quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"O Brasil visto do alto"

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A edição de dezembro de 2009 da revista Rumos traz uma interessante e ampla reportagem com um panorama sobre o Programa Espacial Brasileiro, assinada pela jornalista Silvia Noronha.

O texto, intitulado "O Brasil visto do alto" (para acessá-lo, clique sobre o nome), aborda praticamente todos os principais projetos do Programa Espacial, como satélites (CBERS, Amazônia 1, científicos, GPM e radar), lançadores (VLS), exploração comercial de Alcântara (ACS, Cyclone 4), além de benefícios gerados à sociedade, como os "spin-offs".

A revista Rumos é uma publicação criada em 1976 pela Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), e tem por objetivo "manter aceso o debate sobre o desenvolvimento econômico e social do país e as formas de financiá-lo."
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tupac Katari: comitiva chinesa na Bolívia

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De acordo com o web-site latino-americano Infodefensa, uma comitiva formada por 18 técnicos da companhia chinesa Great Wall Industries Corporation (CGWIC) está desde o dia 10 e até o dia 18 na Bolívia para avançar com os aspectos técnicos relacionados à transferência de tecnologia ao país sul-americano relacionada a compra de um satélite de comunicações, o Tupac Katari.

A previsão é que o contrato para a construção do satélite seja firmado em 31 de março, com lançamento em três anos a partir da assinatura. De acordo com informações divulgadas pelo Infodefensa, o governo boliviano considera a criação de uma agência espacial para a administração do projeto, "para garantir a cobertura total dos serviços de telecomunicações no país e reduzir seus custos."
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Anarquia republicana"

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"A nenhum burocrata pode ser transferido o poder de ditar a oportunidade de uma obra"

Roberto Amaral é ex-ministro da Ciência e Tecnologia (2003/2004) e diretor-geral brasileiro da Alcântara Cyclone Space (ACS). Artigo publicado no "Valor Econômico":

O Estado brasileiro de hoje beira a anarquia institucional, enquanto, do ponto de vista administrativo, está condenado à ineficiência. Aqui, mais do que em qualquer outra parte, assiste-se ao desmoronamento do sistema de três poderes "iguais e independentes". O Judiciário desrespeita a União e o Poder Legislativo renuncia ao seu dever de legislar, afogado por um Executivo legislador.

Meros órgãos auxiliares ou fiscais da administração, passam a agir como se poderes da República fossem - refiro-me especialmente ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas -, e funcionários intermediários da estrutura burocrática se consideram autônomos e inatingíveis, juridicamente irresponsáveis. Refiro-me especificamente aos técnicos dos tribunais de contas e dos Ibamas. É a configuração do Estado anárquico, o que é, em si, uma contradição.

Ministros de tribunais superiores são boquirrotos e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) deita falação sobre tudo o que lhe vem na telha e fala principalmente sobre temas que mais tarde lhe podem cair nas suas mãos de juiz. A isso se chama prejulgamento. E ninguém lhes diz que estão ferindo o decoro de função tão nobre: proselitismo e partidarismo são incompatíveis com a magistratura e a dignidade do cargo.

Na cola do STF, que legisla sobre questões penais, indígenas e outras, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), animado pela omissão suicida do Congresso, legisla sobre matéria eleitoral, minando a ordem jurídica com a insegurança: não "vale o escrito" (a lei de todos conhecida), mas o insondável que faz cócegas nas mentes de nossos ministros legisladores. A tal incongruência chamam de "neopositivismo".

O Tribunal de Contas da União (TCU) não apenas julga contas, mas pelo crivo de seus "técnicos" administra projetos, determina prioridades, interfere na administração ditando normas, ao arrepio dos interesses do Estado, que, assim, abdica, ou é forçado a abdicar de vontade estratégica.

A democracia representativa, atingida mortalmente pela falência da legitimidade eleitoral, se esfacela quando a soberania popular, fonte de todo o direito, é substituída pela toga ou pelo ditar da burocracia de segundo, terceiro e quarto escalões.

O pressuposto dessa burocracia (uma casta que se transforma em Poder e à sua vontade subordina os demais Poderes) é que o objeto da administração pública é irrelevante: não importa saber se o hospital a ser construído salvará vidas, se o atraso em sua construção determinará mais mortes; interessa ao burocrata saber se o tijolo comprado em Serra Talhada corresponde ao modelito com o qual trabalha em Brasília. E assim, dentro do Estado que deveria ser único, temos o Estado a quem cumpre fazer e o Estado a quem cumpre impedir que o Estado fazedor faça alguma coisa. É um conflito sem dialética que só leva ao impasse.

Digamos logo, antes que o juízo apressado nos seja levantado: não se pleiteia nem a ausência de fiscalização nem a impunidade, que, aliás, não é resolvida com paralisação ou adiamento de obras. Reclama-se a fiscalização e o máximo rigor na tomada de contas, mas afirmamos que a nenhum burocrata pode ser transferido o poder (exclusivo do Chefe de Estado) de ditar a oportunidade de obra estratégica.

Por isso, o Brasil não está usufruindo das vantagens decorrentes de seu desenvolvimento econômico e de sua posição particularmente favorável em face da crise do capitalismo mundial; simplesmente porque não pode, nosso Estado, ditar políticas estratégicas.

Apesar de não faltarem recurso nem vontade governamental, as obras do PAC não andam no ritmo necessário porque nem o Presidente pode dizer o que é estratégico em seu governo. Os ministérios, alcançados pelos cortes de "contingência" impostos pela dupla Planejamento/Fazenda, mesmo assim não conseguem realizar seu orçamento. Todos dependemos do arbítrio do burocrata.

O projeto do Centro Espacial de Alcântara transitou e dormitou entre as mesas dos tecnoburocratas do TCU até que um dia, passados mais de dois anos, seu Plenário decidiu aprová-lo com mais de mil emendas. Resultado, o projeto foi para a máquina de picotar papéis.

Não sei quanto custou à União a perda do projeto, a demora de dois anos e a paralisação que já leva consigo cerca de quatro anos, e cobra mais outro tanto para voltar à ordem do dia. Sei que a Agência Espacial Brasileira foi aconselhada a contratar uma grande fundação para refazer o projeto, o que não sairá barato; sei que a Alcântara Cyclone Space ficou sem porto, essencial para suas operações.

Passados seis anos do desastre de 2003, quando o VLS explodiu no solo, só agora, é que são retomadas as obras da nova torre de lançamentos, embargada antes pela indústria das liminares e recursos ao TCU. Embora tenha ingressado na corrida espacial em 1961, o Brasil, hoje, depois de três tentativas frustradas em mais de 30 anos, não tem base de lançamento, torre, nem foguete lançador. Quem responde por isso?

A única coisa que possuímos é um bem do acaso, a boa localização geográfica do município de Alcântara, de frente para o mar e próximo da linha do Equador. Mesmo essa vantagem está ameaçada, pois o Incra considerou praticamente toda a península como área quilombola.

O futuro sítio da Alcântara Ciclone Space, que recebeu do presidente da República a missão de lançar o primeiro foguete Cyclone-4, fruto da cooperação Brasil-Ucrânia, ainda aguarda a regularização jurídica da área que lhe foi cedida no CLA (sob jurisdição da Aeronáutica) e a Licença Prévia que lhe deve o Ibama (esperada para este mês). Só então poderá se cogitar da licitação para as obras civis sem as quais não pode haver qualquer sorte de lançamento.

As obras de infraestrutura, responsabilidade brasileira, ainda não puderam ser iniciadas porque a Agência Espacial Brasileira não recebe os recursos de que necessita. E o porto de cargas não foi construído, nem se sabe quando o será porque a burocracia, em 2007, se esqueceu da dotação orçamentária necessária.

O projeto do submarino de propulsão atômica está atrasado cerca de 35 anos, e as obras de Angra III paralisadas há 23 anos. E ninguém sabe porque o Brasil está perdendo terreno em áreas estratégicas. Enquanto isso, na Esplanada, seus viventes dormem o sono tranquilo dos justos.

Fonte: Jornal Valor Econômico, 8/1, via Jornal da Ciência.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Orçamento do Programa Espacial em 2010: análise

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Como informamos em 24 de dezembro de 2009, o Congresso Nacional aprovou o orçamento de R$ 293 milhões para a Agência Espacial Brasileira (AEB) em 2010, um considerável aumento se comparado à destinação de 2009 (veja em "Orçamento aprovado para 2009"). Prometemos fazer uma análise detalhada sobre a destinação dos recursos aprovados, o que fazemos agora.

Tomamos por base nesta análise as peças orçamentárias enviadas pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, e não a aprovada pelo Legislativo. Existe a possibilidade de que a versão final, a ser sancionada pelo Presidente da República, tenha algumas alterações em relação às versões enviadas pelo Executivo. Uma fonte familiarizada com as questões orçamentárias do Programa Espacial, no entanto, disse ao blog que as alterações feitas pelo Congresso foram mínimas, se é que houve alguma.

O montante destinado ao Programa Espacial Brasileiro tende a ser maior que os R$ 293 milhões da AEB. Além do orçamento da Agência Espacial, o Ministério da Ciência e Tecnologia também destinou alguns recursos para projetos executados por entidades ligadas ao Programa, como previsão de tempo e estudos climáticos (R$ 15,67 milhões), e monitoramento ambiental por satélites da Amazônia (R$ 3,85 milhões), executados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros. Fora do orçamento da AEB, também estão R$ 50 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia, que serão utilizados na participação da União no capital social da Alcântara Cyclone Space - ACS.

Abaixo, destacamos os principais projetos/destinações e valores que estão no orçamento da AEB:

- Operação e atualização do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE: R$ 3,5 milhões
- Gestão e administração do programa: R$ 14 milhões
- Funcionamento de infraestrutura de apoio às atividades espaciais: R$ 24,4 milhões
- Desenvolvimento de satélites de comunicação e meteorologia: R$ 200 mil
- Pesquisa em Ciência Espacial: R$ 3,1 milhões
- Controle de satélites, recepção, geração, armazenamento e distribuição de dados: R$ 11,2 milhões
- Apoio a projetos de Pesquisa e Desenvolvimento no setor Espacial: R$ 2,35 milhões
- Desenvolvimento e lançamento de satélites tecnológicos de pequeno porte: R$ 1,76 milhões
- Pesquisa e aplicações de dados de satélites de Observação da Terra: R$ 2,545 milhões
- Desenvolvimento de produtos e processos inovadores para o setor Espacial: R$ 5 milhões
- Desenvolvimento de Veículos Lançadores de Satélites (VLS): R$ 34,7 milhões
- Desenvolvimento e lançamento de foguetes de sondagem: R$ 3,5 milhões
- Pesquisa e Desenvolvimento em tecnologias associadas a veículos espaciais: R$ 13 milhões
- Satélite Lattes: R$ 5 milhões
- Satélite GPM-Br: R$ 2 milhões
- Satélite Amazônia 1: R$ 40 milhões
- Desenvolvimento do satélite MAPSAR: R$ 8,75 milhões
- Satélite CBERS 3: R$ 68,4 milhões
- Satélite CBERS 4: R$ 7 milhões
- Implantação do Complexo Espacial de Alcântara (CEA): R$ 39,7 milhões

Ministério da Defesa e Comando da Aeronáutica

Outros projetos, não vinculados ao Programa Espacial, mas que envolvem atividades espaciais também receberão recursos. No orçamento do Ministério da Defesa, constam pouco menos de R$ 18,4 milhões para a manutenção do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS) e outros R$ 7 milhões para a sua implantação. Há também uma destinação de R$ 2,5 milhões para "sensoriamento remoto para apoio à inteligência", recursos que provavelmente serão utilizados na compra de imagens de satélites.

Dentro da rubrica do Comando da Aeronáutica, foram destinados R$ 4,52 milhões para a operação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), e outros R$ 3 milhões para o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), além de recursos para treinamento e oriundos do Fundo Aeronáutico.
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Friuli tem contrato para propulsor do VSB-30

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Friuli vai ampliar presença nos setores de defesa e aeroespacial

Virgínia Silveira

Um novo contrato na área de defesa e a aprovação de um projeto de desenvolvimento tecnológico pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) vão dar continuidade ao processo de diversificação nos negócios da Friuli, reduzindo sua dependência do setor aeronáutico, principalmente da Embraer.

Única fabricante nacional de bombas de penetração para a Força Aérea Brasileira (FAB), a Friuli aumentará para 20% a participação do setor de defesa em sua receita em 2010. A Embraer deverá ficar com 50%, enquanto o setor aeroespacial fica com 20% e o segmento de petróleo com 10%. Até setembro de 2008, 95% da produção era destinada à Embraer. Índice que caiu para 60% no ano passado. Em 2009 a receita foi de R$ 7,3 milhões, abaixo dos R$ 9 milhões de 2008. Para este ano, a previsão é voltar aos R$ 9 milhões.

O aumento do setor de defesa virá da vitória em uma licitação aberta pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) para a produção dos motores do foguete VSB-30, utilizado em missões sub-orbitais de exploração do espaço.

"Esse contrato viabiliza a criação de uma estrutura maior de engenharia na empresa, abrindo novas oportunidades no setor aeroespacial, especialmente no mercado de exportação", comenta Gianni Cucchiaro, diretor da empresa. A Friuli, segundo ele, já fornecia alguns componentes do VSB-30, mas o novo contrato com o DCTA permitirá à empresa aumentar seu conhecimento e profissionalismo em áreas que envolvem tecnologias muito avançadas.

O VSB-30 é um foguete de sondagem 100% brasileiro e o primeiro a ser certificado no país, tornando-o apto para a produção em série. O foguete já contabiliza nove lançamentos bem sucedidos, sendo dois em território nacional e sete na Europa. O VSB-30 foi desenvolvido pelo Instituto de aeronáutica e Espaço (IAE), órgão de pesquisa do DCTA e financiado, em parte, pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), um dos principais usuários do foguete.

Em dezembro, a Friuli também confirmou a aprovação, pela Finep, do projeto de desenvolvimento de um sistema de planeio e guiamento de bombas por GPS. A empresa vai receber R$ 4,1 milhões para o projeto, através do programa de subvenção econômica de 2009.

O sistema de guiamento de bombas que a Friuli irá desenvolver, segundo Cucchiaro, é de alta precisão e será capaz de lançar bombas de 230 quilos, a uma distância entre 70 e 75 quilômetros e altitude de 30 mil pés. "Esse sistema, guiado por GPS, expõe menos a aeronave a riscos, pois é mais preciso no alvo, similar a um míssil."

O custo do sistema, segundo o executivo, deve ser da ordem de US$ 25 mil. "Os motores do VSB-30 e o sistema de guiamento e planeio de bombas vão gerar bastante demanda na área de engenharia da empresa e a nossa expectativa é a de contratar cerca de 10 engenheiros em 2010 para trabalharem nos novos projetos", diz.

Além dos novos projetos, a Friuli fornece peças para a marinha, como contêineres para armazenamento e transporte do míssil mar-ar Aspide. Ainda no segmento aeroespacial, a Friuli produziu três maquetes de 40 metros de altura do foguete Cyclone 4, da Ucrânia. As maquetes serão utilizadas na campanha de divulgação do lançador ucraniano pelo mundo. O Brasil assinou um acordo com a Ucrânia para lançar os foguetes da família Cyclone a partir do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão.

Fonte: Jornal Valor Econômico, via NOTIMP de 08/01/2010

Comentários: várias indústrias do pólo aeroespacial de São José dos Campos têm buscado diversificar suas áreas de atuação além da área aeronáutica, em que são muito dependentes de uma única grande cliente, direta ou indireta, a Embraer. Os recentes estímulos do governo ao setor de Defesa, como o lançamento da Estratégia Nacional de Defesa e aquisições (helicópteros, submarinos e mísseis antinavio) atraíram o interesse de algumas empresas, que viram aí a oportunidade de diversificar suas atuações. Em menor escala, pode-se dizer que o mesmo acontece no setor Espacial, em razão dos aumentos no orçamento do Programa Espacial Brasileiro nos últimos anos. Programas de subvenção econômica, como o da Finep também funcionam como atrativos a novos entrantes nos setores Aeroespacial & Defesa.

A Friuli fabricará os propulsores do primeiro e segundo estágios do VSB-30.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Licitação do Satcol: encerrada sem sucesso

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Em novembro de 2009, postamos aqui no blog algumas atualizações sobre o projeto do primeiro satélite de telecomunicações da Colômbia, o Satcol ("Atualizações sobre o Projeto Satcol").

Embora seja notícia de mais de um mês atrás, em 1º de dezembro do ano passado, a licitação do governo colombiano para a compra de seu primeiro satélite foi declarada deserta (algo como, cancelada por não ter recebido propostas que atendessem a todos os termos do edital). Apenas um único fabricante apresentou proposta, a empresa russa Reshetnev, mas os termos oferecidos não foram considerados adequados. Toda a história e razões que levaram o governo a considerar deserta a licitação podem ser conferidos na Resolución nº 1.506, do Fondo de Tecnologías de la Información y las Comunicaciones.

É provável que a Colômbia lance nova concorrência ou opte mesmo pela contratação direta de um fabricante (é razoável de se imaginar que vários executivos de grandes fabricantes já estejam visitando os gabinetes de Bogotá com as suas ofertas), pois sua intenção de contar com um satélite de comunicações próprio permanece.

Havia certa expectativa em relação ao Satcol, pois após a finalização de sua contratação, esperava-se que a Colômbia avançasse com a sua intenção de adquirir um satélite de sensoriamento remoto ótico. De fato, já existem movimentos e discussões nesse sentido, envolvendo, inclusive, uma possível parceria com o Chile para o compartilhamento de imagens geradas por seus satélites próprios (o Chile com o seu SSOT, que deve subir ao espaço ainda em 2010, e a Colômbia com o seu a ser futuramente adquirido).

O blog continuará monitorando as novidades sobre os projetos espaciais colombianos e de outros países da América do Sul.
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Satélites DMC no monitoramento da Amazônia

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) não faz uso apenas de imagens dos satélites CBERS e da série norte-americana Landsat para o monitoramento do desmatamento na Floresta Amazônica. Frequentemente, são também compradas imagens no exterior, da rede DMC (Disaster Monitoring Constellation), fornecidos pela empresa inglesa DMC International Imaging.

A DMC International Imaging é controlada pela Surrey Satellite Technology Ltd. (SSTL), indústria também inglesa especializada no desenvolvimento e construção de pequenos satélites, adquirida pela EADS Astrium em abril de 2008.

Desde 2005, a DMC International Imaging fornece imagens para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). As imagens são usadas para aprimorar os dados com estimativas anuais de desmatamento da região, atividade que o INPE executa por meio dos sistemas DETER (Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real) e PRODES (Monitoramento da Floresta Amazônia Brasileira por Satélite).

A constelação de microssatélites da DMC conta com sensores multiespectrais (32 m) e pancromáticos de alta-resolução (4 m). Todos os microssatélites da rede foram desenvolvidos e construídos pela SSTL, e são comparáveis em resolução aos da série Landsat. O grande diferencial da rede DMC para aplicações na região amazônica é o seu maior número de satélites, que possibilitam um maior número de visitas a uma mesma região, o que reduz consideravelmente o impacto da coberturas de nuvens comuns em regiões de florestas tropicais.

No final de 2009, o INPE contratou o fornecimento de mais imagens digitais para atender o monitoramento da Amazônia, negócio no valor de pouco mais de R$ 462 mil.
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Reportagem sobre o projeto SARA

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Brasil finaliza projeto para pesquisa em baixa gravidade

Virgínia Silveira

Os cientistas, técnicos e empresários brasileiros poderão, em breve, utilizar uma plataforma de fácil acesso e baixo custo para a realização de experimentos científicos e desenvolvimento de tecnologias e produtos que demandem um ambiente de microgravidade, onde a influência gravitacional é próxima de zero. O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), centro de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), já iniciou a fase de testes do Satélite de Reentrada Atmosférica (Sara), uma cápsula espacial projetada para operar em órbita baixa, a 300 km de altitude, por um período de 10 dias.

A influência mínima da ação gravitacional favorece a observação e a exploração de fenômenos e processos físicos, químicos e biológicos que seriam mascarados sob a influência da gravidade terrestre. Tais conhecimentos podem ser úteis no desenvolvimento de novos produtos em áreas como biologia, biotecnologia, medicina, materiais e fármacos. O Sara, segundo o gerente do projeto, Luís Loures, surge como uma alternativa barata e eficiente em relação aos meios já disponíveis, como as torres de queda-livre, voo parabólico, foguetes de sondagem, ônibus espacial e estações espaciais, como a MIR e a ISS.

A primeira versão do Sara, com lançamento previsto para o fim do ano, está sendo configurada para executar uma missão suborbital, ou seja, sem inserção em órbita e com um sistema de recuperação da carga útil ou dos experimentos. "Nesse primeiro projeto os maiores desafios tecnológicos estão relacionados ao desenvolvimento da eletrônica de bordo, sistema de recuperação da carga útil e o módulo de experimentação", explica o pesquisador.

Para garantir a eficiência da missão suborbital, serão realizados dois voos de qualificação, uma oportunidade para corrigir eventuais problemas detectados no primeiro veículo e também para fazer a incorporação de novos experimentos.

A segunda versão do SARA, que será lançada ao espaço, terá capacidade para transportar até 55 quilos de experimentos, que poderão desfrutar de um tempo total de microgravidade de 10 dias, o mesmo período oferecido para a realização de pesquisas e testes em missões com os ônibus espaciais.

A desvantagem do ônibus espacial para o Brasil é o custo alto para a realização de pesquisas e a baixa qualidade do ambiente de microgravidade, que fica alterado pelo movimento das pessoas no espaço. Outro problema é que esse tipo de plataforma de acesso ao espaço, da mesma forma que a Estação Espacial Internacional (ISS), possui órbitas entre 200 quilômetros e 450 quilômetros de altitude. A essas distâncias, a aceleração da gravidade é apenas 10% menor que a da superfície da Terra, o que mostra que o espaço não é uma região totalmente livre de gravidade.

A realização de pesquisas em ambientes de microgravidade começou nos primeiros anos dos programas espaciais, nas décadas de 60 e 70, com experimentos à bordo da Apolo, Skylab e Apolo-Soyus. Atualmente, os foguetes de sondagem, como o VSB-30 (produzido pelo IAE e utilizado principalmente pelos europeus) e a ISS são os meios mais utilizados pelos cientistas para as pesquisas em ambiente de microgravidade.

O programa de desenvolvimento do Sara, informa Loures, consumiu até o momento cerca de R$ 3 milhões, que foram repassados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB). A construção do modelo de qualificação do Sara tem custo estimado de R$ 2,4 milhões e a do modelo de voo está avaliada em R$ 2,6 milhões.

Várias companhias brasileiras participam do projeto do satélite. A Cenic Engenharia, de São José dos Campos, é a responsável pelo processo de industrialização da plataforma. A Mectron Engenharia desenvolve a eletrônica da plataforma e a Orbital Engenharia se responsabiliza pelo sistema de recuperação da carga útil. A EQE está fazendo o sistema eletrônico do módulo onde serão acoplados os experimentos científicos.

O cronograma do Sara suborbital, diz Loures, prevê para o fim de 2010 o lançamento do primeiro satélite pelo foguete de sondagem VS-40, produzido também pelo IAE. O veículo será lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e terá oito minutos de voo suborbital. A aterrissagem está prevista para acontecer na água, a 100 quilômetros da cidade de Parnaíba (PI), de onde será feita a operação de resgate da carga útil.

O sistema de recuperação dos experimentos é composto de um conjunto de três para-quedas: uma aba piloto, para a extração dos demais para-quedas; um para-quedas de arrasto, para a redução da velocidade; e um conjunto de para-quedas principais, para levar a plataforma até a velocidade de descida especificada para o impacto com a água.

O satélite Sara, segundo o pesquisador do IAE, Paulo Moraes Junior, que gerenciou o projeto até 2005, é inovador pelo fato de ser o único hoje no mundo que se destina a experimentação científica e tecnológica de baixo custo e também para um tempo médio de exposição ao ambiente de microgravidade. "Trata-se de um satélite pequeno. O russo Express pesa cerca de uma tonelada, o que exige que seja lançado por um foguete de maior porte", explica. O mesmo acontece com os satélites americanos e chineses, que pesam entre 800 e 1,2 mil quilos. Os europeus, segundo Moraes, estão desenvolvendo o satélite Expert.

Com o Sara, segundo Moraes, o Brasil poderá fazer pesquisa estratégica a um custo médio de US$ 1.000 por quilo, por hora de experimento. No caso de aeronave em voo parabólico, o tempo de gravidade chega a 20 segundos e o custo é de US$ 50 mil. As torres de queda livre conseguem produzir de 4 a 8 segundos de microgravidade a um custo de aproximadamente US$ 5 mil.

Fonte: Jornal Valor Econômico, 05/01/2010, via NOTIMP
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Matérias sobre a ACS na Folha: comentários

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O jornal Folha de S. Paulo publicou no final de semana (sábado e domingo) matérias sobre a Alcântara Cyclone Space (ACS) e a questão dos quilombolas no Maranhão: "Plano brasileiro de lançar foguete enfrenta atraso"; "Empresa binacional aposta em lançamento barateiro de satélite"; e "Projeto espacial esbarra em comunidades quilombolas no MA".

As reportagens abordaram pontos interessantes sobre a ACS e o seu mercado pretendido, ouvindo, inclusive, especialistas. Alguns destes pontos merecem comentários.

Mercado de satélites

De fato, como afirmou Carlos Ganem, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) numa das reportagens, existe uma tendência de crescimento em satélites de pequeno porte, o que, inclusive, já foi abordado aqui no blog no passado (vejam a postagem "Mercado mundial de satélites entre 2009-2018"). Mas, esta afirmação, no contexto em que foi colocada pode levar a um entendimento incorreto. Esta tendência não necessariamente está associada a satélites geoestacionários (GEO), que é, ou ao menos foi quando do início do projeto, o mercado preferencial da ACS, mas sim a satélites de órbita baixa (LEO, sigla em inglês) e média (MEO, sigla em inglês). Não é possível de se fazer uma análise simples, mas o mercado de satélites geoestacionários - considerado o mais lucrativo para os provedores de lançamento, até por envolver muitos clientes privados, como empresas de comunicações, tende a ser majoritariamente dominado por satélites de maior porte, de 3 ou mais toneladas. A companhia norte-americana Orbital Sciences Corporation, considerada a maior fabricante de plataformas ("bus") GEO de pequeno porte nos últimos tempos tem aumentado a capacidade (e, consequentemente, a massa) de seu bus STAR. Outras iniciativas em plataformas GEO, como a plataforma Luxor, da empresa alemã OHB Systems, e o desenvolvimento pela inglesa SSTL de uma pequena plataforma de comunicações para o governo do Sri Lanka, entre outras, ainda precisam ser comercialmente provadas. A propósito desse tema, para quem se interessar, recomendamos a leitura da reportagem "Power Ranger - As small satellite demands change, Orbital Sciences slowly redefines its niche", da revista Aviation Week & Space Technology, de 7 de dezembro de 2009.

Corroborando esta possível tendência de satélites de maior potência e massa em órbitas GEO, vale citar trecho de uma entrevista com Evert Dudok, CEO da companhia europeia EADS Astrium Satellites (fabricante de satélites), publicada na edição de dezembro da revista Via Satellite (tradução livre e apressada feita pelo blog):

"Questão: quais tendências você vê em termos de capacidade dos satélites?
DUDOK: Os slots orbitais estão agora de algum modo limitados, então haverá uma necessidade importante de trazer o total de capacidade que for possível nesses slots."

Salvaguardas tecnológicas

Este ponto não foi mencionado em nenhuma das reportagens, mas dada a sua relevância para o futuro da ACS, qualquer análise precisa sobre Alcântara e suas perspectivas comerciais precisa necessariamente tratar deste tema. Para saberem mais sobre o assunto, recomendamos a leitura da postagem "Salvaguardas tecnológicas entre Brasil e EUA".
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Atraso na missão SAC-D/Aquarius

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Segundo reportagem publicada no final de dezembro no web-site norte-americano Spaceflightnow.com ("Ocean-watching satellite facing delays in Argentina"), o lançamento do satélite argentino SAC-D/Aquarius pode ser adiado por aproximadamente um ano, até o início de 2011, devido a problemas em sua fabricação. A reportagem não dá detalhes sobre quais seriam estes problemas, mas cita fontes industriais não identificadas e um porta-voz do Jet Propulsion Laboratory (JPL), da National Aeronautics and Space Administration (NASA).

"Tem havido atrasos no desenvolvimento do satélite, que está sendo construído pelo parceiro da NASA na missão, a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CONAE), da Argentina. A NASA e a CONAE estão revisando o restante da integração e cronograma de testes do satélite, assim como o manifesto de lançamentos do centro espacial de Vandenberg para determinar uma nova data de lançamento", afirmou Alan Buis, porta-voz do JPL/NASA.

Antes de ser enviado para o centro espacial de Vandenberg, da U.S. Air Force, na Califórnia (EUA), de onde o SAC-D/Aquarius deve ser lançado por um foguete Delta II, o satélite de meio-ambiente argentino deve passar pelo Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), para a realização de testes finais. A expectativa era de que o satélite fosse enviado ao Brasil em março de 2010, o que não deve mais ocorrer.

Para saber mais sobre a missão SAC-D/Aquarius, acessem a postagem "SAC-D: o novo satélite argentino".
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