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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alcântara:cooperação com EUA ou Rússia?

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Rússia e EUA competem por parceria espacial com Brasil

Da REUTERS

Brasília/São Paulo - Os Estados Unidos e a Rússia estão disputando um papel estratégico no plano brasileiro de lançar satélites comerciais de sua base de Alcântara, no Maranhão, abrindo uma nova frente de rivalidade entre os dois países na busca de aliados e influência.

O governo espera escolher nos próximos meses um parceiro para ajudar a fornecer tecnologia, disseram à Reuters três fontes com conhecimento das negociações.

Ao longo da última década, o Brasil estabeleceu uma parceria com a Ucrânia para desenvolver um veículo de lançamento em Alcântara, mas encerrou o programa em fevereiro, dizendo que os problemas financeiros da Ucrânia a impossibilitam de fornecer foguetes, tal como prometido.

A presidente Dilma Rousseff irá selecionar um novo parceiro baseada em uma variedade de fatores, incluindo as relações diplomáticas do Brasil e a qualidade da tecnologia em oferta, disseram fontes a par do tema.

Uma parceria para satélites não estará na agenda quando Dilma visitar a Casa Branca em 30 de junho, informaram autoridades dos dois países.

Mas o teor da visita, que marca a reaproximação entre Brasil e EUA dois anos após uma crise nas relações decorrente dos programas de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) norte-americana, pode influenciar a decisão brasileira, disse uma fonte.

“Se tudo correr bem, os norte-americanos estarão bem posicionados para conquistá-lo”, declarou a fonte, uma ex-autoridade brasileira que participou de reuniões sobre a questão dos satélites.

A localização de Alcântara é especialmente atraente para parceiros em potencial. Satélites que orbitam o Equador não têm que viajar muito para se posicionarem, o que reduz o gasto com combustível em até um quinto em comparação com outras localidades.

A empresa europeia de transporte espacial Arianespace, que detém metade do mercado mundial de lançamento de satélites em órbita geoestacionária, usa uma plataforma de lançamento em Kourou, na vizinha Guiana Francesa.

Não está claro exatamente que forma a próxima parceria do Brasil irá tomar. Pelo acordo anterior, a Ucrânia entrava com a tecnologia para construir os foguetes Cyclone-4 conjuntamente com o Brasil, que era responsável por fornecer as instalações de lançamento.

Frustradas com décadas de atrasos e contratempos, as autoridades brasileiras disseram que podem repensar totalmente os termos de sua próxima parceria.

“Nós tínhamos feito a opção da Ucrânia. Esse programa se mostrou inconsistente”, declarou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, à Reuters. Ele disse que o Brasil conversaria “com qualquer país”, incluindo os Estados Unidos, para levar um satélite brasileiro ao espaço.

SALVAGUARDAS

O histórico traumático de Alcântara inclui um acidente em 2003, quando uma explosão e um incêndio destruíram um foguete de fabricação nacional e mataram 21 pessoas. O desastre pôs fim aos planos do Brasil de construir seus próprios foguetes e o levou a procurar a Ucrânia.

Uma série de países trabalhou com o Brasil em questões espaciais. Nas duas últimas décadas, a China empregou seus foguetes e sua plataforma de lançamento para conduzir aos céus cinco pequenos satélites que o Brasil usa para monitorar a agricultura, o meio ambiente e a Floresta Amazônica.

Em 2014, na esteira do escândalo de espionagem da NSA, desencadeado pelos documentos vazados pelo ex-prestador de serviços Edward Snowden, o Brasil escolheu a empresa aeroespacial francesa Thales ao invés de uma rival norte-americana para construir um satélite geoestacionário que será lançado pela Arianespace da Guiana Francesa em 2016.

O Brasil ainda precisa de um parceiro de peso para alcançar seu objetivo de lançar um satélite de Alcântara. A tecnologia para o satélite e o foguete que espera obter nessa parceria daria ímpeto à sua indústria aeroespacial.

Se o Brasil escolher os EUA, a Boeing será beneficiada, já que, além de aeronaves, fabrica foguetes e satélites e tem laços com a principal empresa aeroespacial brasileira, a Embraer, terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais.

O diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, declarou à Reuters que a Rússia está interessada em cooperar com o Brasil e que está “na vanguarda” da tecnologia espacial.

Ele afirmou que os EUA, maior fonte mundial de peças de satélite, também são uma possibilidade, embora tenha reconhecido haver “dificuldades especiais que precisamos superar”.

Uma delas é fato recente. Em 2000, Washington assinou um contrato com o Brasil que teria permitido o lançamento de satélites norte-americanos com foguetes norte-americanos de Alcântara.

Mas o acordo era polêmico por causa da exigência dos EUA de controlar o acesso a partes da base. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o descartou pouco depois de assumir seu primeiro mandato em 2003.

Washington já não faz tal exigência, embora ainda queira que o Brasil assine um assim chamado acordo de salvaguarda tecnológica para garantir que qualquer tecnologia espacial compartilhada com os brasileiros não vá parar em outros países.

Muitos membros do Congresso estão receosos de aprovar o acordo, e militares temem que a colaboração do Brasil com a China o impeça de algum dia obter acesso à tecnologia de satélite norte-americana de ponta, dada a desconfiança que Washington tem de Pequim.

Em novembro passado, o governo dos EUA aliviou suas regras de exportação para equipamentos de defesa, transferindo muitos componentes espaciais classificados automaticamente como munições pelo Departamento de Estado para a esfera do Departamento de Comércio, mais flexível com as exportações.

Autoridades norte-americanas dizem que 70 por cento do que se precisa para construir um satélite agora pode ser comprado dos Estados Unidos.

“Eles têm intenção de flexibilizar. Agora que mudou toda a conjuntura, a gente percebe que eles estão mais abertos, buscando a aproximação, e querendo voltar a ocupar o espaço que perderam para outros países”, acrescentou o coronel reformado Armando Lemos, atual diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), grupo de lobby da indústria de defesa.

O administrador da agência espacial dos EUA (Nasa, na sigla em inglês), Charles Bolden, visitou o Brasil no início deste ano. Quando o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, esteve em Washington no mês passado, almoçou com o chefe interino da Nasa no Museu Espacial do Instituto Smithsonian.

Rebelo disse à Reuters que as negociações com os EUA sobre os satélites estão “em andamento”, mas não quis dar maiores detalhes.

Fonte: Reuters, via portal Exame.

Comentário do blog: embora apresente informações interessantes, a reportagem da Reuters faz uma confusão dos esforços para a exploração comercial de Alcântara (que não necessariamente envolvem desenvolvimento ou transferência tecnológica) e ações do governo brasileiro para o desenvolvimento de tecnologia de lançadores. Interessante também notar a omissão no texto sobre a possibilidade de colaboração com a Europa - a Alemanha já coopera com o Brasil no desenvolvimento do Veiculo Lançador de Microssatélites (VLM-1), e empresas europeias como a Airbus Defence and Space já demonstraram interesse em ampliar a cooperação em lançadores.
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quinta-feira, 11 de junho de 2015

"Cátedras universitárias, a nova moda no setor"

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Cátedras universitárias, a nova moda no setor

André M. Mileski

Há alguns anos, era praticamente regra para empresas estrangeiras dos setores aeroespacial e de defesa com negócios ou interesses no País participar do programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal.

As empresas, objetivando demonstrar comprometimento com o Brasil e, assim, posicionarem-se mais favoravelmente para futuros negócios, financiavam e ofereciam bolsas de estudos e estágios a estudantes de graduação e pós-graduação. A Boeing, a Airbus (então EADS), a Saab e a Dassault Aviation foram algumas que adotarem este expediente.

A estratégia evoluiu nos últimos tempos e passou a incluir esforços junto a universidades brasileiras, como o estabelecimento de cátedras com professores estrangeiros, financiamento de bolsas de estudos e de projetos de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Desde o início do ano, ao menos quatro companhias anunciaram acordos de cooperação com universidades locais.

Em fevereiro, a fabricante de helicópteros norte-americana Sikorsky,  fornecedora das três forças armadas, firmou com o tradicional Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP), um instrumento visando oferecer aos seus estudantes disciplinas relacionadas a aeronaves de asas rotativas. O acordo abrange a oferta de bolsas de estudos e a criação de um laboratório de voo sem movimento e outros equipamentos, além do envio de instrutores dos EUA para apoio às aulas e pesquisas.

Com um enfoque mais espacial, a franco-italiana Thales Alenia Space e a brasileira Omnisys inauguraram em março o Centro Tecnológico Espacial, que tem como um de seus propósitos o apoio a universidades para o desenvolvimento de um Mestrado em Engenharia em Sistemas Espaciais. Na época, as empresas divulgaram o estabelecimento de uma cadeira universitária voltada a satélites, além de ter coordenado e financiado várias teses de doutorado e estudos conjuntos.

Em junho, a Thales, que tem ampliado suas atividades no Brasil, deu mais um passo em sua estratégia ao patrocinar um programa de cooperação acadêmica entre França e Brasil envolvendo o Instituto Mauá de Tecnologia, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a instituição de ensino superior francesa Ecole Nationale Supérieure des Mines de Saint-Etienne, e a Omnisys, subsidiária da Thales. Denominado SEAC – Sistemas Eletrônicos Embarcados para Aplicações Críticas, o programa terá duração de um ano e consiste no intercâmbio de estudantes brasileiros e franceses, além da oferta de estágios na Omnisys ou em outras unidades da Thales na Europa.

Outra empresa que ampliou seus esforços “universitários “foi a sueca Saab, selecionada para fornecer caças à Força Aérea Brasileira. Um convênio de transferência tecnológica foi celebrado por Marcus Wallenberg, presidente do Conselho de Administração do grupo, em reunião com a presidenta Dilma Rousseff no final de março. As ações do programa incluem o estabelecimento, a partir de 2015, de um grupo de professores suecos no ITA, que oferecerão um curso de pós-doutorado em Engenharia Aeronáutica financiado pela empresa e pelo governo sueco.
  
No final de abril, foi a vez da europeia Airbus anunciar a criação da “Cátedra Franco-Brasileira” na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O programa visa promover P&D industrial na área de materiais compósitos para a fabricação de aeronaves e helicópteros.

Apesar destas ações terem um grande componente de marketing, seus benefícios para a formação de mão de obra especializada são inegáveis. É algo ainda mais verdadeiro para o Programa Espacial Brasileiro, que tem hoje como uma de suas principais ameaças a não reposição num ritmo minimamente adequado dos profissionais de instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

EUA: o futuro de suas missões tripuladas

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Boeing CST-100 será a próxima espaçonave americana

NASA concede US$ 4,2 bilhões à Boeing para a próxima fase do Programa de Tripulação Comercial

HOUSTON, 17 de setembro de 2014 – A Boeing receberá US$ 4,2 bilhões da NASA para construir a próxima nave espacial para passageiros dos Estados Unidos.

A espaçonave Crew Space Transportation (CST-100) da Boeing está sendo desenvolvida como parte do Programa de Tripulação Comercial (CCP, na sigla em inglês) da NASA, que tem como objetivo retomar os voos espaciais nos Estados Unidos até 2017. A CST-100 transportará até sete passageiros ou uma combinação de tripulantes e carga até a Estação Espacial Internacional (ISS) e outros destinos na órbita baixa da Terra.

“A Boeing tem participado de todos os programas de voos espaciais tripulados dos Estados Unidos e é uma honra que a NASA tenha nos escolhido para dar continuidade a esse legado”, diz John Elbon, vice-presidente e diretor geral da divisão de Exploração Espacial da Boeing. “A CST-100 oferece à NASA a solução mais econômica, segura e inovadora para o acesso à órbita baixa da Terra a partir dos Estados Unidos”, completa o executivo.

Na fase de Transporte de Tripulação Comercial (CCtCap) do programa, a Boeing construirá três espaçonaves CST-100 na Instalação de Processamento de Tripulação Comercial da empresa, localizada no Centro Espacial Kennedy, Flórida. A nave espacial passará por um teste de lançamento abortado em 2016 e fará um voo não tripulado no início de 2017, preparando-se para o primeiro voo tripulado para a ISS em meados de 2017.

A Boeing finalizou recentemente a Revisão Crítica de Projeto (CDR) e a Fase 2 da Revisão de Segurança de Espaçonave da Crew Space Transportation (CST)-100, o que a torna a única competidora do programa de Tripulação Comercial da NASA a passar no CDR e, também, a concluir todas as etapas do CCiCap no prazo e dentro do orçamento estipulado.

“O objetivo de uma CDR é garantir que todas as peças e subsistemas estão trabalhando juntos”, explica John Mulholland, gerente do programa de Tripulação Comercial da Boeing. “A integração desses sistemas é fundamental e estamos ansiosos para colocar a CST-100 em operação”.

Para mais informações sobre a CST-100, consulte Boeing.com/cst100.

Fonte: Boeing Brasil.

Nota do blog: além da Boeing, a NASA também selecionou o projeto da SpaceX, no valor de 2,6 bilhões de dólares, baseado numa versão aprimorada da espaçonave Dragon atualmente utilizada para o transporte de cargas para a ISS. Denominada Dragon V2, a cápsula será lançada pelo foguete Falcon 9 v.1.1, com estreia também prevista para 2017. 
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domingo, 8 de junho de 2014

Thales Alenia Space e o mercado de comunicações

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Em 5 de junho, a companhia europeia Thales Alenia Space (TAS) anunciou ter firmado um contrato para a construção de um poderoso satélite geoestacionário de comunicações, o Europasat / Hellas-Sat 3, uma missão conjunta para as operadores Inmarsat e Hellas-Sat.

Após alguns anos difíceis para a TAS, que praticamente saiu do segmento comercial de missões geoestacionárias, perdendo terreno para as americanas SSL, Boeing e a europeia Airbus Defence and Space (antiga Astrium), 2014 se mostra um momento de recuperação. Além do Europasat, em maio a companhia franco-italiana fechou um negócio para a construção de dois satélites geoestacionários de médio porte para a operadora coreana KT Sat, previstos para serem lançados ao espaço em 2017. E tem adotado uma estratégia para buscar novos negócios no segmento comercial. No final de maio, a TAS e a francesa Snecma, do grupo Safran, firmaram um acordo para o desenvolvimento de uma plataforma Spacebus de nova geração dotada de propulsão totalmente elétrica, a tecnologia do "momento' em matéria de satélites geoestacionários.

No segmento governamental e de comunicações militares, a conquista mais recente da TAS foi no Brasil, com o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), contratado pela Visiona Tecnologia Espacial em dezembro do ano passado.

Thales Alenia Space no Brasil

Além do SGDC, a TAS está atenta a outras oportunidades no País, como o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa, o satélite meteorológico (ver reportagem na edição n.º 137 de Tecnologia & Defesa, que logo chegará às bancas), entre outras.

Joel Chenet, um executivo sênior com reporte direto ao presidente mundial da TAS, Jean-Louis Galle, tem liderado as ações da joint-venture no País.

O grupo francês Thales, que detém 67% da TAS (os demais 33% são detidos pelo grupo italiano Finmeccanica), tem forte presença local no Brasil, inclusive industrial, como a Omnisys, de São Bernardo do Campo (SP), que inclusive atua em alguns projetos do Programa Espacial Brasileiro (programa CBERS e satélite Amazônia-1, além de radares de rastreio dos centros de lançamento brasileiros). Em breve, a Thales deverá anunciar a abertura de uma unidade no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), onde já estão a Boeing e a Airbus.
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sábado, 15 de março de 2014

Notas sobre a Satellite 2014

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Na semana passada, aconteceu em Washington, capital dos Estados Unidos, mais uma edição da conferência Satellite, considerada um dos principais eventos anuais da indústria de satélites de comunicações. O blog Panorama Espacial esteve presente e apresenta abaixo algumas notas sobre o que aconteceu de mais importante.

Ausência de grandes anúncios

A edição de 2014 do evento não veio acompanhada de grandes anúncios de encomendas de satélites ou contratos de lançamento, como em edições passadas. Executivos consultados pelo blog afirmaram, no entanto, que o mercado continua muito aquecido, com várias consultas e pedidos de propostas em andamento.

Satélites de propulsão elétrica

Nos painéis de discussões sobre tecnologias de satélites, o tom foi o de inovação, girando em torno da propulsão elétrica. O assunto, de fato, não é novo. Em março de 2012, a Boeing causou um frenesi no mercado ao anunciar a venda de quatro modelos com propulsão inteiramente elétrica para operadores no México (Satmex, hoje parte do grupo Eutelsat) e na Ásia (ABS). A própria tecnologia, aliás, não é nova, mas não é usual em satélites comerciais em razão do longo tempo, na casa dos meses, exigido para que o artefato chegue a sua órbita planejada e comece a operar. Sua vantagem está no reduzido peso, não havendo necessidade de combustível químico a bordo (geralmente, cerca da metade da massa total é de combustível). E o efeito prático disto é, principalmente, economia nos fretes de lançamento. A desvantagem, como já colocado, é o tempo exigido para se chegar à posição final. No caso do modelo da Boeing, são estimados de 6 a 8 meses, tempo que se reflete na ausência de receitas da operadora com a venda de capacidade.

Na prática, hoje existem três possibilidades: propulsão química, a mais comum; a elétrica; e a híbrida. Esta última, um meio termo, proporcionaria a chegada em órbita mais rapidamente, em dias, utilizando-se propulsão química, enquanto que o sistema elétrico serviria para ajustes orbitais ao longo da vida operacional do satélite. No final de janeiro, John Celli, presidente da Space Systems/Loral, afirmou ao blog que via boas perspectivas para soluções híbridas.

Mas, passados dois anos do surgimento do primeiro produto comercial, não surgiram novas encomendas. A Boeing, porém, afirmou que vendeu três unidades para um cliente governamental confidencial dos EUA, e um novo contrato comercial estaria prestes a ser assinado, em semanas. Eric Béranger, da Airbus Defence and Space (antiga Astrium), revelou que dos pedidos de propostas em elaboração por sua companhia, cerca de 20% envolvem opções de propulsão elétrica, dando um indicativo de dimensão do mercado para a tecnologia.

Ao final, e parece haver acordo quanto a isso entre os principais players do setor, o fato é que a imaginada revolução trazida por esta tecnologia é bem mais complicada e tem bases na relação custo versus benefício. É possível ter alguma economia com o frete de lançamento, mas, por outro lado, o satélite levará mais tempo para iniciar sua operação comercial (com impacto na geração de receitas). Ainda, há que se considerar também as eventuais mudanças de posições orbitais, que levariam mais tempo e também teriam reflexos negativos nas receitas.

Este tema, aliás, tem uma importância particular para o Brasil, e daí a importância de se acompanhá-lo. A binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), que pretende operar o foguete Cyclone 4 a partir de um sítio no Maranhão, tem usado como argumento de sua viabilidade o advento da propulsão elétrica, que terá reflexos na redução das massas dos satélites. Em missões de transferência geoestacionária, o Cyclone 4 pode transportar cargas de até 1.600 kg. Até o momento, porém, não surgiram modelos elétricos compatíveis com a capacidade do lançador ucraniano (acredita-se que os modelos da Boeing tenham massa em torno de 2.000 kg).

SGDC mencionado pela Thales Alenia Space

Ao menos por um momento, o Brasil foi assunto no painel dos fabricantes. Ao fazer sua introdução, Bertrand Maureau, vice-presidente da linha de negócios de telecomunicações da franco-italiana Thales Alenia Space, destacou o contrato do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), firmado com a Visiona Tecnologia Espacial em dezembro último, como um negócio chave. “[É] mais do que apenas um satélite. Trata-se de um pacote para treinamento de pessoa, de transferência de tecnologia ao longo de cinco anos”.

Um Ariane 5 "americanizado"?

No painel sobre lançadores, que tradicionalmente conta com a participação de líderes das principais provedoras de lançamento do mundo, o destaque foi a declaração de Stéphane Israël, presidente da Arianespace, que criticou o fato do mercado governamental norte-americano não ser aberto a provedores estrangeiros. "Nós estamos certos de que estamos em posição de oferecer as melhores soluções para os clientes e os contribuintes. E se a questão é [geração de] empregos, nós estamos prontos para ver como podemos "americanizar" nosso lançador", afirmou, sem, no entanto, detalhar.

Um novo lançamento ou seu dinheiro de volta

Ainda quanto aos lançadores, a Lockheed Martin, que comercializa o foguete Atlas 5, anunciou sua estratégia para obter novos contratos, baseada no histórico de confiabilidade de seu veículo. Num cenário de falha no lançador, a companhia oferecerá a clientes que não sejam o governo dos EUA um novo voo, sem custo, ou a devolução do valor pago pelo frete. A presença da Lockheed Martin no segmento de lançamentos comerciais geoestacionários é bastante tímida, em razão de seus preços mais altos (cerca de 30% acima de soluções concorrentes), mas há intenção de ampliá-la. O Atlas V é um dos foguetes, ao lado do Delta IV, da Boeing, utilizado pelo governo norte-americano para a colocação em órbita de satélites geoestacionários.

Presença brasileira

Na área de exposição, do Brasil, apenas uma trading estava presente. A ACS, que participou em 2013, este ano não compareceu. Representantes de companhias nacionais, como a Star One, Oi e Visiona Tecnologia Espacial circularam nas conferências e tiveram encontros com parceiros e fornecedores.
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Workshop INPE - Boeing

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INPE e Boeing promovem workshop 

Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

Desenvolver pesquisas e ferramentas inovadoras baseadas em sensoriamento remoto por satélites para aplicação na área de culturas energéticas. Este é o objetivo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Boeing, que promovem um workshop de 24 a 26 de fevereiro.

As instituições buscam realizar em parceria um projeto denominado “Plataforma para o gerenciamento de culturas energéticas baseadas em tecnologias de sensoriamento remoto”.  A ideia é desenvolver metodologias capazes de mapear culturas para produção de biocombustíveis e, ainda, identificar áreas potenciais para a expansão sustentável dessas culturas.

Especialistas do INPE, da Boeing e de instituições convidadas como o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, PUC-Rio e UFMG apresentarão técnicas e estudos que podem contribuir para o desenvolvimento da nova plataforma.

Este é o segundo workshop envolvendo os parceiros e deve levar a um plano de trabalho para o desenvolvimento do projeto. Em janeiro, os pesquisadores iniciaram as discussões sobre possíveis colaborações, metas e objetivos.

Confira aqui a programação do II Workshop INPE-Boeing

Fonte: INPE
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Biocombustíveis: workshop INPE - Boeing

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Workshop discute desenvolvimento de sistema para gerenciar produção de biocombustíveis no Brasil

Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Em parceria com a Boeing Research & Technology, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) pretende mapear culturas energéticas e identificar áreas potenciais para sua expansão de maneira sustentável.  Para viabilizar o projeto, um grupo de especialistas está reunido nesta quinta e sexta-feira (16 e 17/1) na sede do instituto, em São José dos Campos (SP).

Durante o I Workshop INPE-Boeing sobre o futuro dos biocombustíveis para a aviação no Brasil, os pesquisadores começam a definir o escopo do projeto intitulado Plataforma para o gerenciamento de culturas energéticas baseada em tecnologias de sensoriamento remoto.

Estamos definindo possibilidades de colaboração, limitações e metas para a implementação”, explica a pesquisadora Leila Fonseca, do INPE, que coordena o projeto. “Já temos programado um segundo workshop, entre os dias 24 e 26 de fevereiro”.

A plataforma para culturas energéticas deve se basear nas reconhecidas tecnologias de geoprocessamento do INPE, que desenvolve sistemas customizados capazes de acessar, processar, analisar e disseminar dados espaciais. A experiência do instituto no mapeamento da cana-de-açúcar (Canasat), entre outros projetos de monitoramento do uso do solo, também é um diferencial para estabelecer esta nova iniciativa.

Fonte: INPE

Nota do blog: em abril de 2012, a Boeing anunciou a instalação no Brasil, na cidade de São José dos Campos, de um centro de pesquisa e tecnologia para novas tecnologias aeroespaciais. Em dezembro do mesmo ano (veja a nota "Boeing, INPE e DCTA"), o grupo norte-americano firmou memorandos com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) para o desenvolvimento de projetos conjuntos.
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Satélites de comunicações da Boeing

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Sexto satélite de banda larga construído pela Boeing expande as comunicações táticas

- Austrália é o primeiro parceiro internacional na rede de comunicação segura

EL SEGUNDO, Califórnia, 12 de agosto de 2013 – Com o lançamento do sexto satélite Wideband Global SATCOM, a Boeing e a Força Aérea dos Estados Unidos seguem expandindo a avançada rede de comunicação WGS, que serve o Departamento de Defesa Americano e seus parceiros internacionais, entre os quais, a Força de Defesa Australiana.

“A demanda por comunicações via satélite de banda larga continua crescendo”, diz Craig Cooning, vice-presidente e diretor geral da Boeing Space & Intelligence Systems. “O WGS-6 e o veículo espacial WGS, ainda a ser lançado, ajudarão a atender essa demanda.”

A bordo de um foguete Delta 4 da United Launch Alliance, o WGS-6 foi lançado da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, às 20h29, horário da costa leste dos Estados Unidos. Cerca de 57 minutos depois, os controladores confirmaram que o satélite estava funcionando conforme esperado.

Este é o segundo WGS lançado este ano. O primeiro foi o WGS-5, lançado em 24 de maio. Os satélites WGS oferecem comunicações seguras nas bandas X e Ka, utilizando feixes pontuais moldáveis e direcionáveis facilmente reconfiguráveis com base nas necessidades do usuário.

A Boeing Defesa, Espaço & Segurança  é uma divisão da The Boeing Company e uma das maiores empresas do mundo no setor, especializada em soluções inovadoras e com capacidades voltadas às necessidades de seus clientes. É também a maior e mais versátil fabricante de aeronaves militares do mundo. Com sede em St. Louis, a Boeing Defesa, Espaço & Segurança é uma empresa de US$33 bilhões de faturamento, com 59.000 funcionários mundialmente.

Satélite totalmente elétrico da Boeing conclui Revisão Crítica de Projeto

- 702SP em processo para ser lançado em 2015
- Montagem, integração e testes do veículo espacial estão em andamento

EL SEGUNDO, Califória, 9 de agosto de 2013 – O primeiro satélite da Boeing totalmente elétrico, o 702 Small Platform (702SP), concluiu a Revisão Crítica de Projeto (CDR, da sigla em inglês “Critical Design Review”), permitindo que o programa avance para a fase de montagem, integração e testes de dois satélites.

A Boeing introduziu o 702 SP de 3 a 8 kilowatts na sua linha de produtos 702 em março de 2012 como um projeto mais simples que pode ser construído com mais rapidez e com custos e peso menores que os satélites tradicionais. Sua propulsão totalmente elétrica minimiza a massa do veículo espacial e maximiza a carga disponível.

A empresa está no cronograma para o lançamento duplo dos dois primeiros satélites 702SP no primeiro trimestre de 2015 em um foguete Falcon 9.

“Concluir a Revisão Crítica de Projeto valida que o inovador 702SP atende aos requerimentos e desempenha como o esperado para os primeiros clientes e outros futuros”, disse Craig Cooning, vice-presidente e gerente geral da Boeing Espaço e  Sistemas de Inteligência e CEO da Boeing Sistemas de Satélite Internacional.

Os provedores de serviços de satélite comercial Asia Broadcast Satellite (ABS), Bermuda, e Satélites Mexicanos S.A. de C.V. (Satmex), Cidade do México, já fizeram pedido para quatro satélites, com opção de quatro adicionais.

Fonte: assessoria de comunicação da Boeing Brasil.
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quarta-feira, 17 de abril de 2013

LAAD 2013: o SGDC

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No setor espacial, embora não tenha sido único, o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), tocado pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal Telebrás, foi o grande destaque na LAAD Defence & Security 2013.

As propostas

No último dia 8, sete propostas foram entregues à Visiona. Apresentaram suas ofertas as europeias Astrium e Thales Alenia Space, as norte-americanas Boeing e Space Systems Loral, a japonesa Mitsubishi Electric, a Israel Aerospace Industries (IAI), e a russa ISS Reshetnev. As propostas da IAI e Reshetnev tem como parceira a canadense MDA, que seria responsável pelo fornecimento das cargas úteis das bandas Ka e X. É curioso observar o fato de que a MDA é controladora da Loral, adquirida em 2012.

"Short list" e definição

A expectativa é que a Visiona anuncie uma lista reduzida com três propostas (conhecida pelo termo em inglês "short list") em maio. A decisão do fabricante é aguardada para junho, com a assinatura do contrato nos meses seguintes.

Encontros

A LAAD 2013 foi o ambiente propício para encontros entre os interessados no SGDC. Executivos sêniores dos principais fabricantes, como Astrium, Thales Alenia Space e Boeing, além de Nelson Salgado, presidente da Visiona, estiveram circulando na feira e se reunindo com parceiros e governo. José Raimundo Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) e Petrônio Noronha, diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB também compareceram ao evento, com agendas cheias.

Movimentação israelense

Chama atenção o grande interesse da estatal IAI em participar dos projetos espaciais brasileiros. O grupo, que atua nos setores aeroespacial e de defesa, tem em seu portfólio de produtos espaciais soluções em lançadores (Shavit, de pequeno porte) e satélites de comunicações e imageamento, tanto ótico como radar. Em entrevista dada a uma publicação especializada, um representante da IAI no Brasil destacou o interesse do grupo no País em satélites geoestacionários e de monitoramento ambiental. Na semana passada, a IAI anunciou a aquisição de participação na IACIT, empresa de São José dos Campos especializada na área de radares e sistemas eletrônicos. Há meses, o blog Panorama Espacial também tem ouvido rumores sobre discussões para parcerias e/ou iniciativas conjuntas entre a IAI e a Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A IAI e seus interesses espaciais na América do Sul será objeto em breve de uma postagem com análise específica.

Escolha comercial versus escolha estratégica

A pergunta que todos se fazem é sobre os critérios que pautarão a decisão do SGDC, e qual é a extensão do mandato dado pelo governo à Visiona. Será meramente uma escolha comercial, em que o preço é item crítico, ou a Visiona e o governo também levarão em consideração compromissos e ações voltadas a transferência de tecnologia e contrapartidas, entre outros?
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domingo, 10 de março de 2013

Os americanos estão chegando!

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Notícias e acontecimentos dos últimos meses revelam um crescente interesse de indústrias dos EUA, estimuladas por reformas no International Traffic in Arms Regulations (ITAR), por oportunidades de médio e longo prazos do Programa Espacial Brasileiro e também no mercado comercial de telecomunicações por satélite, o que deve acirrar a competição com indústrias europeias e russas. Alguns indicativos recentes:

Satélite geoestacionário: hoje o maior projeto do Programa Espacial Brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) despertou o interesse de vários fabricantes estrangeiros, dentre os quais alguns dos EUA. É o caso da Boeing (ver também o parágrafo abaixo), Orbital Sciences Corporation e Space Systems/Loral, que, acredita-se, apresentarão propostas até o início de abril.

Estabelecimento da Boeing no País: atraída ao Brasil pelo programa F-X2, concorrência dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), a Boeing está hoje muito mais atenta e disposta a trabalhar com o Brasil, e isto inclui o setor espacial. Semana passada, a reportagem de Tecnologia & Defesa, publicação à qual o blog Panorama Espacial está vinculado, esteve com representantes da Boeing no Brasil. Dentre os tópicos conversados, cooperação na área espacial, inclusive (surpresa!) no segmento de lançadores de pequeno porte, e sensores para imageamento. Vale destacar que a Boeing assinou recentemente memorandos para projetos conjuntos com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). os interesses espaciais da Boeing no País serão abordados em mais detalhes muito em breve.

Space Systems/Loral e telecom: a Space Systems/Loral teve enorme sucesso ao bater a europeia Thales Alenia Space na concorrência do satélite Star One C4, adquirido há alguns anos pela Star One, subsidiária de comunicações via satélite da Embratel. A fabricante de satélites de grande porte, hoje pertencente ao grupo canadense MDA, quer ampliar sua presença na América do Sul, elencando o Brasil como um mercado-chave (destaque para a reportagem "Post-merger SS/L Turns Its Gaze to Russia, Brazil", da Space News, de 1º de março). Além do interesse no SGDC, a companhia americana é considerada uma forte candidata ao fornecimento do Star One D1, primeiro satélite de quarta geração da Star One, que contará com capacidade em banda Ka. A aquisição pela MDA, em tese, também amplia o seu escopo de atuação e oportunidades locais, uma vez que o grupo canadense tem como expertise os segmentos de robótica espacial e imageamento por radar, este último um segmento de enorme interesse e necessidade no Brasil.

SpaceX de olho no Brasil: no final de janeiro, a Agência Espacial Brasileira (AEB), em Brasília (DF), recebeu uma surpreendente visita: a diretora de negócios da empresa americana SpaceX, Stella Guillen. O propósito da visita foi conhecer os programas brasileiros e também avaliar possíveis parcerias. As chances da SpaceX figurar em alguma proposta "turn-key" para o lançamento do primeiro SGDC são bastante razoáveis, segundo pessoas que acompanham de perto a concorrência. Apesar de extremamente competitivo em termo de preço, um ponto negativo para a companhia americana é seu maior lançador em operação, o Falcon 9, ainda não realizou nenhum lançamento geoestacionário.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ariane 5: sétima missão do ano

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Ontem (19), foi realizado com sucesso mais um voo do lançador Ariane 5 - o sétimo e último deste ano, colocando em órbita de transferência geoestacionária os satélites Skynet 5D e o MEXSAT Bicentenario, do governo mexicano. São dez anos consecutivos de sucesso, em 53 missões e lançamento de 97 cargas úteis entre satélites, sondas e ATVs (transporte de cargas para a Estação Espacial Internacional).

O Skynet 5D, que fornecerá capacidade em comunicações para as Forças Armadas britânicas, numa espécie de parceria público privada operada pela divisão de serviços da europeia Astrium, foi construído pela divisão de sistemas espaciais da mesma empresa, pertencente ao grupo EADS.

A Astrium, aliás, comemorou a missão com um sucesso triplo: pelo lançamento de um satélite por ela fabricado, a ser por ela operado, por um foguete em que é também a contratante principal.

México: alegria e tristeza

A outra carga útil levada pelo Ariane 5 foi o MEXSAT Bicentenario, com massa em torno de 3.000 kg, construído pela Orbital Sciences Corporation, dos EUA, e que será operado pelo governo do México para fornecer comunicações as suas necessidades. O sistema MEXSAT, contratado com a Boeing no final de 2010, será formado por três satélites.

Mas, se por um lado o governo mexicano comemora, uma empresa privada mexicana, a Satmex, já numa frágil situação financeira, encontra-se num momento bastante delicado. No último dia 9, ocorreu uma nova falha do lançador russo Proton com o estágio superior Breeze-M (a segunda este ano e a terceira num período de dezesseis meses), resultando na colocação em órbita errada do satélite de comunicações russo Yamal 402. A falha provocou o adiamento da missão de lançamento do Satmex 8, que seria realizada por um Proton operado pela International Launch Services (ILS) até o final deste ano.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Boeing, INPE e DCTA


Boeing explorará projetos conjuntos com o INPE e o DCTA

Pesquisa colaborativa tem por alvo áreas como ciências de voo, energia e meio ambiente, materiais, integração de sensores e fusão de dados

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, Brasil, 11 de dezembro de 2012 – A Boeing assinou hoje dois acordos individuais com o DCTA, Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, e o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, para a investigação e desenvolvimento de projetos tecnológicos de interesse mútuo.

“O fortalecimento de nosso intercâmbio técnico e colaboração para pesquisa e desenvolvimento beneficiará o Brasil, a Boeing e a indústria aeroespacial”, diz o Dr. Matthew Ganz, vice-presidente e diretor geral da Boeing Research & Technology. “Esforçamo-nos para trabalhar mundialmente com os mais renomados pesquisadores para desenvolver tecnologias aeroespaciais que beneficiem nossos clientes, e estas são duas instituições de pesquisa líderes no mundo."

“A Boeing está comprometida em trabalhar em parceria com o Brasil para desenvolver tecnologias que possam ser usadas em escala global e esses acordos são mais um passo para a conquista dessa meta", complementa Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil.

Sob o primeiro acordo, a Boeing e os institutos de pesquisa do DCTA, entre eles o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), o IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço) e o IEAv ( Instituto de Estudos Avançados), explorarão oportunidades de colaboração nas áreas de ciências de voo, energia e meio ambiente, incluindo biocombustíveis, materiais, sistemas de lançamento espacial, e educação e treinamento em engenharia.

“A maior parte das mudanças tecnológicas relacionadas à indústria aeroespacial exige um esforço comum de todos os envolvidos no setor. Temos, por exemplo, o consórcio BOEING-EMBRAER para elaborar um roadmap dos biocombustíveis sustentáveis para a aviação, que tem suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a participação de muitos outros agentes interessados, tanto do setor governamental quanto do privado”, afirma o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Ailton dos Santos Pohlmann, Diretor-Geral do DCTA.

Sob o segundo acordo, a Boeing e o INPE explorarão oportunidades nas áreas de sensores remotos para a gestão de culturas energéticas, desenvolvimento e integração de sensores baseados no ar e em terra, fusão de dados para a gestão do uso da terra e integração de sensores para nanossatélites.

“O INPE e a Boeing planejam trabalhar conjuntamente para explorar potenciais colaborações de pesquisa e desenvolvimento de interesse mútuo. Isso será realizado de acordo com legislação de seus países e, inicialmente, terá por foco as áreas de Observação da Terra, Ciência Espacial e Atmosférica e o CTE (Centro de Tecnologias Especiais)”, diz o diretor do INPE, Leonel Perondi.

A Boeing Pesquisa e Tecnologia é a organização de pesquisa avançada, tecnologia e inovação da Boeing e trabalha para fornecer uma ampla base de soluções tecnológicas inovadoras e acessíveis para os atuais e futuros sistemas e serviços de aviação.A Boeing Research& Technology-Brasil trabalha com grandes pesquisadores no Brasil e no mundo. Para mais informações, visite o www.boeing.com.br

O DCTA é a maior e mais completa organização brasileira de pesquisa e desenvolvimento aeroespacial. Fundado em 1950, o DCTA emprega atualmente milhares de cientistas e técnicos civis e militares.

O INPE é um instituto de tecnologia espacial e pesquisa atmosférica internacionalmente reconhecido, tendo desenvolvido e testado vários veículos espaciais. O INPE pertence ao Ministério Brasileiro de Ciência e Tecnologia.

Fonte: Boeing
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

XII ENEE: "O Setor Espacial Brasileiro: Cenário Atual e Perspectivas"


Entre os dias 7 e 9 de novembro, acontece na Escola Naval, no Rio de Janeiro (RJ), o XII ENEE - Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, que terá como temática "O Setor Espacial Brasileiro: Cenário Atual e Perspectivas". O evento é organizado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

O encontro terá palestras de especialistas de praticamente todos os segmentos do Programa Espacial Brasileiro, inclusive da indústria. Estão confirmadas as presenças do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, de  diretores da AEB, como Petrônio Noronha de Souza (diretoria de Política Espacial e Investimentos Estratégicos) e Carlos Alberto Gurgel (diretoria de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento), o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), Brig. Carlos Kasemodel, além de representantes dos Ministérios das Comunicações, Agricultura e da Defesa, da Embrapa, Cemaden, dentre vários outros órgãos governamentais.

Do setor industrial, haverá representantes da Embraer e Visiona Tecnologias Espaciais, Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), e também estrangeiros, como Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil. Esta fará uma exposição sobre a participação da Boeing nos programas de desenvolvimento de tecnologias e sistemas espaciais do Brasil.

Para saber mais sobre o encontro e também para se inscrever, acesse http://www.sae.gov.br/enee/
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Boeing: 80 anos de Brasil


Em coquetel realizado na capital paulista na noite de hoje (24), a Boeing comemorou 80 anos de parceria com o Brasil - iniciada em 1932 com a entrega de aviões F4B-4 ao governo, e aproveitou para lançar o website de sua unidade brasileira, a Boeing Brasil: http://www.boeing.com.br.

A Boeing, considerada o maior grupo aeroespacial do mundo, tem dedicado especial atenção ao mercado brasileiro. Apenas este ano, foram anunciadas a criação de uma subsidiária, chefiada por Donna Hrinak, ex-embaixadora dos Estados Unidos no País, de um centro de pesquisa e desenvolvimento, acordos de cooperação com a AEL Sistemas (aviônicos), parcerias com a Embraer em biocombustíveis, no projeto do cargueiro militar KC-390 e em sistemas para a aeronave Super Tucano, financiamento de bolsas a estudantes dentro do programa Ciência sem Fronteiras, debtre outros esforços relevantes. Recentemente, a fabricante fechou um importante contrato com a companhia aérea Gol para o fornecimento de 60 aviões 737 MAX, de nova geração.

Indicando a boa relação com a Embraer, em vídeo divulgado hoje, Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, falou sobre os acordos de cooperação entre a fabricante brasileira e a Boeing em matéria de defesa e biocombustíveis.

O website da Boeing Brasil traz informações bem interessantes sobre a história e a presença do grupo norte-americano no País, assim como seu portfólio de produtos e serviços promovidos localmente: aeronaves comerciais, e sistemas de defesa, espaço e segurança (aeronaves militares, como o F-18 E/F Super Hornet, que participa da concorrência F-X2, da Força Aérea Brasileira, o helicóptero pesado Chinook, a munição JDAM, dentre outros). Na área espacial, destaque para satélites, em particular geoestacionários de comunicações.

Na seção "A Boeing no Brasil", a empresa destaca alguns projetos na área de satélites, desenvolvidos entre as décadas de setenta e noventa. Reproduzimos a descrição abaixo:

"O Brasil e a Boeing Satélites

A Boeing Satélites está envolvida com a indústria brasileira de comunicações via satélite desde a sua criação, no início de 1970. Em 1974, a Boeing (então Hughes) foi contratada para construir uma estação terrestre perto do Rio de Janeiro (Tanguá) para a Embratel revender capacidade Intelsat, conectando o Brasil à rede de satélites Intelsat.

Em 1982, a Boeing, em parceria com a SPAR Aerospace do Canadá, foi contratada pela Embratel para a construção de dois satélites 376 (denominados Brasilsat A1 e A2) mais um Centro de Controle de Operações em Guaratiba. Os satélites foram lançados em 1985 e 1986.

Em 1990, a empresa líder em telecomunicações do Brasil na época, a Embratel, assinou um contrato para dois veículos espaciais (Brasilsat B1 e B2). Em 1995, a Embratel  exerceu a opção para um terceiro veículo. Um quarto satélite foi encomendado em junho de 1998. Como parte do contrato, a Hughes dividiu o trabalho de engenharia da estação terrestre com a Promon Engenharia S/A, de São Paulo. O Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, foi designado como o local para o teste final do sistema do Brasilsat B2. O Brasilsat B1 foi testado em El Segundo, Califórnia, e usado para treinar os engenheiros do INPE. A estação Brasilsat B oferecia serviços básicos de telecomunicações: televisão, telefone, fax e transmissão de dados e redes de negócios."

Oportunidades

No segmento espacial, a Boeing parece não esperar viver apenas do passado no Brasil. Em 2011, a empresa participou da concorrência promovida pela Star One, subsidiária da Embratel, para o satélite geoestacionário Star One C4, vencida pela também norte-americana Space Systems / Loral. A Boeing é também frequentemente mencionada como uma das fabricantes interessadas no projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), a cargo da Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a Telebrás.

Nos últimos anos, a Boeing fechou importantes contratos em satélites de comunicações com a Inmarsat (banda Ka), governo do México (sistema MEXSAT), ABS e Satmex (satélites com propulsão elétrica), e SES (contratado anunciado em 10 de outubro), estando definitivamente de volta ao mercado comercial de satélites geoestacionários de comunicações.
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domingo, 6 de maio de 2012

O valor da inovação


Como parte de suas estratégias para o aquecido mercado brasileiro, algumas empresas estrangeiras dos setores aeroespacial e de defesa têm ido além da fabricação local ou promessas de transferência de tecnologia. Comprometem-se agora com projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), isto é, desenvolver novos produtos e tecnologias no País, em parceria com universidades, centros de pesquisa e indústrias brasileiras. Tais estratégias, embora relacionadas principalmente à projetos do setor de defesa (Programa F-X2, Sisfron e SisGAAz, dentre outros), podem também beneficiar a área espacial, direta ou indiretamente.

No início de abril, a norte-americana Boeing anunciou a criação, no País, de um centro de pesquisa e desenvolvimento (Boeing Research & Technology - Brazil), a ser instalado em São Paulo, e que terá como principais áreas de foco de pesquisa, biocombustíveis sustentáveis de aviação, gestão avançada de tráfego aéreo, metais avançados, biomateriais e tecnologias de apoio e serviço, tanto para a área comercial quanto para a área militar. A Boeing seguiu a estratégia já adotada pelo grupo europeu EADS e o sueco Saab (veja no final desta postagem nota da coluna "Defesa & Negócios", publicada na edição n.º 127 de Tecnologia & Defesa, de dezembro de 2011).

Um exemplo dos benefícios que estes esforços em PD&I podem gerar às atividades espaciais brasileiras: em 19 de abril, representantes da Boeing Research & Technology estiveram no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), para discutir aspectos relacionados à consolidação de uma parceria para a realização de experimentos e cálculos teóricos relacionados à pesquisa em veículos hipersônicos, em particular, o projeto do veículo 14-X.

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Saab e EADS atentas à inovação

Para ocupar posição relevante no mercado brasileiro de defesa, não basta mais apenas se comprometer a fabricar localmente e transferir tecnologia. Com o crescente interesse do governo brasileiro em aprimorar sua capacidade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), alguns grupos com fortes laços com o País estão se antecipando e anunciando criação de centros locais de PD&I.

Em maio [de 2011], a sueca Saab participou, como membro fundador, do lançamento do Centro de pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), instalado em São Bernardo do Campo (SP), que desenvolverá projetos nas áreas de defesa e segurança, energia sustentável e desenvolvimento urbano, em parceria com empresas, entidades governamentais e universidades do Brasil e da Suécia. Em novembro, o CISB e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) fecharam um acordo para a concessão de 100 bolsas de estudos para pesquisadores brasileiros na Suécia, que serão financiadas pela Saab.

Em novembro [de 2011], o grupo europeu EADS anunciou que instalará no Brasil, em local ainda não definido, o seu sexto centro de inovação fora da Europa, que deverá reunir as atividades das unidades do grupo já presentes no País. A Helibras, subsidiária da Eurocopter, a Cassidian, por meio da joint-venture com a Odebrecht e a Equatorial Sistemas, controlada pela Astrium, já desenvolvem atividades de inovação no Brasil. A Equatorial Sistemas, instalada em São José dos Campos (SP), por exemplo, obteve inclusive linhas de subvenção econômica da FINEP, empresa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que financia projetos no setor. O centro brasileiro estará conectado a outros 16 núcleos de inovação e pesquisa da EADS, que contam com mais de 700 engenheiros distribuídos em nove países. Além da Europa, em seus mercados "domésticos", a EADS tem centros de inovação na Rússia, Índia, EUA, Cingapura e China.

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 127, coluna "Defesa & Negócios".
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domingo, 8 de abril de 2012

SGB e o fratricídio francês

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Desde setembro de 2011, o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) se tornou o principal tema de interesse do Programa Espacial Brasileiro pela indústria espacial estrangeira. E com frequência, surgem notícias sobre os preparativos e as movimentações para a viabilização do projeto, a ser executado pela BR1SAT, joint-venture a ser constituída pela Embraer Defesa e Segurança e a estatal Telebrás, sob os auspícios e interesses dos ministérios das Comunicações e Defesa.



À medida que o projeto vai se viabilizando, também acontecem as movimentações de empresas e indústrias interessadas, e o blog passará a abordar algumas dessas movimentações de bastidores.


De acordo com informações que chegaram ao conhecimento do blog Panorama Espacial, houve uma tentativa francesa para uma proposta conjunta para o governo brasileiro, envolvendo a Thales Alenia Space e a Astrium, num solução turn-key, com a entrega do satélite em órbita. Seria uma proposta similar a que está sendo feita pela Astrium e Thales Alenia Space para a empresa espanhola Hisdesat envolvendo o satélite militar Hisnorsat. A Thales, no entanto, teria recusado a proposta.


Na opinião de quem observa atentamente as movimentações empresariais relacionadas ao SGB, a decisão da Thales demonstra a importância que o eventual contrato brasileiro representa para a empresa. Em 2011, o único contrato para a construção de um satélite geoestacionário de comunicações conquistado pela companhia foi com governo do Turcomenistão. Não houve encomendas comerciais. Oficialmente, as dificuldades em conquistar novos negócios teriam um motivo principal: a desvalorização do euro frente ao dólar, o que estaria minando a competitividade da indústria espacial europeia. Mas, mesmo com a desvalorização do dólar, a também europeia Astrium fechou em 2011 cinco novas encomendas de satélites geoestacionários, inclusive de clientes comerciais, como a DirectTV e Eutelsat.


A Thales Alenia Space é a contratante principal do Syracuse, o sistema francês de comunicações militares por satélite, e tem esperanças de que seu expertise na área, aliado ao acordo de parceria estratégica entre o Brasil e a França, sejam determinantes para a sua escolha como fornecedora principal do satélite do SGB.


A competição vai se desenhando


Em declarações públicas feitas há algumas semanas, Marco Antônio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação não perdeu a oportunidade para falar sobre a aguardada abertura de concorrência internacional para a seleção do fornecedor do SGB, o que tem causado certa aflição em setores industriais e mesmo no governo.


Primeiro, Raupp falou da possibilidade da participação norte-americana, e embora não tenha citado nomes, fato é que a Space Systems Loral (selecionada pela brasileira Star One para a construção do Star One C4) já esteve em Brasília para contatos relacionados a uma possível participação no SGB, conforme já revelado pelo blog. Além da Loral, cogita-se também sobre o possível interesse da Boeing, que, em mais de uma ocasião, demonstrou estar atenta a oportunidades espaciais no Brasil.


Diz a lenda, a Loral, que é bastante conhecida por suas propostas competitivas, muitas vezes com valores percentuais até dois dígitos mais baratos, já conta com experiência (e habilidade) em suportar "desaforos" sul-americanos. A Boeing, por sua vez, apesar de ter sistemas de comunicações considerados caros, há alguns anos decidiu voltar com força ao mercado, e colocou o Brasil como um dos seus mercados de atenção, particularmente pelo Programa F-X2, que prevê a aquisição de novos caças pela Força Aérea Brasileira.


Raupp também esteve na Índia, integrando a comitiva que viajou ao país asiático no final de março. Nesta ocasião, o ministro convidou os indianos a analisarem o projeto SGB e eventualmente participarem da concorrência. A Índia conta com uma tecnologia recentemente madura em satélites geoestacionários, principalmente em plataformas de médio porte, mas ainda depende de fornecedores estrangeiros para componentes e cargas úteis, como os transpônderes de comunicações, usualmente fornecidos pela europeia Astrium. A empresa do grupo EADS e a Antrix Corporation (braço comercial da agência espacial indiana, a ISRO), aliás, mantêm vários acordos de cooperação, como em lançamentos de cargas úteis, satélites, entre outros.


Fratricídio?


Para muitos observadores, a indústria espacial francesa sempre foi vista como uma das mais bem posicionadas para o SGB, posicionamento este que ganhou reforço com o acordo de parceria estratégica celebrado em dezembro de 2008. Uma falha da indústria da França em unir esforços para uma oferta conjunta para o SGB poderia resultar num movimento fratricida, que só traria prejuízos a sua própria indústria. Falhas estas, aliás, que muitas vezes levaram a indústria francesa a ser surpreendida e perder negócios em que já era entendida como vitoriosa, mesmo no Brasil (uma pessoa ouvida pelo blog citou o caso, pouco conhecido em detalhes, da tentativa francesa em vender e transferir tecnologia de pequenos satélites de observação).
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Boeing se estabelece no Brasil

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Ontem (28), a companhia norte-americana Boeing anunciou a indicação de Donna Hrinak, ex-embaixadora no Brasil, para dirigir o novo escritório do grupo em São Paulo. A nomeação, que será efetiva a partir de 14 de outubro, "expande ainda mais a presença da Boeing no Brasil e reforça o compromisso da empresa com clientes, indústria e governo", afirmou a companhia em nota.

Dentre as responsabilidades de Hrinak, destacam-se o desenvolvimento e implementação da estratégia da Boeing no País, relações governamentais, identificação de oportunidades de negócios novos e emergentes, e relacionamento da empresa com clientes e parceiros.

"O Brasil é uma das economias que mais cresce no mundo e representa para a Boeing um grande mercado de produtos e serviços com fontes ricas em colaborações atuais e futuras nas áreas de tecnologia, indústria e finanças”, declarou Shep Hill, presidente da Boeing International e vice-presidente sênior de Desenvolvimento de Negócios e Estratégias.

No Brasil, a Boeing participa do Programa F-X2, da Força Aérea Brasileira, e é também importante fornecedora de aeronaves comerciais para companhias aéreas, como a Gol e TAM. Recentemente, a unidade espacial do grupo também participou da licitação promovida pela Star One, do grupo Embratel, para o fornecimento de um satélite de comunicações, e vê ainda várias oportunidades no País, especialmente junto ao governo, considerando as diretivas da Estratégia Nacional de Defesa.

Em agosto, num encontro com a imprensa especializada, Christopher Raymond, vice-presidente executivo de Estratégias & Desenvolvimento de Negócios, afirmou que no campo espacial existem oportunidades locais em "hosted payloads" para comunicações (ver a postagem "Boeing, Programa F-X2 e satélites"). O executivo não deu mais detalhes, mas supõe-se que a oportunidade esteja no campo de comunicações governamentais e militares, especialmente considerando-se a decisão do governo em definitivamente lançar o programa do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB). A empresa é vista como potencial interessada na concorrência a ser em breve lançada.

Nos EUA, existe a expectativa de que as regras do International Traffic in Arms Regulations (ITAR), conjunto de normas que, grosso modo, controlam a exportação de tecnologias militares e duais, sejam flexibilizadas, especialmente na área de satélites, o que, em tese, favoreceria as fabricantes de satélites e componentes, dentre elas a Boeing. Sobre esse tema, recomendamos a leitura da reportagem "Recovering from ITAR: Possibly Tough for U.S. Satellite Industry", publicada na edição de setembro da revista Via Satellite.
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domingo, 21 de agosto de 2011

Boeing, Programa F-X2 e satélites

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O programa F-X2, de aquisição de novos aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB) parece ter voltado à tona, com os três competidores - a sueca Saab (Gripen NG), a francesa Dassault Aviation (Rafale F3), e a norte-americana Boeing (F-18 E/F Super Hornet), voltando a carga em seus esforços para vencer a competição. Segundo informações dadas por executivos dos competidores, a FAB solicitou que as propostas apresentadas em 2009 tivessem seus prazos de validade estendidos até o final de 2011, o que leva a crer que pode haver uma decisão até o final do ano.

Dentro de sua estratégia para conquistar o contrato no Brasil, a Boeing está apostando fortemente na extensão de seu portfólio de produtos e soluções, que vão muito além de aeronaves de combate. Dennis Muilenburg, presidente e CEO da Boeing Defense, Space & Security, detalhou esta possibilidade em recente entrevista, citando inclusive a área espacial, especificamente, satélites:

"Como a Boeing pode ajudar o Brasil a desenvolver uma capacidade industrial autônoma de defesa?

É importante entender que a Boeing não é apenas uma fabricante de aviões, mas oferece um amplo portfólio de sistemas de defesa e capacidades…. A Estratégia Nacional de Defesa brasileira reconhece que uma parceria com fabricantes estrangeiros pode reduzir os custos e encurtar prazos. Uma parceria econômica poderosa já existe atualmente entre Brasil e Estados Unidos, e o Programa F-X2 oferece uma oportunidade para reforçar ainda mais esta parceria na área de defesa e segurança a nível governamental e industrial. Assim, acreditamos firmemente que a Boeing pode fornecer uma parceria superior àquela proposta por nossos concorrentes. Os produtos da Boeing atendem todos os requerimentos materiais identificados pela Estratégia Nacional de Defesa do Brasil, seja transporte militar, satélites, veículos aéreos não tripulados (VANT), sistemas em rede, segurança cibernética e proteção de infra-estruturas críticas, superioridade aérea e armas. Ter este portfólio diversificado significa que podemos entregar um desempenho maior a custos baixos e ajudar o Brasil a alcançar seu objetivo de autonomia nacional."

Semana passada, num encontro com a imprensa especializada, ao ser questionado por Tecnologia & Defesa sobre o interesse da Boeing na área de satélites, Christopher Raymond, vice-presidente executivo de Estratégias & Desenvolvimento de Negócios, afirmou que existem oportunidades locais em "hosted payloads" para comunicações. O executivo não deu mais detalhes, mas supõe-se que a oportunidade esteja no campo de comunicações militares. Em abril, num seminário realizado na LAAD 2011, a Star One, atual prestadora de serviços de comunicações via satélite para o SISCOMIS, do Ministério da Defesa, destacou o conceito de "hosted payloads" (ver a postagem "O conceito de "hosted payloads" para comunicações militares").

Uma pequena nota da edição da semana passada da revista VEJA também destaca que o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, recebeu como uma das prioridades de sua pasta a construção de satélites de comunicações, mais um indicativo de que a materialização de alguns projetos, como o do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) está se aproximando.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Space Systems/Loral e Star One C4

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De acordo com informação recebida e apurada pelo blog Panorama Espacial, a fabricante de satélites norte-americana Space Systems/Loral (SS/L) foi pré-selecionada pela Star One, subsidiária da empresa de telecomunicações Embratel, para a construção do Star One C4. A informação foi confirmada ao blog por duas fontes e circula nos bastidores desde, ao menos, a semana passada. Não foi possível de se confirmar se um contrato já foi assinado.

A Space Systems/Loral tem forte atuação no nicho de satélites de comunicações de maior porte, o que pode ter sido determinante, juntamente com a desvalorização do dólar frente ao euro, para ter apresentado a proposta mais competitiva em termos de preço. Desde julho, rumores de que a proposta da SS/L teria sido a mais baixa já circulavam no mercado.

Três fabricantes apresentaram propostas para o Star One C4, que, comenta-se deve dispor de 48 transpônderes: as americanas SS/L e Boeing, e a europeia EADS Astrium. A Thales Alenia Space, responsável pela fabricação dos dois satélites de terceira geração da Star One atualmente em órbita (Star One C1 e C2), optou por não participar da competição, depois da difícil perda para a Orbital Sciences Corporation do contrato do Star One C3.

Caso a seleção da SS/L se confirme, a empresa americana terá a oportunidade de recuperar sua imagem no mercado brasileiro de comunicações via satélite. Isto por que os dois satélites Estrela do Sul (1 e 2), que ocupam posições orbitais brasileiras e foram fabricados pela SS/L enfrentaram problemas nos painéis solares, reduzindo suas capacidades (vejam a postagem a 'A "maldição" do Estrela do Sul').
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Direitos de exploração de satélites

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Anatel autoriza licitação para direito de exploração de satélite brasileiro


14 de Julho de 2011


O Conselho Diretor da Anatel autorizou hoje, em sua 613ª reunião, a abertura de procedimento licitatório, na modalidade de concorrência pública, para conferir direitos de exploração de satélite brasileiro para transporte de sinais de telecomunicações.


Até quatro novos satélites brasileiros poderão entrar em operação nos próximos cinco anos, ocupando posições orbitais em coordenação ou notificação em nome do Brasil ante a União Internacional de Telecomunicações (UIT).


A nova licitação possibilitará aumentar a capacidade satelital brasileira para atender as atuais demandas no setor e aquelas antecipadas em função de grandes eventos, tais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, entre outros projetos.


O edital de licitação para conferir direito de exploração de satélite brasileiro estará disponível para consulta na página da Anatel em 19 de julho. Para participar da licitação, os interessados devem adquirir o edital com a Comissão de Licitação, situada no 9º andar do Bloco E, Quadra 6, Setor de Autarquias Sul, Brasília - DF, a partir do dia 19 de julho de 2011, nos dias úteis, no horário de 9h às 12h e de 14h às 16h.


Nesta licitação, além das posições orbitais e faixas de frequências não planejadas, as interessadas poderão escolher posições orbitais e faixas de frequências associadas aos planos dos Apêndices 30, 30A e 30B do Regulamento de Radiocomunicações da UIT.


Os satélites deverão cobrir 100% do território brasileiro e dedicar parte da capacidade para atender o mercado brasileiro. Os direitos de exploração serão conferidos por 15 anos, prorrogáveis uma única vez. Uma mesma empresa poderá obter até dois dos quatro direitos licitados.


O edital de licitação para o direito de exploração de satélite brasileiro foi objeto da Consulta Pública n.° 10, de 15 de fevereiro de 2011.


Fonte: Anatel


Comentários: o mercado de comunicações via satélite no Brasil está num momento aquecido, e a licitação para a exploração de novas posições de satélites indica um pouco esse momento (sobre o mercado, ver a postagem "Mercado de comunicações via satélite no Brasil"). Aliás, a Star One, maior operadora brasileira no segmento, está próxima de selecionar o fornecedor do satélite Star One C4, que terá 48 transpônderes. Segundo informações recebidas pelo blog, a expectativa é de que uma decisão seja tomada dentro das próximas semanas. No páreo, estão as norte-americanas Loral e Boeing, e a europeia Astrium, do grupo EADS.
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