sábado, 6 de agosto de 2011

Mais sobre os 50 anos do INPE

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Nos últimos dias, alguns jornais e revistas publicaram reportagens sobre os 50 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), comemorados em 4 de agosto, em cerimônia realizada na sede da instituição, em São José dos Campos (SP).

Em nota divulgada pelo INPE, foram destacados alguns trechos do discurso do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. “Toda essa tecnologia, essa inteligência, é um orgulho do Brasil, uma contribuição imensa ao desenvolvimento do país”, disse. O ministro também destacou a construção do sistema de alerta para melhorar a capacidade de prevenção diante de desmoronamentos e inundações causados pelos extremos climáticos (CEMADEN), e a expectativa de avanços no monitoramento da Amazônia em 2012, com o lançamento do CBERS 3, o primeiro satélite da segunda geração do programa sino-brasileiro.

Ontem (5), em reportagem de Virgínia Silveira no jornal "Valor Econômico" repercutindo o aniversário do INPE, foi dado destaque para a necessidade de novas contratações para o Programa Espacial Brasileiro, algo mencionado por Câmara em seu discurso. De acordo com o diretor, atualmente o Instituto tem um déficit de 600 servidores. O ministro reconhece o problema e tem feito gestões para atenuá-lo. "Nós conseguimos uma brecha para fazer um concurso imediato para a contratação de 75 pesquisadores para o Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais. No que diz respeito ao Inpe, a nossa expectativa é conseguir, ainda este ano, a previsão orçamentária que nos permita realizar o concurso no ano que vem", afirmou à reportagem.

Alcântara Cyclone Space

O texto de Virgínia Silveira também faz referência à cooperação ucraniano-brasileira no projeto da Alcântara Cyclone Space, citando informações de Mercadante. O ministro comentou que o governo ucraniano se comprometeu a fazer um aporte de recursos de cerca de US$ 180 milhões na binacional até o mês que vem, setembro. "O objetivo, segundo o ministro, é que seja restabelecido um equilíbrio entre as responsabilidades que foram acordadas entre o governo brasileiro e da Ucrânia em relação ao projeto. O Brasil já investiu US$ 107 milhões na ACS e a Ucrânia US$ 60 milhões, informou o presidente da AEB, Marco Antônio Raupp."
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

2º Workshop de Engenharia Aeroespacial do ITA

Entre os dias 8 e 10 de agosto, acontecerá no campus do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), do Departamento de Ciência e tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), o 2º Workshop de Engenharia Aeroespacial do ITA, evento que contará com a participação de vários institutos e indústrias ligadas ao setor.

A programação preliminar foi divulgada na internet. Para acessá-la, clique aqui.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Astrium se fortalece no Brasil

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A Astrium, divisão espacial do grupo europeu EADS, está se fortalecendo no País. Em dezembro de 2010, a empresa fez um novo aporte de capital na indústria Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP), da qual é acionista, em linha com sua estratégia de usá-la como plataforma industrial para novos projetos no Brasil e na América do Sul. Numa restruturação organizacional do grupo, o experiente executivo Jean-Noel Hardy, ex-presidente da Helibras, e que desde junho de 2009 respondia pelas atividades da Astrium no Brasil, teve seu escopo de atuação ampliado, passando a também responder por todo o mercado latino-americano.

No final de 2010, o grupo conquistou alguns sucessos junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Sua subsidiária SODERN fornecerá sensores de estrelas para o satélite de observação terrestre Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), e a Equatorial Sistemas foi selecionada para desenvolver e fabricar o gravador digital de dados do mesmo satélite.

Durante a LAAD 2011, a Astrium e a Equatorial Sistemas apresentaram a câmera HIRIS (Hyperspectral Imager for Remote Intelligence & Surveillance) (foto acima), desenvolvida no Brasil com recursos da FINEP, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O sensor pode ser usado numa variedade de plataformas, tais como aviões, helicópteros e veículos aéreos não tripulados (VANTs), em aplicações militares, como a detecção de alvos, camuflagens e minas terrestres, e civis, na identificação de materiais, monitoramento de meio ambiente, agricultura, mitigação de desastres e planejamento urbano.

Fonte: Coluna Defesa & Negócios, de André M. Mileski, publicada na edição nº 125 da revista Tecnologia & Defesa.

Comentário: em complemento a nota acima, importante mencionar a compra da Vizada, no início desta semana, pela Astrium (ver a postagem "EADS Astrium compra a Vizada"), que acabará por ampliar o escopo de atuação da empresa na região.
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Os 50 anos do INPE

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Presidenta Dilma parabeniza o INPE pelos 50 anos. Cerimônia de aniversário terá transmissão online

Quarta-feira, 03 de Agosto de 2011

Criado em 3 de agosto de 1961, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) está completando meio século de existência como um dos principais órgãos de ciência e tecnologia do Brasil.

Em mensagem dirigida ao Instituto, a presidenta Dilma Rousseff destaca que “ao procurar antecipar as demandas da sociedade brasileira por um nível cada vez maior de auto-suficiência na esfera das ciências exatas, o INPE tornou-se referência nacional e internacional em sua área de atuação. Desempenha, dessa forma, um papel de incontestável relevo para o desenvolvimento tecnológico do Brasil”. Confira aqui a íntegra da mensagem da presidenta.

Cerimônia

A comemoração será nesta quinta-feira (4/8) durante cerimônia presidida pelo diretor Gilberto Câmara e com a presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Na ocasião, será lançado oficialmente o Plano Diretor do INPE, que apresenta metas de curto e médio prazo, com ênfase nos programas de satélites, e aponta a necessidade de investimentos consistentes na área espacial.

Durante a cerimônia serão homenageados os servidores que completam 10, 15, 20, 25, 30, 35 e 40 anos de atividades, bem como os aposentados no último ano e aqueles que obtiveram destaque nas áreas de Pesquisa, Gestão e Desenvolvimento Tecnológico. Também está prevista uma homenagem da Câmara Municipal de São José dos Campos ao INPE.

Realizada no auditório Fernando de Mendonça (LIT/INPE), em São José dos Campos, a cerimônia será transmitida ao vivo pela internet, a partir das 10 horas, através do endereço: www.lit.inpe.br/aovivo

Futuro

O INPE é o principal órgão civil responsável pelo desenvolvimento das atividades espaciais no país. Ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), tem como missão contribuir para que a sociedade brasileira usufrua dos benefícios propiciados pelo contínuo desenvolvimento do setor espacial.

Na década de 1960, o INPE iniciou suas atividades com foco nas ciências espaciais e hoje abriga grupos de pesquisas reconhecidos mundialmente em áreas como geofísica, astrofísica, aeronomia e física de materiais. Depois de também conquistar o reconhecimento no sensoriamento remoto por satélites e na meteorologia, o INPE instalou um centro de excelência para detectar mudanças ambientais e gerar cenários na escala de décadas a centenas de anos, em resposta às interações entre sistemas naturais e sociais, e avaliar seus impactos no desenvolvimento nacional.

Atualmente, o INPE possui um dos supercomputadores mais poderosos do mundo para aplicações meteorológicas, climáticas e ambientais e, em breve, irá sediar o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) do MCT.

No INPE, são construídos satélites para produção de dados sobre o planeta Terra e desenvolvidas pesquisas que transformam estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo.

O INPE distribui gratuitamente, pela internet, as imagens de satélites que beneficiam o sistema de gestão do território do próprio governo, a pesquisa nas universidades e o desenvolvimento das empresas privadas, que geram emprego e renda com tecnologia espacial.

As imagens e produtos derivados do INPE são úteis em áreas como saúde, segurança pública, gerenciamento de desastres naturais e da biodiversidade. A previsão de tempo e clima do INPE garante dados a setores econômicos como o agronegócio e o planejamento energético, fundamentais para o desenvolvimento do país.

Marcada pelo pioneirismo, a história do INPE mostra crescente compromisso com as demandas sociais. O INPE surgiu logo após o lançamento do Sputnik e, cinqüenta anos depois, assume o desafio do desenvolvimento sustentável em meio a uma crise ambiental global.

Fonte: INPE
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cooperação Brasil - Congo: monitoramento de florestas

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Com apoio da tecnologia brasileira, Congo avança no monitoramento de florestas para REDD

Terça-feira, 02 de Agosto de 2011

A República Democrática do Congo adotou a tecnologia brasileira de monitoramento desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que oferece seu sistema baseado em satélites a países interessados em cuidar de suas florestas. O objetivo é utilizar os resultados do monitoramento na implantação de políticas nacionais para REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação em Países em Desenvolvimento.

O país africano é o segundo no mundo com maior cobertura de florestas tropicais. Em primeiro está o Brasil, que possui em seu território grande parte da Amazônia, a maior floresta tropical do planeta.

O sistema operacional para monitoramento de florestas do Congo deve ser lançado durante a COP 17, na África do Sul. O sucesso de políticas relacionadas a REDD depende da capacidade dos países em medir e comprovar a veracidade de suas informações sobre florestas, algo que o Brasil, através do INPE, realiza há vários anos.

O INPE oferece a capacitação técnica necessária ao monitoramento para REDD por meio de parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Os cursos são realizados em Belém, onde o INPE instalou um verdadeiro centro internacional de difusão de tecnologia de monitoramento por satélite de florestas tropicais. Lá, técnicos estrangeiros aprendem a utilizar o TerraAmazon, o sistema desenvolvido pelo Instituto para seus programas de monitoramento, como PRODES e DETER.

“A República Democrática do Congo é o primeiro a adotar nosso sistema operacional, entre os países que foram capacitados a utilizar esta tecnologia. Estamos capacitando técnicos de várias partes do mundo e estão previstos mais cursos para a Bacia do Congo, além da América Latina e Ásia, de maneira que todos os principais países com florestas tropicais possam ser capacitados”, conta Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazônia (CRA) do Instituto, o INPE Amazônia.

Em setembro, uma nova equipe da República Democrática do Congo virá para mais um treinamento em Belém, do qual também devem participar técnicos de Papua Nova Guiné e Vietnã.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

EADS Astrium compra a Vizada

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O grupo europeu EADS anunciou hoje (01), que firmou um acordo para a aquisição, por meio de sua subsidiária Astrium, da Vizada, uma empresa de comunicações via satélite, por 960 milhões de dólares. A mais recente aquisição da EADS está em linha com a estratégia do grupo de ampliar suas atividades em serviços e expandir seus negócios no mercado norte-americano, região em que a Vizada tem significativa presença.

A Vizada oferece serviços de comunicações fixas e móveis por satélite oriundos de capacidade de múltiplas redes de satélites comerciais, como os da constelação Inmarsat, Iridium e Intelsat, entre outros, para operadores como empresas de transporte marítimo, organizações governamentais e não governamentais, unidades militares, aviação civil, etc.

A empresa tem presença no Brasil e América do Sul, ainda que tímida em comparação aos negócios da operadora em todo o globo. O escritório regional sul-americano fica baseado no Rio de Janeiro (RJ), e dentre os projetos em que já esteve envolvida no País, destacam-se as eleições presidenciais em 2010 (transmissão de voz e dados a partir de regiões remotas), e o projeto Cartografia da Amazônia, do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e do Exército Brasileiro, em 2008. Em ambos os casos, a Vizada fez uso da rede de comunicações Inmarsat, com terminais portáteis BGAN.

Ainda que o racional da nova aquisição esteja principalmente no hemisfério norte, fato é que ao integrar a Vizada em seu portfólio de serviços, a presença da Astrium no Brasil e América do Sul ficará mais fortalecida.
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domingo, 31 de julho de 2011

"O Renascimento de Alcântara", artigo de José Monserrat Filho

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Reproduzimos abaixo um novo artigo de José Monserrat Filho, chefe de cooperação internacional da Agência Espacial Brasileira, enviado ao blog pelo autor. O artigo trata do Centro de Lançamento de Alcântara, destacando o seu momento atual, com a reconstrução da torre do VLS, a binacional Alcântara Cyclone Space, e abordando também outras iniciativas do Programa Espacial Brasileiro, como satélites de comunicações. Novamente, a exemplo do artigo divulgado semana passada ("Precisa-se de engenheiros espaciais"), o novo texto do Prof. Monserrat traz algumas informações inéditas e relevantes:

O Renascimento de Alcântara

José Monserrat Filho *

Já visitei o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) três vezes, ao longo de 15 anos. A primeira vez ocorreu em 1996 – eu era o editor do Jornal da Ciência, da SBPC, e estudioso do direito espacial. A segunda, nos idos de março de 2004, mais precisamente no dia 24, quarta-feira, por ocasião da 4ª Reunião Regional da SBPC¹ realizada na Universidade Estadual do Maranhão, em São Luís. E a terceira, agora, em 28 de julho de 2011, como convidado do Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, para integrar a comitiva do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, em visita especial (e histórica) ao CLA.²

Creio ter algo a relatar sobre a evolução do centro, desde sua paralisia nos anos 90.

Em 2004, participavam da visita o então presidente da SBPC, Ennio Candotti; o então secretário regional da SBPC, Antônio de Oliveira; o professor da PUC/RJ e ex-diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Anselmo Pasqua; e o engenheiro Murilo Marques Barbosa, então assessor especial do Ministro da Defesa, José Viegas Filho. Éramos um grupo muito interessado nos graves problemas que o Programa Espacial Brasileiros enfrentava.

Ainda estávamos sob o impacto do fatídico acidente ocorrido seis meses antes, em 22 de agosto de 2003, no CLA, na plataforma de lançamento do VLS-1, na véspera da terceira tentativa de enviá-lo ao espaço, quando perderam a vida 21 técnicos e engenheiros³.

Atônito com o que vira, escrevi, em 25 de março de 2004, o artigo “Base de Alcântara, uma riqueza ainda muito pouco explorada”4. Contei que fôramos “regiamente conduzidos e tratados pelo diretor do CLA, Coronel Francimar Nogueira Ventura, que se desdobrou para atender aos nossos questionamentos, com o auxílio de toda a sua equipe local”; ele nos apanhara no hotel, em São Luís, bem cedo pela manhã e nos trouxera de volta no fim do dia, acompanhando-nos o tempo todo. A hospitalidade era “a melhor possível”. O melancólico vazio do CLA é que impressionava.

O Coronel Francimar fez questão de nos mostrar tudo, a começar pelo local da tragédia. Diante daquele monte de ferros retorcidos que lembravam uma nesga do apocalipse, procurou nos esclarecer como se dera a explosão. Era, claro, a explicação técnica dos fatos. Atrás deles – sabíamos nós –, havia a longa história das deficiências e da falta de apoio governamental, que, ao longo de anos, levaram ao desastre como um lento rastro de pólvora.

O ponto a que tínhamos chegado

Daí que, no artigo, eu clamava: “Chegamos, como nunca antes, à hora da verdade. E ainda estamos nela, até inspirados no relatório sobre os resultados da investigação do terrível acidente. Tornou-se absolutamente imprescindível abrir à opinião pública a plenitude dos nossos problemas, deficiências e dificuldades. A realidade dói, mas é com ela que se constrói um novo rumo, mais seguro, mais produtivo e mais promissor, sem esquecer as conquistas do passado – muitas e fundamentais a seu tempo.”

E dizia mais:

“O que nos deixa aturdidos e perplexos é a complexidade dos problemas que cercam e atrasam o desenvolvimento do CLA, de valor incalculável no mundo de hoje.

“Pergunto-me quantos países se sentiriam felicíssimos se pudessem contar com uma base de lançamentos espaciais tão bem localizada e tão privilegiada quanto a de Alcântara. Muitos, com certeza, a começar por vários países avançados do Hemisfério Norte, com importantes atividades espaciais, mas com centros de lançamento que encarecem os voos.

“O fato concreto e por todos os motivos lamentável é que o Centro de Alcântara, onde o país já investiu centenas de milhões de dólares, continua subutilizado. Tudo o que de bom já fizemos com ele, seguramente representa uma percentagem mínima do muito que poderíamos ter feito, se tivéssemos há mais tempo tentado, com mais determinação e conhecimento de causa, aproveitar seu imenso potencial.

“Mas não se trata de chorar o leite derramado. Sem ignorar os erros do passado, há que enfrentar o dia de hoje e de amanhã. O CLA está ali, esperando por nossas iniciativas, nosso dinamismo, nossa criatividade. Ele é denso de possibilidades. Tem tudo para ser um dos melhores, mais eficientes e mais seguros centros de lançamento do mundo. E pode ser também um grande centro de pesquisas científicas e tecnológicas, além de um grande centro formador de recursos humanas em área de ponta.

“Ter tanto e aproveitar (relativamente) tão pouco – isso no mundo atual tem um nome duro e amargo: desperdício. Um luxo que um país pleno de carências como o Brasil não tem o direito de se permitir. Felizmente, há notícias e indícios importantes de que nos altos escalões do Governo federal há gente empenhada em mudar essa situação – sensatamente, moralmente e economicamente – insustentável.

“Já perdemos tempo demais. É hora de agir com toda a urgência possível e impossível. O grande futuro de Alcântara está nas mãos da presente geração de brasileiros responsáveis e empreendedores.”

Alcântara, sete anos depois

Na manhã de quinta-feira passada, 28 de julho de 2011, desembarquei no CLA com a mesma “ânsia natural e revitalizada de identificar sinais dessa renovação”, como assinalara em 2004.

Vi um centro bem diferente daquele de 2004. Há avanços e conquistas palpáveis, importantes obras em andamento, confiança no presente e no futuro. O clima é de franco otimismo. Mudança da água para o vinho.

A nova Torre Móvel de Integração (TMI), praticamente pronta, erguida no mesmo lugar da plataforma destruída em 2003, deve ser inaugurada no início de 2012. Custou R$ 44 milhões. A interligação dos sistemas eletrônicos e de comunicação está sendo concluída. Testam-se os equipamentos eletrônicos e a integração dos sistemas de comunicação da TMI com a Casamata, responsável pelo monitoramento e preparação dos foguetes antes de cada lançamento.

Inaugurou-se oficialmente a nova e moderna Sala de Controle dos lançamentos do CLA, construída em três anos e já várias vezes testada, que acompanha todas as etapas de um lançamento, bem como a segurança de voo, telemedidas e localização. Sistemas digitais substituíram os analógicos, otimizando o rastreio dos foguetes e reduzindo a chance de interferências nos lançamentos. Toda a comunicação de dados segue agora por fibra ótica que evita interferências.

No ato de inauguração, simulou-se o funcionamento de toda a Sala de Controle – telemedidas, rastreio e monitoramento de voo.

Modernizou-se também a sala da Casamata. A renovação abrange o sistema de radar e o setor de meteorologia. Além do mais, o CLA foi dotado de um sistema de perfiladores de vento com tecnologia que permite nova dinâmica na avaliação dos ventos verticais.5

Assim – garante o atual diretor do CLA, Coronel Ricardo Rodrigues Rangel –, o centro estará preparado para promover, em 2012, o primeiro voo de qualificação do novo foguete brasileiro, o VSL, modificado graças à cooperação com a Rússia.6

A relevância da empresa Alcântara Cyclone Space (ACS)

Os pontos centrais do Programa Espacial Brasileiro são o CLA e o programa da empresa Alcântara Cyclone Space (ACS), declarou o Ministro Jobim para quem ainda tinha alguma dúvida.

O presidente da AEB, Marco Antônio Raupp, bateu na mesma tecla: “Os dois pontos fundamentais do Programa Espacial Brasileiro são o CLA e a ACS. Em 2012, o CLA deverá lançar o novo VLS, e a ACS, o foguete Cyclone 4.

Em visita à Ucrânia (4-8 de julho), à frente de uma missão técnica, Raupp conheceu a tecnologia usada no Cyclone 4 e voltou “muito otimista”. A fabricação do foguete está bem adiantada. A parte brasileira deve acelerar a construção das instalações no CLA a ele destinadas .

Satélites geoestacionários, maior autonomia e maior orçamento

A visita ministerial ao CLA buscou conseguir novos recursos para o Programa Espacial Brasileiro como um todo, afirmou o Ministro Jobim, até porque em janeiro deste ano houve um corte de R$ 50 milhões no orçamento destinado à C&T; resultado: o CLA reduziu de 14 para sete o número de lançamentos previstos para 2011.

Os ministros visitantes concordaram com dois pontos essenciais: 1) a forte base tecnológica já instalada no CLA permite efetuar lançamentos complexos; e 2) isso exige novos recursos financeiros para completar a capacidade operacional do CLA.

Não por acaso, a visita foi definida como “a base do relatório para solicitarmos novos investimentos à Presidente Dilma Rousseff”. Sabe-se que ela assumiu as atividades espaciais como uma das maiores prioridades de seu governo, ao lado das áreas nuclear e de informática. O Ministro Paulo Bernardo acredita que “a presidente Dilma dará luz verde aos novos investimentos”.

Aliás, o Ministério da Defesa já tem pronta a exposição sobre a necessidade inadiável de dois satélites geoestacionários estratégicos de comunicações, a ser apresentada à Presidente. Os dois satélites, com lançamentos planejados para 2014 e 2019, demandam, obviamente, investimentos de monta. A ideia é de comprá-los de uma das empresas internacionais do setor, mediante licitação. Mas o Ministro das Comunicações fez questão de ressaltar: “No futuro, criaremos nossos próprios satélites geoestacionários.”

Mais áreas de lançamento, mais fontes de riqueza

O excelente sobrevoo de helicóptero oferecido aos visitantes sobre a zona do CLA atual e toda a região norte de Alcântara, às margens do Oceano Atlântico, deixou clara a possibilidade de se ampliar de três para 15 o número de áreas de lançamento. A região é praticamente desabitada, não parece favorecer a agricultura e pode, sim, ser objeto de acordo com os habitantes de Alcântara para que eles tenham acesso ao mar quando não houver lançamentos programados.

Esse é um dos melhores locais do planeta para todo tipo de lançamento espacial. Podemos e devemos aproveitá-lo com competência e urgência. É riqueza natural inestimável, capaz de favorecer a própria Alcântara, o Estado do Maranhão, a região Nordeste e o Brasil inteiro.

Resumo e apelo da história

Estamos diante de um renascimento de Alcântara. Não temos nem mais um minuto a perder.

* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB

Referências

1) Os Ministros Paulo Bernardo, das Comunicações, e Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, também participaram da visita organizada pelo Ministério da Defesa às instalações do CLA. Da AEB, além do Presidente Marco Antônio Raupp, estavam o Diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Thyrso Villela, e o Diretor de Transporte Espacial e Licenciamento, Nilo Sergio de Oliveira Andrade, ex-Diretor do CLA.
2) Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), criada em 1948.
3) Todos pertenciam aos quadros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), então vinculado ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA) – hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), subordinado ao Comando da Aeronáutica.
4) Publicado no JC e-mail nº 2491 (Jornal da Ciência eletrônico da SBPC), edição de 25 de março de 2004.
5) Ver: http://panoramaespacial.blogspot.com/.
6) Jornal “O Estado do Maranhão”, de 29/07/2011.
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A entrada da Bélgica no mercado espacial

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A Bélgica pode se tornar o mais novo país a exportar satélites de observação terrestre. Em 27 de julho, uma proposta feita por indústrias espaciais belgas foi comissionada pelo governo do Vietnã para o fornecimento de um microssatélite de observação terrestre, dentro do programa VNREDSat (Vietnam Natural Resources Environment and Disaster monitoring small Satellite).

Estudos de viabilidade para o projeto final da carga útil ótica foram iniciados e devem ser concluídos até outubro. O contrato de construção será assinado em março de 2012, por ocasião de uma missão econômica da Bélgica no Vietnã. A expectativa é que o modelo seja lançado em 2016, sendo que este será o segundo microssatélite de observação do Vietnã. Em 2010, o país asiático também adquiriu um satélite da EADS Astrium, baseado na plataforma Myriade (a mesma adotada pelo chileno SSOT), e que está atualmente em construção em Toulouse, com previsão de lançamento em 2013 ou 2014.

Segundo informações da imprensa europeia, indústrias da Bélgica recentemente fizeram propostas equivalentes de satélites de sensoriamento remoto para países no continente africano e na América Latina. Em outubro de 2009, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Centro Espacial de Liège assinaram um acordo de cooperação no campo espacial, compreendendo diversas áreas, dentre as quais observação terrestre, cargas úteis e satélites. No final de junho, a AEB divulgou notícia sobre planos de uma visita dea delegação de empresários da indústria espacial brasileira a empresas espaciais belgas, e também para a formação de recursos humanos especializados, em universidades da Bélgica, nas áreas de engenharia e aplicações espaciais.

Satélites PROBA

O modelo selecionado pelo Vietnã será baseado numa família já madura de satélites desenhados pela indústria belga. Desde o final da década de noventa, o governo da Bélgica tem apoiado o desenvolvimento do PROBA (Project for OnBoard Autonomy), projeto de família de microssatélites que envolve a participação de várias indústrias e entidades do país, como a QinetiQ Space, que atua como prime-contractor, e a Spacebel (software e segmento terrestre). O primeiro modelo PROBA, de sensoriamento remoto ótico, foi colocado em órbita em outubro de 2001, e continua em operação. Em 2009, foi lançado um segundo satélite baseado na plataforma, para missões científicas, dedicado a observações sobre os efeitos do Sol na Terra. Um terceiro modelo, chamado PROBA-V, também para observação terrestre, está em construção e deve ser lançado entre 2012 e 2013.
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sábado, 30 de julho de 2011

Programa "Ciência sem Fronteiras"

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O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em conjunto com o Ministério da Educação, está lançando um programa de concessão de bolsas para estudantes e pesquisadores no exterior, chamado "Ciência sem Fronteiras". O objetivo é, até 2014, conceder 75 mil bolsas de estudos para graduação, doutorado, pós-doutorado e estágio em áreas estratégicas, nos campos de engenharias e ciências básicas e tecnológicas. O programa também considera a atração de cientistas brasileiros e mesmo estrangeiros que hoje estão no exterior, para realizar suas pesquisas no País. Outro aspecto interessante é a busca de uma maior participação da iniciativa privada na formação de recursos humanos, que no Brasil investe muito pouco em Pesquisa & Inovação, por meio do treinamento de especialistas e engenheiros em empresas no exterior por até 12 meses.

Dentre as áreas consideradas estratégicas, algumas relacionadas, direta ou indiretamente, com o setor espacial: Tecnologia Aeroespacial, Ciências Exatas e da Terra: Física, Química e Geociências, e Tecnologia de prevenção e migração de desastres naturais. O programa, portanto, pode ter um papel significativo na formação e/ou atração de recursos humanos para o Programa Espacial Brasileiro, um dos pontos atualmente considerados mais críticos para o seu desenvolvimento (ver o artigo "Precisa-se de engenheiros espaciais", de José Monserrat Filho).

Para saber mais sobre o "Ciência sem Fronteiras", acesse a apresentação feita pelo ministro Aloizio Mercadante (clique aqui), e também a nota distribuída pelo MCT (clique aqui).
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

AEB e projetos no Maranhão

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Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) confirma parcerias com a UFMA

28-07-2011

Confira uma entrevista com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp durante encontro com o Reitor e Vice-reitor da UFMA, no Hotel Louzeiros, nesta quarta.

Durante o encontro, o presidente garantiu a consolidação de parcerias com a Universidade para fortalecer a educação e tecnologia do Estado. Antes da reunião, uma comitiva formada por representantes da AEB foi recebida pelo Reitor e Vice Reitor no Aeroporto Marechal Cunha Machado. Marco Antônio Raupp acompanha os ministros da Defesa, Nelson Jobim, das Comunicações, Paulo Bernardo, e de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco para uma vista as instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Fonte: UFMA, via AEB.
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