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terça-feira, 1 de novembro de 2016

T&D: "Satélites de Observação Terrestre na América do Sul"

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Satélites de Observação Terrestre na América do Sul

André M. Mileski

Nos últimos anos, o número de países que passaram a deter meios autônomos de observação terrestre a partir do espaço cresceu consideravelmente, seguindo uma tendência global de disseminação da tecnologia espacial entre os chamados emergentes. Na América do Sul, não tem sido diferente, com países que já têm tradição nesse campo, como Brasil e Argentina, lançando novas missões de observação, o Chile e a Venezuela se juntando ao clube, e outros como Peru e Bolívia prestes a integrá-lo.

A seguir, um panorama sobre os programas e projetos de satélites de observação terrestre na América do Sul, numa atualização de artigo similar publicado no final de 2013, na edição n.º 133 de T&D.

Argentina

O programa argentino de satélites de observação é hoje um dos mais avançados da América do Sul, ao lado do brasileiro, abrangendo missões tanto óticas como radar, geralmente implementadas em regime de parceria internacional. Seu primeiro sistema de sensoriamento remoto foi o SAC-C, lançado em 21 de novembro de 2000, e que contava com dois sensores óticos com resoluções nas faixas de 35 a 350 metros, destinados a produzir imagens multiespectrais para estudos da Terra, além de sensores científicos específicos. A missão foi realizada em cooperação com a agência espacial norte-americana (NASA), além de institutos de pesquisa da Europa e o Brasil, que executou os testes finais do artefato no Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

Passo seguinte foi dado com o SAC-D/Aquarius, uma parceria internacional, com participação de institutos dos Estados Unidos, França, Itália, Canadá e Brasil, e colocado em órbita em 10 de junho de 2011. Muito embora a missão tenha caráter mais científico (o sensor Aquarius, fornecido pela NASA, é um radiômetro em banda L para medição da salinidade dos oceanos), o satélite também foi equipado com uma câmera de alta sensibilidade (visualização de iluminação urbana, embarcações, tormentas elétricas, cobertura de neves), com 200/300 metros de resolução, e um sensor infravermelho (imageamento de incêndios e atividades vulcânicas), com resolução de 350 metros. Atualmente, a Argentina é o único país sul-americano a desenvolver de fato uma constelação de satélites com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR, sigla em inglês), capaz de imagear a superfície terrestre independente de luz e cobertura de nuvens, no âmbito do projeto SAOCOM. O projeto, que integra o Plano Espacial Nacional e é tocado pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE) prevê a construção de duas constelações, a SAOCOM 1 e SAOCOM 2, cada uma sendo composta por dois satélites. Os artefatos da primeira constelação estão em desenvolvimento e devem ser lançados a partir de 2017, tendo vida útil estimada em cinco anos. Contarão com um sensor radar operando em banda L, com resolução espacial entre 10 e 100 metros e cobertura de 35 a 350 km, com diferentes ângulos de observação. Quando em operação, o SAOCOM integrará o Sistema Ítalo-Argentino de Satélites para a Gestão de Emergências (SIASGE), considerado único no mundo, que envolverá a integração dos satélites argentinos com a constelação italiana COSMO-SkyMed.

Outro projeto nos planos argentinos é o do Satélite Argentino-Brasileiro de Informações Ambientais Marítimas - SABIA-Mar (designado localmente como SAC-E), discutido desde o final de 1998 com o vizinho, mas que apenas recentemente recebeu um novo impulso para a sua viabilização.

Bolívia

Apesar de ser um dos países mais pobres da América do Sul, durante o governo de Evo Morales a Bolívia buscou estruturar um programa espacial, e seu primeiro projeto concretizado foi o de um satélite geoestacionário de comunicações, o Tupac Katari, adquirido na China em dezembro de 2010 e lançado ao espaço no final de 2013. Desde então, um sistema de observação também está nos planos do governo local, para aplicações como o monitoramento de recursos minerais, muito embora não existam indicativos claros sobre a negociação e mesmo disponibilização de recursos para a aquisição. O satélite já tem até um nome definido – Bartolina Sisa, esposa de Tupac Katari, uma liderança indígena da história boliviana, com especificações também já definidas pela Agência Boliviana Espacial (ABE).

Apesar do programa espacial ter se iniciado com apoio chinês, o caminho para a obtenção de seu satélite de observação não necessariamente passa por Pequim. Segundo declarações dadas por representantes da ABE, várias empresas demonstraram interesse em cooperar com a Bolívia na obtenção de seu próprio satélite, dentre as quais a China, França, Reino Unido, Espanha, Argentina, Rússia e Japão. Nota-se que o governo e empresas francesas, que nos últimos anos já fecharam negócios com a Bolívia envolvendo a venda de helicópteros e sistemas de radares, estão bastante empenhadas em participar.

As estimativas de custos do projeto oscilam entre US$ 100 e 200 milhões, a depender da especificação final do sistema, e aguarda-se para breve uma definição sobre a disponibilização de recursos e definição do fabricante.

[Nota do blog: após o fechamento do artigo (setembro de 2016), surgiram notícias na imprensa boliviana indicando que o governo teria decidido "atrasar" o projeto de seu satélite de observação, passando a priorizar a encomenda de um segundo satélite de comunicações, o Túpac Katari II, para lançamento em 2021. A alegada razão seria o fato de que o satélite de comunicações geraria receitas financeiras, enquanto que o sistema de observação exigiria investimentos públicos que não seriam facilmente recuperados, não sendo o momento atual o mais adequado para tal investimento.]

Brasil

O Brasil foi pioneiro no continente sul-americano na exploração espacial, inclusive em sensoriamento remoto a partir do espaço. Em abril de 1973, o País se tornou o terceiro no mundo – depois dos Estados Unidos e do Canadá – a dispor de uma estação terrena de imagens de satélite, no caso, o norte-americano ERTS-1 (que originou a família Landsat), instalada em Cuiabá (MT) e operada pelo INPE. A busca pelo desenvolvimento de alguma autonomia em imageamento a partir do espaço veio com a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), lançada pelo governo no final da década de 1970, objetivando capacitações nos segmentos de lançadores (programa VLS), satélites e infraestrutura terrestre (laboratórios e centros de lançamento). A MECB previu o desenvolvimento e construção de dois satélites de sensoriamento, começando-se pelo SSR-1, que mais tarde veio a ser conhecido como Amazônia-1.

Após uma série de dificuldades tecnológicas e administrativas, a conclusão do Amazônia-1 é aguardada para os próximos anos, em 2018, após investimentos de cerca de R$ 200 milhões, e que contou com extensa contratação junto à indústria nacional. Baseado na Plataforma Multimissão (PMM), desenvolvida pelo INPE em conjunto com a indústria nacional, será equipado com uma câmera de visada larga com 40 metros de resolução e faixa de cobertura superior a 700 km, que produzirá imagens da Terra para aplicações no agronegócio, meio-ambiente, monitoramento de recursos naturais e em outros fins. Após o lançamento do Amazônia-1, espera-se que outros dois artefatos sejam colocados em órbita nos anos seguintes, o Amazônia-1B e o Amazônia-2.

Quase dez anos após a MECB, os governos do Brasil e da China assinaram um acordo de cooperação tecnológica visando ao desenvolvimento de dois avançados satélites de sensoriamento emoto, dentro do programa denominado CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), que desde então tem contribuído significativamente para a capacidade nacional em obter, processar e interpretar imagens geradas a partir do espaço.

O acordo assinado em 1988 contemplava o desenvolvimento e construção de dois satélites idênticos de sensoriamento remoto equipados com sensores óticos. Nos dois primeiros satélites, as responsabilidades não foram divididas igualitariamente: à China, caberia o desenvolvimento, fabricação e custeio do equivalente a 70% do projeto, enquanto que à parte brasileira os 30% restantes. O primeiro modelo, o CBERS 1, foi colocado em órbita heliossíncrona, a 778 km de altitude, em 14 de outubro de 1999, e operou até 2003, superando em quase 100% o tempo de sua vida útil estimada de dois anos. O segundo, por sua vez, subiu ao espaço em 21 de outubro de 2003. Em novembro de 2002, os dois governos firmaram um novo acordo prevendo a continuidade do CBERS com a construção de outras duas unidades - CBERS 3 e 4, maiores e mais sofi sticados, com sensores óticos com resoluções na faixa de 5 a 70 metros. Nesse novo acordo, definiu-se também uma nova divisão dos investimentos, agora igualitária, cada um respondendo por 50%.

Após a colocação em órbita do CBERS 2, e considerando que o CBERS 3 seria lançado apenas mais adiante, o INPE e sua contraparte chinesa decidiram construir um novo satélite idêntico aos de primeira geração, chamado CBERS 2B, de modo a cobrir o hiato da retirada de operação do último satélite da primeira série e a entrada de seu sucessor da segunda série. O CBERS 2B foi lançado em setembro de 2007.

O CBERS 3 foi perdido numa falha do lançador chinês no início de dezembro de 2013, o que levou a uma aceleração do cronograma para a colocação em órbita do CBERS 4, de forma a minimizar os danos causados pela ausência de um satélite da série em funcionamento. Na manhã de 7 de dezembro, a partir da base de Taiyuan, a cerca de 700 km de Pequim, o foguete Longa Marcha 4B decolou e, 12,5 minutos mais tarde, inseriu em órbita o CBERS 4.

Em razão da perda do CBERS 3 e considerando a vida útil estimada em três anos do CBERS 4, os governos do Brasil e da China optaram por construir um terceiro artefato da segunda geração da família, o CBERS 4A, que se aproveitará de componentes e subsistemas já contratados e construídos no processo de desenvolvimento dos modelos anteriores. O equipamento deve ser lançado ao espaço em setembro de 2018, e o desenvolvimento de uma terceira família, com mais dois satélites (CBERS-5 e 6) está em discussão no âmbito do Plano Decenal de Cooperação Espacial Brasil-China 2013-2022.

As imagens geradas pelo CBERS são utilizadas em programas de monitoramento do desmatamento na Amazônia, bem como em aplicações voltadas para a vegetação, a agricultura, o meio ambiente, o gerenciamento hídrico, a cartografia, a geologia, o gerenciamento de desastres naturais e a educação sobre temas ambientais.

O INPE tem também trabalhado há vários anos no conceito de um satélite radar (SAR), que inicialmente seria desenvolvido em conjunto com instituições da Alemanha, baseado na PMM. O sistema é tido como essencial para as necessidades brasileiras, em particular no monitoramento do desmatamento na Amazônia, tendo em vista sua capacidade de imageamento em quaisquer condições de tempo. No projeto atual, conforme previsto no Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE 2012 - 2021, o SAR deverá dotado de um imageador radar de abertura sintética, operando em vários modos, com múltiplas resoluções na faixa de 5 a 30 metros, destinado a aplicações voltadas ao meio-ambiente, agricultura, defesa, entre outras. Seu lançamento é previsto para 2020, muito embora ainda faltem definições quanto a tecnologia a ser adotada e possível cooperação internacional.

Outra missão nos planos da Agência Espacial Brasileira (AEB) e INPE é a SABIA-Mar, desenvolvida em conjunto pelo Brasil e a Argentina. Trata-se de um sistema completo de observação da Terra dedicado ao sensoriamento remoto de sistemas aquáticos oceânicos e costeiros incluindo águas interiores, baseado em uma constelação de dois satélites. Junto à missão primária, os artefatos poderão, também, observar águas interiores, e obter dados em escala global da cor dos oceanos. Suas imagens poderão ser usadas em aplicações relacionadas à pesca e na aquicultura, no gerenciamento costeiro, no monitoramento de recifes de coral, de florações de algas nocivas e de derrames de óleo, na previsão do tempo, na análise da qualidade das águas, entre outras. A partilha das tarefas no desenvolvimento dos satélites será de 50% para cada país, sendo que o projeto se encontra em fase preliminar.

No campo militar, desde a aprovação pelo Comando da Aeronáutica das diretrizes para a aprovação do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), passou-se a ter um panorama mais claro sobre as demandas das Forças Armadas por dados gerados a partir do espaço, assim como as estratégias para o seu atendimento. O PESE considera a constituição de uma constelação própria de satélites para fins de observação terrestre – tanto óticos como radares, meteorologia, navegação e comunicações, dentre outras finalidades, cuja viabilização depende da disponibilização de recursos orçamentários. No rol de prioridades do PESE, meios de observação, em especial óticos, ocupam o topo, e acredita-se que uma concorrência possa ser iniciada dentro dos próximos anos.

Mais recentemente, embora ainda em fase muito embrionária, começou a ser discutido um projeto de pequeno satélite de observação para o atendimento de demandas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) quanto ao monitoramento de propriedades rurais. Um acordo de cooperação técnica foi assinado em maio entre o INCRA e a Agência Espacial Brasileira (AEB), e a depender da disponibilidade de orçamento e interação com outros projetos constantes do PNAE e PESE, poderia levar à operação de um pequeno satélite ótico, a ser denominado Incra Sat, a partir de 2021.

Colômbia

Um dos países do continente que mais tem crescido nos últimos anos - a previsão é de que nos próximos anos supere a Argentina, tornando-se a terceira maior economia da América Latina, atrás apenas do Brasil e México - a Colômbia também considera em seus planos estratégicos a obtenção de capacidade autônoma de observação terrestre a partir do espaço. Há gestões da Comisión Colombiana del Espacio (CCE), vinculada à Vice-Presidência da República, para o desenvolvimento de um programa satelital, iniciativa que deverá envolver parcerias com governos e indústrias estrangeiras.

Em setembro de 2015, os processos iniciais visando à aquisição de seu satélite foram interrompidos por orientação do vice-presidente, Gérman Vargas Llera, sob o argumento de que a compra de imagens diretamente por entidades governamentais apresentaria um custo inferior à aquisição de um sistema próprio, argumentação sujeita à críticas e questionamentos mesmo em seu país.

Chile

Em julho de 2008, após um processo de seleção que envolveu os principais fabricantes do mundo, o Chile se tornou o terceiro país do continente a contratar um sistema espacial de observação, encomendando um microssatélite junto à europeia Astrium, hoje parte da Airbus Defence and Space, num negócio avaliado em US$ 72 milhões.

Lançado no final de 2011, o SSOT (Sistema Satelital de Observación de la Tierra), também conhecido localmente como Fasat Charlie, é uma missão dual, com aplicações civis e militares, encomendado pelo Ministério da Defesa do Chile em julho de 2008. O satélite tem 117 kg de massa e conta com um sensor ótico capaz de produzir imagens com 1,45 metros de resolução, para aplicações como mapeamento, agricultura e gerenciamento de recursos e desastres naturais. Sua vida útil é estimada em cinco anos. A partir de uma estação terrestre em Santiago, o satélite é operado por uma equipe de engenheiros chilenos, treinados nas instalações da Airbus Defence and Space, em Toulouse, no sul da França, onde o sistema e o satélite foram desenvolvidos e construídos.

Com a proximidade do término da vida útil do SSOT, Santiago tem considerado alternativas para a manutenção e mesmo ampliação de sua capacidade de observação a partir do espaço, em nova concorrência que deverá atrair a participação dos principais fabricantes globais. O governo francês e a Airbus Defence and Space firmaram novos acordos e iniciativas de cooperação com entidades chilenas visando pavimentar o caminho para a continuidade da parceria iniciada com o Fasat Charlie, mas outros países e empresas interessadas, com destaque para a China e Israel também tem buscado se posicionar para fornecer suas tecnologias ao país andino.

Peru

Seguindo o exemplo de seus vizinhos, o Peru também avançou na busca dessa capacidade. As intenções peruanas datam de 2006, mas foram celeradas a partir do momento em que o Chile, um rival histórico, passou a contar com seu sistema próprio, em julho de 2008, culminando, em abril de 2014, com a contratação da Airbus Defence and Space para o desenvolvimento e construção de seu primeiro satélite, denominado PerúSAT-1. A contratação se deu após uma intensa concorrência promovida pelo Ministério da Defesa e pela Agência Espacial do Peru (CONIDA), da qual participaram fabricantes da França, Israel, Espanha e Coréia do Sul, entre outros.

A seleção da proposta da Airbus Defence and Space por parte do governo peruano foi fundamental para a consolidação de sua presença na região, um mercado que, embora pequeno, é considerado muito importante, segundo Christophe Roux, vice-presidente do grupo para a América Latina. A Airbus está atenta a outras possibilidades na América do Sul, como o Chile, Bolívia e Brasil, e tem seguido uma estratégia de oferecer treinamento, transferência de conhecimento e acesso a serviços de imagens, e em determinados casos, como no Brasil, industrialização local e transferência tecnológica.

O projeto peruano, estimado em cerca de US$ 200 milhões, inclui um satélite ótico de última geração dotado de um sensor de alta resolução (derivado da família Naomi), assim como um centro de controle, recepção e processamento de imagens, chamado Centro Nacional de Operaciones de Imágenes Satelitales del Perú (CNOIS), que abrigará o segmento terrestre de controle, recepção e processamento dos dados do satélite. Também abrange um pacote de absorção tecnológica por meio do treinamento de engenheiros e técnicos peruanos, além do fornecimento de imagens geradas por satélites óticos e radares da constelação própria da Airbus Defence and Space.

O PerúSAT-1 foi construído em torno de uma plataforma AstroBus-S, compacta e altamente flexível, utilizada em missões como as do Pléiades, SPOT 6 e 7, Ingenio (Espanha) e KazEOSat-1 (Cazaquistão). Contará com um sensor ótico com resolução de 70 centímetros, a mais avançada da América Latina. O modelo, que terá massa próxima de 400 kg e será posicionado a 694 km de altitude, foi construído em menos de dois anos, e produzirá dados para gestão de áreas terrestres, controle de fronteiras e combate ao tráfico de drogas. Suas imagens poderão também ser utilizadas para apoio e gestão de missões humanitárias e em casos de desastres naturais, como enchentes, incêndios florestais, deslizamentos e erosões.

No início de agosto, o PerúSAT-1 foi transportado de Toulouse para Kourou, na Guiana Francesa, de onde será lançado ao espaço em setembro, a bordo de um foguete Vega, operado pela Arianespace.

[Nota do blog: o PerúSAT-1 foi colocado em órbita com sucesso em 16 de setembro. No início de outubro, a Airbus divulgou publicamente a entrega de suas primeiras imagens, como a tela abaixo, da mina de cobre Cuajone, localizada no sul do Peru.]


Venezuela

Em seu governo, o falecido presidente Hugo Chávez buscou colocar a Venezuela em situações de independência em alguns setores considerados estratégicos, como comunicações e observação terrestre. O primeiro passo dado foi a aquisição de um satélite de comunicações, o Venesat-1, comprado da chinesa China Great Wall Industry Corporation (CWIC) e inserido em órbita no final de 2008. O passo seguinte, seguindo a tendência mundial, foi um satélite de observação terrestre, gozando da parceria espacial mantida com os chineses desde o Venesat-1, num investimento de US$ 140 milhões.

A contratação para a construção do satélite, chamado de Francisco Miranda, mas também designado como VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite) ocorreu em maio de 2011, e representou o segundo satélite desenvolvido pela estatal CGWIC para o governo venezuelano - o primeiro, lançado em outubro de 2008, foi o satélite de comunicações Venesat-1. O VRSS-1 também representa o primeiro satélite de observação exportado pela hina, que se busca firmar como player nesse segmento, a exemplo do que já acontece em comunicações.

O Francisco Miranda foi lançado ao espaço em outubro de 2011 por um foguete Longa Marcha 2D, a partir do centro espacial de Jiquan, no noroeste da China. O VRSS-1 é capaz de produzir imagens com 2,5 metros de resolução, gerando em torno de 350 imagens por dia. Seus dados têm sido utilizados para operações de planejamento urbano, monitoramento ambiental, de mineração ilegal e tráfico de drogas, além de aplicações em defesa. Sua operação está a cargo da Estação Terrena de Controle Satelital localizada na Base Aeroespacial Capitán Manel Rios (BAMARI), a cerca de 190 km de Caracas. Apesar da forte crise política e econômica, a Venezuela segue adiante com suas iniciativas em sensoriamento remoto com o satélite José Antonio de Sucre (VRSS-2), com lançamento previsto para setembro de 2017 e investimentos totais estimados em US$ 170 milhões. A exemplo dos modelos anteriores, o Sucre está sendo construído na China e recentemente teve concluída com êxito a fase de revisão crítica do projeto (CDR, sigla em inglês), conduzida por especialistas chineses e venezuelanos. De acordo com informações divulgadas na mídia local, o Sucre terá massa estimada em 1.000 kg, contando com um sensor ótico de alta resolução, apto a produzir imagens de até 1 metro com faixa de 30 km, e também com uma câmera infravermelha.

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 146 (setembro de 2016).
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terça-feira, 24 de março de 2015

Venezuela e Bolívia: avanços em projetos locais

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Apesar da grave crise financeira e social que assola a vizinha Venezuela, seu programa espacial parece continuar avançando. No início deste mês, segundo informou seu Ministério da Ciência e Tecnologia, uma equipe do governo venezuelano viajou à China para participar da fase de revisão preliminar do projeto do segundo satélite de sensoriamento remoto do país, o VRSS-2, também conhecido como Sucre. Outra reunião entre as equipes dos dois países está programada para setembro.

O VRSS-2 contará com uma câmera de observação com resolução de 1 metro e faixa de 30 km, um imageador infravermelho, e capacidade de transmissão de dados de 16.000 bytes por segundo, quatro vezes superior a de seu antecessor, de acordo com o divulgado à época da assinatura do contrato, em outubro de 2014. Será baseado na plataforma CAST-2000, da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), com massa em torno de 1.000 kg, e vida útil estimada em 5 anos.

E na Bolívia...

Também este mês, a Agência Boliviana Espacial (ABE) divulgou ter finalizado o desenho de seu futuro satélite de observação, o Bartolini Sisa, que deverá ser contratado junto a fornecedor estrangeiro. A expectativa agora é da obtenção dos recursos financeiros necessários para a viabilização de sua contratação, possivelmente via um financiamento internacional, modelo similar ao adotado para o projeto do satélite de comunicações Tupac Katari, construído pela China e lançado ao espaço em dezembro de 2013.

Dentre os potenciais interessados no projeto boliviano, figuram empresas da China, Rússia, França, Espanha e Inglaterra.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Satélites de observação: Chile, Bolívia e Venezuela

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Nos últimos dias, saíram na imprensa regional algumas notícias dando conta de avanços em projetos de satélites de observação terrestre de países da América do Sul, no caso, do Chile, da Bolívia e da Venezuela.

No Chile...

No Chile, de acordo com reportagem do periódico “El Mercurio”, a forca aérea entregou recentemente ao Ministério da Defesa um informe técnico para a definição da aquisição de um novo satélite, que virá substituir o SSOT, colocado em órbita em dezembro de 2011 e com vida útil estimada em cinco anos.

A expectativa e que o processo de análise seja concluído ainda no primeiro semestre deste ano e depois seja iniciada uma concorrência internacional para a seleção de um novo modelo. O SSOT, também conhecido como FaSat Charlie [ilustração acima], foi construído pela europeia Astrium, hoje parte da Airbus Defence and Space.

Na Bolívia...

Por sua vez, na Bolívia, segundo informações reproduzidas por meios locais, o diretor da Agência Boliviana Espacial (ABE) afirmou na ultima semana que o projeto de construção e lançamento de seu primeiro satélite de observação conta com o apoio de especialistas da França. As especificações do satélite, que se chamara Bartolina Sisa, foram concluídas no ano passado.

"Tivemos também a sorte de receber a visita de alguns especialistas franceses, estamos trabalhando com eles para fazer uma revisão final de nosso projeto (...) que esta praticamente concluído", afirmou Iván Zambrana, presidente da ABE.

No rol de potenciais interessados em fornecer o sistema, estão empresas francesas, como a Airbus Defence and Space e a Thales Alenia Space.

... e na Venezuela

Apesar da grave crise financeira, agravada com a queda do preço do petróleo - praticamente o seu único produto de exportação, o governo venezuelano reafirmou recentemente a criação de uma fábrica de satélites científicos e de observação, com massa de ate 500 kg, em parceria com a China. A intenção de construir uma fábrica local não é nova e existe ao menos desde 2010.

A fábrica devera ser baseada inicialmente no Centro de Investigación y Desarrollo Espacial (CIDE), situado na cidade de Puerto Cabello, no estado de Carabobo, que deve ser inaugurado ate o final deste ano.

A Venezuela figura hoje como a principal cliente na América Latina da indústria espacial chinesa, que já forneceu um satélite de comunicações e outro de observação. Um terceiro artefato, também de observação, foi encomendado em julho de 2014.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Cooperação Venezuela - Nicarágua

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A Venezuela e a Nicarágua devem em breve firmar um acordo de cooperação no campo espacial. Segundo reportagens locais, o governo venezuelano ofereceu acesso às capacidades dos satélites Simon Bolívar, de comunicações, e Miranda, de sensoriamento remoto, para o monitoramento de movimentos sísmicos e mitigação de desastres naturais.

A oferta foi feita durante visita da comitiva liderada pelo ministro venezuelano Manuel Fernandez, de Ciência e Tecnologia, ao país centro-americano na semana passada.

A Nicarágua, alias, deverá em breve contar com seu primeiro satélite de comunicações. Está previsto para o terceiro trimestre de 2016, o lançamento do Nicasat-1, adquirido da chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) em 2012 por cerca de 250 milhões de dólares.

Este deverá ser o terceiro satélite geoestacionário fornecido pela CGWIC para países latino-americanos, depois do venezuelano Simon Bolívar (também conhecido como Venesat-1), lançado em outubro de 2008, e do Tupac Katari, da Bolívia, colocado em órbita em dezembro de 2013.
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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Venezuela terá novo satélite de observação

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O governo venezuelano oficializou no início desta semana a contratação de seu segundo satélite de observação, o VRSS-2, que a exemplo de seu antecessor, colocado em órbita há cerca de dois anos, será construído na China. O satélite, que será também denominado Antonio José de Sucre, será construído ao longo dos próximos três anos, com previsão de lançamento em 2017, num investimento de 170 milhões de dólares.

Segundo divulgado pela agência espacial venezuelana, o VRSS-2 contará com uma câmera de observação com resolução de 1 metro e faixa de 30 km, um imageador infravermelho, e capacidade de transmissão de dados de 16.000 bytes por segundo, quatro vezes superior a de seu antecessor. Será baseado na plataforma CAST-2000, da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), com massa em torno de 1.000 kg, e vida útil estimada em 5 anos.

Ainda de acordo com informações oficiais, parte da fabricação do satélite acontecerá na Venezuela, em Borburata, no estado de Carabobo, onde a partir do segundo semestre de 2015 será instalado o Centro de Investigação e Desenvolvimento Espacial (CIDE). Também está prevista a criação do Instituto de Geomática, responsável pela interpretação e aplicações das imagens.

Este é o terceiro satélite contratado por Caracas junto à chinesa CGWIC. O primeiro foi o Venesat-1 (Simon Bolivar), de comunicações, lançado ao espaço no final de outubro de 2008.
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Cooperação Venezuela - China: um terceiro satélite

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Sexta-feira passada (25), falamos sobre o interesse colombiano em adquirir um satélite de observação, próximo de ser realizado. Ainda na América do Sul, surgem também novidades vindas da vizinha Venezuela.

Na última segunda-feira (21), por ocasião da XIII Comissão Mista China - Venezuela, foi assinado um acordo para a construção de um segundo satélite venezuelano de observação terrestre - em 2012, subiu ao espaço o Miranda (também conhecido como Venezuelan Remote Sensing Satellite 1 (VRSS-1)).

A exemplo do Miranda, o segundo satélite será fabricado na China, pela China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), que também respondeu pela fabricação do primeiro satélite geoestacionário da Venezuela, o Simor Bolivar (também conhecido como Venesat-1), colocado em órbita no final de 2008.

Não foram divulgados maiores detalhes, como informações financeiras e características técnicas, ou mesmo se o que foi assinado é um contrato definitivo.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Satélites de observação na América do Sul

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Satélites de Observação Terrestre na América do Sul - Um panorama

André M. Mileski

Nos últimos anos, o número de países que passaram a deter meios autônomos de observação terrestre a partir do espaço cresceu consideravelmente. Na América do Sul, não tem sido diferente, com aqueles que já têm tradição em atividades espaciais, como Brasil e Argentina, lançando novas missões, o Chile e a Venezuela se juntando ao clube, e outros como Colômbia, Peru e Bolívia prestes a integrá-lo.

Argentina

O programa argentino de satélites de observação é hoje um dos mais avançados da América do Sul, ao lado do brasileiro, abrangendo missões tanto óticas como radar, geralmente implementadas em parceria internacional. Seu primeiro sistema de sensoriamento remoto foi o SAC-C, lançado em 21 de novembro de 2000, e que contava com dois sensores óticos com resoluções nas faixas de 35 a 350 metros, destinados a produzir imagens multiespectrais para estudos da Terra, além de sensores científicos específicos. A missão foi realizada em cooperação com a agência espacial norte-americana (NASA), e institutos de pesquisas da Europa e o Brasil, que executou os testes finais do artefato no Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

Passo seguinte foi dado com o SAC-D/Aquarius, desenvolvido em regime de cooperação internacional, com participação de institutos dos Estados Unidos, França, Itália, Canadá e Brasil, e colocado em órbita em 10 de junho de 2011. Muito embora tenha caráter mais científico (o sensor Aquarius, fornecido pela NASA, é um radiômetro em banda L para medição da salinidade dos oceanos), o satélite também foi equipado com uma câmera de alta sensibilidade (visualização de iluminação urbana, embarcações, tormentas elétricas, cobertura de neves), com 200/300 metros de resolução, e um sensor infravermelho (imageamento de incêndios e atividades vulcânicas), com resolução de 350 metros.

Atualmente, a Argentina é o único país sul-americano a desenvolver de fato uma constelação de satélites com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR, sigla em inglês), capaz de imagear a superfície terrestre independente de luz e cobertura de nuvens, no âmbito do projeto SAOCOM. O projeto, que integra o Plano Espacial Nacional e é tocado pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), prevê a construção de duas constelações, a SAOCOM 1 e SAOCOM 2, cada uma sendo composta por dois satélites. Os artefatos da primeira constelação estão em desenvolvimento e devem ser lançados a partir do ano que vem, tendo vida útil estimada em cinco anos. Contarão com um sensor radar operando em banda L, com resolução espacial entre 10 e 100 metros e cobertura de 35 a 350 km, com diferentes ângulos de observação. Quando em operação, o SAOCOM integrará o Sistema Ítalo-Argentino de Satélites para a Gestão de Emergências (SIASGE), considerado único no mundo, que envolverá a integração dos engenhos argentinos com a constelação italiana COSMO-SkyMed.

Outro plano é o do Satélite Argentino-Brasileiro de Informações Ambientais Marítimas - SABIA-Mar (designado localmente como SAC-E), discutido desde o final de 1998 com o vizinho, mas que apenas recentemente recebeu um novo impulso para a sua viabilização.

Brasil

O Brasil foi o sul-americano pioneiro na exploração espacial, inclusive em sensoriamento remoto a partir do espaço. Em abril de 1973, o País se tornou o terceiro no mundo – depois dos Estados Unidos e do Canadá – a dispor de uma estação terrena de imagens de satélite, no caso, o norte-americano ERTS-1 (que originou a família Landsat), instalada em Cuiabá (MT) e operada pelo INPE.

A busca pelo desenvolvimento de alguma autonomia em imageamento a partir do espaço veio com a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), lançada no final da década de 1970, objetivando capacitações nos segmentos de lançadores (programa VLS), satélites e infraestrutura terrestre (laboratórios e centros de lançamentos). A MECB previu o desenvolvimento e construção de dois satélites de sensoriamento, começando-se pelo SSR-1, que mais tarde veio a ser conhecido pelo nome Amazônia-1.

O Amazônia-1 ainda não teve seu projeto concluído, o que é aguardado para os próximos anos, em 2015. Baseado na Plataforma Multimissão (PMM), desenvolvida pelo INPE em conjunto com a indústria nacional, será equipado com uma câmera de 40 metros de resolução e faixa de cobertura de 750 quilômetros, que produzirá imagens da Terra para aplicações no agronegócio, meio-ambiente, monitoramento de recursos naturais e em outros fins. Após o lançamento do Amazônia-1, espera-se que outros dois modelos sejam colocados em órbita, o Amazônia-1B, em 2017, e o Amazônia-2, em 2019.

Quase dez anos após a MECB, os governos do Brasil e da China assinaram um acordo de cooperação tecnológica visando ao desenvolvimento de dois avançados satélites de sensoriamento remoto, dentro do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), que desde então tem contribuído significativamente para a capacidade nacional em obter, processar e interpretar imagens geradas a partir do espaço.

O acordo, assinado em 1988, contemplava o desenvolvimento e construção de dois satélites idênticos de sensoriamento remoto equipados com sensores óticos. Nos dois primeiros satélites, as responsabilidades não foram divididas igualitariamente: à China, caberia o desenvolvimento, fabricação e custeio do equivalente a 70% do total, enquanto que à parte brasileira, os 30% restantes. O CBERS 1 foi colocado em órbita heliossíncrona, a 778 km de altitude, em 14 de outubro de 1999, e operou até 2003, superando em quase 100% o tempo de sua vida útil estimada, de dois anos. O segundo, por sua vez, subiu ao espaço em 21 de outubro de 2003. Em novembro de 2002, os dois governos firmaram um novo acordo prevendo a continuidade do CBERS com a construção de outras duas unidades - CBERS 3 e 4, maiores e mais sofisticados, com sensores óticos com resoluções na faixa de 5 a 70 metros. Foi definida, também, uma nova divisão dos investimentos, agora igualitária, cada um respondendo por 50%.

Depois da entrada em órbita do CBERS 2, e considerando-se na época que o CBERS 3 o seria apenas em 2009 (este satélite ainda não foi lançado, com previsão para o final de 2013), o INPE e sua contraparte chinesa decidiram construir um novo, idêntico aos de primeira geração, chamado CBERS 2B, de modo a cobrir o hiato da retirada de operação do último exemplar da série inicial, e a entrada de seu sucessor da segunda série. O CBERS 2B foi lançado em setembro de 2007.

O INPE vem trabalhando há vários anos no conceito de um satélite radar (SAR) que, inicialmente, seria desenvolvido em conjunto com instituições da Alemanha, baseado na PMM [Nota do blog: na ilustração acima, no início da reportagem, o MAPSAR]. O sistema é tido como essencial para as necessidades brasileiras, em particular no monitoramento do desmatamento na Amazônia, tendo em vista a sua capacidade de imageamento em quaisquer condições de tempo. No projeto atual, conforme previsto no Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE 2012 - 2021, o SAR deverá ser dotado de um imageador radar de abertura sintética, operando em vários modos, com múltiplas resoluções na faixa de 5 a 30 metros, destinado à aplicações voltadas ao meio-ambiente, agricultura, defesa, etc. Seu lançamento é previsto para 2020.

Das missões espaciais de observação terrestre, a mais recente é a SABIA-Mar, desenvolvida pelo Brasil e pela Argentina. Trata-se de um sistema completo de observação da Terra dedicado ao sensoriamento remoto de sistemas aquáticos oceânicos e costeiros, baseado em uma constelação de dois satélites. Além da missão primária, os artefatos poderão, também, observar águas interiores, e obter dados em escala global da cor dos oceanos. Suas imagens poderão ser usadas em aplicações relacionadas à pesca e na aquicultura, no gerenciamento costeiro, no monitoramento de recifes de coral, de florações de algas nocivas e de derrames de óleo, na previsão do tempo, na análise da qualidade das águas, entre outras.

Os artefatos terão cerca de 500 kg, baseados na PMM, e cada um levará uma câmera multiespectral, com possibilidade de cargas úteis secundárias. A partilha das tarefas será de 50% para cada país. Estão em desenvolvimento as Fases 0 (análise da missão e identificação das necessidades) e A (análise de viabilidade técnica e industrial) da missão, tocadas pelo INPE, do lado brasileiro, e pela CONAE, do argentino. O primeiro modelo deve estar em órbita em 2019.

Chile

Em julho de 2008, após um processo de seleção que envolveu os principais fabricantes mundiais, o Chile se tornou o terceiro país do subcontinente a contratar um sistema espacial de observação, encomendando um microssatélite junto à europeia Astrium, do grupo EADS, num negócio avaliado em US$ 72 milhões.

Lançado no final de 2011, o SSOT (Sistema Satelital de Observación de la Tierra) é dual, com aplicações civis e militares. O satélite tem 117 kg de massa e conta com um sensor ótico capaz de produzir imagens com 1,45 metros de resolução, para aplicações como mapeamento, agricultura e gerenciamento de recursos e desastres naturais. Sua vida útil é estimada em cinco anos. A partir de uma estação terrestre em Santiago, o satélite é operado por uma equipe de engenheiros chilenos, treinados nas instalações da Astrium, em Toulouse, no sul da França, onde o sistema e o satélite foram desenvolvidos e construídos. Segundo informações de bastidores, o governo chileno já considera alternativas para a manutenção e mesmo ampliação de sua capacidade de observação a partir do espaço.

Venezuela

Em seu governo, o falecido presidente Hugo Chávez buscou colocar a Venezuela em situação de independência em alguns setores considerados estratégicos, como comunicações e observação terrestre. Isso começou com a aquisição de um satélite de comunicações, o Venesat-1, comprado da fabricante chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) e inserido em órbita no final de 2008. A seguir, conforme a tendência mundial, obteve um satélite de observação terrestre, gozando da parceria espacial mantida com os chineses desde o Venesat-1, num investimento de US$ 140 milhões.

A contratação para a construção do satélite, chamado de Francisco Miranda, mas também designado como VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite) ocorreu em maio de 2011, e foi o segundo feito pela estatal CGWIC para o governo venezuelano. O VRSS-1 também representou o primeiro satélite de observação exportado pela China, que busca firmar-se como player nesse segmento, a exemplo do que já acontece nas comunicações.

O Francisco Miranda foi ao espaço em outubro de 2011, através de um foguete Longa Marcha 2D, a partir do centro espacial de Jiquan, no noroeste da China. De acordo com informações creditadas pela imprensa internacional a Jorge Arreaza, ministro venezuelano da Ciência, Tecnologia e Inovação, por ocasião do lançamento, o VRSS-1 é capaz de produzir imagens com 2,5 metros de resolução, gerando em torno de 350 imagens por dia ao longo de cinco anos. Seus dados têm sido utilizados para operações de planejamento urbano, monitoramento ambiental, de combate à mineração ilegal e ao tráfico de drogas, junto a aplicações em defesa.

Colômbia

Um dos países da América Latina que mais tem crescido nos últimos anos - a previsão é de que nos próximos anos supere a Argentina, tornando-se a terceira maior economia da região, atrás apenas do Brasil e México - a Colômbia também considera em seus planos estratégicos a obtenção de capacidade autônoma de observação terrestre a partir do espaço. Há gestões da Comisión Colombiana del Espacio (CCE) para o desenvolvimento de um programa satelital, iniciativa que deverá envolver parcerias com governos e indústrias estrangeiras. Diversas notícias sobre possíveis parceiros chegaram a ser publicadas, com destaque para Israel - importante parceiro no setor de defesa, e França, e a expectativa é de que a definição sobre o caminho a ser trilhado para a concretização do projeto colombiano ocorra muito em breve.

Recentemente, em fevereiro de 2013, numa entrevista dada à imprensa local, o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, deu enfáticas declarações sobre a necessidade do país em dispor de capacidade própria de observação: “Não é justo que a Colômbia, hoje dispondo de uma Força Aérea como a que tem, um instituto geográfico como o Geográfico Agustín Codazzi, tenha que pedir a utilização de parte de satélites para observar nosso próprio território”.

Peru

O Peru também está próximo de concretizar seu programa satelital, segundo indicações dadas por notícias e declarações de autoridades. As intenções peruanas datam de 2006, mas foram aceleradas a partir do momento em que o Chile, um rival histórico, passou a contar com seu sistema próprio, em julho de 2008.

Reportagens e declarações dadas por membros do governo sinalizam que a pretensão é contar com um pequeno satélite de observação com sensores óticos de mesma resolução ou superiores (em torno de 1 metro) ao do SSOT chileno, a ser adquirido junto a fabricantes estrangeiros. Lima, por meio do Ministério da Defesa e da Agencia Espacial del Peru (CONIDA), tem mantido contato com governos e fabricantes interessados em fornecer o sistema satelital, como a França, Israel e Coréia do Sul, entre outros.

Na SITDEF 2013, feira sobre sistemas de defesa, segurança e desastres naturais realizada no último mês de maio em Lima, o projeto peruano foi um dos destaques, abordado em apresentações de entidades envolvidas e também de empresas interessadas em fornecê-lo.

Bolívia

Apesar de ser um dos países mais pobres da América do Sul, durante o governo de Evo Morales, a Bolívia buscou estruturar um programa espacial, e seu primeiro projeto concretizado foi o de um satélite geoestacionário de comunicações, o Tupac Katari, adquirido na China em dezembro de 2010, e previsto para ser colocado em órbita no final de 2013. Um sistema de observação também está nos planos de La Paz para aplicações como o monitoramento de recursos minerais, muito embora não existam indicativos claros sobre a negociação e mesmo disponibilização de recursos para a aquisição.

Fonte: Revista Tecnologia & Defesa n.º 133, julho de 2013.
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domingo, 2 de dezembro de 2012

Peru quer seu satélite de observação


De acordo com reportagens publicadas na mídia peruana no mês de novembro, o país andino estaria próximo de dar início ao processo de contratação de um satélite de observação terrestre, numa negociação de governo a governo. "O governo tomou a decisão de adquirir um satélite. Isto não é algo que se pode fazer da noite para o dia. Em um primeiro momento, contrataremos imagens de satélites, que nos permitirão um maior controle de nosso território, mas em médio prazo o projeto de aquisição de um satélite já está definido", declarou Pedro Cateriano, ministro da Defesa do Peru.

De fato, informações sobre o interesse peruano em contar com um satélite próprio circulam desde 2006, e foram estimulados desde que o Chile, rival histórico, adquiriu seu satélite, o SSOT, no final de 2008, colocado em órbita em dezembro de 2011.

Na região, a Venezuela recentemente também passou a dispor de um pequeno satélite de sensoriamento remoto, o VRSS-1, adquirido na China e colocado em órbita no final de setembro, e a Colômbia é frequentemente citada como outra nação interessada em ter o seu sarélite.

Eventualmente, circulam informações na imprensa peruana dando conta de que as europeias EADS Astrium e Surrey Satellite Technology Limited (SSTL) seriam favoritas numa possível concorrência para o fornecimento dos segmentos espacial e terreno do sistema de observação.

Cooperação com a Coréia do Sul

No mês passado, o Peru adquiriu junto a Korean Aerospace Industries (KAI) aeronaves militares de treinamento para operação por sua força aérea, transação que, segundo informações, conta com um programa de compensações (conhecido como offsets) que inclui uma iniciativa na área espacial: a construção de uma estação terrena de recepção de imagens óticas - em torno de 1 metro de resolução - do satélite ótico Kompsat 2, operado pela agência espacial sul-coreana. A estação seria operada pela Comisión Nacional de Investigación y Desarrollo Aeroespacial (CONIDA), principal órgão espacial peruano que, no futuro, também deve ser o órgão responsável pela contratação e operação do primeiro satélite de observação terrestre do país.
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sábado, 29 de setembro de 2012

VRSS-1 / Francisco Miranda em órbita



O primeiro satélite de observação da Venezuela, Francisco Miranda, foi colocado em órbita com sucesso hoje (29) por um lançador Longa Marcha 2D, a partir do centro espacial de Jiquan, no noroeste da China. O lançamento ocorreu às 00h12, horário de Pequim, e a inserção do satélite em órbita baixa, a 639 km de altitude, se deu 13 minutos depois.

A contratação para a construção do Francisco Miranda, também chamado de VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite) ocorreu em maio de 2011, e representa o segundo satélite desenvolvido pela estatal chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) para o governo venezuelano - o primeiro, lançado em outubro de 2008, foi o satélite de comunicações Venesat-1. O VRSS-1 também representa o primeiro satélite de observação exportado pela China, que se busca firmar como "player" nesse segmento, a exemplo do que já acontece no segmento de comunicações.

De acordo com informações creditadas pela imprensa internacional a Jorge Arreaza, ministro venezuelano da Ciência, Tecnologia e Inovação, o VRSS-1 produzirá imagens com 2,5 metros de resolução, gerando em torno de 350 imagens por dia ao longo de cinco anos. A expectativa é que a primeira imagem seja enviada à estação terrena em 10 de outubro. Seus dados serão utilizados para operações de planejamento urbano, monitoramento ambiental, de mineração ilegal e tráfico de drogas, assim como reforças a defesa nacional venezuelana, segundo divulgado pela TV estatal do país sul-americano.

A CGWIC disponibilizou um hotsite sobre a missão do VRSS-1, com informações, fotos e vídeos. Para acessá-lo, clique aqui.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Venezuela: VRSS-1 prestes a ser lançado


O Francisco Miranda, primeiro satélite de observação da Venezuela deve ser lançado ao espaço no próximo sábado, 29 de setembro, segundo informações divulgadas pela imprensa local. O satélite, também conhecido por VRSS-1, já está acoplado ao lançador chinês Longa Marcha 2D, que deve partir do centro espacial de Jiuquan, no noroeste da China.

Construído pela China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), o VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite) é o segundo satélite adquirido pela Venezuela. Em outubro de 2008, seu primeiro satélite, o Venesat-1 (também conhecido como Simon Bolivar), de comunicações, foi lançado ao espaço.

Não são conhecidas muitas características técnicas do VRSS-1, como, por exemplo, o número e resolução dos sensores óticos, mas sabe-se que ele é baseado na plataforma CAST2000, desenvolvida pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, sigla em inglês). Será utilizado para monitoramento de produção agrícola, planejamento urbano, alerta de desastres naturais e controle de recursos naturais, entre outras finalidades.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Avanço chinês na América Latina


Ao que tudo indica, a China está próxima de fechar mais um importante contrato em matéria espacial no continente latino-americano. De acordo com informações divulgadas pela mídia local, o governo da Nicarágua está em negociações avançadas com a companhia chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) para a compra de um satélite geoestacionário de telecomunicações, transação avaliada em cerca de 300 milhões de dólares.

Os recursos para o projeto seriam financiados por bancos chineses. Há expectativa de que o contrato seja assinado em outubro, por ocasião de uma visita oficial do presidente executivo da entidade reguladora de comunicações da Nicarágua, Orlando Castillo, à Pequim, com o início dos trabalhos em março de 2013.

O satélite já tem nome definido - Nicasat-1, e segundo informações de autoridades locais, "servirá para promover o desenvolvimento econômico do país, além de melhorar as comunicações em casos de desastres naturais." É provável que seja baseado na plataforma DHF-3, similar a adotada pelos satélites da Venezuela e Bolívia.

A China é hoje a maior parceira espacial da América Latina, com projetos conjuntos com o Brasil (CBERS, desde 1988), Venezuela (Venesat-1 e VRSS-1) e Bolívia (Tupac Katari), além de outras iniciativas em desenvolvimento com outros países da região (Argentina e Peru, por exemplo).
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domingo, 27 de maio de 2012

Venezuela: VRSS-1 será lançado em outubro


O segundo satélite venezuelano, e o primeiro de observação terrestre, deve ser lançado ao espaço no próximo mês de outubro, segundo declaração dada no último dia 24 por José Arreaza, ministro da Ciência e Tecnologia da Venezuela. "Com segurança, este ano deve estar em órbita nosso segundo satélite. O cronograma está em constante revisão, não queremos apressá-lo, pois apressar esses assuntos pode ser um risco, mas estimamos [o laçamento] para o mês de outubro, mais ou menos", declarou, conforme notícia reproduzida no website especializado Infoespacial.

O satélite se chamará Francisco Miranda, uma homenagem ao militar venezuelano do século XIX, precursor da independência da América espanhola, e é também conhecido como VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite). Está sendo construído pela China Great Wall Industry Corporation desde o final de 2011, ao custo "turn-key" de 140 milhões de dólares.

Para novembro, também de solo chinês, está previsto o lançamento do primeiro satélite de segunda geração da série CBERS, o CBERS 3, desenvolvido em parceria entre o Brasil e a China.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Venezuela: VRSS-1 será lançado em 2012

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O VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite), primeiro satélite venezuelano de observação terrestre, será colocado em órbita entre setembro e outubro de 2012, informou o ministro de Ciências, Tecnologia e Indústrias do país sul-americano, Ricardo Menéndez, em reportagem reproduzida pelo website Infoespacial.

O ministro também informou que nos próximos dias, um grupo de 52 especialistas da Agencia Bolivariana de Actividades Espaciales (ABAE) embarcará para a China para discutir o projeto, a cargo da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), conforme contrato assinado em junho desse ano. Destacou ainda o projeto do governo pra a construção de uma fábrica de satélites na região de Borburata, no estado de Carabobo.

Três anos de Venesat-1

No final de outubro, o Venesat-1, primeiro satélite venezuelano, também construído pela China, completou três anos em órbita. Desde então, segundo dados de Caracas, o satélite proporcionou acesso a internet para mais de três milhões de pessoas, provendo também funções para a defesa nacional, conectando entre si 127 postos fronteiriços de controle e 14 radares da força aérea da Venezuela.
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domingo, 5 de junho de 2011

Venezuela: contrato do VRSS-1 assinado

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Em 26 de maio, em Caracas, representantes do governo venezuelano e da fabricante chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) assinaram o contrato para o desenvolvimento do programa do satélite de observação terrestre VRSS-1, abordado pelo blog no início de maio (veja a postagem "VRSS-1, o novo satélite venezuelano").

Segundo nota divulgada pela CGWIC, a empresa atuará como contratante principal do projeto, responsável pela construção do satélite, lançamento, infraestrutura solo e testes para entrega em órbita.

O VRSS-1 será baseado na plataforma CAST 2000, da China Academy of Space Technology (CAST), que também será responsável pela infraestrutura de solo, como as estações de recepção de imagens. O lançamento deverá ser executado por um fogue Longa Marcha 2D, a partir do centro espacial de Jiuquan, em data ainda não divulgada.

Este será o primeiro satélite de sensoriamento remoto venezuelano, devendo ser usado principalmente em aplicações para proteção do meio ambiente, monitoramento e gerenciamento de desastres, agricultura e planejamento urbano. É também o segundo projeto contratado pela Venezuela com a China, seguindo-se ao do satélite de comunicações Venesat-1, colocado em órbita no final de 2008.
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domingo, 8 de maio de 2011

VRSS-1, o novo satélite venezuelano

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Segundo a imprensa internacional, o congresso venezuelano aprovou na última quinta-feira (5) um novo programa de cooperação espacial com a China, desta vez envolvendo a construção de um satélite de observação terrestre. O novo projeto, denominado VRSS-1 [de acordo com algumas fontes, sigla de Venezuelan Remote Sensing Satellite], envolverá o Ministério da Ciência e Tecnologia, e do lado chinês, a indústria China Great Wall Industry Corporation (CGWIC). Algumas fontes citam que um contrato comercial com o fabricante chinês já teria sido assinado.

O Fundo para o Desenvolvimento Nacional da Venezuela financiará o projeto, avaliado em 140 milhões de dólares, e que possibilitará a observação e estudo do solo terrestre, assim como estudos climáticos. O programa deverá envolver algum nível de transferência tecnológica e de conhecimento, possibilitando a participação de especialistas venezuelanos no projeto, construção, integração, testes, lançamento e operação do sistema e de sua infraestrutura terrestre. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre especificações técnicas do satélite, tais como suas dimensões, sensores e suas capacidades.

Com o VRSS-1, a Venezuela amplia a cooperação espacial com a China. Seu primeiro satélite, o Venesat-1, de comunicações, foi fabricado pela CGWIC e lançado em outubro de 2008. Materializando-se mais este projeto, a China reforça a sua posição com um dos países líderes em cooperação espacial com o continente sul-americano, com projetos conjuntos envolvendo o Brasil (CBERS), Venezuela (Venesat-1 e VRSS-1), e Bolívia (Tupac Katari).
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