esperamos e estamos trabalhando para que outras empresas sigam o caminho trilhado pela EMBRAER”, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

“O capital de risco é uma ferramenta eficiente para financiar projetos. Principalmente porque cria um ambiente de investimento constante. O envolvimento de ícones setoriais é importante para reduzir riscos e motivar empresas e investidores individuais a destinar seus recursos a empresas de base tecnológica”, afirmou Glauco Arbix, Presidente da Finep, que tem como meta reproduzir a iniciativa para cadeias como a de óleo e gás, com a Petrobras, e tecnologia da informação, com alguma empresa importante do setor.

“Investir em pesquisa e em empresas inovadoras é a solução para garantirmos um crescimento sustentável da economia. Apostar na inovação está no DNA da Desenvolve SP”, diz Milton Luiz de Melo Santos, Diretor-Presidente da Desenvolve SP. Além do Fundo Inovação Paulista, lançado pela Desenvolve SP, e do Aeroespacial, a instituição mantém investimentos em outros três fundos de venture capital.

“A Embraer sempre incentivou o desenvolvimento de uma cadeia nacional para indústria aeronáutica e de defesa no Brasil, e tem especial interesse no segmento de alta tecnologia”, afirma Frederico Fleury Curado, Diretor-Presidente da Embraer.

O Fundo, tipicamente de capital empreendedor (venture capital), será destinado a empresas inovadoras de pequeno e médio porte (com faturamento bruto de até R$ 200 milhões/ano) em todo o território nacional.

A gestão do fundo fica a cargo da PORTBANK, que foi selecionada a partir de um edital de chamada pública conjunta realizada em setembro do ano passado. Com sede em São Paulo, a empresa possui profissionais experientes nos setores-alvo e acumula mais de 25 anos de experiência em operações de fusões e aquisições, totalizando mais de 40 operações em montante superior a R$ 20 bilhões. As empresas interessadas devem contatar os gestores do Fundo pelo site www.portbank.com.br

Sobre o BNDES

O BNDES é o principal instrumento para a realização de investimentos de longo prazo na economia brasileira, atuando tanto na concessão de crédito quanto no apoio a empresas por meio de participação acionária.

Sobre a FINEP

A Finep - Inovação e Pesquisa - é uma empresa pública vinculada ao MCTI, considerada a principal agência de fomento à inovação do País. O apoio da Finep abrange todas as etapas e dimensões do ciclo de desenvolvimento científico e tecnológico: pesquisa básica, pesquisa aplicada, melhoria e desenvolvimento de produtos, serviços e processos. A Finep apoia, ainda, a incubação de empresas de base tecnológica, a implantação de parques tecnológicos, a estruturação e consolidação dos processos de pesquisa e o desenvolvimento de mercados. A Finep opera seus programas por meio de apoio financeiro reembolsável e não reembolsável (que não precisa ser devolvido) e de investimento.

Sobre a Desenvolve SP

A Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista é a instituição financeira do Governo do Estado de São Paulo que tem como objetivo incentivar o crescimento das pequenas e médias empresas paulistas. Por meio do Programa São Paulo Inova, a Desenvolve SP financia empresas de base tecnológica com linhas de crédito com juros a partir de zero, fomentando o desenvolvimento de empresas inovadoras e promovendo o aumento da competitividade do setor produtivo paulista.

Fonte: Embraer
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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Missão Espacial Canadense ao Brasil

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A Agência Espacial Brasileira, o Consulado Geral do Canadá em São Paulo e a Agência Espacial Canadense realizarão entre os dias 17 e 18 de março o evento "Missão Espacial Canadense ao Brasil", no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

Além de uma rodada de negócios, com reuniões individuais, o evento terá três painéis: "Aplicações da Tecnologia Espacial para o Desenvolvimento Social e Econômico", "Iniciativas Conjuntas entre Brasil e Canadá para a Formação de Recursos Humanos em Tecnologias Espaciais", e "Setor Privado Espacial Brasil-Canadá: Construção de Parcerias de Sucesso".

O objetivo do evento é encontrar formas e meios conjuntos para o desenvolvimento de ambos os países no setor espacial, bem como criar oportunidade às suas empresas para estreitarem contatos.
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SisGAAz: solicitação de propostas

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No próximo dia 17, a Diretoria de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha do Brasil (MB) promoverá um seminário sobre o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), que terá por propósito divulgar o tão aguardado pedido de propostas (Request for Proposal - RFP) para a implantação da primeira fase do sistema, concorrência que deve agitar o setor de defesa pelos próximos meses.

A fase das RFPs prossegue a conclusão do projeto básico elaborado pela Ezute (antiga Fundação Atech), objeto de contrato de cerca de R$31 milhões assinado pela Marinha em julho de 2011. Segundo pessoas familiarizadas com o tema, o projeto básico teria ficado aquém do esperado.

A concorrência promovida pela MB selecionará uma empresa nacional que atuará como prime contractor. Nos bastidores, os comentários são de que a Embraer Defesa & Segurança e a Odebrecht Defesa e Tecnologia são fortes candidatas, muito embora também sejam aguardadas outras candidatas, em particular grandes empreiteiras associadas a parceiros locais e/ou estrangeiros.

Espera-ese que várias empresas estrangeiras se associem aos candidatos a prime contractor na resposta do RFP, tais como a Airbus Defence & Space (antiga Cassidian) (França/Alemanha), Thales (França), Saab (Suécia), MDA (Canadá), IAI e Elbit (Israel), Selex ES (Itália), Indra (Espanha), apenas para citar algumas.

O SisGAAz, que exigirá investimentos de bilhões de reais, terá como principal objetivo ampliar a capacidade de monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras e das regiões de busca e salvamento que estão sob responsabilidade do Brasil. Quando em operação, abrangerá um sistema de vigilância, controle, proteção e defesa, composto por meios operacionais da MB e por diversos tipos de sensores que integrarão redes de informação e de apoio à decisão. O sistema deverá fazer uso de dados gerados a partir do espaço, como imagens de satélites de observação terrestre, meteorologia e sinais AIS (Automatic Identification System), além de comunicações.
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sábado, 28 de dezembro de 2013

Resultado final do Inova Aerodefesa

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DIVULGADO RESULTADO FINAL DO EDITAL INOVA AERODEFESA

Brasília 27 de Dezembro de 2013. A Financiado de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), divulgou o resultado final do edital Inova Aerodefesa. Ao todo, foram aprovados 91 planos de 64 empresas líderes que somam R$ 8,68 bilhões frente aos R$ 2,9 bilhões disponíveis.

A chamada selecionou planos de negócio de empresas nacionais que contemplaram projetos de inovação em quatro linhas temáticas: aeroespacial; defesa; segurança e materiais especiais. A intenção é incentivar o adensamento de toda a cadeia produtiva destes setores, considerados estratégicos dentro do Plano Inova Empresa.

A próxima etapa é a de estruturação do plano de suporte conjunto. As empresas líderes receberão por e-mail maiores informações sobre esta fase.

A demanda do Inova Aerodefesa, proveniente dos planos de negócio recebidos, atingiu R$ 10 bilhões – valor 3,4 vezes maior do que os recursos disponíveis no edital. Ao todo, foram 98 planos e 70 empresas líderes (cada líder poderia mandar até quatro propostas).

O programa é conduzido pelo departamento das Indústrias Aeroespacial, Defesa e Segurança, lotado na Superintendência Regional de São Paulo. Contatos com relação a este programa devem ser direcionados para o e-mail: cp_inova_aerodefesa@finep.gov.br.

Fonte: FINEP
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sobre o resultado do Programa F-X2

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Não iremos nos alongar sobre o resultado do Programa F-X2, conduzido pela Força Aérea Brasileira (FAB), para a seleção de uma nova aeronave de combate, e cujo resultado, após mais de uma década de indefinição, foi anunciado hoje (18). O blog Panorama Espacial tem como enfoque principal as atividades espaciais, muito embora, eventualmente, acabe tratando de temas relacionados, como assuntos de defesa [*]. E não podemos nos furtar a abordar o resultado do F-X2. O escolhido foi o caça Gripen E/F, desenvolvido pelo grupo sueco Saab (veja aqui a nota do Ministério da Defesa).

No âmbito espacial, dos três candidatos (Saab, Boeing e Dassault), a Saab era a que tinha menor exposição no setor espacial; em julho de 2008, o grupo vendeu sua divisão espacial, que desenvolvia e fabricava componentes de satélites e de lançadores (inclusive para o Ariane 5), para a suíça RUAG. No entanto, isto não significa que o resultado do F-X2, de alguma forma e ainda que indiretamente, não vá beneficiar o Programa Espacial Brasileiro. Como parte do contrato, que começará a ser negociado, haverá um grande pacote de transferência tecnológica e compensações industriais, tecnológicas e comerciais (os chamados offsets).

Espaço não deve ser um dos itens de compensação, mas algumas das indústrias nacionais hoje envolvidas com atividades espaciais também têm negócios nos setores aeronáutico e de defesa e podem ser beneficiadas no processo de transferência tecnológica que, acredita-se, será um dos maiores já realizados no País. Dependendo da tecnologia, pode haver alguma aplicação no campo espacial.

Ainda, em termos de política industrial, convém relembrar a recente entrevista de José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, que destacou "a necessidade de que a indústria espacial brasileira busque diversificação com outras atividades para atingir um nível de sustentabilidade". O F-X2, porque não, pode vir a funcionar como um dos itens de diversificação.

Mas, o resultado imediato mais importante do F-X2 é a credibilidade que passa para a comunidade internacional de que o Brasil está levando a sério suas demandas em defesa (e, espera-se, também em espaço!). Num período de menos de uma semana, duas notícias importantes: a assinatura dos contratos do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e, agora, a seleção do Gripen na concorrência da FAB. Sabemos da grande expectativa com o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) e também de outras demandas espaciais, e essas recentes notícias, ao nosso ver, reforçam a credibilidade brasileira frente a atores estrangeiros.

Portanto, a conclusão: acreditamos que, de alguma forma, o F-X2 beneficiará (ou poderá beneficiar) o Programa Espacial Brasileiro.

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*: escrevendo sobre defesa e espaço há mais de dez anos, eu não tive como não me envolver com o F-X2. Inclusive, voei em maio de 2012 a bordo de uma das aeronaves candidatas, no caso, o F-18 F Super Hornet. No início de 2011, também estive na Suécia para conhecer mais sobre a proposta da Saab para a licitação da FAB. A viagem deu origem a um suplemento especial de Tecnologia & Defesa, que pode ser acessado clicando aqui
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

AEB: oportunidades comerciais na China

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Indústria aeroespacial analisa oportunidades no mercado externo

Brasília 15 de Outubro de 2013 - O Brasil recebe um tratamento especial da China no que tange à cooperação na área espacial, segundo afirmação do governo daquele país. Como os chineses veem expandindo seus negócios no setor com diversas nações essa também é uma oportunidade para as indústrias aeroespaciais brasileiras ampliarem seus negócios e ofertas de serviços.

Esse foi um dos tópicos da pauta do encontro entre diretores da Agência Espacial Brasileira (AEB) e representantes de 14 empresas do segmento aeroespacial nesta segunda-feira (14), em Brasília (DF). Os empresários, ligados a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), foram incentivados a usufruírem mais do programa Ciência sem Fronteiras Espacial e também aproveitarem o conhecimento qualificado que o mercado passa a receber com o retorno ao país de pessoas que se qualificaram no exterior.

O presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, falou sobre as negociações entre Brasil e China envolvendo a cooperação espacial nos próximos dez anos. “Essa ampliação de atividades com os chineses também é uma janela de oportunidades que a indústria nacional não pode desprezar”, alertou. Em sua opinião, as empresas brasileiras devem buscar conhecer a atual diversificação de produtos e serviços promovida por diversas empresas chinesas do segmento aeroespacial.

Nesse sentido o presidente convidou os empresários a se integrarem à comitiva da AEB, que acompanhará o lançamento do satélite sino-brasileiro de sensoriamento remoto (Cbers-3), em dezembro próximo, na China. Na oportunidade, eles poderão visitar empresas em Shangai, conhecer seus processos de modernização e estabelecer contatos para futuras plataformas de negócios.

Os representantes das empresas ainda foram informados sobre outra modalidade de bolsa que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lança no início de 2014. Trata-se da bolsa de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, que visa a aprimorar em estágios no exterior profissionais que já tenham qualificação considerada avançada. O diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Carlos Alberto Gurgel, disse que há uma cota dessas bolsas reservadas para a AEB, “portanto os empresários não devem perder esse benefício”.

Fonte: AEB

Comentário do blog: apesar da janela de oportunidades de negócios com a China não poder ser "desprezada", segundo disse o presidente da AEB, um aspecto que deve ser cautelosamente analisado por qualquer indústria espacial que busque negócios na China é o risco de se bloquear outros mercados por conta da regulação ITAR (International Traffic in Arms Regulations), dos EUA. Ainda que a ITAR tenha sido recentemente flexibilizada, ainda há grandes restrições em relação a exportação de tecnologias para a China ou países que tenham negócios com os chineses. Diversas indústrias nacionais participantes do programa CBERS enfrentaram problemas com a importação de tecnologia, equipamentos ou componentes de origem norte-americana, ainda que não destinados ao programa do satélite sino-brasileiro.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Novos contratos da Arianespace: Brasil é destaque

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No início desta semana, por ocasião do World Satellite Business Week 2013, tradicional evento do setor comercial espacial organizado pela Euroconsult a cada em Paris, França, a europeia Arianespace anunciou a assinatura de cinco novos contratos de lançamento, além de sua seleção pela Visiona Tecnologia Espacial para a colocação em órbita do SGDC-1, já noticiada pelo blog em meados de agosto.

O Brasil ocupou posição de destaque nos anúncios. Além da assinatura do contrato para o Star One D1, da operadora Star One, subsidiária da Embratel, outro satélite destinado ao mercado nacional, da norte-americana DIRECTV, voará a bordo de um Ariane 5. O nome, aliás, é sugestivo: SKY Brasil-1 (IS-32). Em construção pela Astrium (Airbus Defence & Space), o satélite terá mais de 6 toneladas e contará com 81 transpônderes operando nas bandas Ku e Ka. Seu lançamento está previsto para o terceiro trimestre de 2016.

"O IS-32 será um dos dois satélites que apoiarão nosso negócio SKY Brasil, provendo capacidade para a entrega de produtos e serviços para nossa crescente base de clientes no Brasil", declarou em nota Bruce Churchill, presidente da DIRECT Latin America.

Desde o início do ano, a Arianespace assinou um total de treze contratos de lançamento, num valor total estimado em mais de um bilhão de euros, equivalente a 62% do mercado.

Ainda este ano, previsto para dezembro, deve acontecer o lançamento do Amazonas 4A, da Hispasat, que atenderá o mercado latino-americano e o Brasil (banda Ku). O satélite está sendo construído pela Orbital, dos EUA, e também voará a bordo de um Ariane 5.

Nos últimos meses, aliás, foram várias as notícias sobre o mercado de comunicações por satélite na região e no Brasil em especial, o que dá uma ideia sobre o grau de "aquecimento" em que se encontra. A seguir, reproduzimos algumas das mais recentes:

- "Space Systems/Loral fabricará Star One D1", agosto.

- "SGDC: Thales Alenia Space e Arianespace são escolhidas", agosto.

- "Novo satélite da Eutelsat para o Brasil", julho.

- "SES-6, Oi e o mercado de comunicações por satélite", junho.

- "Amazonas 3 em órbita", fevereiro.

- "Star One C3, Amazonas 3, Telespazio e Anik G1...", janeiro.
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domingo, 8 de setembro de 2013

Fundo de investimento para os setores aeroespacial e de defesa

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Na última sexta-feira (06), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciaram o lançamento de uma chamada pública convidando gestoras de investimentos para a gestão de um fundo de investimento em participações (FIP) focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, defesa, segurança e integração de sistemas.

O FIP terá um capital comprometido mínimo de R$130 milhões, sendo que o BNDES, a FINEP e a Embraer investirão cada uma o valor de R$40 milhões, com os R$10 milhões restantes sendo aportados pela agência de fomento Desenvolve SP, ligada ao Governo do Estado de São Paulo. O patrimônio poderá ser maior, uma vez que a gestora selecionada será responsável por captar novos investidores (possivelmente, investidores institucionais como fundos de pensão e empresas atuantes nestas áreas).

Segundo a nota do BNDES, o FIP "será um fundo de venture capital, ou seja, que investirá em pequenas e médias empresas inovadoras, com faturamento bruto de até R$ 200 milhões anuais. O gestor que vier a ser contratado deverá concentrar esforços para que cerca de 15% do capital efetivamente investido seja destinado a empresas inovadoras com faturamento bruto de até R$ 3,6 milhões por ano." O fundo será "estruturado com elementos de corporate venturing, no qual a presença de uma empresa líder, no caso a Embraer, permite estruturar e fortalecer a cadeia produtiva relacionada às suas atividades."

Basicamente, a função do FIP é investir em empresas por meio da aquisição de parte de suas ações ou outros valores mobiliários, tornando-se um sócio. Além de contribuir com o capital, o FIP também pode ter participação efetiva na gestão da empresa, rentabilizando o seu investimento. O investimento feito pelo fundo tem prazo definido e, normalmente, é realizado por meio da venda das participações a investidores estratégicos ou mediante abertura de capital em bolsas de valores. Ao término do prazo de duração do fundo, a expectativa de seus investidores (no caso, FINEP, BNDES, Embraer e etc.) é que os recursos inicialmente investidos tenham se valorizado (em fundos de venture capital, não é raro os retornos superarem três ou quatro vezes o montante inicialmente investido).

Nos Estados Unidos e na Europa, o conceito de corporate venturing para os setores aeroespacial e de defesa não é novo. Grandes conglomerados industriais, como a europeia EADS (Airbus) e a Boeing têm iniciativas nesta área. De fato, nos últimos anos algumas iniciativas similares foram idealizadas no Brasil, mas não chegaram a ser materializadas.

A iniciativa do FIP se soma ao programa Inova Aerodefesa, anunciado em maio, e é mais uma forma de financiamento de projetos das áreas aeroespacial, de defesa e segurança desenvolvidos pela iniciativa privada. No caso do Inova Aerodefesa, os investimentos serão não reembolsáveis, por meio de mecanismos de subvenção econômica.

(Blog Panorama Espacial, com informações do BNDES e FINEP)
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Resultados do SGDC: uma análise

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A seguir, apresentamos algumas notas com uma análise sobre o resultado da concorrência da primeira unidade do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), coordenada pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Embraer (51%) e Telebras (49%), e anunciada no início da semana passada.

O preço

Não houve uma divulgação oficial pelas partes envolvidas sobre o valor total do negócio. Mas, o website brasileiro Teletime, especializado em telecomunicações, publicou notícia em 13 de agosto dando o valor de R$1,1 bilhão (acima dos R$716 milhões inicialmente estimados), citando Caio Bonilha, presidente da Telebras. O blog Panorama Espacial já havia publicado no passado informações sobre a revisão do orçamento, uma vez que o montante de R$716 milhões havia sido estimado em 2011, época em que um dólar custava em torno de R$1,70 (o equivalente a cerca de 420 milhões de dólares). O SGDC-1, turn-key, custará em torno de 450 milhões de dólares. O contrato definitivo deve ser assinado até setembro.

Três satélites ao todo

Nesta primeira etapa, um único satélite está sendo contratado (alguns componentes críticos serão redundantes), mas a intenção do governo é em dado momento dispor de uma constelação de três satélites. O processo para a contratação de uma segunda unidade poderá ser iniciado mesmo antes da colocação em órbita do SGDC-1, prevista para o primeiro trimestre de 2016. E é neste cenário de surgimento de um novo contratante de satélites na América do Sul, que nasce com a obrigação de atender a demanda de banda larga popular e das forças armadas, que outros fabricantes além da TAS continuarão a trabalhar. Isto é, o mercado governamental brasileiro não está fechado.

O desafio

O projeto do SGDC não envolve apenas o satélite propriamente dito, isto é, o segmento espacial. Parte importante, talvez até a mais relevante, é o segmento terrestre, especialmente em se tratando de um projeto que envolve banda Ka para atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Este é um ponto que deve ser observado com muita atenção.

A importância para a TAS

O SGDC-1 foi o primeiro negócio para a venda de um satélite geoestacionário de comunicações fechado este ano pela Thales Alenia Space (TAS) - a TAS conquistou um contrato no início do ano para o fornecimento de cargas úteis do satélite BADR-7, da ARABSAT, mas a líder industrial e fornecedora da plataforma neste caso é a Astrium. Representa a continuidade da família de plataformas Spacebus e também dezenas de meses de atividades para engenheiros e técnicos em Cannes, no sul da França, e em outras unidades da TAS na Europa.

A importância conferida pelo grupo ao negócio no Brasil foi a base para que uma proposta extremamente competitiva, especialmente em termos de preço (sempre uma dificuldade para países europeus em relação a seus concorrentes norte-americanos por conta do câmbio), fosse apresentada, com o respaldo de Jean-Loïc Galle (presidente da TAS) e Pascale Sourisse (vice-presidente desenvolvimento internacional do grupo Thales).

A importância para a TAS - 2

Levando o SGDC, a TAS se colocou numa posição privilegiada para os próximos satélites do SGDC e também outros projetos espaciais brasileiros, em particular, no âmbito do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), elaborado pelo Comando da Aeronáutica, e do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). Especialmente em razão do espectro de transferência tecnológica esperada com o SGDC, não apenas em comunicações, mas em subsistemas de satélites, observação terrestre, meteorologia, entre outros.  

Outra consequência relevante: o SGDC pode ser a "porta" da Thales para outros projetos com a Embraer, não necessariamente na área espacial. Do lado francês, desejo há. Algo a se conferir nos próximos meses.

A semana da Arianespace no Brasil

Pouco ou nada se comentou a respeito, mas a escolha da Arianespace para colocar o SGDC-1 em órbita confirma a tradição (e o retorno) da companhia europeia no atendimento das necessidades em termos de lançamento dos programas de satélites de comunicações do governo brasileiro. Relacionamento que começou em 1985, quando o Brasilsat A1, operado e contratado pela então estatal Embratel, subiu ao espaço a bordo de um Ariane 3. Até o ano de 2000, foram mais cinco lançamentos. Mesmo com a privatização da Embratel e criação da Star One, os veículos da família Ariane continuaram sendo a primeira opção, executando com sucesso todas as missões. É um grande indicativo de confiabilidade.

Aliás, a última semana foi marcante para a Arianespace no País. Pois, além de ter sido escolhida para o SGDC-1, houve o anúncio do Star One D1, a ser fabricado pela Space Systems/Loral (SSL), dos EUA, e que, segundo a imprensa, voará ao espaço a bordo de um foguete Ariane 5. Em novembro de 2012, um Ariane 5 colocou em órbita o Star One C3 (construído pela Orbital Sciences Corporation, dos EUA). Para o terceiro trimestre de 2014, outro Ariane 5 deve lançar o Star One C4 (SSL).
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Space Systems/Loral fabricará Star One D1

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Foi revelada oficialmente hoje a informação de que a companhia Space Systems/Loral (SSL), dos EUA, fabricará o satélite Star One D1, contratado pela operadora brasileira Star One, da Embratel. Informações sobre esta negociação já haviam sido reveladas pelo blog Panorama Espacial há algumas semanas.

O Star One D1 disporá de transpônderes em banda C, Ku e Ka e atenderá os segmentos de telecomunicações, transmissão de TV, banda larga, acesso a internet e outros serviços como inclusão digital no Brasil e na América Latina, no âmbito do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O satélite será o primeiro de quarta geração (daí a letra D) e apoiará os Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão na cidade do Rio de Janeiro, uma vez que a Embratel, em parceria com a Claro, foi selecionada como a patrocinadora de telecomunicações oficial para o evento.

"Este é o segundo satélite que estamos construindo para a Star One, e não há melhor confirmação de nosso sucesso do que um cliente voltar a trabalhar conosco novamente. A Star One e a SSL compartilham um compromisso de alta qualidade e confiabilidade e esperamos continuar esta relação de proximidade", declarou John Celli, presidente da fabricante americana.

“Com o novo satélite, reforçamos nossa liderança absoluta no mercado brasileiro e nosso posicionamento como uma das dez maiores empresas de satélite do mundo”, disse Gustavo Silbert, presidente da Star One. Este é o maior satélite já contratado pela companhia brasileira. De acordo com o divulgado, espera-se que seu lançamento, a ser executado pela Arianespace, ocorra no primeiro trimestre de 2016.

um fato curioso sobre a divulgação do novo contrato assinado pela Star One é que, pela primeira vez em muitos anos, a companhia optou por fazer uma divulgação pública sobre a compra de um novo satélite. As contratações do Star One C3 (Orbital Sciences Corporation, dos EUA) e Star One C4 (SSL) não foram oficialmente divulgadas.

SSL e MDA no Brasil

Apesar de não ter sido selecionada para a construção do primeiro Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), do Ministério da Defesa, o mercado brasileiro, inclusive governamental, continua no "radar" da SSL e MDA. Além de comunicações, o grupo tem se movimentado visando às oportunidades em observação terrestre que vão surgir no âmbito do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), cujas propostas devem ser entregues ainda este ano.
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domingo, 4 de agosto de 2013

Entrevista com Jean Noel Hardy, diretor da Astrium no Brasil

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Crescer em todas as áreas

O diretor-geral da Astrium do Brasil fala à T&D

Com mais de trinta anos de experiência no Brasil nos setores aeroespacial, de defesa e tecnologia, Jean-Noel Hardy é graduado em engenharia aeronáutica e espacial pela Ecole Nationale Supérieure de l’Aéronautique et de l’Espace, em Toulouse, França, e em direito empresarial pela Universidade de Paris Panthéon-Sorbonne, tendo concluído seu MBA pela Essec Business School, em Paris em 1975. Também é diplomado em matemática e física pela Universidade de Limoges, França. Entre 2004 e 2009, foi diretor-presidente da Helibras, tendo sido figura-chave na negociação de venda de helicópteros EC725 para as Forças Armadas brasileiras, um dos maiores e mais importantes projetos de transferência tecnológica no setor de defesa já firmados pelo País. A partir de julho de 2009, assumiu um novo desafio como diretor para a América Latina da Astrium, divisão espacial do grupo europeu EADS, sendo, em paralelo, diretor-geral da Astrium do Brasil, com a missão de consolidar e ampliar os negócios do grupo na região. É atualmente conselheiro da Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP), diretor do COMDEFESA, entidade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), e conselheiro do Comércio Exterior da França.

Jean-Noel gentilmente concedeu esta entrevista exclusiva a André M. Mileski, editor-adjunto de Tecnologia & Defesa, na qual fala sobre a presença e perspectivas da Astrium no Brasil e na América do Sul.

Tecnologia & Defesa - Em 2012, a Astrium anunciou a criação de uma subsidiária no País, a Astrium Brasil. Qual é o seu significado e objetivo?

Jean-Noel Hardy - Se possível, gostaria em primeiro lugar, de lembrar alguns detalhes sobre a Astrium. Ela é de fato a maior empresa do setor espacial na Europa, e de longe. Ela se situa em terceiro lugar no ranking mundial.

Duas interessantes peculiaridades: a empresa não é ligada a um único país, mas é genuinamente europeia, com instalações significativas em cinco países: França, Alemanha, Reino Unido, Espanha e Países Baixos. Com cerca de 18 mil funcionários, tem um faturamento anual da ordem de 5 bilhões de euros. Além disso, é uma das poucas empresas do setor que dominan todo o leque de atividades espaciais, dos lançadores, como o Ariane, até os serviços ao usuário final, passando por todos os tipos de satélites, de comunicação, de observação ou mesmo científicos. 

Não há dúvida de que o Brasil tem todas as características para se tornar, para valer, uma potência espacial, e a ambição de nossa empresa é de ser um parceiro essencial deste destino. Para concretizar essa visão, se tornou evidente que tínhamos que ter uma base permanente e sólida no País para mostrar a seriedade de nosso propósito, e também para termos uma ferramenta prática para construir parcerias, alianças; em uma palavra, para contribuirmos da melhor maneira possível aos atuais e futuros programas espaciais brasileiros. A Astrium Brasil tem também a vocação de operar, a partir daqui, nos principais países da América Latina.

T&D - A Astrium não foi préselecionada para o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), anunciado no início de maio. Isso muda algo nos planos da companhia para o Brasil?

Hardy - Seria desonesto de minha parte dizer que não foi uma grande decepção, ainda mais que objetivamente a Astrium é uma das pouquíssimas empresas que tem real experiência, comprovada nos fatos, de construir um satélite para cumprir a missão do SGDC. Mas, não nos cabe comentar o processo de seleção conduzido com seriedade pela Visiona. No entanto, acreditamos que o Brasil oferecerá muitas outras oportunidades de desenvolver as parcerias que desejamos, e sabemos de experiência que o espaço é uma atividade de longo prazo. O episódio do SGDC não altera de maneira alguma nosso compromisso com o Brasil e suas ambições espaciais.

T&D - Qual é a sua visão sobre o mercado brasileiro de comunicações por satélite, tanto governamental como privado?

Hardy - No que diz respeito ao mercado civil de comunicações por satélite, acreditamos que as tendências que se verificam no resto do mundo devam se repetir no Brasil, adaptadas às condições locais. Os drivers que estão atualmente levando o mercado para a frente são TVHD, TV3D e “High Speed Internet”. Tudo isso leva a satélites maiores e mais possantes. Do ponto de vista governamental, temos, no Brasil, que contar com um território imenso, uma infraestrutura no solo às vezes insuficiente para garantir, sem falhas ou riscos, o perfeito funcionamento das comunicações do poder público. Isso deve favorecer, em médio prazo, o surgimento de um satélite de telecomunicações administrativas governamentais.

Para as comunicações ligadas à defesa, o SGDC, que deve ser contratado em breve, irá trazer uma solução, pelo menos para um certo tempo. Todavia, as exigências de comunicações ligadas ao desdobramento dos sistemas integrados de vigilância, tais como o SISFRON ou o SisGAAz, sobre áreas gigantescas, poderão evidenciar a necessidade de mais capacidade, que poderá ser resolvida a prazo com um satélite adicional dedicado às comunicações estratégicas e, pontualmente, com a contratação de “airtime” nas bandas pertinentes, tais como a banda-X.

T&D - A Astrium é uma das poucas empresas internacionais do setor espacial com presença industrial no Brasil, por meio da Equatorial Sistemas. O senhor poderia falar um pouco sobre esta plataforma local e como ela pode contribuir para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro?

Hardy - A parceria com a Equatorial Sistemas é bastante antiga. Na verdade, começou em torno do ano 2000, quando as duas empresas cooperaram no projeto HSB (Humidity Sounder Brazil), um dos seis instrumentos embarcados a bordo do satélite de observação AQUA, lançado pela NASA, norte-americana, em 2002.

De lá para cá, as relações se estreitaram e a Astrium se tornou acionista da Equatorial Sistemas em 2006. Em seguida, participou de vários aumentos de capital com o objetivo de reforçar a empresa. Em paralelo, as duas cooperaram em vários programas brasileiros, entre os quais o mazônia-1, para o qual fornece o “Digital Data Recorder” (DDR), equipamento de última geração. A Equatorial Sistemas, em parceria com a Opto, também desenvolve e fornece o instrumento “Wide Field Instrument”(WFI) para o programa CBERS, do INPE. Interessante salientar que a Equatorial obteve ao apoio da FINEP para vários programas de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de optrônica aplicada ao espaço e à defesa.

A Equatorial Sistemas, ao longo de seus anos de existência, construiu uma fama justificada de credibilidade e competência no setor espacial brasileiro. A aproximação com a Astrium e seu acervo tecnológico só faz reforçar a legitimidade técnica e industrial da empresa. Assim, ela tem todas as condições para ser um “player” de primeiro plano nos próximos programas nacionais de satélites, quer sejam civis, quer sejam mais voltados para o lado de defesa. Há uma grande probabilidade que os próximos programas sejam de observação, campo no qual a Equatorial tem ampla experiência...

Além de suas instalações próprias em São José dos Campos, com várias salas limpas e equipamentos altamente especializados, a empresa tem acordos de parceria com empresas brasileiras dos ramos que apresentam competências complementares. A visão da Astrium é que a Equatorial Sistemas se fortifique cada vez mais no País e se torne o nosso verdadeiro braço industrial brasileiro. Tudo indica que isso pode acontecer num futuro próximo.

T&D - A Astrium tem uma importante presença no País com a sua divisão de imagens de satélite, a Astrium GEO-Information Services. O senhor poderia nos dar um panorama sobre a divisão e seus negócios?

Hardy - A Astrium GEO-Information Services é uma líder mundialmente reconhecida no setor e se beneficia de mais de 25 anos de experiência das empresas Spot Image e Infoterra. Tem acesso exclusivo aos dados dos satélites TerraSARX, Pléiades, SPOT e distribui dados de outros sensores de diversas características, podendo assim atender uma grande variedade de necessidades dos usuários finais. A empresa se estabeleceu no Brasil, em São Paulo, no início de 2009, para se aproximar do mercado brasileiro e assim atendê-lo melhor. No País, ela dispõe de uma rede de parceiros, todos especialistas em imagens de satélites e suas mais diversas aplicações. Com esses parceiros, já produzimos mosaicos de imagens de satélite de alta resolução de mais de oito estados da Federação.

Além de grandes empresas como a Petrobras ou a Vale, atendemos também o agronegócio e vários ministérios, tais como Defesa, Meio Ambiente e Agricultura, além de várias ONGs. Vale a pena destacar que nossos produtos foram usados e testados em projetos de produção do Cadastro Ambiental Rural, também conhecido como CAR. Com o novo Código Florestal, outros grandes projetos dessa natureza deverão sustentar a demanda por imagens no futuro.

T&D - No ano passado, o grupo anunciou sua participação no programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, ao oferecer vagas de estágios para profissionais brasileiros. O senhor poderia comentar sobre o envolvimento da Astrium com esta iniciativa?

Hardy - Ciente do interesse do Governo Federal em incentivar a ida ao exterior de estudantes brasileiros, notadamente no âmbito do programa Ciência sem Fronteiras, a Astrium, concomitantement com uma visita da presidente Dilma Rousseff à França, em final de 2012, ofereceu 20 vagas de estágios nas suas instalações europeias para serem ocupadas por brasileiros. A implementação deste compromisso assumido pelo CEO mundial da Astrium, François Auque, está atualmente acontecendo de acordo com as modalidades técnicas do programa.

A Astrium acredita muito nas virtudes da pesquisa tecnológica, da inovação e da formação superior e, nesse sentido, tem tomado algumas iniciativas interessantes. Por exemplo, o melhor aluno de engenharia aeroespacial do ITA recebeu um convite para passar alguns meses nas instalações da Astrium na Europa para acompanhar pesquisas do interesse dele, na área da propulsão, se não me engano. Existem outras iniciativas, cujos resultados não foram ainda publicados. Posso, todavia, adiantar que, após um processo de seleção, a Astrium e a Equatorial irão apoiar, inclusive financeiramente, um ou dois projetos de pesquisas conduzidos por laboratórios ou universidades
brasileiras.

T&D - Recentemente, a Astrium inaugurou no Rio de Janeiro um escritório para sua divisão de serviços em comunicações. Qual é a atuação da empresa nesse campo no País?

Hardy - Na realidade, é a consequência direta da aquisição da empresa Vizada por nosso grupo em 2012. Estamos reorganizando a operação da Vizada no Brasil numa nova empresa que acabamos de criar efetivamente, a Astrium Serviços de Comunicação. A atuação dessa empresa será orientada essencialmente para dois segmentos: primeiro, o de comunicação marítima (“Maritime”) provendo soluções de comunicação de voz, dados e internet via satélite para embarcações que naveguem na costa brasileira; segundo, é o de soluções móveis via satélite (MSS), que abrange o portfólio de serviços INMARSAT, como BGAN para comunicação terrestre; FLEET BROADBAND, para comunicação embarcada; SWIFT BROADBAND, para comunicação aeronáutica; e ISATPHONE, para telefonia. Dentro deste segmento a Astrium também dispõe de soluções de telefonia via satélite IRIDIUM e soluções de comunicação M2M SKYWAVE.

T&D - E as expectativas?

Hardy – São de crescimento em todas as áreas. A Astrium atuará como provedora desses serviços através de canais e também diretamente. Nossa ambição é nos tornarmos um “player” importante no segmento “Maritime”, onde a Astrium tem grande participação e experiência internacional, junto a empresas transportadoras e ligadas a atividades do pré-sal. No segmento MSS, nosso objetivo é atuar em parceria com nossos canais para que estes aumentem sua participação de mercado. No nosso negócio, o “céu” não tem limites, apenas oportunidades!

T&D - A empresa é também um importante player mundial no campo de lançadores espaciais, e o Brasil está em busca de acesso autônomo ao espaço. A empresa tem olhado oportunidades neste segmento?

Hardy - Efetivamente, a Astrium é um “player” de primeira linha em nível mundial na área de lançadores de satélite e, certamente, o líder europeu neste setor. Basta lembrar que a Astrium é o “prime contractor” do foguete europeu Ariane, lançado de Kourou, na Guiana Francesa, e que, no dia 5 de junho, alcançou a marca incrível de 55 tiros seguidos bem sucedidos; desta vez, ele levou com sucesso o veículo de reabastecimento automático (ATV 4 - “Albert Einstein”), também construído pela Astrium, até a ISS (International Space Station). O ATV4 é a maior carga já transportada pelo Ariane: 20,2 toneladas. Além do Ariane, Astrium contribui para outro programa europeu de lançador, o Vega, com elementos essenciais, tais como os algoritmos de guiagem e controle, o software embarcado, o sistema de controle de atitude e equipamentos aviônicos e componentes estruturais.

Com tal experiência, é óbvio que acompanhamos com interesse os esforços brasileiros para alcançar o acesso autônomo ao espaço que o País legitimamente vem buscando. Neste contexto, a abertura para o diálogo tem sido evidente e sempre mantemos contatos regulares com o DCTA e o IAE há já vários anos.

T&D - Além do Brasil, há na América do Sul outros importantes mercados no campo espacial. A Astrium, por exemplo, já tem negócios na Argentina e no Chile, para citar dois países. Quais são as perspectivas de outros na região?

Hardy - A América do Sul é, de maneira geral, uma região que está com perspectivas promissoras no campo espacial. E é verdade que, além das fronteiras do Brasil, existem perspectivas na área.

A Argentina tem sido para a Astrium um importante cliente. Vem construindo seu primeiro satélite de telecomunicações, o Arsat-1, para o qual fornecemos importantes componentes da plataforma. Esperam-se as gerações seguintes Arsat-2 e Arsat-3 cuja cobertura deverá ser maior do que o primeiro.

O Chile é também um cliente significativo, sendo o primeiro país da região a adquirir seu próprio satélite de observação de alta resolução, o SSOT (ou FASat- Charlie), colocado em órbita em dezembro de 2011. Com uma resolução de 1,5 metros, o satélite de pouco mais de 100 kg de massa ao lançamento, foi desenvolvido e construído pela Astrium em Toulouse, com um time de engenheiros chilenos acompanhando as operações fabris “in situ”. Existem no Chile ideias para a próxima geração de satélites de observação, e também se comenta a respeito de um possível programa de satélite de telecomunicações, já que o último terremoto mostrou a vulnerabilidade das infraestruturas de “telecom” no solo, cujo disfuncionamento na ocasião foi crítico.

Outros países, como o Peru e a Colômbia, apresentam perspectivas comerciais interessantes, a médio prazo. Constata-se um interesse importante para os sistemas de observação da Terra por satélite cujas aplicações vão desde a segurança das fronteiras até o monitoramento ambiental, passando pela agricultura, a prevenção dos riscos naturais ou o monitoramento do crescimento urbano.

Em todos os casos, a América do Sul é um vasto mercado para o fornecimento de imagens ópticas ou radar de observação da Terra, bem como para serviços de comunicações comerciais ou públicas. A região toda oferece espaço para crescer, sem trocadilho!

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 133, julho de 2013.

Nota do blog: na última quarta-feira (31), A EADS anunciou uma ampla restruturação de suas unidades, a ser implementada em 2014, e que resultará na alteração de seu nome para Airbus Group. A companhia passará a ser formada por três divisões: a já existente Airbus, responsável por aeronaves comerciais; Airbus Defence & Space, que resultará da fusão da unidade Cassidian, de defesa e segurança, da Astrium, de espaço, e da Airbus Military, de aeronaves militares; e a Airbus Helicopters (novo nome da Eurocopter). A restruturação deverá ter reflexos em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde a Astrium, Cassidian e Airbus Military já estão presentes.
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domingo, 28 de julho de 2013

As "cinco irmãs" no setor de defesa [e espaço]

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Na coluna "Defesa & Negócios" da edição n.º 133 da revista Tecnologia & Defesa, que está nas bancas, há um pequeno artigo com uma análise sobre o interesse das grandes empreiteiras brasileiras pelo setor de defesa, que se estende para o setor espacial (em particular depois da edição do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais - PESE, e do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - SGDC). Reproduzimos o artigo a seguir, com algumas atualizações obtidas após o seu fechamento no último mês de junho:

As "cinco irmãs" no setor de defesa

André M. Mileski

Nas últimas décadas, as maiores construtoras brasileiras têm tido papel de grande relevância no desenvolvimento do País, atuando não apenas na construção civil e gerenciamento de grandes obras de infraestrutura, mas também em setores considerados estratégicos, como os de energia, petróleo e gás, petroquímico, comunicações, naval e serviços públicos, entre outros. No final de 2008, com a edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), as perspectivas de grandes investimentos governamentais nas áreas de defesa e segurança e o desejo do governo em fomentar a criação de grandes atores industriais, as principais delas, como a Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão (conhecidas como “as cinco irmãs”), passaram a olhar atentamente o setor. A seguir uma breve análise sobre as movimentações de cada um destes grupos.

Odebrecht

O primeiro grande grupo a estruturar seus negócios no setor foi a Odebrecht que, em janeiro de 2009, se associou à DCNS, da França, para a constituição de uma joint-venture para a construção de um estaleiro e submarinos para a Marinha do Brasil (MB), no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Desde então, o grupo passou a analisar diversas oportunidades, inclusive de aquisições e parcerias. Em maio de 2010, juntou-se à Cassidian (então EADS Defence & Security) para projetos de monitoramento de fronteiras, dentre os quais o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), do Exército Brasileiro. A parceria com a Cassidian foi dissolvida no início deste ano. Em março de 2011, adquiriu a "missile house" brasileira Mectron e nos últimos anos também manteve conversações visando à aquisição da Avibras e Opto Eletrônica. [Nota do blog: diversas empresas e grupos nacionais e estrangeiros, inclusive a Odebrecht, continuam análises e conversações visando a aquisição da Opto]

Em outubro de 2012, a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT) - divisão que reúne todos os negócios do grupo no setor de defesa, firmou com a estatal Russian Technologies State Corporation um memorando de entendimentos visando à formação de uma joint venture para projetos militares, tais como a fabricação no País de helicópteros Mi-17, e sistemas de defesa aérea, onde há negociações em andamento com o Ministério da Defesa para a aquisição e produção local de sistemas de mísseis, iniciativa que deverá contar com a participação da Mectron. Especula-se que a ODT vá também participar do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), envolvendo-se com a infraestrutura terrestre.

[Nota do blog: após a publicação desta pequena reportagem, T&D / blog Panorama Espacial receberam a informação, ainda não confirmada, de que a Odebrecht também estaria interessada no segmento de lançadores, em associação com a italiana Avio. Faremos uma análise específica sobre as perspectivas em lançadores muito em breve. Adicionalmente, vale citar que a ODT foi uma das 69 empresas pré-selecionadas no programa Inova Aerodefesa]

Andrade Gutierrez

A Andrade Gutierrez tem apostado suas fichas em defesa associada ao grupo francês Thales, formalizada no início de 2012, por meio da constituição de uma empresa estratégica de defesa, controlada pela Andrade Gutierrez (60%), cujo objetivo foi o de “somar competências para atuar em determinados projetos no setor de defesa e segurança, oferecendo soluções para o desenvolvimento e gestão de sistemas complexos de monitoramento e comunicação civis e militares para determinados projetos.” Desde então, o grupo tem participado de concorrências em programas complexos, como o SISFRON, e também tem demonstrado interesse em outras iniciativas, como comunicações. Na LAAD 2013, realizada em abril, apresentou soluções desenvolvidas pela Veotex, uma de suas empresas controladas, que atua nos segmentos de monitoramento eletrônico integrado de imagens, vídeo alarme e controle de acessos.

[Nota do blog: a Andrade Gutierrez tem estado próxima da Embraer, e comenta-se que será a responsável pelas obras civis associadas ao SISFRON. A Andrade Gutierrez Defesa e Segurança foi também uma das empresas pré-selecionadas no programa Inova Aerodefesa]

Camargo Corrêa

De todas as grandes, a Camargo Corrêa é a menos envolvida, o que não significa dizer que não tenha interesses na área. Nos bastidores, é eventualmente citada como candidata a se envolver no Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER), da MB, o que poderia se dar por meio do estaleiro Atlântico Sul, uma das maiores empresas de construção naval da América do Sul, da qual detém importante participação societária. O setor espacial, em particular a área de lançadores, também está no radar do grupo industrial paulista.

OAS

A construtora baiana OAS recentemente constituiu uma empresa para iniciativas em defesa e segurança, a OAS Defesa S/A, criada com o intuito de desenvolver e oferecer soluções operacionais nesses segmentos. A empresa se associou à Rafael, de Israel, para a apresentação de proposta de implementação do Sistema de Coordenação de Operações Terrestres Interagências (SisCoti), que integra o Projeto Proteger, do Exército Brasileiro (ver T&D nº 132). Em 2012, na concorrência para a primeira fase do SISFRON, a OAS apresentou proposta associada à Selex, do grupo italiano Finmeccanica.

[Nota do blog: a OAS Defesa também foi pré-selecionada no programa Inova Aerodefesa]

Queiroz Galvão

Na concorrência para a primeira fase do SISFRON, a Queiroz Galvão fez parte do consórcio Fronteiras, em conjunto com a Flight Technologies e o grupo norte-americano Northrop Grumman. Bastante discreta, em outubro de 2012 assinou uma carta de intenções com o grupo Safran (proprietário da SNECMA, Turbomeca, Sagem, entre outras empresas do segmento aeroespacial e de defesa), para projetos não revelados. O grupo pernambucano é também sócio da Camargo Corrêa no estaleiro Atlântico Sul.

[Nota do blog: a Queiroz Galvão Tecnologia em Defesa e Segurança também foi pré-selecionada no programa Inova Aerodefesa]

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 133, julho de 2013.
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Programa Inova Aerodefesa: pré-seleção das empresas

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EMPRESAS PRÉ-QUALIFICADAS NO INOVA AERODEFESA

Brasília 22 de julho de 2013 – A FINEP – Agência Brasileira da Inovação acaba de divulgar o resultado preliminar das empresas selecionadas no Plano de Apoio Conjunto Inova Aerodefesa, lançado em parceria com o BNDES, Ministério da Defesa e Agência Espacial Brasileira (AEB). Foram habilitadas 69 Empresas Líderes que estarão aptas a apresentar os planos de negócios e participar do workshop de instrução e fomento de parcerias, a ser realizado no dia 27 de agosto, em São Paulo, juntamente com as empresas parceiras e as ICTs cadastradas. Os recursos disponibilizados no edital somam R$ 2,9 bilhões, sendo que a demanda qualificada até o momento é de R$ 12,6 bilhões.

Cada projeto receberá o total de até 90% do financiamento, sendo os 10% restantes contrapartida obrigatória das instituições qualificadas. Empresas parceiras e ICTs que também encaminharam Cartas de Manifestação de Interesse receberão um e-mail do Inova Aerodefesa comprovando o cadastro realizado. Também foram aprovados na etapa de pré-qualificação os quatro fundos de investimento cadastrados, com demanda global de R$ 500 milhões. O resultado definitivo da seleção das empresas líderes após recursos está previsto para o dia 12 de agosto.

A finalidade do edital é selecionar planos de negócios de empresas brasileiras que contemplem projetos de inovação nas quatro linhas temáticas:  Aeroespacial, Defesa, Segurança e Materiais Especiais. A ideia é incentivar o adensamento de toda a cadeia produtiva destes setores, considerados estratégicos dentro do Plano Inova Empresa, do Governo Federal.

O Programa Inova Empresa está sendo conduzido pelo Departamento das Indústrias Aeroespacial, Defesa e Segurança, lotado na Superintendência Regional de São Paulo. Contatos com relação a este programa devem ser direcionados para o e-mail cp_inova_aerodefesa@finep.gov.br.

Fonte: Finep

Comentário do blog: praticamente todas as principais indústrias nacionais que atuam em tecnologia espacial figuram na pré-seleção do programa. Curiosa também a presença de quatro grandes empreiteiras nacionais, que submeteram projetos: Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão. Aliás, sobre os negócios e interesses das grandes empreiteiras nos setores de defesa e aeroespacial, recomenda-se a leitura da análise "As cinco irmãs no setor de defesa", publicada na coluna "Defesa & Negócios" da revista Tecnologia & Defesa n.º 133, que se encontra nas bancas.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Notas de Le Bourget

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Esta semana, está acontecendo em Le Bourget, nos arredores de Paris, França, a 50ª edição do tradicional Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço. A revista Tecnologia & Defesa e o blog Panorama Espacial estiveram presentes nos primeiros dias e apresenta a seguir algumas notas com as principais notícias no setor espacial, em especial relacionadas ao Programa Espacial Brasileiro.

Embraer: interesse em lançadores? Não!

Na noite de segunda-feira (17), a Embraer promoveu um encontro com a imprensa com a presença de seus principais executivos, entre eles Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa & Segurança. O dia, aliás, foi histórico para a companhia brasileira, anunciando contratos para a venda de até 365 de novas aeronaves regionais a serem desenvolvidas.

Questionado pela reportagem de T&D sobre um eventual interesse da Embraer no segmento de lançadores, Aguiar foi taxativo ao afirmar que não vê a companhia entrando neste mercado. No passado, algumas empresas estrangeiras e a própria Alcântara Cyclone Space chegaram a falar com a Embraer. O caminho hoje parece livre para grupos como a Odebrecht e a Camargo Corrêa, além da Avibras, que têm olhado nessa direção.

Embraer, Visiona e o PNAE

Aguiar também falou sobre o interesse da Embraer, por meio da Visiona, em participar de outras missões do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), nomeadamente, de observação terrestre e meteorologia. A Visiona deve funcionar como plataforma de contratação e integração, e outras empresas o grupo poderão também participar (a Orbisat, por exemplo, tem expertise em tecnologia de imageamento por radar). Questionado pelo blog sobre a participação da Telebras, estatal de comunicações, numa empresa que buscará atuar em outros projetos espaciais, o executivo da Embraer respondeu afirmando que a Telebras pode em algum momento vir a deixar o capital da sociedade.

SGDC: a proposta da Thales Alenia Space

Durante o Paris Air Show, T&D teve a oportunidade de conversar com Sérgio Bertolino, vice-presidente para o segmento de comunicações para a América Latina da Thales Alenia Space (TAS), uma das três finalistas da concorrência do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Em bom português, Bertolino destacou o enorme interesse do grupo em conquistar o negócio, enfatizando a proposta de transferência de tecnologia em campos não apenas de comunicações, mas observação terrestre (sensores óticos e radares) e meteorologia, dentre outros. O executivo relevou que, em fevereiro, quando da solicitação de propostas pelo governo brasileiro, a TAS decidiu contratar a fabricação dos tubos de banda Ka (TWT) a serem usados na construção do satélite caso venha a ser selecionada. A decisão, que envolve certo risco, teria por objetivo garantir a entrega do SGDC no prazo de 31 meses contados de sua contratação.

SGDC: especulações sobre a proposta da Loral

Nos bastidores, muito se comentou sobre a proposta da norte-americana Space Systems / Loral. A fabricante teria oferecido um satélite com capacidade em banda Ka próxima de 80 gigabytes por segundo (o requisito inicial feito no RFP era de 40 gigabytes). Sua proposta de transferência tecnológica também seria satisfatória e iria além do que foi solicitado pelo governo. Ainda, bastante conhecida no mercado por seus preços competitivos, acredita-se que a sua oferta seria mais barata, aspecto que deve ter significativa influência na decisão (note-se que a valorização do dólar frente ao real. Adicionalmente, já se discute uma ampliação orçamentária para o SGDC, tendo em vista a insuficiência dos recursos inicialmente destinados: R$716 milhões). Não se trata de um consenso, mas a Loral é considerada como favorita.

SGDC: o processo de escolha

A decisão de quem fornecerá o SGDC, prevista para o final de julho, funcionará da seguinte forma: a Visiona analisará as propostas e apresentará um relatório bastante detalhado para o Comitê Diretor do Projeto (três membros, um indicado pelo Ministério das Comunicações, outro pela pasta da Defesa, e o terceiro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), instância decisória máxima do SGDC. As contrapartidas tecnológicas e de transferência tecnológica, conhecidos como offsets, estão a cargo da Agência Espacial Brasileira (AEB), que também deverá opinar. Neste momento, a Visiona não está envolvida em tais discussões, estando responsável pelas avaliações técnicas e financeiras.

ACS e as obras em Alcântara

A binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) é uma das empresas de capital brasileiro que estão presentes no evento, no pavilhão ucraniano. Questionado sobre a situação das obras do complexo de lançamento do Cyclone-4 em Alcântara, Olexander Serdyuk, diretor da ACS, informou que as mesmas estão paralisadas aguardando a liberação de recursos adicionais provenientes do aumento de capital recentemente aprovado. Caso os recursos sejam liberados até julho, a expectativa é que o primeiro voo do foguete Cyclone 4 ocorra até o final de 2014. Segundo o diretor, o desenvolvimento do lançador segue de acordo com o planejado e deve ser concluído até o final do ano.

Satélite italiano a bordo do Cyclone 4

Serdyuk também revelou que a ACS assinará hoje (20), com uma universidade italiana, um contrato para o lançamento de um pequeno satélite científico, somando-se ao satélite japonês Nano-JASMINE. Também foi revelado que um satélite científico ucraniano e outro da Estônia, ambos de pequeno porte, devem compor a primeira missão.

Arianespace, Vega e Göktürk-1

Na terça-feira (18), a Arianespace anunciou sua seleção para o lançamento do satélite de observação Göktürk-1, do governo da Turquia, a bordo do foguete italiano Vega, a partir de 2015. Trata-se do nono contrato assinado apenas este ano e o segundo contrato comercial para o lançador Vega num mercado aberto. No mesmo dia, em conferência para a imprensa, Stéphane Israël, CEO da companhia, destacou o excelente momento e boas perspectivas, assuntos que serão abordados pelo blog em nota específica dentro dos próximos dias.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Short-list do SGDC: uma análise


No final da tarde da última sexta-feira (3), o aguardado short-list dos potenciais fornecedores do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi divulgado pela Visiona, com três nomes, alguns não esperados: a Space Systems / Loral, dos EUA; a Thales Alenia Space, da França; e a Mitsubishi Electric Corporation, do Japão.

Segundo informação obtida pelo blog Panorama Espacial, o processo de seleção se encontra agora em fase de apresentação pelos concorrentes de suas ofertas finais e melhoradas (algo conhecido pela sigla em inglês BAFO, de best and final offer). Reuniões com representantes das três selecionadas estão previstas para acontecer no decorrer da próxima semana. A expectativa é que a seleção final ocorra ainda no primeiro semestre.

Os americanos

Desde que o projeto do SGDC começou a tomar forma, há pouco menos de dois anos, a californiana Space Systems / Loral (SS/L) passou a ser citada nos bastidores como uma das grandes favoritas a fornecer o primeiro satélite, particularmente por sua reconhecida experiência e conhecimento em missões de satélites de grande porte em bandas X (Anik G1, Optus C1, XTAR-EUR, Spainsat, Optus C1, etc.) e Ka (Amazonas 3, Viasat-1, etc.), e por suas propostas economicamente agressivas. Sua competitividade financeira, aliás, é conhecida pela Star One, subsidiária da brasileira Embratel, que nos últimos anos contratou e negociou três satélites com a fabricante.

Pontos fortes: preço. A SS/L tem no mercado a imagem de oferecer preços extremamente competitivos, uma das razões pela qual detém grande parcela do mercado comercial de satélites geoestacionários de comunicações. A empresa também conta com grande experiência em satélites de bandas X e Ka, estando em vantagem em relação às outras duas finalistas quanto à missões de grande porte já desenvolvidas.

Pontos fracos: embora seja atualmente controlada pela MDA, companhia de capital canadense, a SS/L é uma empresa com sede nos EUA, estando, portanto, sujeita à legislação desse país, inclusive ao International Traffic in Arms Regulations (ITAR). Muito embora o ITAR esteja em processo de revisão e flexibilização, o pacote de transferência de tecnologia oferecido pelos americanos pode ser limitado em comparação aos de seus concorrentes.

Os franceses

A Thales Alenia Space (TAS), joint-venture do grupo francês Thales (67%) com a italiana Finmeccanica (33%) para o setor espacial, é responsável pelo fornecimento do sistema de comunicações militares por satélite do Ministério da Defesa da França, o Syracuse, que se encontra em sua terceira geração.

Durante a LAAD 2013, que aconteceu no último mês de abril, a TAS se apresentou a autoridades e partes interessadas no projeto do SGDC como uma grande player em missões de defesa e de uso dual, destacando sua participação nos sistemas de comunicações militares Syracuse (França), Sicral (Itália) e Satcom BW (Alemanha). Em missões duais, os destaques foram a missão Athena Fidus, de banda Ka, iniciativa conjunta dos governos da França e da Itália, e os mercados de exportação na Turquia, Brasil e Coréia do Sul. Seu expertise em banda Ka, tecnologia que será utilizada no SGDC, foi também mencionado, com envolvimento em mais de 20 programas desde 1991. Nathalie Smirnov, vice-presidente executiva para a unidade de telecomunicações da TAS, e Christophe Garier, da Thales International, passaram pela feira e tiveram o SGDC como um dos assuntos de suas agendas.

Veja a postagem "Thales Alenia Space e seus planos para o Brasil", de outubro de 2012.

Pontos fortes: acredita-se que a proposta da TAS seja bastante competitiva em termos de transferência de tecnologia, beneficiando-se da parceria estratégica franco-brasileira firmada em dezembro de 2008. A Thales, diga-se de passagem, tem uma presença respeitável no Brasil, inclusive industrial, por meio da Omnisys, de São Bernardo do Campo (SP), que participa de alguns projetos do Programa Espacial Brasileiro, como o CBERS e a Plataforma Multimissão (PMM), entre outros.

Pontos fracos: não há consenso em relação ao quão competitivo seria a proposta francesa em termos financeiros. Há quem diga que a TAS estaria disposta a um grande esforço financeiro para conquistar o contrato, muito embora o fator preço, associado à questão cambial (dólar versus euro) tenha tido certa importância na redução da representatividade da TAS no mercado comercial de satélites geoestacionários nos últimos anos. Aliás, preço foi um dos principais motivos que levaram à dolorosa perda do Star One C3 para a Orbital Sciences Corporation, dos EUA, no final de 2011.

Em conversas reservadas com pessoas que acompanham a concorrência, chegou-se a mencionar um possível prejuízo à proposta francesa em razão do apoio de Paris ao candidato derrotado à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o mexicano Herminio Blanco, em detrimento de Roberto Azevêdo, candidato brasileiro, eleito em 7 de maio. Em artigo no "Valor Econômico" de 30 de abril, o jornalista Sérgio Leo, citando fontes governamentais, lembrou que os países europeus com maior resistência à candidatura brasileira são, exatamente, os que têm grandes interesses em negócios na área de defesa com o Brasil, inclusive a França.

Os japoneses

Para alguns, a seleção da japonesa Mitsubishi Electric Corporation (Melco) para a fase final do processo foi uma surpresa (embora não a maior). Todavia, fato é que desde o final de outubro de 2012 a Melco já era citada como uma forte competidora, "jogando com uma oferta mais agressiva."

Pontos fortes: os japoneses desejam ampliar a cooperação espacial com o Brasil, tendo realizado alguns encontros e workshops com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os interesses passam por meios de monitoramento de desastres naturais, Observação Terrestre e, logicamente, satélites de comunicações. A tecnologia espacial japonesa, em particular a de satélites, é também conhecida por sua qualidade e confiabilidade.

Pontos fracos: durante muito tempo, a tecnologia espacial japonesa foi considerada no mercado como cara, uma grande barreira para a sua penetração no mercado. Ainda assim, nos últimos anos a Melco conquistou alguns contratos, como o dos satélites Turksat 4A/B, da Turquia, em março de 2011, que contarão com transpônderes em banda Ka. Outro ponto eventualmente lembrado sobre os japoneses são suas restrições legais (sendo flexibilizadas) e pudor acerca da exportação de sistemas de defesa. Apesar do satélite não seja uma arma em si, fato é que o SGDC terá utilidade militar, servindo o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa. A Melco faz parte do grupo Mitsubishi, controlador da Mitsubishi Aircraft Corporation, que desenvolve uma família de aviões regionais que compete diretamente com a família dos E-Jets da Embraer (controladora da Visiona), aspecto não principal, mas que pode vir a ter algum valor, especialmente considerando-se o fato de que a SS/L e a TAS não são concorrentes diretas da Embraer.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Entrevista com o novo presidente da Arianespace


Abaixo, reproduzimos uma entrevista com o novo diretor-presidente (CEO) e chairman da Arianespace, Stéphane Israël, publicada no final de abril no website da companhia europeia. A entrevista foi livremente traduzida e adaptada pelo Blog Panorama Espacial (para acessar o original em inglês, clique aqui).

Stéphane Israël, que antes ocupava o cargo de chefe de gabinete do Ministério de Renovação Industrial da França e teve passagens na EADS e Astrium, fala sobre suas perspectivas iniciais na companhia, e discute a posição competitiva da companhia num mercado de serviços de lançamento em mudanças.

Como o senhor vê sua função como sucessor de Jean-Yves Le Gall?

Eu estou seguindo os passos de um verdadeiro visionário do setor espacial! Jean-Yves colocou a Arianespace no caminho de sucesso de longo prazo com sua ênfase em qualidade e confiabilidade - algo que crescentemente nos coloca hoje a frente de nossos competidores - além da chegada do Soyuz e do Vega em Kourou, que se somam ao Ariane criando uma família única de veículos lançadores. Eu desejo todo o melhor à Jean-Yves em sua nova posição como chefe da Agência Espacial Francesa (CNES). Em conjunto com a indústria e a Agência Espacial Europeia, trabalharemos juntos e próximos a ele.

Quais são seus primeiros pensamentos sobre a Arianespace?

Eu estou impressionado com o profissionalismo e entusiasmo de todos que eu encontrei. Claramente, esta companhia é orientada aos clientes ("customer-oriented") - prontas para entregar seus compromissos por meio de seu conhecimento operacional. Há uma razão para que a Arianespace seja a líder: sua dedicação à excelência, das nossas equipes de lançamento no centro espacial aos representantes comerciais ao redor do globo; daqueles que estão na sede em Evry, às nossas equipes nos escritórios internacionais localizados em Cingapura, Tóquio, Washington e na Guiana Francesa.

Quais são as suas próximas prioridades?

Primeiramente, eu buscarei me reunir com nossos clientes ao redor do mundo, dando continuidade a ação de Jean-Yves em fortalecer nosso posição privilegiada. Também coloco uma ênfase particular em relacionamentos pessoais, que eu buscarei ativamente com os atores-chave de nossa indústria. Outra prioridade principal é passar algum tempo no centro de lançamento e ver a família completa de lançadores da Arianespace em ação, e ouvir o "feedback" de toda a comunidade da Arianespace em Evry e Kourou, e, mais genericamente, de toda a comunidade espacial que tem tornado a Arianespace um sucesso!

Como você vê a posição competitiva da Arianespace hoje?

Eu concordo integralmente com o mote não oficial da Arianespace: "lançamentos falam mais alto que palavras." Nossos clientes - sejam eles operadores de satélites de comunicações, construtores de espaçonaves, agências espaciais e instituições internacionais - confiam na Arianespace para entregar suas cargas em órbita com segurança e com a precisão demonstrada por nossa família de lançadores, missão após missão. A consideração do mercado do valor de nossos serviços é confirmada, ano após ano, pelos sucessos comerciais que alcançamos. Sob minha liderança, a Arianespace continuará a falar com a mesma voz na entrega da mensagem, que é alta e clara - baseado no tempo de sucessos e desejo de excelência que têm norteado nossa companhia pelas últimas três décadas.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Polo Tecnológico de Sistemas Espaciais no Rio Grande do Sul


Governo do Rio Grande do Sul (RS), Brasil, e AEL assinam contrato para criação de Polo Tecnológico de Sistemas Espaciais

Programa é pioneiro na América Latina e pretende fomentar e contribuir para descentralização e autossuficiência do setor no Brasil

Rio Grande do Sul, 29 Abril de 2013 - Uma parceria inédita foi criada na manhã desta segunda-feira (29), em Israel, para fomentar, descentralizar e desenvolver o setor espacial brasileiro. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul e AEL Sistemas - situada em Porto Alegre e atuando no segmento aeroespacial desde 1983 - assinaram um Memorando de Entendimento durante a visita da comitiva gaúcha em missão empresarial em Israel.

O documento celebrado no Centro de Tecnologia Avançada de Haifa corresponde à formalização da intenção de seus signatários de implantar um programa capaz de atender as necessidades essenciais do país e contribuir para a autossuficiência nessa área. A iniciativa envolverá a participação do meio acadêmico (universidades), institutos, a iniciativa privada e o poder público. A participação do meio acadêmico se torna indispensável para a formação de mão de obra especializada.

O Governo de Estado estará se comprometendo em ampliar as capacitações e infraestruturas mínimas fazendo investimentos no estado, como, por exemplo, ampliar as capacitações do CIENTEC (Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul) e do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC). A vanguarda tecnológica e a expertise serão garantidas por meio da experiência das empresas com atuação reconhecida no setor, como no caso da AEL e também de outras empresas parceiras nacionais e internacionais.

O primeiro projeto prático do polo será o desenvolvimento de um satélite de pequeno porte envolvendo as universidades, a AEL e parceiros internacionais. O objetivo será gerar interesse do meio acadêmico no segmento espacial.

Segundo o presidente da AEL Sistemas, Shlomo Erez, a assinatura do contrato simboliza a intenção da empresa de, em conjunto com o Governo do Estado, desenvolver no Rio Grande do Sul tecnologias estratégicas que irão atender necessidades essenciais do Brasil. "A criação deste polo espacial vai inserir nosso Estado no seleto grupo de regiões do mundo que dispõe de infraestrutura e know-how para a definição de Sistemas Satelitais, Integração de Satélites e Fabricação e Qualificação de Componentes, Unidades e Subsistemas de uso espacial de alta tecnologia e valor agregado", explica Shlomo.

Polo Tecnológico de Sistemas Espaciais

A assinatura do Memorando de Entendimento é considerado o primeiro passo para a concretização do Polo Tecnológico de Sistemas Espaciais. Os estudos realizados sugeriram que o polo tenha vocação mista, para continuar atraindo os investimentos da iniciativa privada e contribuir para transformar a região em polo de difusão de ciência, tecnologia e inovação, a partir de parcerias com as principais universidades do Estado, empresas internacionais, os institutos nacionais, os ministérios e a Agência Espacial Brasileira.

Fonte: AEL Sistemas

Comentários do blog: alguns comentários sobre a notícia:

1) Na LAAD 2013, que aconteceu no início de abril, já se comentava nos bastidores sobre as movimentações da Elbit Systems em relação ao Programa Espacial Brasileiro, inclusive sobre a criação do polo tecnológico. Interessante observar que várias empresas têm buscado se colocar em melhores posições para projetos espaciais, em especial aqueles derivados da Estratégia Nacional de Defesa.

2) Hoje (29), a israelense Elbit Systems também anunciou a contratação de uma subsidiária da AEL Sistemas para o fornecimento de sistemas optrônicos para o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), do Exército Brasileiro. Como parte do contrato, a Elbit Systems, controladora da AEL Sistemas, se comprometeu a realizar investimentos no Brasil em termos de capacidades, infraestrutura e know-how em optrônica, conhecimentos que podem vir a ser aproveitados em iniciativas espaciais (sensores óticos).

3) Destaque para a menção à ampliação da capacidade do CEITEC, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com atuação no campo de semicondutores. Desenvolvimentos em semicondutores e microeletrônica são essenciais para itens considerados críticos no setor espacial, como sistemas inerciais e sensores CCD (charge-coupled device).

4) O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) está presente no Rio Grande do Sul com o Centro Regional Sul, situado na cidade de Santa Maria. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) também desenvolve várias iniciativas no campo espacial, inclusive o desenvolvimento de um nanossatélite universitário, dentro do Programa Nanosat C-BR.
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quarta-feira, 17 de abril de 2013

LAAD 2013: o SGDC

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No setor espacial, embora não tenha sido único, o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), tocado pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal Telebrás, foi o grande destaque na LAAD Defence & Security 2013.

As propostas

No último dia 8, sete propostas foram entregues à Visiona. Apresentaram suas ofertas as europeias Astrium e Thales Alenia Space, as norte-americanas Boeing e Space Systems Loral, a japonesa Mitsubishi Electric, a Israel Aerospace Industries (IAI), e a russa ISS Reshetnev. As propostas da IAI e Reshetnev tem como parceira a canadense MDA, que seria responsável pelo fornecimento das cargas úteis das bandas Ka e X. É curioso observar o fato de que a MDA é controladora da Loral, adquirida em 2012.

"Short list" e definição

A expectativa é que a Visiona anuncie uma lista reduzida com três propostas (conhecida pelo termo em inglês "short list") em maio. A decisão do fabricante é aguardada para junho, com a assinatura do contrato nos meses seguintes.

Encontros

A LAAD 2013 foi o ambiente propício para encontros entre os interessados no SGDC. Executivos sêniores dos principais fabricantes, como Astrium, Thales Alenia Space e Boeing, além de Nelson Salgado, presidente da Visiona, estiveram circulando na feira e se reunindo com parceiros e governo. José Raimundo Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) e Petrônio Noronha, diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB também compareceram ao evento, com agendas cheias.

Movimentação israelense

Chama atenção o grande interesse da estatal IAI em participar dos projetos espaciais brasileiros. O grupo, que atua nos setores aeroespacial e de defesa, tem em seu portfólio de produtos espaciais soluções em lançadores (Shavit, de pequeno porte) e satélites de comunicações e imageamento, tanto ótico como radar. Em entrevista dada a uma publicação especializada, um representante da IAI no Brasil destacou o interesse do grupo no País em satélites geoestacionários e de monitoramento ambiental. Na semana passada, a IAI anunciou a aquisição de participação na IACIT, empresa de São José dos Campos especializada na área de radares e sistemas eletrônicos. Há meses, o blog Panorama Espacial também tem ouvido rumores sobre discussões para parcerias e/ou iniciativas conjuntas entre a IAI e a Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A IAI e seus interesses espaciais na América do Sul será objeto em breve de uma postagem com análise específica.

Escolha comercial versus escolha estratégica

A pergunta que todos se fazem é sobre os critérios que pautarão a decisão do SGDC, e qual é a extensão do mandato dado pelo governo à Visiona. Será meramente uma escolha comercial, em que o preço é item crítico, ou a Visiona e o governo também levarão em consideração compromissos e ações voltadas a transferência de tecnologia e contrapartidas, entre outros?
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