domingo, 13 de novembro de 2011

"Desde o espaço", reportagem de Tecnologia & Defesa

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DESDE O ESPAÇO

O uso de satélites para a prevenção e gerenciamento de desastres naturais

André M. Mileski

Os satélites são ferramentas hoje indispensáveis para uma vasta quantidade de atividades, para praticamente todos os segmentos econômicos. Seus três principais pilares - telecomunicações, sensoriamento remoto e navegação - são elementos fundamentais para outra aplicação, bastante nobre: a prevenção e gerenciamento de desastres naturais, possibilitando muitas vezes a redução de perdas humanas e dos prejuízos causados, assim como a coordenação e gerenciamento de formas mais efetivas e organizadas em situações de crise e na reconstrução.

No caso de satélites de observação terrestre, por exemplo, seus dados podem ser utilizados para a elaboração de mapas de risco e avaliação de enchentes, de mapas com avaliação de danos, monitoramento dos estragos durante a ocorrência do desastre, e também de atividades antrópicas, quase sempre associadas ao acontecimento e à sua gravidade.

Números divulgados em setembro pela comissão chinesa para a redução de desastres naturais comprovam a importância de satélites para essa finalidade. Desde que foram lançados, em 2008, seus dois pequenos satélites de observação forneceram às agências governamentais daquele país informações sobre desastres de três a seis vezes mais rápido que antes, quando não havia o sistema, com a abrangência do monitoramento aumentando em dez vezes. Seus dados contribuíram para esforços relacionados a 70 desastres naturais, sendo 15 no exterior.

O uso de sistemas de satélites com essas finalidades não é algo novo. Vários países e organizações lançam mão da tecnologia espacial com esses propósitos havendo, inclusive, sistemas e redes específicos. Um deles, aliás, envolve um vizinho do Brasil. Em julho de 2005, a Argentina e a Itália, por meio de seus organismos espaciais, a Agenzia Spaziale Italiana (ASI), e a Comision Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), estabeleceram um importante acordo para a realização do Sistema Ítalo-Argentino de Satélites para a Gestão de Emergências (SIASGE), considerado único no mundo, que envolverá a integração de duas constelações de satélites radares, a italiana COSMO-Sky-Med (quatro satélites), que operam em banda X, e a argentina SAOCOM (dois satélites), que utilizará a banda L.

Quando plenamente operacional, o SIASGE gerará informações sobre emergências naturais como incêndios, inundações, erupções vulcânicas ou terremotos. Os quatro satélites COSMO-Sky-Med, construídos pela Thales Alenia Space, já estão em órbita, enquanto que os dois SAOCOM estão em construção na Argentina e deverão ser lançados nos próximos anos. “O SIASGE é um projeto que envolve altíssima complexidade tecnológica e no qual a Itália investiu um bilhão de euros e a Argentina 500 milhões”, declarou há alguns anos Enrico Saggese, na época comissário extraordinário da ASI.

Outro sistema bastante conhecido é o DMC (Disaster Monitoring Constellation), liderado pelo Reino Unido e pela empresa SSTL, que completou dez anos de existência, em fevereiro deste ano. É formado por organizações e nações estrangeiras, cada qual possuindo um ou mais satélites de observação de pequeno porte, desenvolvidos e construídos pela própria SSTL. Seu objetivo é contribuir em campanhas humanitárias contra desastres naturais, como os tsunamis na Ásia (2004), o furacão Katrina, nos Estados Unidos (2005); as inundações no Reino Unido (2007); e o terremoto de Sichuan, na China (2008), dentre outros, fornecendo imagens óticas de alta resolução.

A companhia DMC International Imaging foi criada com o propósito de coordenar respostas aos desastres e distribuir as imagens e também para comercializar dados gerados pela constelação para clientes mundo afora, gerando recursos para custear as missões de caráter humanitário. Um dos clientes é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que adquire imagens da constelação para apuração dos níveis de desmatamento da região amazônica.

Os passos brasileiros

As não raras tragédias que acontecem no Brasil mostraram a necessidade de se dispor de sistemas eficientes para o seu gerenciamento. Em março de 2011, a região serrana do Estado do Rio de Janeiro foi devastada por inundações e deslizamentos de encostas causados pelas chuvas, vitimando centenas de pessoas, tragédia fundamental para a decisão do governo de criar um centro para a prevenção e monitoramento de desastres naturais.

No início de julho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou a criação do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), que será responsável por emitir alertas e por desenvolver e implementar sistemas de observação e monitoramento.

O núcleo inteligente do CEMADEN ficará no campus do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE), em Cachoeira Paulista (SP), próximo ao Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), e a expectativa é que pelos próximos quatro anos, sejam investidos R$ 250 milhões para a instalação completa do sistema de alerta, que contará com radares meteorológicos, equipamentos pluviométricos, hidrológicos e de geotecnia, entre outros.

Sobre o uso de dados de satélites, a reportagem de T&D conversou com Carlos Frederico Angelis, coordenador geral da área de operações e modelagem do CEMADEN. “Em um primeiro momento, usaremos dados do CPTEC/INPE, e também de satélites estrangeiros, disponibilizados pela NASA, NOAA e por organizações europeias”, informou Angelis. A intenção é que o CEMADEN tenha condições de produzir dados próprios, mas também agregue informações de outras fontes, como o Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (SISMADEN), do INPE.

O pesquisador também citou a série CBERS, construídos pelo Brasil em parceria com a China. Quando o primeiro satélite da segunda geração estiver em órbita, algo previsto para o final de 2012, seus dados também poderão servir aos propósitos do centro. “O CBERS também será muito importante para o CEMADEN, principalmente o sensor de alta resolução, para ações de prevenção e no pós-desastre”, afirmou.

Em médio prazo, o CEMADEN deverá contar com dados fornecidos pela rede GPM (Global Precipitation Measure), liderada pela estadunidense NASA e a JAXA, a agência espacial japonesa. O Brasil participará do projeto com a construção de um satélite que integrará a rede, a ser desenvolvido pelo INPE, em parceria com os Estados Unidos ou com a França. Com o GPM, o CEMADEN terá acesso a dados sobre precipitações praticamente em tempo real, com medidas de chuvas a cada três horas, facilitando previsões de deslizamentos, ocasionados pelo acúmulo de água no solo.

Imagens e serviços

A preocupação brasileira em dispor de um sistema para gerenciamento de desastres deve também abrir oportunidades para fornecedores privados de imagens e serviços de satélites. Já estabelecidas localmente, a Telespazio Brasil, controlada pelo grupo italiano Finmeccanica, e a Astrium GEO-Information Services, do conglomerado EADS, estão atentas às necessidades e se propõem a colaborar com o governo para o desenvolvimento e operação do CEMADEN, fornecendo serviços e produtos baseados em imagens de satélites, comunicações de dados, e também softwares e outros sistemas.

“Enxergamos muitas oportunidades para o fornecimento de nossos produtos e serviços para auxiliar as autoridades nesse tipo de gerenciamento”, afirmou Pierre Duquesne, diretor da Astrium GEO-Information Services no Brasil.

No portfólio da empresa, encontram-se produtos que fornecem modelos de elevação digital, por meio do qual é possível realizar uma cartografia de áreas de risco, no intuito de prever riscos geofísicos e meteorológicos, e softwares que facilitam o acesso aos dados gerados. Recentemente, a empresa lançou no País os produtos da série GEO Elevation, que podem ser usados para mapeamentos de deslizamentos de encostas, áreas de inundação, análises de terreno e visualização em 3D, dentre outras aplicações.

Duquesne também aponta a importância de se gerar cartografias emergenciais de áreas afetadas por um desastre. “Uma vez ocorrida a catástrofe, também é importante ter flexibilidade para a geração de uma cartografia emergencial de determinada área para que as autoridades de segurança pública possam ter um mapa de como a região ficou após aquele fenômeno, sabendo por exemplo quais rotas foram obstruídas. Para isso, conseguimos programar nossos satélites para obter imagens constantes das áreas afetadas”, disse.

Na Europa, a Astrium GEO-Information Services lidera o projeto SAFER, que reúne dezenas de entidades públicas de proteção civil, além de um consórcio de empresas privadas. O SAFER tem por objetivo implementar ações pré-operacionais à ocorrência de uma catástrofe, fornecendo imagens geradas por satélites, como os da série Spot, o Formosat, e os radares TerraSAR-X e TANDEM-X. O sistema foi usado em alguns desastres recentes, não apenas na Europa, como num grande incêndio florestal em Israel (dezembro de 2010), no vazamento de lama tóxica na Hungria (outubro de 2010), e nas enchentes no Paquistão (julho e agosto de 2010).

Já a Telespazio Brasil, subsidiária local da maior empresa de serviços de satélites da Europa, tem promovido no País a constelação de satélites radares COSMO Sky-Med, que tem atraído significativo interesse de autoridades e empresas nacionais. No gerenciamento de desastres, a vantagem dos satélites radares é a sua capacidade de imagear a superfície mesmo com a cobertura de nuvens, muito comuns em regiões afetadas em determinadas catástrofes, como inundações e deslizamentos.

“As imagens oriundas da constelação de satélites COSMO Sky-Med poderão ser componentes fundamentais ao SISMADEN, uma vez que é o único sistema satelital de observação da Terra capaz de garantir a coleta de imagens diariamente em alta resolução, sob qualquer condição atmosférica. É importante destacar que através das imagens COSMO Sky-Med será possível mapear as áreas afetadas, como inundações e deslizamentos durante o evento das chuvas, o que permitiria ao SISMADEN uma maior agilidade no alerta e suporte na evacuação da população em áreas sob risco”, disse Marzio Laurenti, presidente da Telespazio Brasil.

Em situações de crise, tempo é sempre um ponto chave, e no caso do COSMO Sky-Med, após a coleta das imagens, estas podem estar disponíveis ao usuário final em até 30 minutos, dependendo do caso. Exemplo do tempo de resposta da constelação italiana aconteceu no acidente com o A330, da Air France, na madrugada de 31 de maio a 1º de junho de 2009. Por volta das 13h00 de 1º de junho, a Força Aérea Brasileira solicitou o suporte do sistema COSMO Sky-Med nos esforços de busca. No dia seguinte, às 03h15, cinco imagens com 30 metros de resolução e 100 km X 100 km da área solicitada foram adquiridas, tendo sido disponibilizadas às autoridades às 05h20 do mesmo dia.

Além de imagens de satélite, a Telespazio também tem promovido a solução INAV, que integra tecnologia satelital de sensoriamento remoto, telecomunicações e navegação, e permite o gerenciamento de forma muito mais avançada de uma equipe deslocada numa área atingida por uma crise, como uma inundação ou um terremoto.

A equipe em campo é dotada de dispositivos móveis conectados via satélite e rede celular. Mesmo em momentos críticos os socorristas serão capazes de trocar informações com o centro de operações, incluindo imagens e fotos da área afetada. Por meio do INAV, a posição em campo de cada membro é conhecida a qualquer momento, seja pelo centro de operações, seja por outros integrantes da equipe. O sistema permite ainda o compartilhamento dos mapas da região atingida, com a identificação dinâmica de zonas de risco, informações logísticas, e a atualização, que pode ser feita através das imagens adquiridas pelo COSMO Sky-Med.

“Com o INAV, decisões críticas podem ser tomadas baseadas em informações verídicas em tempo real. Acreditamos que esta solução é bastante útil para a Defesa Civil e quaisquer órgãos relacionados a gerenciamentos de desastres naturais ou causados pelo homem. Até o final do ano, a solução estará disponível operacionalmente no Brasil”, revelou Laurenti.

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 126, outubro de 2011.
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Revista "Espaço Brasileiro" nº 12 no ar

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A Agência Espacial Brasileira (AEB) disponibilizou em seu website a 12ª edição da revista institucional "Espaço Brasileiro", referente ao trimestre de julho a agosto de 2011.

O número tem como matéria de capa uma reportagem sobre lixo espacial, além de entrevista com Fernando Mendonça, o primeiro diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a passagem do satélite argentino SAC-D/Aquarius no Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, cooperação entre o Brasil e a Alemanha no campo espacial, sensores óticos do CBERS, e outros.

Para acessar a revista, disponível em arquivo PDF, clique aqui.
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sábado, 12 de novembro de 2011

Cooperação Brasil - Índia

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Os governos do Brasil e da Índia estão negociando o uso de satélites deste último para monitorar a floresta amazônica, segundo reportagem da Associated Press. A informação veio de funcionários do governo brasileiro, que afirmaram que o uso de satélites indianos permitiria o imageamento de áreas de desmatamento mais rapidamente.

O satélite a ser usado seria da série Resourcesat, dotado de sensores óticos. De acordo com Luis Maurano, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as negociações com a ìndia são complicadas, mas há confiança de um acordo possa ser alcançado.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Gabão terá acesso a dados do CBERS

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Assinado acordo para recepção de dados CBERS no Gabão

Quarta-feira, 09 de Novembro de 2011

O Gabão receberá os dados do satélite CBERS-3, que será lançado pelo Brasil e China em 2012, conforme o acordo firmado entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Centro Chinês para Dados e Aplicações de Satélites de Recursos Terrestres (CRESDA) e a Agência Gabonesa de Estudos e Observação Espacial (AGEOS) nesta terça-feira (8/11).

O objetivo do INPE é ter uma rede de estações que cubra toda a África, permitindo que os países desse continente tenham acesso gratuito a dados de satélites. No Gabão, já está sendo construída uma estação em Libreville. Do mesmo modo, estão sendo instaladas estações no Egito e no Quênia, enquanto na África do Sul e nas Ilhas Canárias a infraestrutura para o recebimento das imagens CBERS já está completa.

Com o CBERS, Brasil e China proporcionam a países em desenvolvimento os benefícios do uso de dados orbitais. As informações geradas por satélites são imprescindíveis ao monitoramento de florestas, conservação da biodiversidade, previsão e gestão de desastres naturais, mapeamento de áreas agrícolas e do crescimento urbano, entre outras aplicações.

O diretor do INPE, Gilberto Câmara, o diretor da CRESDA, Xu Wen, e o presidente da Agência Espacial Nacional da África do Sul (SANSA), Sandile Malinga, ratificaram o acordo tripartite durante a reunião anual do Comitê de Satélites de Observação da Terra (CEOS) realizada em Lucca, Itália, entre 7 e 9 de novembro.

Democratização

Reunindo agências espaciais e organizações nacionais e internacionais, o CEOS (Committee on Earth Observation Satellites) é responsável pela coordenação global de programas espaciais civis e pelo intercâmbio de dados de satélites de observação da Terra.

Em fóruns internacionais como o CEOS, o INPE apresenta ações em prol do compartilhamento de dados para o desenvolvimento sustentável e do treinamento e infraestrutura visando a democratização dos dados espaciais.

Em 2004, por meio do INPE, o Brasil foi o primeiro país do mundo a adotar uma política de acesso livre ao permitir a distribuição gratuita pela internet dos dados do satélite sino-brasileiro CBERS.

Atualmente, o fácil acesso a informações que contribuam para o melhor entendimento das mudanças ambientais globais é preocupação do mundo todo, devido à necessidade de disponibilizar e compartilhar informações para monitoramento de níveis de carbono, perda de biodiversidade, desmatamento, recursos hídricos, temperaturas do oceano e outros indicadores críticos para a saúde do planeta e bem-estar da humanidade.

Fonte: INPE
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

INPE: acordo para uso de imagens em catástrofes

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INPE formaliza acordo para uso de imagens de satélites em catástrofes

Terça-feira, 08 de Novembro de 2011

Nesta terça-feira (8/11), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) formalizou seu ingresso no International Charter “Space and Major Disasters”, um consórcio de instituições e agências espaciais que fornece dados de satélites para gestão de desastres naturais em todo o mundo.

Antes mesmo de tornar-se membro oficial, em janeiro deste ano o INPE acionou o Internacional Charter logo após as chuvas e deslizamentos que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro. As imagens obtidas na ocasião contribuíram no gerenciamento de ações da Defesa Civil.

O acordo entre INPE e agências espaciais europeia e francesa (ESA e CNES, nas siglas em inglês), fundadoras do International Charter “Space and Major Disasters”, foi assinado durante a plenária anual do Comitê de Satélites de Observação da Terra (CEOS) realizada em Lucca, Itália, de 7 a 9 de novembro.

"Ao aderir ao Charter, o INPE está mais preparado a ajudar a sociedade brasileira e internacional em caso de grandes catástrofes", declarou Gilberto Câmara, diretor do INPE.

Mapas produzidos a partir de dados de satélites do International Charter foram usados para orientar ações de resgate e avaliar conseqüências do terremoto e tsunami no Japão, no início deste ano, e do terremoto no Haiti, em 2010, entre outros desastres.

Desde 2000, quando foi criado, o International Charter “Space and Major Disasters” beneficiou aproximadamente uma centena de países, em cerca de 300 episódios como terremotos, furacões, ciclones, inundações e incêndios, entre outros. Em 2010, foi aprovado o ingresso do Brasil no International Charter, ato agora formalizado. A partir do lançamento do CBERS 3, em 2012, o Brasil poderá ser também um ativo fornecedor de dados de satélites em ocasiões de calamidade.

Mais informações no site http://www.disasterscharter.org

Fonte: INPE
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domingo, 6 de novembro de 2011

O momento da Alcântara Cyclone Space - Parte II

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Após passar por um período bastante turbulento no início do ano, com palavras e medidas consideradas duras do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aloizio Mercadante, e do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp (vejam "O momento da Alcântara Cyclone Space", de julho de 2011), além da substituição do então diretor da binacional, Roberto Amaral, a joint-venture ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS) parece ter um encontrado, ao menos por enquanto, um momento de tranquilidade.

No início de julho, uma comitiva da AEB liderada por Marco Antonio Raupp esteve na Ucrânia com o propósito, segundo divulgado à época, de "auditar" o andamento do projeto pelo lado ucraniano. Após a viagem, nenhum comunicado oficial com as constatações do governo brasileiro foi divulgado. Publicamente, poucos entenderam a mudança da posição de Raupp, antes crítica ao programa binacional, e agora simpática à iniciativa. Os comentários que chegaram ao Blog Panorama Espacial vindo de pessoas familiarizadas com o tema é que, oficiosamente, a posição prevalecente entre os dirigentes seria de que o projeto já estaria bem avançado pelo lado ucraniano, o que não justificaria o seu abandono.

Outro elemento que favoreceu os ucranianos foi a decisão de Kiev em liberar recursos para a binacional (180 ou 250 milhões de dólares, dependendo da origem da informação). Em São José dos Campos (SP), há algumas semanas, o blog ouviu uma piada que sintetiza bem essa questão: "o Brasil deu um xeque, e os ucranianos vieram com o cheque."

Em sua visita ao Brasil no mês passado, Viktor Yanukovych, presidente da Ucrânia, afirmou a jornalistas de seu país que "o projeto Cyclone 4 está dentro do cronograma". "Até esta data, nós estamos de acordo com o cronograma preparado no último ano", completou. destacando ainda que os atrasos dos últimos anos foram decorrentes de questões financeiras.

Alguns observadores viram a recente indicação do brigadeiro da reserva Reginaldo dos Santos, summa cum laude no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e ex-reitor da instituição para a direção-geral da ACS como uma tentativa de aproximação do projeto com o Comando da Aeronáutica, algo que o blog ainda tem dúvidas. As opiniões do MCTI e do Comando da Aeronáutica em relação à ACS nunca convergiram. A visão pravelecente dos principais setores do Programa Espacial Brasileiro é que a binacional disputa recursos com outros projetos (satélites, lançadores) - e tem alcançado relativo sucesso, mas sem retornos palpáveis do ponto de vista de desenvolvimento e capacitação tecnológica.

Apesar das boas notícias e da relativa tranquilidade institucional, a ACS ainda terá que enfrentar questões bastante delicadas. Em setembro, num dos workshops que a Associação Aeroespacial Brasileira (AAB) tem promovido este ano sobre o Programa Espacial Brasileiro, o acordo espacial com a Ucrânia foi um dos temas discutidos. A lista abaixo, não exaustiva, relaciona alguns tópicos críticos para o projeto binacional apresentados e discutidos pelos presentes:

- Não está prevista a transferência de tecnologia; há questões de salvaguarda do MTCR [Missile Technology Control Regime];
- O plano de negócios foi feito há cerca de 10 anos; havia a previsão de lançar satélites de reposição do sistema Iridium;
- Pequena participação da indústria nacional, por enquanto;
- O Cyclone 4 está de 60 a 70% qualificado; necessário integrar o cronograma do veículo com o da infraestrutura;
- Não há ainda previsão de pessoal para operar a base; a ACS Ucrânia contava com pessoal do Comando da Aeronáutica para isto, o que parece ter sido um mal-entendido;
- O propelente para o Cyclone 4 será adquirido no mercado mundial. O primeiro fornecimento foi obtido da China;
- A ACS vai gerar muito mais recursos para a Ucrânia, em termos de fabricação do foguete. Esse desbalanceamento existe. O Brasil ganha sua viabilização como país lançador, dependente de apenas um país e não de vários;
- Existe bloqueio dos EUA aos lançamentos de satélites americanos em solo brasileiro. O Itamaraty iniciou gestões para obter essa permissão.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cooperação Brasil - Gabão

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Encontro no Gabão discute acesso a dados espaciais

Sexta-feira, 04 de Novembro de 2011

Para discutir a infraestrutura que permitirá a países africanos receber gratuitamente imagens de satélites, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto Câmara, reúne-se com dirigentes da recém-criada agência espacial do Gabão nos dias 4 e 5 de novembro, em Libreville. Está previsto encontro com o presidente do Gabão, Ali Bongo.

Também participam das reuniões no Gabão o gerente do Programa de Sistemas de Solo, José Teixeira da Matta Bacellar, e o chefe do Centro Regional da Amazônia do INPE, Cláudio Almeida. Além das imagens, o INPE oferece a países africanos detentores de florestas toda a sua tecnologia para o processamento de dados e a experiência acumulada em mais de 20 anos de monitoramento na Amazônia.

A iniciativa do INPE de implantar na África estações para recepção dos satélites CBERS-3, CBERS-4 e Amazônia-1 e, ainda mais importante, por meio de uma política de livre distribuição dos dados, garantirá a países em desenvolvimento o acesso gratuito à tecnologia imprescindível ao monitoramento de florestas e de desastres naturais. As informações espaciais também servem ao mapeamento de áreas agrícolas e para avaliar o crescimento de áreas urbanas, entre outras aplicações.

O CBERS-3 será lançado no segundo semestre de 2012, enquanto os satélites Amazônia-1 e CBERS-4 estão previstos para 2013 e 2014, respectivamente. Além do Gabão, estão sendo instaladas estações para recepção de dados de satélites no Egito e no Quênia, para complementar as estações já instaladas nas Ilhas Canárias e na África do Sul.

“Estamos certos que para a África a distribuição aberta dos dados tem muito mais impacto e traz mais benefícios do que o uso de satélites construídos sob uma política de distribuição comercial”, diz Gilberto Câmara.

A democratização dos dados espaciais é uma das bandeiras levantadas pelo Brasil, por meio do INPE, nos fóruns internacionais. Do Gabão, o diretor do INPE irá para a Itália participar de reunião do CEOS (Comitê de Satélites de Observação da Terra, na sigla em inglês) nos dias 8 e 9 de novembro, oportunidade em que serão discutidos temas como capacitação e políticas de acesso livre a informações espaciais.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

SGB: Embraer e Telebrás assinam memorando

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Embraer-Telebrás Memorando de Entendimento

Embraer S.A. ("Embraer") e Telecomunicações Brasileiras S.A. – TELEBRÁS ("Telebrás") informam que concordaram em celebrar um memorando de entendimento visando a constituição de sociedade, na qual a Embraer terá participação de 51% e a Telebrás de 49%, para atuar no atendimento das necessidades do Governo Federal relativas ao plano de desenvolvimento satelital para o Brasil, incluindo o Programa Nacional de Banda Larga e comunicações estratégicas de defesa e governamentais.

A Embraer e a Telebras informarão o mercado sobre a evolução dos eventos relevantes relacionados ao assunto em questão.

Fonte: Embraer
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Operação Uirapuru: ensaio do propulsor S43TM

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O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) realiza amanhã (03), em São José dos Campos (SP) um experimento importante para o Programa Espacial Brasileiro: o ensaio de queima em banco de provas do propulsor S43TM, que foi desenvolvido para compor o segundo estágio do Veículo Lançador de Satélites - VLS-1.

O ensaio, denominado Operação “UIRAPURU”, será realizado para avaliar as modificações realizadas na proteção térmica flexível do domo dianteiro do propulsor S43TM (Tubeira Móvel), e será um procedimento importante para o desenvolvimento do VLS. Dentre os convidados, destaques para o ministro da Defesa, Celso Amorim, e o Comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro Juniti Saito.

O ensaio tem os seguintes objetivos: (i) determinar o impulso específico, o empuxo e a velocidade de queima do propelente; (ii) determinar o desgaste das proteções térmicas; (iii) avaliar a temperatura das principais partes metálicas do propulsor; (iv) avaliar o desempenho da tubeira móvel; e (v) adquirir dados pelo sistema de medição por telemetria embarcado em voo, de modo a permitir a comparação com os dados medidos pelo sistema de medição em solo. Ao todo, serão medidos 75 parâmetros físicos.

Fonte: IAE/DCTA, com edição do Blog Panorama Espacial.
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Venezuela: VRSS-1 será lançado em 2012

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O VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite), primeiro satélite venezuelano de observação terrestre, será colocado em órbita entre setembro e outubro de 2012, informou o ministro de Ciências, Tecnologia e Indústrias do país sul-americano, Ricardo Menéndez, em reportagem reproduzida pelo website Infoespacial.

O ministro também informou que nos próximos dias, um grupo de 52 especialistas da Agencia Bolivariana de Actividades Espaciales (ABAE) embarcará para a China para discutir o projeto, a cargo da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), conforme contrato assinado em junho desse ano. Destacou ainda o projeto do governo pra a construção de uma fábrica de satélites na região de Borburata, no estado de Carabobo.

Três anos de Venesat-1

No final de outubro, o Venesat-1, primeiro satélite venezuelano, também construído pela China, completou três anos em órbita. Desde então, segundo dados de Caracas, o satélite proporcionou acesso a internet para mais de três milhões de pessoas, provendo também funções para a defesa nacional, conectando entre si 127 postos fronteiriços de controle e 14 radares da força aérea da Venezuela.
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